UM HOJE PARA ONTEM POR FAVOR!

Esqueça os conclaves, as comissões de direito e as convulsões sociais por um momento. Olhe para a realidade social contemporânea na qual estamos inseridos: tudo está imerso de tal maneira nesta tal modernidade1 (ou pós-modernidade, o que preferir) tão decantada, desejada e tão aplaudida nestes últimos tempos com sua “nova cultura”, que ela vem modificando ética, moralmente, e antropologicamente o homem e poucos tem percebido. Agora, a própria racionalidade, o senso comum2 e a própria independência de escolha racional centrada exclusivamente no indivíduo autônomo é o novo padrão de quase tudo. E aos modelos e aos valores do antigo padrão, destruídos por esta “nova cultura” impõe-se modelos e valores próprios (alguns ainda não definidos e nomeados) de uma nova realidade, que produz novas relações sociais que são aquelas próprias de uma nova humanidade. Mas essa “nova cultura” está destruindo cinicamente (mudando valores) as culturas precedentes, da tradição familiar às várias culturas particularistas e pluralísticas populares. Ou vem tentando sistematicamente fazê-lo. Por isso considero uma tarefa crucial do apologista cristão, para a relevância cultural da igreja no cenário atual (uma sociedade pós-cristã em que a submissão a um Deus Criador é desprezada e não está mais em voga, em que a simples crença na possibilidade de milagres é visto como superstição simplória), que a defesa da verdade Bíblica crie um espaço intelectual para a aceitação do evangelho. No lugar de simplesmente pontificar afirmações dogmáticas, os apologistas cristãos são ordenados hoje, a fornecer argumentos defensáveis “com mansidão e respeito” (1 Pedro 3:15-18) e uma vida de submissão a mesma verdade defendida:

“O que convence as pessoas não são as prédicas, mas as práticas. As ideias podem iluminar. Mas são os exemplos que atraem e nos põem em marcha. Eles são logo entendidos por todos. As muitas explicações mais confundem que esclarecem. As práticas falam por si.” 3

Que esta atual sociedade rejeita a sã doutrina também é evidente. Tudo nesta “nova cultura”, a realidade e as perspectivas são verbais: aquilo que conta é um hoje arranjado, onde foi preciso colocar o ser humano como medida de si, de suas relações e do universo (antropocentrismo), a partir de uma lógica hedonista, cartesiana, e de uma moral liberal (ou qualquer outra moral inventada) onde a auto-indulgência é um ganho tão grande para o indivíduo, que já não permite mais o cimento da coesão cultural-social ditado pelo padrão moral divino, este mesmo cimento que, anteriormente, dava o sentido ordenador da realidade e do social com suas mediações. Então, defender a doutrina cristã contra as invenções, perversões de pseudo cristãos e liberais tais como, Brent Staples4, que proclamou uma tese de que o cristianismo havia fracassado e estava entrando em colapso, e de que continuaria a fazê-lo, a menos que a religião chegasse a um acordo com as ortodoxias liberais no tocante às questões do sexo e da orientação sexual, é de suma importância, é essencial.

Infelizmente, não fica bem esclarecido para a maioria que um dos problemas centrais da modernidade consiste no fato de “haver uma soberania da razão, uma soberania da técnica, porque o racionalismo e os racionalistas aspiram à certeza, apesar de esta aspiração não ser mais do que uma ilusão.”5 O que torna necessário uma reengenharia social para que “estes novos valores e modelos” ganhem impulso político e social considerável na sociedade. É o que vivemos e temos visto: os proclamadores desta modernidade, desta “nova cultura”, com um proselitismo quase que agressivo, vem “pregando” a sua doutrina de igualdade, tolerância, justiça e amor através da TV, rádio, jornais, revistas, internet. Fica claro que eles não querem ser vistos como anormais ou perigosos. Eles querem aceitação e eles querem que você receba-os com braços abertos, braços amorosos, aprovando o que eles fazem. E, sim, não importa se alguém é forçado a isso, enquanto puderem viver disso. É este o clima politicamente correto que atualmente permeia toda a sociedade, quem renuncia aos caprichos desta moralidade relativista está errado, é anacrônico, intolerante e será alijado juntamente com seu “velho padrão” pelo comportamento novo.
Sabemos que a realidade da própria mudança é inegável: ela aconteceu e continuará a acontecer. Apenas reparamos tão pouco nessa mudança que ela mal chegou a ser mencionada em toda a barulheira com que a mídia cercou o fim do segundo milênio. Mas devemos considerar também que não há duvidas quanto às realidades subjacentes, demográficas e religiosas, que garantem que o cristianismo florescerá neste novo século. Precisamos, como cristãos praticantes da verdade expressa nos evangelhos, na Bíblia, apenas saber como reagir a essa realidade:

“Andai em sabedoria para com os que estão de fora, usando bem cada oportunidade. A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.” (Colossenses 4:5-6)

Porém é ingenuidade acreditar totalmente que a justiça e a política atuais possam manter as coisas relativamente equilibradas e garantir relevância e valor a Igreja ou ao evangelho. Eles juntamente com a mídia estão comprometidos demais com a “nova cultura”. Só para lembrar: quando a Igreja cristã se manifesta publicamente contra a imoralidade, seja ela de ordem moral, social, educacional ou política, logo se ouve os gritos de “separação entre Igreja e Estado”, “Somos um estado laico”, lançados contra os chamados “fanáticos religiosos” e “fundamentalistas” e amplificados pela mídia. Mas quando os grupos autodenominados “minorias” (Leia-se a comunidade homossexual, os ateus, feministas e etc.) usam o poder político tentando controlar a igreja e o estado para obter que sua agenda seja ensinada nas escolas, promovida e codificada na literatura, ou superprotegida pelas leis, nenhum grito de intolerância é ouvido pelos corredores sagrados da mídia. Por quê? Porque não é politicamente correto ficar ao lado dos cristãos. É um retrocesso manter antigos padrões.
Importante observar aqui que os políticos são dificilmente recuperáveis para uma operação desse tipo. A luta deles é pela pura sobrevivência. Precisam encontrar, a cada dia, um apoio para ficarem escorados e inseridos ali onde lutam (por si ou pelos outros, não importa) com raríssimas exceções. Igualmente, a mídia de hoje reflete fielmente o cotidiano, o torvelinho em que estão presos e mergulhados6; e reflete também fielmente as palavras mágicas, ou os verbalismos puros, aos quais estão submetidos, reduzindo as perspectivas de entendimentos reais. A grande mídia autora desse reflexo parece ser cúmplice dessa cotidianidade pura, mitificada, como se fosse “séria”. Manobras, conluios, intrigas, negócios sujos de Palácio passam por acontecimentos sérios. Enquanto que para um olhar um pouco mais desinteressado são apenas, naturalmente, contorções tragicômicas, astuciosas e indignas.
Finalmente, mesmo que as mentes pensantes do século 21 aceitem ou não Deus existe, e ele ainda é o padrão de justiça da maioria. Se alguém acredita ou não nisso, ou acredita que a moralidade é um vago sistema de fluxo de desenvolvimento ao longo do tempo, isso não tem relação com a verdade expressa na Bíblia. No mundo inteiro, as tendências religiosas têm o potencial de reformular os pressupostos sociais e políticos de um modo que não se tem visto desde a ascensão do nacionalismo moderno.
E sim, Deus condena a desobediência ao seu mandamento, à arrogância de criaturas que decidem ir contra a vontade do seu Criador. Rejeitar e inverter a ordem criada por Ele é um pecado do qual toda a sociedade moderna pós-cristã precisa arrepender-se; e, como de qualquer outro pecado, a única forma de receber o perdão é esta: através do sacrifício de Jesus Cristo. Lembrando aos cristãos que você não ganha pessoas para o Senhor, condenando-os e chamando-lhes por vários nomes. É por isso que Deus diz para falar com graça, sabedoria e amor. Deixar o amor de Cristo fluir através de você para aqueles que querem e podem ver, afim deles voltarem para Cristo em vez de ir para longe Dele:

“Mas o fim desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência, e de uma fé não fingida;” (1 Timóteo 1:05)

1-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2012/10/10/para-que-o-fruto-permaneca/
2-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2012/11/11/resista-a-pressao/
3-http://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/22/um-papa-que-paga-as-proprias-contas/
4-Brent L. Staples, New York Times, Book Review, 26 de novembro de 2000.
5-Michael Oakeshott, “Rationalism in Politics”, in Rationalism Politics and Other Essays, Liberty Fund, Indianapolis, 1991, p. 17.
6-http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/clima_de_horror_nas_redacoes

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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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Uma resposta para UM HOJE PARA ONTEM POR FAVOR!

  1. Juliana Fernandes disse:

    Muito bom o texto,edificando e alimentando vida e almas… Deus te abencoe

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