Sobre o orgulho

“A soberba é manifestada em nós o tempo todo. E faz sentido quando pensamos em nosso egocentrismo, ou em nossa vaidade e ambição exasperada, ou em nossa necessidade de grandeza e valorização. E em como batemos orgulhosos no peito bradando o próprio nome, com espírito altivo. Somos melhores que todos os outros, merecemos mais. Exigimos respeito, exigimos reconhecimento, queremos poder, queremos status, queremos atenção para o que consideramos ser a mais maravilhosa criação dos céus: nós mesmos. Triste verdade para nós, grave pecado segundo o cristianismo. Pura soberba. Tudo vaidade, como já dizia o sábio Rei Salomão.” 1

 C. S. Lewis fez uma observação interessante:

 Quanto mais orgulho a pessoa tem, menos gosta do orgulho em outros. Na verdade, se você quiser saber o quão orgulhoso você é, a maneira mais fácil é perguntando-se: “O quanto não gosto quando outras pessoas me desprezam, ou se recusam a me notar, ou me tratam com superioridade ou se exibem?” 2

 Considerar-se mais inteligente, mais bonito, mais forte ou mais capaz que os outros são aspectos de arrogância. E este é o tipo de comportamento e atitude mais encorajados na nossa cultura moderna, inclusive no meio cristão, embora não tenha nenhum respaldo na palavra de Deus:

 “Farei calar ao que difama o próximo às ocultas. Não vou tolerar o homem de olhos arrogantes e de coração orgulhoso.” (Sl. 101.5) e “Embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes.” (Salmos 138.6)

 O desconhecimento disto traz a existência vários desdobramentos do orgulho:

 – Uma pessoa com orgulho autoprotetor é geralmente sensível por natureza, e a menor ofensa  a levará a poupar-se de mais danos erguendo paredes em sua fortaleza pessoal. Toda pessoa com paredes protetoras deve abrir sua guarda e perceber que é bom ser vista como alguém que não é tão perfeito. Que ser humilhado não é algo tão terrível assim, e que Deus usará isso para seu próprio bem “Por isso diz a Escritura: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tiago 4:6). Thomas A. Kempis disse “É bom, às vezes, sermos contestados, embora tenhamos uma boa intenção”. Essas coisas geralmente ajudam a obter humildade.” 3

 – Temos o orgulhoso inacessível, aquele que não pode ser corrigido ou reprovado. Esta pessoa precisa aprender a ouvir o conselho de outros e permitir ser repreendido quando necessário;

 – O sabe-tudo orgulhoso, que por ser talentoso e inteligente pensa que pode fazer tudo e sempre suspeita da capacidade dos outros, acha que tem todas as respostas e é presunçoso. Sua arrogância esbarra no conselho paulino: “Não se enganem. Se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era, deve tornar-se “louco” para que se torne sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus. Pois está escrito: “Ele apanha os sábios na astúcia deles”; (1 Coríntios 3:18-19);

 – Para o orgulhoso auto-engrandecido, que gosta de atenção e a busca sofregamente (importante frisar que as pessoas também gostam de lhe dar atenção!), um conselho de Salomão: “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios.” (Provérbios 27:2) e outro de Tiago: “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.”  (Tiago 4:10);

 – E por último, uma pessoa com orgulho espiritual imagina-se um gigante espiritual, mas na verdade é uma pessoa cheia de si, exalando farisaísmo, pois apesar de agir como modelo de santidade, não tem maturidade, estabilidade e compromisso suficientes para obedecerem a seus líderes ou a Deus.

 Há anos a sociedade vem ensinando o questionamento das autoridades, a insubmissão e a rebelião contra as lideranças. Não é humildade o que a maioria deseja, mas a superioridade. Em vez de aceitarmos as ordens de um superior no trabalho ou na igreja colocamo-nos arrogantemente no mesmo nível; achamos que quem deve liderar somos nós. Esquecemos que a perspectiva de Deus sobre a autoridade é bem diferente:

 “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas.” (Hebreus 13:17)

 Precisamos aceitar humildemente nossa posição abaixo dos líderes que Deus estabeleceu para nós. Qualquer pessoa que amadurece como crente saberá que aproximar-se mais de Deus resulta em uma diminuição da autoconsciência, em um maior aprendizado de que a autoestima deve ser substituída pelo senso de segurança e realização dados por Deus e em mais obediência por meio da direção do Espírito Santo. Sem isto não podemos ser chamados de servos!

A obediência cristã significa imitar a Deus na sua Santidade e a Cristo na sua humildade (e no seu amor). E tem sua origem na gratidão pela graça recebida e não do desejo de obter reconhecimento, merecimento e de justificar-se aos olhos de quem quer que seja ou de Deus. Faz parte da obediência do crente a Deus obedecer as autoridades divinamente estabelecidas na família, na igreja e no estado. Entretanto, se houver algum choque entre as reivindicações, o crente deve estar pronto para desobedecer ao homem a fim de não desobedecer a Deus, conforme está no livro dos Atos dos Apóstolos:

 “E o sumo sacerdote os interrogou, Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5:27-29)

 Como o esforço para obter honra e ser o maior faz parte da natureza humana, e parece praticamente inevitável, precisamos evitar os exageros fazendo o que Jesus disse:

 Mas, vocês não serão assim. Pelo contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa como o que serve. (Lucas 22:26)

 Então tornar-se um servo é uma atitude que a pessoa precisa desenvolver. Envolve um estilo de vida em que o próximo vem antes de nós mesmos. Ao contrário de ser orgulhoso, que é simplesmente ser cheio de si; que tem um senso de valor próprio superestimado e uma atitude de “ser melhor que os outros”. Preciso dizer que todo orgulhoso superestima sua reputação; mas integridade (caráter) não é reputação. D. L. Moody diz que o caráter é o que o homem é na obscuridade, quando está sozinho. Infelizmente nossa geração acha difícil distinguir caráter de reputação; e isto é tudo o que vale hoje em dia: ter uma reputação. Ser o “tal”, o “cara”. Será preciso lembrar que a concretização dos nossos sonhos depende mais da nossa integridade do que da nossa reputação? No livro de Provérbios  lemos que “A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói.” (Provérbios 11:3)4. Seu caráter é tudo o que você é na sua intimidade e ninguém sabe, suas atitudes repetidas diariamente e que moldam sua personalidade; sua marca pessoal, o “sinal” que a distingue dos outros e pela qual o individuo define seu estilo, a sua maneira de ser, de sentir e de reagir. Ou seja, o caráter não apenas define quem você é, mas também descreve o seu estado moral.

1- https://oficinadopinduca.wordpress.com/2012/11/11/resista-a-pressao/

2- C. S. Lewis, Mere christianity,Collier Books, NY, 1943, p. 108.

3- Thomas A. Kempis, Of the imitation of Christ, Baker Book House, 1973, p. 17.

4- Extraído de  QUEM É VOCÊ PARA JULGAR?, LUTZER, E. W., Rio de Janeiro, CPAD, 2005, pág. 236-7.

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Sobre lucaspinduca

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