Compaixão é a verdadeira comunicação.

A coisa mais fascinante sobre os seres humanos é o nosso desejo irreprimível de entender as coisas. Nós temos um desejo profundo de significado. Do nascimento à morte, avançamos em nossa busca para conhecer e compreender a vida e o mundo que nos rodeia. Estamos continuamente mergulhados no trabalho consciente e inconsciente de tentar conhecer e compreender os outros e a nós mesmos. Mas nenhum de nós nunca completa.

Depois de tanto tempo, tanta água passou debaixo da ponte e a questão permanece a mesma: o amor pode mudar este mundo? Sim? Como? Porque estamos nos tornando uma sociedade de IDIOTs*. Casais que preferem digitar e enviar mensagens de texto uns aos outros do que falar um com o outro, pessoas que evitam o contato olho-no-olho, e grande parte da geração mais nova que não conseguem manter uma conversa por mais de alguns minutos sem mexer no telefone. Fica claro de tudo isso que estamos nos tornando uma sociedade de IDIOTs* distraídos pela tecnologia e desconectados das nossas relações humanas. Somos tolos e estamos nos enganando, achando que as impulsivas e superficiais conexões digitais são melhores do que as conversas e conexões presenciais. Mas os seres humanos não são máquinas que fazem sentido todo tempo. E somos mais tolos ainda porque gastamos muito de nossa energia criando motivos, justificativas, regras para definir o mundo em que vivemos e para nos guiar em nossas escolhas:

“Gente boa diz a verdade.” “Vegetarianismo é melhor afinal”. “Não quero que chova todos os dias nas minhas férias.”

Eu não vou nem falar de selfies e de “curta a minha postagem no feice”. Não nos contentamos com a vida que temos em nós e em nosso próprio ser. Queremos viver uma vida imaginária na idéia dos outros, e para isso fazemos esforço para aparecer. Queremos viver na idéia dos outros. O eu imaginário não está em mim, mas no outro. O que me satisfaz é preencher o vazio do eu com as representações que o outro tem de mim. “Trabalhamos constantemente para embelezar e conservar nosso ser imaginário e negligenciamos o verdadeiro”, fazendo da representação que o outro tem de mim a finalidade do trabalho do eu. Ou seja, o outro é o mestre de minha identidade. Temos então que tratar aqui de uma situação inversa e simétrica do bom amor de si (os membros pensantes): amar-se de um amor justo, é amar-se como outrem, Deus, nos ama, é interiorizar sua diferença. [1]

Existem milhares de pessoas fazendo o que você quer fazer para viver. Mas você é a única pessoa viva que tem a custódia de sua vida. Sua vida particular. Sua vida inteira. Não apenas a sua vida em uma mesa ou sua vida em um ônibus ou de carro ou no computador. Não só a vida de sua mente, mas a vida de seu coração. Não apenas suas contas bancárias, mas também sua alma. As pessoas não falam muito sobre a alma. É muito mais fácil escrever um currículo do que trabalhar a definição do espírito. Mas um currículo não é consolo em uma noite de inverno, ou quando você está triste, ou quebrado, ou solitário, ou quando você recebeu os resultados de seus testes e eles não são tão bons. [2]

Vivemos em um mundo onde os títulos e rótulos desempenham um papel importante nos ajudando a identificar com quem estamos interagindo e para entender onde nós sentamos em relação aos outros. Às vezes isto pressupõe que escolhemos estar desordenados devido a estas escolhas, que podem ser muito deprimentes, se você é sensível aos rótulos.

Bem, isso funciona até que algo que nós não esperávamos acontece, ou não se encaixa na versão do mundo que criamos em nossas mentes. Então nos tornamos chateados, irritados, deprimidos. Quando não podemos deixar isso passar há uma tendência de agir agressivamente para com o mundo exterior ou nós mesmos, não acreditando que as coisas não aconteceram como o esperado.

O filósofo Schopenhauer acreditava que as relações humanas nos permitem identificar o valor da moralidade, reconhecendo a compaixão como o único sentimento realmente moral, pois está acima de qualquer interesse quando o indivíduo se reconhece no outro por meio do sofrimento. Quando ambos compartilham o sofrimento e a dor podemos enxergar o nascimento da compaixão que seria reconhecer o outro como um igual, de acordo com Schopenhauer, o sofrimento do outro nos atinge de tal forma que podemos sentir piedade e enfim compaixão, é um fato inegável da consciência e esta não repousa sobre pressupostos, religiões ou classe social, mas se apresenta, enraizada na própria natureza humana.

Discordo do filósofo quanto  a compaixão ser o sentimento ideal para catalisar dor e sofrimento. Acredito no verdadeiro amor cristão que nos faz atentar para o outro. Neste ponto a conversa sempre volta ao mesmo lugar: Nós estamos tão presos aos rótulos que, muitas vezes, não percebemos a existência deles, apenas aceitamos como algo natural e, assim, perpetuamos essa cultura de estereótipos. Mas quando leio os Evangelhos percebo uma mensagem original que traz uma ideia simples e eficaz: O outro não deve ser rotulado, encaixado em um parâmetro apenas para satisfazer minha visão de mundo em meu egocentrismo. Devo sim preocupar-me com o estado alheio e ajudar a melhorá-lo como indivíduo e consequentemente, o meio social em que está. Saber escolher a boa parte e auxiliar outros a fazê-la é fundamental para influenciar a sociedade de maneira benéfica. E nós cristãos quando olhamos para o texto bíblico, entendemos que devemos erigir um altar não a nós mesmos, glorificando uma auto realização, e sim um altar feito de obediência ao Deus único e verdadeiro. Mas costuma ser difícil fazer esta escolha porque o objeto do sacrifício é a nossa própria vontade. [3]

Nestes tempos modernos, viver sem agredir é disciplinar-se para estar sempre flexível, tolerante, esquecendo até mesmo de nossa mais profunda e enraizada crença, face à evidência de que o mundo é diferente das histórias que criamos sobre isso. Mesmo que nos encontremos com algo totalmente ruim, com coisas que parecem completamente erradas, devemos deixar as nossas crenças aos poucos, como uma borboleta que pegamos na nossa mão e eventualmente deixamos ir. Chamam isso de tolerar, de ser flexível. Esta “flexibilidade” emerge de uma compreensão de que tudo o que vemos e descrevemos no mundo, se nós realmente procuramos abaixo da superfície, em última análise, não tem nenhuma substância permanente. No final, não há nada lá. E viver sem significado é impossível. Assim, continuamos a fazer novas histórias e novos significados, entendendo que nenhum deles é verdadeiro em última análise, esta frase inclusive.

Penso que há alguma ambiguidade sobre este assunto. E é isto que estamos vivendo ultimamente. Sem uma âncora na alma para nos dar sustentação quando a correnteza do mundo nos sobrevém. Por isso fornecer uma melhor forma de comunicação é o que a linguagem do coração destina-se. Fornecer ate mesmo sem esperar uma resposta de retorno. Porque doar não consiste em fazer/receber esperando uma troca justa. É dar aquilo que fará o outro ser um doador também. Precisamos espalhar ideias não apenas para comunicar e se conectar uns aos outros e sim, desejando honrar o outro e até mesmo dignificá-lo. Porque este é o fim da comunicação. Conhecer o outro e estabelecer uma relação fraternal, onde o verdadeiro significado de doar possa se realizar de fato: Aceitar um ao outro.

“Nós, que somos fortes, temos o dever de suportar as fraquezas dos fracos, em vez de agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós deve agradar ao próximo, visando o que é bom para o aperfeiçoamento dele. Pois também Cristo não agradou a si próprio, mas, como está escrito: “Os insultos daqueles que te ofenderam caíram sobre mim”. (Carta aos Romanos cap. 15, versos 1 ao 3. King James Atualizada)

Precisamos acreditar que dar é a melhor forma de comunicação. A forma mais nobre de doação é dar com o coração. Apesar de nossas diferenças em termos de raça, língua, sociedade, ideias e cultura, quando o coração dá sem esperar nada em troca, não há necessidade de palavras; em última análise, somente o coração pode comunicar e se conectar a todos nós, simplesmente porque o coração é a última forma de comunicação. E qual é o conteúdo que ele comunica? Compaixão, piedade e comunhão, amor prático.

Ou seja, arranje uma vida em que você não esteja sozinho. Encontre as pessoas que ama, e que te amem também. E lembre-se que o amor não é lazer, é trabalho. Atenda o telefone. Envie um e-mail. Escreva uma carta. Arranje uma vida em que você seja generoso. E perceba que a vida é a melhor coisa do mundo, e que não tem nada resolvido previamente. Preocupe-se profundamente com a bondade que quer espalhar por aí. Pegue o dinheiro que você gastaria em besteira e dê para a caridade. Trabalhe em uma cozinha de sopão. Seja um irmão ou irmã. Todos vocês querem fazer o bem. Mas se vocês não fizerem muito bem, então o que fizerem nunca será suficiente. [4] Acreditamos que, conservando os verdadeiros valores da vida, dando amor, compaixão, consideração e acima de tudo, sendo honestos uns para com os outros, poderemos ser verdadeiramente felizes.

Podemos alcançar uma visão satisfatória sobre as coisas durante uma vida inteira, mas nós nunca sentiremos que terminamos o trabalho ou que tenhamos trabalhado toda a coisa. Há sempre mais perguntas a fazer, mais fronteiras para atravessar, mais espaços para serem pintados em nosso exame intelectual e afetivo, respostas mais intrigantes devem ser encontradas. Na verdade, a maioria de nós, eventualmente, chegará a perceber que, as perguntas que somos capazes de responder sobre o significado da vida são as questões mais importantes, mais amadas e que nos levam a lutar com afinco sobre a questão de saber o que o amor realmente é. Nossas mentes e corações são insaciáveis na busca pelo significado. Eventualmente percebemos que fazer as perguntas de maneira certa, apenas, é muitas vezes mais importante para o nosso senso de significado do que obter todas as respostas elaboradas. E para que isso aconteça tem que haver diálogo, tem que haver comunicação. Para que isto ocorra, precisamos que haja um desejo ou uma intenção, que vocês decidam o que desejam.

Bem, você vai definir a sua declaração de missão pessoal e saber como integrá-la à sua vida diária, quando uma luz que se espalha por toda a parte, transportada por homens e mulheres de boa vontade, brilhar em você! Neste Natal, siga a estrela de Belém e encontre a Luz de todos os homens!

* Impulsive Digital Isolationist Obsessive Tendencies.
1- http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-512X2006000200007&script=sci_arttext
2- https://oficinadopinduca.wordpress.com/2015/10/04/citacoes-que-nao-sao-obrigacoes-nao-deveriam-valer
3- Parte do discurso de Anna Quindlen (Pulitzer Prize-winning author) at the graduation ceremony of an American university where she was awarded a Honorary PhD in February 2008.
4- idem ao item 1.
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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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