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“Já se disse que viver é uma aventura, e a vida é bela justamente por seu caráter imprevisível. Viver intensamente é retirar da vida tudo o que ela tem para oferecer, o que não é pouco, mas sem um bom plano é melhor nem sair de casa. E, um bom plano é aquele que considera a possibilidade de uma alteração, ou mais de uma. Sim, a vida é imprevisível, e é cada vez mais. E é bom que estejamos preparados para isso. Sempre.” [Eugenio Mussak]

Houve um tempo que a esperança vinha do mar; depois passou a vir das antenas de TV. Hoje vem da internet. Antigamente lançávamos garrafas com pedidos ao mar; depois passamos a nos espremer em auditórios lotados ou a espremer os olhos em frente à tubos catódicos de catorze polegadas. Agora, seguimos os perfis dos nossos gurus nas redes sociais. Buscamos interação com o mundo virtual no afã de alterar o real. Nada foi alterado até aqui. Ou, como nos lembra o índio americano em “A Matriz Divina”, de Gregg Braden: “Então alguma coisa aconteceu”, ele disse. “Ninguém realmente sabe o porquê, mas as pessoas começaram a se esquecer de quem eram. Ao se esquecerem, começaram a se sentir separadas,separadas da terra, separadas umas das outras e até mesmo de quem as havia criado. Ficaram perdidas, vagando pela vida, sem nenhuma direção ou destino. Nesse estado de segregação acreditavam que deviam lutar para sobreviver aqui neste mundo, para defender-se das mesmas forças que lhes concederam a vida, que tinham aprendido a viver com tanta harmonia e confiança. Logo passaram a se proteger energicamente do mundo em que viviam, em vez de viverem em paz com o mundo que estava dentro deles.”

O peso existencial precisa ser carregado pelo indivíduo. Muitos fogem, tentam se isolar e acabam necessitando de algum tipo de resgate.  O peso de existir para quê ou quem precisa ser carregado com um outro, dividido com alguém. Seja em  garrafas, catálogos com a programação televisiva ou smartphones.

A fome que quer dar um sentido a minha existência continua. Logo, existir torna-se possuir, ter um marco existencial. O homem desvia sua necessidade psicológica e espiritual para o físico, criando falsas necessidades. Por isso, muitas pessoas com ansiedade desviam seu problema para uma ilusória necessidade de alimentação (e viva os food trucks!). A infelicidade ou sentimento de insatisfação pode ser erroneamente identificado como falta de alguma coisa material, quando, na realidade o que está faltando é algo mais íntimo, profundo e espiritual.

O homem projeta seus desejos para além daquilo que possui. Como jamais terá tudo o que deseja e, mesmo que tivesse, passaria a ter novos desejos, o homem está condenado a nunca conhecer a felicidade verdadeira. Ainda não entendemos que a medida de todas as coisas não pode ser aferida por homens, cuja limitação moral, intelectual e espiritual é risível diante da magnitude do horizonte que está a nossa frente. O verbo ser não é muito apropriado para o ser humano, a não ser naquela declaração divina: “Tú és pó.” Aí está o que o homem é. Nas outras questões, o verbo “estar” é o mais coerente com a transitoriedade humana.

Apesar de vivermos na era da informação, toda tomada de decisões sempre exigirá uma vontade forte, altruísta e alinhada com o seu tempo. Por isso pensar dói e conhecer machuca demais, pois percebemos a necessidade de subir a montanha e vislumbrar do topo, a terra da oportunidade onde o que somos encontrará um sentido afinal. Mas o ensino comum dos nossos dias diz que subir nos ombros de gigantes é muito mais cômodo. Estes “gigantes” nos levarão a passear e ver tudo que sonhamos ou desejamos. Infelizmente a nossa mediocridade atual e o ventriloquismo metafísico que impera no mundo nos apresentam esta realidade, que é difícil de encarar, onde um copo é como um mar, um jardim nos parece uma floresta tropical; um e-mail pode ser um salvo conduto para Terabítia. Conforme disse Epíteto, “o que perturba e assusta o ser humano não são as coisas, mas suas opiniões e fantasias sobre as coisas”.

Agora com as redes sociais, o mundo parece obedecer a nossa vontade. Nós não concordamos mais com os limites individuais e coletivos, as discussões não só não ajudam a construir o consenso que é suposto acontecer, mas proíbem a sua formação, exacerbando antagonismos onde avançam a incompreensão mútua.

Albert Camus na abertura do ensaio que abre o livro “O mito de Sísifo”, afirma: “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia”. A pergunta essencial, claro, é qual o sentido da vida. Ficamos à mercê da ideologia de ocasião; aquela que ajusta a sua necessidade ao modismo sabiamente preparado para satisfazer a necessidade do aqui e agora, afinal, Epicuro estava certo, o importante é viver tudo que há pra viver, e assim vamos nos permitindo ser superficiais, vivendo de coisas supérfluas, soberbos em nossa nanica existência. Onde, por exemplo, se queremos entrar em um grupo, procuramos ser iguais aos demais, assumindo valores e padrões de identificação do grupo, afim de sermos aceitos. Queremos ser normais, de acordo com as normas do grupo. Depois que nossa admissão está consumada, procuramos ser diferentes para obter destaque. Buscamos então a individualidade. Em última análise, o que queremos é não ser comuns, óbvios demais. Queremos ser específicos, especiais, diferentes. Por isso, sempre desejamos posições, adjetivos e títulos que nos façam diferentes e, de preferência, superiores ao nosso próximo. E de tanto nos individualizarmos, no final, acabamos por esperar um auxílio que não virá, já que o pedido nunca foi feito ou, se foi feito, o lançamos em uma garrafa escura, com uma caveira no rótulo para inibir qualquer um de abrí-la e tentar o resgate.

Esta nossa eterna arrogância de achar que o mundo é conforme o que imaginamos e não como é; esta necessidade de ser mestres sem ter aprendido nada. Ainda mais quando “A ciência se apresenta hoje, em sua objetividade, como o único fornecedor de verdades que pode ser recebido por todos, mas, ao mesmo tempo, o real como a ciência moderna entende, e o conhecimento que dispensa, não fornecem educação sobre o propósito que vale a pena continuar.” Todo mundo está tentando impor valores, em vez do bem; o desafio é reelaborar um meio de harmonizar e aproximar os relacionamentos para que o mundo inspirado por este novo padrão de proporcionalidade, entre meios e fins, entre os propósitos e as faculdades do ser humano… se permitam tanto o respeito quanto a possibilidade de emancipação. 

Enfim, no meio de tanto Carpe Diem, Carpe Futurum, quase dá para esquecer que uma vida vivida com medo é uma half-life! A vida que não se questiona não vale a pena. É a tal arte de viver com fé mas sem saber fé em quê. Opa! Mais um e-mail recebido contendo um Ppt com fotos lindas, uma ideia para se auto ajudar com uma música melancólica!

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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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