NUNCA É TÃO FÁCIL

Esta é a única certeza para viver este e todos os outros anos que virão: Nunca é tão fácil. E se existe algum jeito simples de viver ele passa ao largo do planejamento da maioria das pessoas, tão afobadas com as escolhas diárias, com os seus prognósticos futuros que sempre acabam criando uma certa ordem ou desordem em suas vidas. O que sempre fica evidente cada vez mais é, o ano muda mas as pessoas não, que os valores e os objetivos continuam os mesmos, ou seja, aquilo que é urgente tomou o lugar daquilo que é importante. Como diriam os Paralamas (grifo meu):

“Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim

Alguém vai dizer que a vida moderna é assim mesmo; que isto é o que todos almejam, serem bem sucedidos. Bem, sucesso para mim é outra coisa; é ser feliz e estar satisfeito, aprender e fazer algo que faça sentido na minha vida, que traga paz e beneficie também o meu próximo, sucesso é “aprender a caminhar no céu”. Não que eu seja ingênuo. Sei que vivemos em um mundo capitalista e eu consumo coisas. Mas é preciso olhar a esquerda, com olhos cheios de graça, estar feliz e alegre de fazer aquilo que tanto agrada a Deus e abençoa o próximo. Mesmo com um custo pessoal preciso valorizar o outro e manifestar humildade ainda que, nunca é tão fácil:

“Se por estarmos em Cristo, nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.
      Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.
      Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
      E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!
      Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” 1

Esta é a missão da Igreja: difundir a mensagem de Jesus Cristo pelo mundo. Na realidade, se esse não for o foco principal, a Igreja tende a se transformar em uma “ONG beneficente”, mas sem relevância  à saúde espiritual das pessoas. Mas é importante lembrar, entretanto, que proclamar a mensagem de Jesus Cristo é algo bem abrangente e sério. Existem implicações definidas e explícitas nessa frase. Portanto é importante que você saiba, tudo que construímos a nossa volta, de conquistas materiais a relacionamentos, as coisas que valorizamos, tudo pode mudar o caráter das pessoas. Ou seja, as pessoas não se corrompem porque ficaram apaixonadas por casas e carros ou outras coisas. Isso acontece quando há um desvio antes. Porque os valores que cultivaram não eram bons. E o grande problema hoje é que a autenticidade cristã tornou-se uma promessa evasiva e escorregadia e nós, seres que não somos realmente nós mesmos. Então, só por isso, uma coisa não deveria sair de moda: A alegria de ajudar os outros com amor e de verdade, sabendo isso:

“Essa alegria não é de bobos alegres que o são sem saber porquê. Ela brota de um encontro com uma Pessoa concreta que lhe suscitou entusiasmo, lhe produziu elevo e simplesmente o fascinou. É a figura de Jesus de Nazaré. Não se trata daquele Cristo, coberto de títulos de pompa e glória que a teologia posterior lhe conferiu. Mas é o Jesus do povo simples e pobre, das estradas poeirentas da Palestina que trazia palavras de frescor e de fascínio. (…) evangelizar é refazer esta experiência e a missão da Igreja é resgatar o frescor e o fascínio pela figura de Jesus”.2

A igreja precisa perceber que aquele tempo em que precisávamos ir para o mundo para ter contato com ele já passou. Hoje o mundo vem à nossa procura. Agora existe uma força circulando, a qual está cativando os homens. Você alguma vez já sentiu o poder do mundo tanto quanto hoje em dia? Já ouviu tantas conversas sobre dinheiro? Já pensou tanto sobre alimento, diversão e vestuário? Onde quer que vá, até mesmo entre cristãos, as coisas do mundo são os tópicos das conversas. Precisamos ter uma atitude mais parecida com a de Cristo, aceitar tão somente o que ele aceitou.
Hoje o altruísmo3 é aceito em alguma medida por quase todos. Claro, ninguém o defende de forma consistente, pelo menos não por muito tempo. Ao invés disso, a maioria das pessoas aceita o altruísmo como verdade para em seguida não obedecê-lo. Deveria até mesmo ser mais incentivado, mas não este altruísmo que está em voga usado como elemento principal para se autoajudar. Mas aquele segundo escreveu Tito em sua epístola (grifo meu):

“Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente4

Pergunto: O amor que fez alguém morrer por você deveria ou não incentivar seu altruísmo (Porque Deus nos amou de tal maneira que nos enviou seu filho)? Deveria ou não aumentar a sua doação pessoal? Ou será que Deus colocou o amor ao próximo em uma perspectiva muito alta para você e seria preciso lembrar que os mesmos critérios que usamos para avaliar as pessoas hoje são usados também com produtos e serviços(valorizamos mais o ter que o ser)? E que estes critérios se resumem basicamente a calor humano (amor, empatia) e competência? Ora, é óbvio que o ser humano é muito mais complexo que uma batedeira ou um carro popular; e não, não estamos vivendo dentro de um comercial de margarina ou smartphones. Como seres sociais que somos vivemos em grupos, de relacionamento em relacionamento, criamos laços ou nós a medida que nos doamos mais ou menos. Sei que por isso, para evitar os danos emocionais e físicos (Ou nos damos muito bem ou muito mal), as pessoas desenvolveram a habilidade de julgar rapidamente (e por isso tão mal) qual a intenção de outra pessoa em relação a eles e quão capaz ela é de levar adiante esta intenção. Claro que ninguém quer sofrer, mas, infelizmente “Não há relações neutras. Cada uma impulsiona ou prejudica pessoas, ajuda ou magoa.”5 Então administrar bem nossos relacionamentos pode ser a diferença entre um ano novo bom, satisfatório ou um marcado por decepções. E vale a pena fazer uma breve reflexão sobre o nosso comportamento cristão pois temos enorme prazer em achar que estamos certos sobre tudo. Infelizmente, porém, errar não é tão anormal assim. Todos nós erramos numa frequência muito maior do que gostamos de admitir.6
Uma última coisa: não podemos esquecer que somos seres espirituais, temos uma alma também. E quando estamos perante um novo ano cheio de alternativas e uma escolha de caminhos se nos oferece, a pergunta não é: isto é bom ou mau? Isto é útil ou prejudicial? Não, a pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: isto é deste mundo, ou de Deus? Pois uma vez que o único conflito existente no universo é esse, então sempre que dois caminhos contrastantes se abrirem à nossa frente, a escolha em questão é nada menos que: Deus… ou Satanás?7
Lembre-se também que sempre podemos começar com o que Jesus dizia a todos: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me”. Ou simplificando: Ame a Deus acima de tudo e ao teu próximo como a você mesmo. Ame de verdade, com todo teu entendimento e coração. Nunca é tão fácil não é mesmo? Mas nós conseguiremos se permanecermos Nele.

1- http://www.bibliaonline.com.br/nvi/fp/2
2- http://leonardoboff.wordpress.com/2013/12/20/ha-saida-para-o-desamparo-atual-e-alegria-para-o-coracao/
3- Segundo Dicionário Aulete Digital, dedicação desinteressada ao próximo; FILANTROPIA [antôn.: Antôn.: egoísmo.] http://aulete.uol.com.br/altruísmo
4- http://www.bibliaonline.com.br/acf/tt/2
5- Van Moody, THE PEOPLE FACTOR.
6- César Souza, VOCÊ MERECE UMA SEGUNDA CHANCE, pág. 116, Agir, 2012.
7- Watchman Nee, NÃO AMEIS O MUNDO, pág. 16.

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Sobre lucaspinduca

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