Esta é a canção que se prende a mim!

Esta semana deparei-me com um comentário de um amigo na internet: “Costurei a queda num mastro e ergui a bandeira de meus olhos no céu”. [1]

Imediatamente lembrei-me da viga principal da cruz cristã, o mastro, onde foi executado com maestria o ato que interrompeu a queda-livre, em que se encontrava a humanidade, em direção ao poço do pecado e para sua vazante mais próxima e definitiva, o inferno. E percebo que é o mandamento primeiro que nos “costura” a ele:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.” [2]

Agradeço a Deus pela segurança proporcionada por tal ato. A cruz encimada no Gólgota só está firme e pode proporcionar segurança a quem se “costura” a ela apenas pelo ato abnegado e inigualável do Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo não aceito quando tentam encerrar Jesus Cristo no conceito de mito, apresentando-o como qualquer forma substituível de uma verdade. Uma verdade que esconde outra verdade (segundo Roland Barthes). Talvez fosse mais exato defini-lo como uma verdade profunda que preenche nossa mente e alma, visto que:

“Nós marchamos pela fé, não pela visão (II Coríntios 5.7). Se vivêssemos já pela visão, não teríamos nada que esperar. Não haveria ontem e amanhã. Mas vivemos pela fé, isto é, viemos de Cristo e vamos para Cristo. Paz e alegria nos dois lados, mas nesta marcha vai-se de riqueza em despojamento, e de despojamento em nova riqueza. … o que quer dizer que a certeza confiante não é cristã se ela não é atravessada pela sede de uma salvação futura realizada em Cristo na plenitude. Cristo veio, Cristo virá; nós esperamos seu dia, está é a palavra de ordem. “A Palavra se fez Carne”, tem por corolário: “Amém, ora vem Senhor Jesus”.” [3]

Os equívocos sobre a crucificação e seu real valor, são motivados pelo fato que poucos se dão ao trabalho de verificar a verdade que existe no “mito” de Jesus Cristo, buscando apenas a ilusão que o mesmo contém. Muitos vêem no mito tão-somente os significantes, isto é, a parte concreta do signo. Mas é preciso ir além das aparências e buscar-lhe os significados, quer dizer, a parte abstrata, o sentido profundo. Aos doutores de plantão faço apenas esta ressalva: Não é a quantidade de respostas que te faz mais esperto, inteligente ou sábio; mas a maneira como encara as perguntas e o jeito como procura resolver as questões diz se és um tolo ou alguém com conhecimento.

Esta é a canção que se prende a mim! “Nunca mais vai ser ouvido, Outro conto de amor, Que converta um perdido, E rebelde pecador“… Esta canção expressa uma verdade cristã universal: quem além de Deus pensou em resgatar o ser humano desobediente e afundado em seus pecados, ser este que almeja o céu, mas diariamente tenta justificar sua permanência do lado de fora dele, com um comportamento impróprio para o padrão de um morador celestial? Apenas Deus nos apresenta de Gênesis a Apocalipse, o seu amor inigualável; apenas Deus nos mostra seu plano perfeito, e ainda assim a humanidade desdenha Dele. É no evangelho de João, Cap. 3, v. 16 [2] onde podemos ler uma síntese de toda uma Bíblia: Deus se entregaria por amor aos seus e os resgataria da morte. Seu sacrifício único seria o chamariz para todo que cresse. Esta é a mensagem que todos precisam ouvir e entender, e a repressão ou rejeição desta verdade em nada a diminui ou acrescenta. De certa forma, Paulo de Tarso já havia dito o mesmo sobre contemporâneos seus que (como Russell) “reprimiram a verdade” [4]: “Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade – tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que não têm desculpa. Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus nem lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos arrazoados, e seu coração insensato ficou nas trevas.” [5]

Olhando para Ele, Cristo, autor e consumador da nossa fé, entendo que “Deus revelou-se. Isto significa: a Palavra se fez carne. Deus assumiu a natureza humana. Em Cristo Ele se apropriou do homem caído. O homem perdido é chamado ao lar. A morte de Cristo é a última palavra desta encarnação. Nele, a nossa falta e o nosso castigo são afastados, suprimidos. Nele, o homem se tornou um redimido, de uma vez por todas. Nele, Deus se reconciliou conosco. Crer é ver, saber, reconhecer que isto é assim.” [3]

Concluo com uma declaração já exposta anteriormente [6]: “Ao rejeitar a ideia de que só o conhecimento objetivo possa constituir o único valor, o homem de fé acaba por desconsiderar o mundo visível da experiência humana como o mundo dos valores supremos. Este reconhece que acima deste mundo fenomenal está a realidade espiritual do Reino de Deus, e quase sempre esta realidade passa despercebida dos nossos sentidos físicos. O que torna o exemplo de Cristo na sua encarnação, na sua abnegação por amor, de suma importância para nossa definição doutrinária e consequente experiência cristã. Não podemos esquecer também que esta revelação bíblica é para este tempo e este mundo, para todos nós; um baluarte contra o erro (Mt. 22.29; Gl. 1.6-9; 2Tm. 4.2-4) [2] mas deve ser aceita por fé e por amor.”

[1] http://twitter.com/#!/jeronimo_sanz

[2] Mateus 22:37, para este texto foi utilizada a Bíblia versão Almeida Corrigida e Revisada.

[3] A Proclamação do Evangelho, Karl Barth, Editora Novo Século, São Paulo – 1963.

[4] Romanos 1:18b (Bíblia da CNBB).

[5] Romanos 1:20-21 (Bíblia de Jerusalém).

[6] http://blig.ig.com.br/lukeintheclouds/2011/05/07/dialogos-no-messenger-ii/

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Sobre lucaspinduca

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