Viver um paradoxo (o ateu cristão).

Chega de esperar o próximo grande acontecimento. Você o está vivendo agora. O próximo momento vai chegar quando estiver pronto, desde que você esteja presente. É parte da natureza humana nos distrair constantemente por tudo o que queremos na vida, para onde seguimos, o que deixamos para trás. (Emily Dickinson)

Para o pensador ateu secular moderno, deve sempre haver uma mudança de valores antes que as pessoas possam evoluir. Portanto, a sociedade deve direcionar todas as suas forças para a demolição da moralidade vigente. Mas ao agirem desta maneira não percebem que essa desvalorização do status quo cristão apenas aprofunda à consciência do absurdo e do nada, apenas cria mais uma filosofia que sendo praticada por esta geração, produz mais pessimismo e ceticismo extremados, levando o ser humano a tomar, para qualquer situação possível ou real, atitudes extremadas, imorais ou absurdas. Vejam os últimos acontecimentos, os ataques da grande mídia aos ataques dos grupos gays, ateus e dos extremistas políticos ou religiosos. Estes novos comportamentos modernos tem revelado uma grande negação de quase todos os antigos princípios, quer sejam religiosos, políticos e sociais; e por isso não é à toa que esta geração ama Nietzsche. Porque no centro do pensamento de Nietzsche existe uma ênfase em dar importância a um niilismo mais ativo, onde o homem é mais forte quando sabe que o mundo não tem sentido, pensava ele que só assim o ser humano seria capaz de criar “novos e apropriados valores”. Esta maneira “racional” moderna de pensar começou lá atrás, a partir da propaganda da morte de Deus, da divindade cristã e seus princípios, e desde então faz o homem desprezar e deixar seus valores morais e as regras estabelecidas pelas doutrinas cristãs. Afinal Deus está morto. Mas esta é uma maneira tão nova de pensar, e tão absurda, que é capaz de criar e proclamar coisas como “ser gay é melhor do que ser pedófilo”(Bem, eu acredito que pedofilia, racismo, violência, casamento gay, tudo isto é blasfêmia contra Deus). E, sim, representam uma derrota para a humanidade, para a família e para a educação das gerações futuras. Logo, entendo que a desnaturação do casamento é uma recusa moderna (laica?) em aceitar as pessoas como elas são: homens e mulheres criados por Deus à sua imagem e semelhança.

“De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.” Efésios 4:21–24

O liberalismo, pai do ateísmo e do movimento laico é, de muitas maneiras, um fruto do Iluminismo, movimento surgido no início do século 18 que tinha em seu âmago uma revolta contra o poder da religião institucionalizada e contra a religião em geral. As pressuposições filosóficas do movimento eram, em primeiro lugar, o Racionalismo de Descartes, Spinoza e Leibniz, e o Empirismo de Locke, Berkeley e Hume. Os efeitos combinados dessas duas filosofias —. que, mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano —. produziu profundo impacto na teologia cristã. Como resultado da invasão do Racionalismo na teologia, chegou-se à conclusão de que o “sobrenatural não invade a história”. E a história passou a ser vista como simplesmente uma relação natural de causas e efeitos. O conceito de que Deus se revela ao homem e de que intervém e atua na história humana foram logo excluídos. Desde então o ensino cristão é combatido e atacado sob a alegação de atrasar o avanço e o desenvolvimento da humanidade. Modernamente, estas ideias geraram um novo comportamento “cristão” que é mais bem explicado nesta expressão:

Mas não posso amar palavras. Por isso não me servem as doutrinas. Não tem nem dureza nem maciez, não tem cores nem arestas, nem cheiro nem sabor. Não tem nada a não ser palavras. Talvez seja esta a razão por que não encontres a paz: o excesso de palavras. (Siddhartha — Hermann Hesse)

Erro comum de quem não conhece a Palavra de Deus. Ou não valoriza a Bíblia como tal. Senão saberiam que tudo passa, mas a palavra de Deus permanece para sempre. Que nós não lemos a bíblia meramente como um livro, um manual, mas buscamos nela uma compreensão tanto do mundo a nossa volta como do Deus que o criou. Bruce Waltke diz — O descrente não consegue entender plenamente o significado do texto porque não tem o Espírito Santo e não consegue aplicar a mensagem bíblica à sua própria vida e muito menos à vida de outrem. “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos”. Explico. Ao ler o texto abaixo,

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Tiago 2:14–20

Aprendemos que uma fé viva e diligente se manifesta com frutos reais de obediência ao mandamento bíblico e amor ao próximo. Fica esclarecido que a questão principal não é se acreditamos em Deus ou não, porque até os demônios creem em Deus, e sim, se a fé que possuímos é demonstrada na maneira como vivemos, no comportamento diante das situações diárias, se o nosso modo de viver confirma se temos fé de verdade produzindo obras dignas1. De fato, é a fé que nos faz viver e proclamar o evangelho, além de produzir a devida obediência aos mandamentos divinos:

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida, Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada; 1 João 1:1,2

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Colossenses 1:16–18

Diz um ensino comum entre os cristãos que nenhum erro justifica o cometimento de outro (Mateus 7:12) por isso desvio-me dos embates e das calorosas discussões infrutíferas que rondam por aí. Mas entendo que a sociedade culta, laica e moderna, ao abolir o ensino cristão, optou pela doutrinação secular ideologicamente identificada com o humanismo, o existencialismo e o hedonismo (e que tudo isto foi misturado com pitadas de um cristianismo ecumênico quando se busca referências sobre a moralidade e religião), que apesar de exaltar o ser humano e direcioná-lo ao novo padrão de moralidade, inibe uma característica natural de todo ser humano: fomos criados, preparados e precisamos nos relacionar com o nosso criador. Mesmo porque, a fé cristã se sustenta em um relacionamento com um Cristo que está vivo e é eterno.

Se prestarmos atenção na parábola do semeador e compará-la ao cultivo de um bonsai, veremos que nenhuma semente de uma árvore grande cresce a contento em um vaso pequeno. Ou seja, não é a qualidade da semente que é inserida no solo, pois a palavra de Deus continua boa e perfeita, mas o espaço e nutrientes que damos ou não que a fará desenvolver-se. É a justificação pela fé que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço intelectual próprio. Sem fé não conseguiremos agradar a Deus. E nada somos e nada podemos sem o Senhor (posso todas as coisas?). Deus entregou o domínio do mundo físico a nós homens e como despenseiros das coisas Dele, havemos de prestar contas. Todo mordomo ou administrador não é submisso ao seu Senhor e tem recebido Dele capacidade para tal? Ou colocaria Deus sobre a sua criação alguém que não fosse a sua imagem e semelhança (que não tivesse comunhão e comunicação com Ele)? Então Devemos buscar o melhor e o maior resultado para o nosso Deus (o maior número de almas, a melhor adoração, o melhor dízimo, a maior oferta, um tempo maior,…). Um Deus que merece o máximo em excelência, porque suas obras são excelentes (Gênesis capítulo 1.26–30). Fica bem esclarecido que todas as coisas nos são dadas para que enxerguemos que Deus tem uma aliança com o seu povo e que faz manutenção desta aliança. Deus nos tem dado todas as coisas para que o glorifiquemos; nada é nosso, apenas administramos e devemos administrar bem. Se não temos recebido devemos glorificar a Deus com o nosso testemunho de fé (Este princípio bíblico de relacionamento com Deus diz que o justo pela sua fé viverá, e influenciou o apóstolo Paulo e Martinho Lutero).

– Mas então, onde está a nossa fé? (Lucas capítulo 8.25) Se a fé que demonstramos é pífia, não confiamos em Deus de verdade, apenas o subestimamos. E mesmo que digam “ainda podemos reconhecer Deus sem ter um relacionamento ativo, imanente, pessoal com o criador” não passamos de hipócritas e mentirosos, fomos persuadidos e não mudados. Nunca houve um comprometimento de verdade com o Cristo ressurreto. É por causa disso que algumas pessoas acreditam poder amar a Deus e não cumprir seu mandamento.

Isto é o que a sociedade pós-moderna tem buscado, apenas ver e sentir; nós cristãos, no entanto, já fomos ensinados que precisamos somente crer. E crer Naquele que criou todas as coisas e se ofereceu em sacrifício por nós é adotar seu padrão de vida, de conduta moral também; lembrando que sacrifício é outra palavra que não encontra lugar no dicionário comportamental atual.

O Brasil agora tem muitos “ateus cristãos”, aqueles que até creem, mas vivem como se não acreditassem, dizem serem crentes evangélicos, mas professam a fé apenas na teoria, porque na prática eles não conhecem a Deus, não o deixam ser parte de sua vida ou não seguem nada do que ensina a sua palavra. Estes, infelizmente, ainda não entenderam que sem fé é impossível agradar a Deus.

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Sobre lucaspinduca

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