Não acordeis nem desperteis o amor, até que ele o queira

Pequena palestra realizada em 2006 para um grupo de jovens e adolescentes cristãos, que reproduzo aqui por achar o tema abordado muito atual e pertinente.

Segundo o dicionário Aurélio, namorar é procurar inspirar amor, cortejar, cativar, atrair, seduzir. Eu particularmente gosto muito da palavra cativar, o escritor Antoine de Saint-Exupéry até escreveu:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Ora, quando cativamos alguém nos tornamos responsáveis por este alguém, buscamos seus interesses e não os nossos; dividimos o riso, e o choro, somos companheiros e irmãos. E isto é uma via de mão dupla: submetemos e somos submetidos em amor. Ficamos presos por vontade própria. Quando a amizade chega a este ponto, as possibilidades de adaptação e harmonia entre as partes envolvidas já foram ou estão sendo testadas.
Testar, teste… no namoro cristão existe algumas questões que devem ser resolvidas e respondidas para que você possa assumir um compromisso mais sério, do mesmo jeito que um vestibular testa o seu conhecimento para que você possa cursar uma faculdade. Para tanto certas perguntas precisam ser feitas e respondidas por ambas as partes envolvidas.

Por que quero namorar? O namoro cristão visa conhecer alguém para um possível compromisso de casamento. Podem fazer cara feia, muxoxo e até querer dizer que não, mas um namoro cristão começa com a leitura da palavra de Deus, muita oração e disposição para aceitar a vontade de Deus incondicionalmente. Na primeira epístola de João, capítulo 2 versículo 14, parte b, lemos:

“Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno.” – Bíblia JFA Offline

Temos memorizado este versículo a tanto tempo e não entendemos que a renúncia às coisas do mundo e seu procedimento ímpio de viver nos aproximam mais e mais de Deus, que, consequentemente, nos garante a vitória em todos os aspectos de nossas vidas. O jovem deste versículo não é só um leitor da Bíblia, mas é também um praticante do que ela ensina, visto que é forte a ponto de vencer o maligno. Só podemos resistir a satanás quando resistimos a nossa própria vontade; e só renunciamos aos nossos desejos quando buscamos a vontade de Deus.

Já ouviu a frase “Conhece-te a ti mesmo”? Ela mostra o porque e para que o conhecimento sobre si mesmo é importante: para que você tenha uma boa relação com os outros será preciso que comece a se ocupar menos com as coisas (riqueza, fama, poder) e passe a se ocupar mas consigo mesmo e com as pessoas. Precisa conhecer mais de si mesmo para saber como modificar sua relação com os outros, com Deus e com o mundo.
O namoro cristão ideal começa sempre com uma profunda amizade e conhecimento da personalidade do outro, com respeito e cuidado mútuo. Já que uma amizade verdadeira (aquela falada em Provérbios 17.17) é antes de tudo um compromisso, a melhor maneira de construir uma amizade duradoura é concentrar-se em ser amigável e honesto.

Qual é a hora certa? O namoro cristão visa conhecer alguém para um possível compromisso de casamento. Logo, quantos adolescentes você conhece que estão preparados e pensando em casamento? Nenhum, mas todos querem namorar. A hora certa é quando você toma a decisão e fica em paz com Deus e sua família. Se você está pronto, possui a maturidade necessária para abrir mão do seu tempo e de várias outras coisas para se dedicar a outra pessoa, vá em frente. Lembre-se que será preciso estar preparado para encarar as dificuldades que virão. A Bíblia nos fala sobre isto. O Cântico dos Cânticos nos dá uma série de imagens do relacionamento entre homem e mulher. A alegria, o conflito, a perplexidade. É como se o amor que esse casal explora tivesse uma vida própria. A mulher diz várias vezes: “Não acordeis nem desperteis o amor até que ele o queira.” E é como se ela dissesse: “Seja o que for, é tão bom, é tão lindo, não podemos fazer nada para estragá-lo.” [1]

Quem é a pessoa certa? Antes de procurar a pessoa certa, seja a pessoa certa. No caso cristão, viva e se deixe envolver pelas coisas de Deus e todos o verão com outros olhos. Deixe Deus guiar os seus passos, já que Ele não vê como o homem vê, não se deixará guiar apenas por aparência física, riqueza, interesses parecidos ou personalidades que combinam. Ele te guiará a um coração cheio de amor.

Nesta questão tenho que ir direto ao ponto de maneira clara e objetiva: a primeira pergunta que se deve fazer sobre um possível namorado (a) é, “ele ou ela pertencem a Cristo?”. Se a resposta for sim, então todo o resto pode ser pensado, se for não, não há necessidade de continuar as perguntas. Todo cristão é livre para escolher quem quiser, desde que a pessoa em questão pertença ao Senhor. Por que é assim? Porque quando Deus viu a necessidade que Adão tinha de uma companheira em sua vida providenciou uma “auxiliadora adequada”. Em qualquer casamento ambos os cônjuges devem auxiliar e suprir as necessidades do outro. Ambos precisam partilhar a vida, o amor, precisam entregar-se confiantes, dividir ideias, estar com quem lhes proporcionem carinho. Mas, em especial, no caso cristão ambos precisam de alguém que se preocupe também com seu bem estar espiritual, que ore junto, que trate de questões espirituais e lhe ofereça conselhos espirituais. Só um companheiro cristão pode compartilhar a mesma fé que você. Claro que não é errado você querer alguém que lhe seja atraente, que tenha interesses em comum ou experiências parecidas. Tudo isso é importante na escolha de um namorado(a), mas o fundamental é que ele, ela, partilhe da mesma fé em Jesus Cristo. Que seja um auxiliador, companheiro adequado.

O filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) costumava dizer que algo novo nunca aparece de uma vez. Pois, quando se nasce, sempre se nasce frágil e titubeante, acostumando-se aos poucos com a situação na qual o recém-nascido se encontra pela primeira vez. Essa descrição de Deleuze era, na verdade, uma espécie de conselho que talvez seja a nossa versão contemporânea para as virtudes da prudência. O tipo do conselho de que sempre nos esquecemos quando agimos.

Mas ele/ela me ama pastor!
Nós usamos e abusamos dessa velha palavra “amor”, não é? Nós dizemos que amamos uma pessoa, e logo depois falamos de como amamos um carro novo ou um certo par de calças. Afinal, eu amo a minha esposa. E eu também amo pastéis? Eu amo esses sapatos. É mesmo? Da mesma forma que eu amo minha esposa? O que há com a palavra “amor”? Ela não tem muito significado quando usada de forma tão vaga. Talvez nós realmente não a entendemos. Talvez nós não entendemos o que o amor é realmente. O que envolve realmente amar alguém. O que significa dar-se a alguém. Confundimos coisas como amizade, compromisso, ou desejo de amor, mas Deus nos fez de uma certa forma para experimentar tudo que o amor realmente esta destinado a ser. Não para manter-nos presos ou para nos fazer perder o melhor que a vida tem para oferecer. Deus criou o amor, e quer que a gente sinta-o por inteiro, da maneira que foi feito para ser sentido. [2]

Outra coisa importante: Não posso amar minha esposa sem saber fatos sobre ela; caso contrário, meu amor por ela é amor por amor, ou pior, amor para que eu possa ser amado. A não ser que a ame pelos fatos relativos a quem ela é, ao que ela fez e ao que ela faz, amarei um vazio sem forma. devo ter esse conhecimento para que possamos ter um relacionamento real e correto. Afinal de contas, se não sei nada sobre os fatos “abstratos” e “impessoais” relacionados a minha esposa (como o estilo do seu penteado, cor dos olhos, altura etc.), como posso ter um relacionamento pessoal com ela? Não conseguirei sequer identificá-la no meio da multidão![3] Preciso ter as informações adequadas, informações que começo a adquirir no namoro e que continuo buscando para poder fazer declarações que honrem o nosso relacionamento.

Em um mundo onde tudo está se tornando relativo e a felicidade se faz um fim em si mesma, é importante reafirmar que o casamento foi ideia de Deus. Na verdade, o casamento é uma instituição social da qual evoluíram todas as outras estruturas sociais. É importante apreciar a missão do casamento como um meio para honrar a Deus e oferecer louvores ao seu nome […]. Um dos propósitos fundamentais do casamento é a companhia:

“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea. (Gênesis: 2. 18. ) e “Deus faz que o solitário viva em família”( Salmos: 68. 6.) – Bíblia JFA Offline

O outro propósito é o serviço mútuo. Não era somente a solidão que não era boa. A intenção do casamento é criar companheiros que satisfaçam as necessidades um do outro. Cada cônjuge tem necessidades que Deus deseja que sejam satisfeitas no casamento. Então, os casais cristãos devem servir a Deus juntos, criar filhos devotos, manter a casa e servir na igreja e na comunidade.[4]
Este é o propósito do casamento cristão: mostrar o casamento como Deus pretendeu que ele fosse. Algo que demonstre o que o verdadeiro amor pode realizar. É uma relação que tem por objetivo crescer e desenvolver-se no passar dos anos. É, acima de tudo, um compromisso de duas pessoas de se amarem e de se ajudarem mutuamente a viver para a glória de Deus.

Agora, pense um pouco. Por que namorar se você não está pensando em casamento? Não está preparado para cumprir este projeto divino? A se doar por inteiro e permanentemente? A despeito de tudo o que vemos e ouvimos pelo mundo afora, o namoro cristão visa o conhecimento da pessoa com quem pretendemos casar, e embora não signifique casamento, deverá existir um certo compromisso. Sair pôr aí beijando na boca de um monte de gente, a torto e direito sem compromisso com nada e com ninguém, manipulando os sentimentos do outro, correndo o risco de, numa carícia mais ousada, se deixarem levar e incorrerem em um ato sexual é agir em desacordo com a palavra de Deus, é pecar abertamente contra Ele. Sabemos que Deus quer habitar em nós e que o nosso corpo é templo do Espírito Santo e quando pecamos contra o nosso próprio corpo, trazemos vergonha sobre ele e para aquele que vive em nós; aí irmãos, somos obrigados a aguentar as consequências, como está escrito (I Co. 3:16-17). A bíblia também condena o “descobrir a nudez” (ver a outra pessoa nua) fora do casamento legal (Lv. 18.6-30; 20.11, 17, 19-21), a Lascívia também é proibida porque despertar estímulos sexuais que não podem ser corretamente satisfeitos significa que você está aproveitando-se da outra pessoa (1Ts. 4.6; Ef. 4.19). A imoralidade sexual do namoro secular leva muitos jovens a praticarem profanação do seu corpo. No livro de Cantares de Salomão ou Cântico dos Cânticos capítulo 2 versículo 7, parte b, diz:

“… não acordeis nem desperteis o amor, até que ele o queira.” – Bíblia JFA Offline

Essa é a voz da noiva, ela amava um pastor que estava ausente, ela confiava nele; ela descansava no afeto do seu amado. E a despeito de tudo não queria qualquer intimidade até que estivessem de fato casados. A sua decisão foi baseada no amor verdadeiro e não em paixão.
Namorar é bom, dentro da vontade de Deus é muito melhor. Satanás tem lutado de todas as maneiras para que o jovem cristão deixe a sua santidade de lado, pois assim teremos em poucos anos uma igreja espiritualmente morta; ele inventa de tudo: danças, trajes indecentes; inspira programas de TV, filmes, só para atrair os jovens à concupiscência (que é um desejo muito grande). A concupiscência é o contrário do amor verdadeiro, que não deve faltar no trato respeitoso com a pessoa amada.
Devemos evitar TUDO o que nos afasta de Deus inclusive um namoro fora dos seus padrões. O que faz divisão entre Deus e o homem é o pecado; se o seu namoro está afastando você da casa e da comunhão com Ele e com os irmãos e não está deixando você crescer e frutificar, este namoro não é de Deus. Se você é cristão e está praticando um namoro mundano, o meu conselho é: pare agora; quando você não é “selado” pelo Espírito Santo o diabo acaba pôr requerer domínio sobre você (1Co. 6:18-19), pois aquele que faz a vontade de Deus é filho Dele; se não faz a vontade Dele pertence ao mundo e o mundo jaz no maligno. A palavra jaz está relacionada ao estado de morto ou como morto, sepultado. Jazer no maligno é estar morto no inferno pôr antecipação. Quer viver de acordo com Deus? Quer namorar de maneira a ter um casamento abençoado? Faça como Davi, que depois de pecar com Bate-Seba se arrependeu e pediu perdão, leia o Salmo 51 e peça perdão a Deus hoje, agora, se for possível; não deixe para amanhã, você pode não resistir e pecar de novo entristecendo aquele que quer habitar em você.

Que tal orar agora e pedir a Deus que o ajude a santificar e direcionar o seu namoro?

A liberdade outorgada pelo sangue de Cristo não deve ser usada deliberadamente para se fazer o que se quer; e sim o que se DEVE fazer (Gl.5:13-14). E como cristãos o nosso namoro é uma etapa de conhecimento do outro visando o casamento. Se não quer casar, não se abrase, corteje e espere até estar pronto. A sua paciência em esperar uma definição de Deus, significa que você se submete à vontade Dele e esta paciência (perseverar no propósito de seguir a Cristo) produz a experiência (experimentamos o cuidado e amor de Cristo) e a experiência, a esperança e esta não traz confusão (Rm. 5:4-5). Se você tem honrado a Deus, esperando o seu príncipe ou a sua princesa, saiba que Ele vai te honrar com certeza, não se deixe levar por qualquer influência, evite o “ficar” e qualquer outro namoro que não tenha um propósito definido e dentro do padrão bíblico. Mantenha-se firme!

1- Extraído de: http://youtu.be/4AQFj5aRV9w
2- Idem ao 1.
3- Extraído de Não quero um pastor bacana: e outras razões para não aderir à igreja emergente, Kevin DeYoung e Ted Kluck, Mundo Cristão, 2011.
4- Parte extraída de Seja o Líder que sua família precisa, Dr. Stephen, CPAD, 2009.

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Sobre lucaspinduca

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