Como você fez as pessoas se sentirem hoje?

“No final do dia as pessoas não se lembrarão do que você disse ou fez, eles vão se lembrar de como você as fez sentir.”

Se você passar um tempo observando e conversando com as pessoas que estão a sua volta você perceberá que elas buscam direta ou indiretamente, de forma criativa e funcional, resolver e solucionar os imbróglios emocionais e afetivos que surgem todos os dias em suas vidas. Ou seja, a maioria das pessoas estão buscando nos seus líderes, amigos ou companheiros um pouco de compreensão. O que estou dizendo é que problemas de relacionamento e de convivência sempre precisarão ser resolvidos satisfatoriamente antes dos projetos de vida seguirem avante. Desta maneira entendemos que o sofrimento é multifacetado e tem muitos rostos. A Bíblia não apaga a nossa experiência de sofrimento dizendo que tudo é de uma só linha. Em vez disso, ele reconhece as maneiras multifacetadas que o sofrimento pode vir sobre nós. O apóstolo Paulo escreveu: “Somos afligidos em todos os sentidos, mas não esmagados; Perplexos, mas não levados ao desespero; Perseguidos, mas não desamparados; Feridos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4: 8-9).[1] Nestes dois versos, Paulo lista vários tipos de sofrimento, o mental, o físico, o emocional e o espiritual. Cada um deles é uma maneira diferente de sofrer.
A igreja não se destina a ser uma associação livre dos solitários e desocupados funcionais unidos. Paulo confronta esse tipo de pensamento quando escreve: “Carregai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6: 2). A igreja se destina à ser um refúgio para aqueles que sofrem. Quando um membro está machucado, a igreja coloca as ataduras; quando um membro está para baixo, a igreja incentiva; quando um membro está em necessidade, a igreja coloca-se ao seu lado para ajudar.
Entretanto, como prática padrão em nossa sociedade atual, essa ação segue o pensamento laicista que diz, não há mais lugar para posições absolutas, para princípios imutáveis fundados numa imagem de Deus que é facilmente manipulada pelos diferentes grupos. Que estamos necessitados de uma compreensão não sectária de nossos problemas e da busca de soluções viáveis. E nos diz ainda que essa compreensão deve ser ampla para ser compatível com as diferentes visões do que se considera vida justa e bem viver. Ora, tudo o que todos querem, a tal compreensão fundamental, não é ser amado com amor verdadeiro? Quem possui tão grande amor, tal desprendimento para ir em auxílio do outro? E mais, onde vamos encontrá-lo? Creio como eles que o único caminho é o diálogo incessantemente recomeçado pelos diferentes grupos, um diálogo onde desde o início, embora com nossas convicções, estejamos dispostos a ouvir os outros. Ouvir é a grande questão, pois na realidade desaprendemos a ouvir numa sociedade onde predomina o barulho das máquinas, dos muitos sons, dos muitos gritos humanos que de tão fortes não conseguem ser distinguidos pelos ouvidos de uns e de outros. Eu acrescento ainda a necessidade de colocarmos o tênis dos outros; de fazer ao próximo o que gostaríamos que fizessem a nós.
Logo, se colocar na perspectiva do outro é duro e difícil porque é quase sempre um negar a si mesmo primeiro. Por isso que um pequeno aviso se faz necessário: Não confunda ajuda com caridade. Doar um casaco não faz de você uma pessoa boa, mas eu aposto que faz você se sentir como um. Você nem queria esse casaco mais; o que você queria mesmo era o espaço do armário. Claro que você poderia ter vendido em uma venda de brechó e feito, talvez, cinquenta ou oitenta reais. Era um casaco caro, droga. Mas você, com seu “coração de ouro”, deu-o. Há um brilho nos olhos de Deus sobre você agora não é mesmo? Só que não. O que faz de você uma pessoa boa para os outros (e não apenas para si mesmo) é a mesma coisa que faz qualquer um que pode pagar/doar algo ocasional, uma boa pessoa: Se houver desinteresse pelo lucro próprio. Não é o seu caríssimo casaco, é o seu amor ao próximo sem pensar em si mesmo primeiro.
O ensinamento hoje diz, “quando todo mundo parece estar vivendo criativamente mais intensamente do que você, o que é que vai distinguir a sua maneira de viver, sua marca pessoal do resto? Cuidar das pessoas!” Isto pode ser muito interessante hoje em dia já que esta geração atual cresceu em meio a um crescente individualismo e extremada competição. Pensar só no futuro e buscar compulsivamente viver a frente do seu tempo pode até parecer uma atitude muito moderna, muito “geração millenials e tal”, entretanto, é mais comum tal atitude ser um sintoma de ansiedade.[2] Alch (2000) afirma mesmo que eles têm que sentir que controlam o ambiente em que estão inseridos, têm que obter informação de forma fácil e rápida e têm que estar aptos a ter vidas menos estruturadas.

Mas, “(…) Ao mesmo tempo em que prezo o diálogo, a profundidade dos relacionamentos e os sentimentos honestos, defendo a flexibilidade; a nossa capacidade (diria essencial, quase uma questão de sobrevivência) de adaptar-se às mudanças sem; contudo, perder a essência e os valores. Tarefa nada fácil já que tais mudanças incluem a “pressa”; a correria; o tempo curto; a substituição de quase tudo… Em vez do “reparo”, que caracterizam este “mundo fluido”, conforme afirmação de Bauman. [3]

Todos estão fazendo um monte de coisas e vivendo à procura de inspiração para estarem no contexto do seu tempo, círculo de amizades e grupos de interesses. Todos estão sempre procurando encontrar as emoções certas a sua volta e é por isso que as pessoas se envolvem ou porque elas não o fazem. Se entendermos as pessoas e seus sentimentos torna-se-á muito mais fácil nos sintonizarmos e usarmos as nossas “ferramentas”, nossas características que sempre pensamos criticamente como irrelevantes, mas quando usadas com empatia as pessoas dizem que são as verdadeiras emoções que estão por trás das decisões que tomamos. Geralmente é algo como isto: “Alguém precisa de um caminho para resolver um problema porque eles têm uma dor, dúvida ou desejo.” O “porque” acaba por ser a parte realmente importante da coisa toda. Por isso precisamos estar ligados as pessoas como amigos e como seres humanos, e estar comprometidos em criar algo juntos para tornar suas vidas melhores.
Dê uma boa olhada em seus pés. Se você nasceu na linha de partida vestindo um bom par de tênis, não foi sorte. A coisa mais importante que você pode fazer agora é ajudar aqueles que tiveram de começar a corrida de uma milha atrás de você, com os pés descalços. Com perspectiva zero de algum sucesso. Precisamos ser cada vez mais corajosos para amar e, mais ainda, para assumir e para demonstrar amor. Caso contrário, este nobre sentimento não passará de um líquido que escorre por entre os dedos. Para tanto, há muitas coisas para se fazer e um longo caminho para percorrer (e percorrer até que a busca pelo equilíbrio se torne um hábito): harmonizar máquinas e homens; não se deixar hipnotizar pelas tentações das telas ao ponto de mergulhar no isolamento; evitar o distanciamento que nos conduz ao isolamento e cultivar a sensibilidade que nos humaniza. Enfim, viver e conviver na (e com a) modernidade, mantendo nossas essências e estabelecendo RELAÇÕES HUMANAS REAIS, permeadas por um amor real… E sólido o bastante para sobreviver numa sociedade cada vez mais fluida; superficial; descartável e fútil.

“ Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas amemos em ação e em verdade.” (1 carta de João, cap. 3, v. 18)

Então, como você fez as pessoas se sentirem hoje?

1- http://www.desiringgod.org/articles/five-truths-about-christian-suffering
2- Alch, M.L. (2000) The echo-boom generation: a growing force in America society: The Futurist, Vol 34, Nº5.
3- http://educandoquem.blogspot.com.br/2015/04/um-olhar-sobre-obra-o-amor-liquido-de.html
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Sobre lucaspinduca

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