Eu escolho amar.

Iniciar… Começar… Dar início… Abrir… Há algo revigorante e otimista nestas palavras, quer refiram-se ao amanhecer de um novo dia, ao nascimento de uma criança, ao prelúdio de uma sinfonia, aos primeiros quilômetros da viagem de férias ou aos primeiros dias de um novo ano. Dias estes livres e cheios de promessas, que provocam esperanças e visões imaginativas do futuro. Esta efervescência anual, entretanto precisa ser bem gerida e os esforços bem direcionados. Senão será apenas “Mais um ano que se passa, mais um ano sem você. Já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade”.1
Estou dizendo com isso também que eu não posso conhecer você e sua experiência completamente, e você nunca poderá realmente conhecer a minha. Nós podemos sentar na mesma sala, com uma mesa e uma xícara de chá entre nós, e eu posso descrever essa xícara de chá para você, mas só do meu ângulo, na minha perspectiva. Você tem seus próprios olhos e sua história que define a sua experiência, e eu não posso nunca realmente conhecer isso. A menos que você compartilhe comigo, a menos que aceite algum tipo de interação para que sua jornada seja menos entediante, menos difícil, se pudermos dividir o percurso. Somos todos diferentes, mas criados para um só propósito de amor incondicional.
Então porque falhamos tanto em manter este entusiasmo inicial e realizar nossos sonhos e projetos? Onde temos errado? Simples, nos tornamos mercadores quando fazemos os fins mais importantes do que os meios. Quando o meu olhar para o outro não me faz atentar para sua necessidade, não me conduz ao exercício da misericórdia. De fato, quando as ações se tornam mais importantes do que as razões que as antecederam, todo projeto caminha para o desastre. Quando o sentido daquilo que nos move é apenas uma mera desculpa para autoafirmações egoístas, não somos nada mais que meros mercadores… De ilusões.

Descubro que Deus habita em cada homem, mas é difícil O adorar,
Pois Ele é e mora no amor,
E homens deste século não sabem como O achar,
Não por não ter amor, mas por não terem aprendido a amar!
Icaro Maceió (Vinícius Queiroz)

Seria por isso que a Bíblia possui tantos avisos? “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14); “Como vocês querem que os outros lhes façam, faça também vocês a eles” (Lucas 6.31); “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios” (Romanos 12:10).
Como um resumo da nossa época pós-moderna, o comportamento em geral padece da mesma falta de valores sólidos quanto de amor cristão genuíno. Isto tem moldado uma geração em crise consigo mesma, geração esta marcada não somente pela instabilidade, pelo autofoco e pela percepção de múltiplas possibilidades, mas marcada principalmente por uma sociedade extremamente autoindulgente, confusa e ansiosa. Um prato cheio para o projeto de demolição do futuro da igreja, da nossa sociedade e dos valores cristãos implícitos. A geração que preza por “mais amor, por favor” deveria prezar pelo amor. Apenas por ele. Porque amor é de graça. Amor é livre. Amar é sem imposição. Amar por amar, sem obrigação.2
Veja por exemplo esta juventude cheia de vontade de querer ter várias opções, de se soltar e viver a vida, que não deixam que a Fé interfira em seus comportamentos; são perfeitos para o recrutamento mundano com suas cruzadas e jihads de todos os lados, onde a exultação cega e a falsa impunidade dão vital e emocionante sensação de fazer parte de um grande destino comum. Ledo engano.
Qual o resultado dessa maneira de viver desconectada da Fé genuína e de uma vida cristã correta? Os indivíduos tornam-se cada vez mais incrédulos, depreciam e antagonizam a Fé bíblica, questionando com perguntas existenciais e intelectuais a religião somente para concluir que ela não faz sentido. Acabam vistos pela sociedade como “manequins-monges-soldados” que serão lançados em seus testes de “iniciação”, com suas regras arbitrárias, que tornam sua crise de fé disfarçada em autodescoberta.
Sob uma visão cristã, está claro do que precisamos; à medida que ouvimos a palavra de Deus achamos o nosso lugar e propósito neste mundo: viver e praticar esta mesma palavra. O maior desafio que enfrentamos hoje é parar de perdermos tempo buscando descobrir meios de sermos mais “relevantes”, “estratégicos”, “sensíveis” ou mesmo “ousados”, e voltarmos nossos esforços para ouvir mais, confiar mais e obedecer mais. Ou seja, o nosso principal desafio é ser mais fiéis a cada dia.3 Fiéis no amor a Deus e ao próximo. Fiéis a sua palavra.
O romancista peruano Mario Vargas Llosa afirmou que Fazer do amor um fim em si mesmo justifica o prazer em termos que poderíamos chamar não somente hedonistas, mas também artísticos. Talvez por isso a maioria dos artistas tenham tantos problemas, são egocentrados demais…
Zygmunt Bauman também nos fala sobre o amor próprio. Afirma que as pessoas precisam se sentir amadas, ouvidas, amparadas ou saber que sentem sua falta. Segundo ele ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar, o que fazemos é aceitar essa classificação. Mas com tantas incertezas, relações sem forma, líquidas, na qual o amor nos é negado como teremos amor próprio? Os amores e as relações humanas de hoje são todos instáveis e assim não temos certeza do que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada. É uma descrição poética da situação.

“Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade, você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”.4

Não há como ficar calado: É pelo amor Ágape (amor de Deus) que permaneço no meu posto e persevero, pois é claro que ninguém gosta e também eu, de levar pedradas sem motivo (nem com motivo). É claro que amo as pessoas muito, não fosse assim não teria as marcas de um discípulo de Cristo (Ele me analisa nas entranhas), mas temos que convir que a crueldade, a ignorância, a soberba, a contradição e o requinte da maldade reinam no nosso meio.
E se há mais rigor em preservar o método e não os princípios, toda a ética fica comprometida, toda a lisura será questionável e toda a integridade, rota. Por isso na primeira carta aos Coríntios, capítulo 13, somos ensinados que o amor não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz de maneira inconveniente.Temos que aprender a amar o perdido, o mala sem alça, de papelão, em um dia de chuva!!! E o mais impressionante é que Jesus nos ensina mesmo a amar a este ponto. Não sei como, mas acabo constatando inúmeras vezes que amo essas pessoas. Ele mexe e remexe dentro do meu coração pobre e o convence a ser rico em misericórdia. Um dos argumentos que Ele usa para nos ensinar é o fato de precisarmos desta mesma misericórdia quando menos esperamos. Se eu tiver reservas, ou seja, se eu dei misericórdia, poderei sacar misericórdia neste momento, poderei receber a tal preciosa e vital de alguém; talvez de quem menos esperamos. Deus nos fala que ela é a causa de não sermos consumidos (Apocalipse 22.6). Alguém precisa dela? Então dê, pois é dando que se recebe (Lucas 6.38). E por aí vai…

As razões que antecedem os atos são mais importantes do que os atos em si.
O conceito moderno de sucesso não serve para aferir valor espiritual.
Prosperidade e riqueza não têm relação direta com o favor de Deus.
Crescimento numérico em religião pode ser melhor explicado pela sociologia do que pela teologia.
Dons sem caráter não passam de sinos a tinir. Fé sem compromisso ético é mera magia. Religião comprometida com as lógicas do mercado tem o sinal da besta.5

Percebi ao ler o livro de Gênesis que somos encorajados a recomeçar. Há esperança! Não importa quão escura e ruim a situação aqui, ali ou em qualquer lugar do mundo possa parecer. Deus tem um plano. Não importa quão insignificante ou inútil você se sinta, Deus o ama e o quer em seus planos. Não importa quão pecador, indulgente e separado de Deus você esteja. A salvação está disponível. Leia Gênesis… E creia! O justo viverá pela fé!

1- Extraído de http://letras.mus.br/ira/46395/
2- Extraído de https://suspirosedesatinos.wordpress.com/2015/01/13/mais-amor-sem-favor/
3- Conforme http://linkis.com/ricardogondim.com.br/dcHnE
4-http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html#ixzz3O4JSxxts
5- Idem ao 3.
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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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