O DIA DE OLHAR PRA TRÁS

 

“O fato é que olhando pras pessoas, realmente são poucas aquelas que podem olhar pra trás e dizer: realizei meus sonhos de juventude. A maioria das pessoas olham pra trás e tentam se convencer do por quê foi melhor ter acabado assim”.

 (…) Tinha muitos amigos que desejavam dedicar suas vidas ao Evangelho. Sonhavam em serem pastores, profetas, missionários, terem bandas evangelistas, etc. A esmagadora maioria acabou se conformando com aquilo o que o destino trouxe. Depois arrumaram uma justificativa pra explicarem porque foi melhor assim.

 (…) Acho que aí mora parte da verdade. Não que sonhamos coisas irreais quando somos jovens, mas não calculamos realisticamente o preço que teremos que pagar para alcançá-las. Romantizamos a caminhada e, quando o desafio vem, ele nos surpreende e pipocamos. Daí, depois de um tombo, muitos optam por arrumar uma desculpa pra ficar no chão ao invés de se levantar e tentar de novo”. [1]

 

Uma das razões para desperdiçarmos a nossa vida é que a nossa cultura geral está cheia de trivialidade; e diariamente somos levados a buscar somente isso; mas uma dieta permanente de trivialidade arruína a alma. Você se acostuma com ela. Começa parecendo normal. Aquilo que é tolo torna-se divertido, e o divertido, agradável [2]. E quando percebemos, estamos profundamente satisfeitos com tudo isso. O homem criado para adorar, engrandecer e respeitar a Deus acha-se completo e feliz apenas com as trivialidades da vida.

Parafraseando Lloyd-Jones [3], todo o propósito humano deve ser colocado em uma perspectiva de salvação e de vida cristã porque este é o desejo de Deus; este Deus, quando se revela ao homem tem por finalidade aprimorá-lo, aperfeiçoando-o para toda uma existência infinita. É o que vemos em todas as epístolas bíblicas, onde o ensino é voltado para pessoas cristãs como nós com problemas sociais, comportamentais e familiares, mostrando ao homem que o padrão vigente, o comportamento e o modo de viver do homem moderno são contrários ao que foi planejado por Deus porque não aperfeiçoa o homem, preparando-o para a vida eterna e o convívio com o mais sublime dos seres, que é o próprio Deus, mas proporciona ao homem uma acomodação nesta vida e não permite um preparo para a eternidade, tornando-o materialista, inflexível e rebelde.

Mas, o que podemos fazer que fosse realmente valioso, para tratar as coisas de Deus não como “mais uma opinião”, mas como a absoluta e suprema realidade? Talvez, se déssemos ouvidos ao apóstolo Paulo:

 

“Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. (Rm. 13.11)”.

 

Ou prestássemos atenção no que ensinou Charles Haddon Spurgeon:

 

“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.

 

Muito pior que uma moral rota e esfarrapada, é uma santidade baseada na minha justiça própria; não somos santos porque deixamos de fazer o que é errado, somos santos porque desejamos fazer o que é correto e direito, porque buscamos nos aproximar de Deus para melhor servi-lo; É uma questão de renúncia e entrega. Nunca esquecendo que, o caminho para chegarmos à aceitação e perfeição divina foi aberto por Jesus Cristo, mediante o seu sacrifício, o que tira de qualquer um o mérito próprio. Somos perfeitos quando correspondemos à confiança depositada em nós por Deus para realizarmos algo em prol do Seu Reino, mas sem sermos justificados por Cristo jamais poderemos agradar a Deus com as nossas parcas realizações. Somente conseguiremos apresentar ao nosso Deus menos do que aquele servo mau e medroso da parábola de Lucas 19.11-28, se analisarmos as conseqüências de nossas atitudes, e não ficarmos atentos apenas as nossas necessidades ou vontades, mas buscarmos a vontade do nosso Senhor todo o tempo.

Quando ignoramos o projeto, plano, pensamento ou o quê você pensa que Deus preparou para a sua caminhada com Ele, deixamos de entender que o nosso grau de influência como cristãos pode ser medido pela nossa santidade e serviço a Deus. Se, a maioria daqueles que professam ser cristãos fossem, quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer conseqüência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra: a falta de compromisso e santidade reais. Eis o grande desafio para a igreja de Cristo hoje:

 

“Purifiquemos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co. 7.1).

 

O plano de Deus para todo indivíduo tem um fim específico exarado em vários pontos das Escrituras. Esse objetivo é o objetivo máximo de toda a ética cristã, transmitido de forma muito elucidativa em Romanos 8.29:

 

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

 

Portanto, ser conforme a imagem do Filho de Deus trata-se de plena identificação com Ele que é o objetivo máximo da salvação, da libertação e da ética cristã. Deus ordena como alvo para nossas vidas a perfeição, baseado em seu próprio exemplo, (conforme Mt 5.48). Esse exemplo divino é ainda maior e melhor demonstrado por meio do sofrimento de seu Filho (conforme Hb. 2.10).

Podemos dizer que, o “dia de olhar para trás” é na verdade o dia de olhar para si mesmo e avaliarmos se, todo o tempo, esteve agindo dentro da ética de Cristo. Porque a nossa santidade é para Deus, assim como nosso serviço é para o outro. Nós somos livres para tomarmos a decisão que quisermos. Entretanto, não podemos tomar decisões impensadas e agirmos irresponsavelmente, produzindo mal estar e comoção geral. Os limites da nossa liberdade estão na responsabilidade da escolha daquilo que se pretende fazer e dizer, e os caminhos pelos quais se atingirão o fim a que se destinam as nossas escolhas, para que jamais possam ser ignorados. Portanto, a ética repousa no princípio de que somos livres, porém, responsáveis para decidirmos pelo que é sadio. A nossa liberdade é para fazermos aquilo que é direito e correto, aquilo que agrada a Deus, ou seja, a sua própria vontade. Como os evangelhos nos informam: cada um deve trabalhar com suas próprias mãos e, que este trabalho deve dar frutos bons: não se devem produzir artigos tolos e supérfluos, nem, muito menos, uma publicidade ainda mais tola para nos persuadir a adquiri-los. Não há lugar para a ostentação, para a fanfarronice nem para quem queira empinar o nariz.

Se nos preocuparmos com a profundidade de nosso ministério, Deus cuidará de sua largura. Se ministrarmos tendo em vista o crescimento espiritual, o crescimento numérico será aquilo que Deus tenciona que seja. Afinal de contas, qual o benefício de um crescimento numérico que não está arraigado em um compromisso com o Senhorio de Cristo? Se as pessoas vêm à igreja primariamente por considerarem isso divertido, em breve hão de abandoná-la, tão logo acabe o entretenimento ou tão logo encontrem algo mais interessante. Desta forma, a igreja é forçada a participar de um ciclo vicioso, onde precisa constantemente sobrepujar cada espetáculo com algo maior e melhor. [4]

Quando sonhamos e desejamos alcançar e realizar grandes coisas dentro do evangelho, não podemos nos esquecer que não vamos buscar o proveito próprio, mas sim a plenitude do outro; porque comunhão é a celebração do outro. Esta atitude talvez exija de alguns de nós mais do que estamos dispostos a dar. Como cristãos conscientes não podemos nos envergonhar de falar, de testemunhar nossa fé, de alargar os espaços de anúncio da salvação. E mais: não devemos ter medo de descobrir nossa vocação pessoal e comunitária e ajudar os “irmãos mais pequeninos”, como foram os missionários que trabalham em todas as partes do mundo. Um jovem cristão deve sentir a força juvenil a impeli-lo para a Missão universal, e orando a Deus buscar aumentar sua fé e encontrar um rumo para uma caminhada de descoberta, de anúncio e de testemunho do amor que perdoa e dá paz ao homem.

 

“Não deixem, pois enfraquecer a vossa confiança no Senhor; ela será abundantemente recompensada. É preciso continuar com perseverança a fazer a vontade de Deus, se quiserem depois obter o que ele vos prometeu”. [5]

 

[1] Extraído de um texto escrito por Tonho para o site Portas Abertas, 2007.

[2] Penetrado pela palavra, john piper, pág. 89, Ed. Fiel, 2003.

[3] Lloyd-jones, D. M., Estudo do Salmo 73, Editora PES.

[4] cf.  Eu Quero a Religião Show, por  John F. MacArthur Jr.

[5] Hebreus 10:35-36, O Livro, Copyright © 2000 by International Bible Society

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Sobre lucaspinduca

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