Páscoa, uma época oportuna.

Todo ano na semana santa, em meio ao frissom por chocolate, infelizmente, se destacam também alguns dos excessos e fraquezas do cristianismo moderno em todo o planeta. Na pior das hipóteses, assistimos uma “Paixão de Cristo” que é uma manifestação estranha e superficial sobre as últimas horas brutais que marcaram a execução de Jesus. Onde o seu sofrimento e redenção é sempre conectado à algum momento de sofrimento e redenção pessoais ou de uma comunidade sofredora (eu acho que é por isso que as pessoas preferem chocolate!).

As atuais comemorações da “Paixão de Cristo” me fazem sentir como se estivessem encobrindo o que realmente aconteceu naquela colina chamada caveira (Gólgota) fora de Jerusalém há dois milênios. As armadilhas da glamourização deste evento cristão mundial chamado Páscoa em nada fazem lembrar que a execução de Jesus foi brutal e terrível. De fato, os romanos mataram Jesus de Nazaré com a concordância dos co-responsáveis pela morte do carpinteiro, o povo judeu, representados pelos seus líderes religiosos (muitos rejeitam essa concepção a despeito do que diz o texto bíblico). Muitas vezes nossa familiaridade com a história de sofrimento e morte de Jesus tende a banalizar os horrores da cruz. Mas não devemos nos enganar: a crucificação não era nenhum trabalho mal feito ou sem planejamento. Jesus foi vítima de uma execução romana por crucificação, a maior ferramenta do terrorismo patrocinado pelo Estado de César. Jesus morreu nu, frio e com dois criminosos, enquanto sua mãe e seu amigo observavam. Apesar da atual “Paixão de Cristo” tentar o seu melhor para comunicar essa cena de horror nas comemorações pelo mundo cristão a fora, de alguma forma ficou apenas um resumo pop sobre um amor genérico e sofrimento humano que não fazem justiça a realidade do acontecimento. Nenhuma banda estava presente, a cruz não acendeu, não houve fogos de artificio e não era um evento patrocinado por nenhuma marca de chocolate. E embora seja uma das histórias mais memoráveis da história humana, a morte de Jesus não foi noticiada a todos em seu próprio tempo. E ainda hoje continua sendo mal transmitida. Se não acredita, vá em qualquer produção cristã nestes dias e você verá, com uma roupagem pop e ás vezes consumista, a morte de Jesus parecendo com um evento repleto de estrelas e uma história de primeira página de folhetim. Mas a verdade é bem diferente. A história de um judeu (tido como rebelde sem nunca ter sido) a ser executado pelas autoridades romanas, que foi preso e condenado injustamente, abandonado pelos que deveriam recebê-lo e trocado por um assassino rebelde só chamou atenção após o evento da sua ressurreição. A partir desse fato, o sofrimento, morte e ressurreição de Jesus não foi apenas um evento histórico limitado a Palestina do primeiro século, mas também um evento cósmico, com implicações para as pessoas de todas as gerações.

Hoje, precisamos entender que celebrar a semana Santa é uma oportunidade. É uma chance de caminhar com a igreja, ao longo do tempo e em todo o mundo; como ela, a noiva, caminha com seu noivo durante a semana mais importante da história do mundo. É uma oportunidade para focar nossas mentes e buscar intensificar nosso entendimento da mais importante e atemporal das realidades: a ida passo-a-passo de Jesus ao Gólgota é uma revelação brilhante da extensão do seu amor. Ele nos amou “até ao fim” (João 13: 1), indo todo o caminho em direção a cruz por nós, sofrendo com cada contusão, cada ferida, palpitação e pontada de dor.

Talvez a moderna ideia da “Paixão de Cristo” seja o Jesus Christ Superstar* desta geração, ensinando os fiéis de hoje a curiosa história da vida de Jesus de Nazaré. Mas, como tantas tentativas de recriar o drama, não foi tão bom quanto o original. Falando em história original, o Evangelho de João utiliza 10 capítulos somente para falar sobre a última semana da vida de nosso Senhor, sua traição, suas provações, sua crucificação e sua ressurreição triunfante. O livro de Atos, que, em seguida, narra a vida da igreja primitiva, retorna aos eventos da Semana Santa com frequência (ver, por exemplo, Atos 1: 15-19; 2: 22-36, 3: 11-26; 4: 8 -12, 24-28, entre outros). Por isso você não precisa engolir todas as balelas pseudo-cristãs (e sua moral humanista achocolatada)** que geralmente são veiculadas nestes dias de semana santa. Leia a verdadeira história na íntegra numa Bíblia perto de você!

*https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus_Christ_Superstar

**https://youtu.be/Uo07VJbOPnY

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Sobre lucaspinduca

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