SOBRE CRENÇAS E FANTASIAS

“Estar do lado da Evolução não é um problema sério para muita gente profundamente religiosa já que é possível aceitar a Evolução sem duvidar da existência de um ser imaterial. Por outro lado, a idéia radical e ainda em maturação entre neurocientistas de que a mente é um produto do cérebro apresentará o desafio final para todas as religiões.

Este é um debate que nasce com o dualismo de Descartes no século 17 e chega às declarações de vitória dos neurofilósofos materialistas hoje. O debate esotérico sobre mente e cérebro vai acabar terminando numa questão fundamental: se a mente é um produto do cérebro, como que um produto da mente, como Deus, pode ter qualquer existência possível?

O debate é se uma deidade, por um lado, vem da imaginação humana ou de uma necessidade biológica ou, por outro lado, se ela é autêntica e o cérebro evoluiu para perceber.”

(A carta, publicada pela revista Nature, é de Kenneth S. Kosik, neurocientista da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.)

Quando lemos o livro de Gênesis podemos ver claramente que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Logo, ele foi feito também com uma capacidade latente de reconhecer este criador e até mesmo de ter necessidade de contato e de relacionamento com Ele. O que as religiões, seitas e todas as outras invencionices humanas fazem (ou tentam fazer…) para suprir esta necessidade já deixa claro que o homem moderno, intelectualizado ou não, silvícola ou esquimó, beduíno ou eremita, todos, sem exceção, necessitamos preencher a lacuna que foi aberta lá no éden, quando o homem pecou e foi afastado do convívio com o seu criador. A própria palavra religião, religare, religio, nos remete a uma nova ligação, um reatar de laços antigos (laços familiares?). Gosto de dizer que é uma volta ao jardim secreto e ao costume antigo de conversar com o Todo Poderoso na viração da tarde…

Embora o conceito de religião seja mais abrangente do que exponho aqui, qualquer tentativa, qualquer esforço humano é pífio e incapaz de nos aproximar de verdade do nosso criador, por isso entendo que o trabalho  de Jesus Cristo de providenciar a descida do Espírito Santo e a sua morte expiatória na cruz, era a parte que cabia somente a Ele fazer, já que Ele é a parte ofendida; ao providenciar perdão e um caminho, Deus deixou claro o seu interesse em nos receber de volta para aquela “prosa vespertina” no jardim secreto de todo coração adorador… Ele abriu a porta para as ovelhas voltarem ao seu aprisco.

Mas voltando ao tema, sim, temos uma necessidade intelectual de Deus, porque precisamos entender e aceitar com a razão, visto que o homem é um ser que pensa e vive apenas aquilo que acredita… E mesmo que não o reconheçamos com a mente, Ele não será feito menor por isso; Deus não é um mito, uma lenda; não aceitá-lo é uma negação de nossa própria existência.

A realidade é que os homens tentam suprimir esta necessidade intelectual e espiritual buscando meios próprios de se aproximar de Deus. Não podemos clonar um ser vivo? Não atingimos a lua? Então posso fazer Deus me ouvir. Mas se estivermos equivocados? E se o homem não for o centro de tudo? O cérebro não é um órgão que, como todo o nosso corpo, se tornará pó um dia? Mas a nossa alma não. Ela permanecerá para sempre, no céu ou no inferno. Por isso a maioria prefere meditação, yoga ou coisas afins, pois quando esvazio a minha mente e durante horas medito, eu esqueço desta necessidade, quase que não preciso de Deus. Mas assim como a corça anseia por águas a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo, do Deus que fala comigo e que me ama demonstrando sua alegria e cuidado… Que preenche o meu ser intelectual e espiritual a ponto de estar em paz e achar que não preciso de mais nada nesta terra. Preciso apenas de estar em comunhão com Deus e não com energias cósmicas que nada dizem ao meu coração, que não demonstram afeto… É triste admitir, mas a sociedade moderna precisa  entender que este caos social que estamos vivendo é fruto de não procurar uma comunicação com Deus, de nos apegarmos apenas com outros semelhantes que não dispõem de respostas ou de certezas além do nosso cotidiano factual e plausível… Darwin não é mais um consenso, o homem é muito mais que um aperfeiçoamento genético de alguns símios. Penso, e reconheço que existo por que fui criado por Deus para agir intelectualmente. Penso por que fui criado para pensar e para fazer escolhas, ainda que estas escolhas me levem a querer existir longe do criador. Ou não. Deus prefere correr o risco de nos deixar escolher a ter que nos manipular friamente. Ele nos trata como seres inteligentes e não como meras formas biológicas irracionais. E, não por acaso, Ele nos ama muito.

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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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4 respostas para SOBRE CRENÇAS E FANTASIAS

  1. Clayton Rozza disse:

    Porque é tão difícil para as pessoas admitir que o Universo é muito mais bonito se for visto de maneira naturalista, do que emcumbindo uma entidade divina (que supostamente nos ama) de ter feito tudo à nossa volta? Em contrapartida, também posso dizer: Porque existe essa noção de que a ciência “desprova” deus ou que deus desconsidera a ciência?

    Por último, Pinduca…Jura mesmo que você é cristão fundamentalista, que leva o Paraíso do Éden, Adão e Eva e outros frutos da mitologia hebraica como acontecimentos reais???

    • lucasmalaguet@ig.com.br disse:

      Oi Clayton! A ciência não desaprova Deus, apenas existe uma noção errada de fé e razão em que uma desautoriza a outra; a Bíblia já avisava que a ciência se multiplicaria e a fé diminuiria, e que seria necessário fazer um esforço para viver uma vida na qual Deus ocupasse o seu devido lugar. Eu tento levar uma vida baseada em princípios bíblicos, sou contra a promiscuidade, os vícios (que quando não matam, humilham), sou contra tudo o que possa desagregar a família, a sociedade e o ser humano. Falando em éden, eu não encaro como mitologia simplesmente porque o mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja essência é efetivamente uma representação coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. E, na medida em que pretende explicar o mundo e o homem, isto é, a complexidade do real, o mito não pode ser lógico: ao revés, é ilógico e irracional. O texto Bíblico visto por esta ótica, vai muito além disso, ele não conduz o homem ao embotamento intelectual como muitos “cientistas” e defensores da razão acreditam. Algumas vezes encontramos na Torah (Bíblia hebraica) a definição das atitudes e atos pelos quais o homem se prende, se liga ao divino ou manifesta sua dependência em relação ao ser invisível tido como sobrenatural. Tomando-se o vocábulo num sentido mais estrito, pode-se dizer que a religião para os antigos é a reatualização e a ritualização do mito. O rito possui, “o poder de suscitar ou, ao menos, de reafirmar o mito”. Dito de outro modo, embora o homem deseje conhecer a fundo o mundo em que vive, ele sempre dependerá do aperfeiçoamento de métodos e técnicas de interpretação. A ciência é realmente um saber, mas que também é histórico e sua validade prática depende de como foi construído argumentativamente. Ou seja, a ciência é a posse de um saber construído historicamente, isto é, determinado pelas condições do seu tempo. Portanto, Mito e Ciência possuem entre si não uma relação de exclusão ou gradação, mas sim de intercomplementaridade, haja vista que um sempre sucede ao outro de forma cíclica no decorrer do tempo. Se posto isto, como base de um padrão cristão de comportamento, que a maioria chama de fundamentalismo, então eu sou.

  2. Clayton Rozza disse:

    Eu to no meio de um freelance, para podermos discutir isso mais abertamente. Mas ainda não vi clarificação no sentido da minha última pergunta. Quero dizer, você é um cristão fundamentalista? Toma por literal as histórias do Velho Testamento? Acredita em um homem vindo do barro e uma mulher de uma de suas costelas? No fruto proibido, na serpente, etc?

    P.S. – O mito e a ciência não são intercomplementares, uma vez que a ciência não toma de bom grado alguma explicação, porque ela parece mais satisfatória. Mesmo tentando fugir do clichês, quando não havia explicação para o raio, ele era associado á Zeus. Mas não foi esse marco inicial que se fez chegar na conclusão científica do que forma um raio.

    • lucasmalaguet@ig.com.br disse:

      Sim, eu sou um cristão fundamentalista. Mas nem sempre tomo por literal as histórias do Velho Testamento, embora acredite que o homem tenhavindo do barro e uma mulher de uma de suas costelas.

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