Nenhuma causa própria é mais relevante que a verdade.

A pergunta feita:

“o que leva a homossexualidade a ser um sinônimo de algo ruim para a religião, senão no contexto já passado pela sua própria geração?”

A resposta dada: Para algumas pessoas, a perspectiva bíblica sobre a questão da homossexualidade é apenas de interesse acadêmico. Estas pessoas talvez não sejam nem cristãs, nem homossexuais. O problema pode não afetá-las pessoalmente, mas já que está na moda, deve ser interessante. Para outras, a questão é muito pessoal. Talvez estas se identifiquem como cristãs, homossexuais ou cristãs homossexuais. Então, creio que todos podem crer naquilo que quiserem. Dessa forma, alguém que acha que homossexualidade – ou qualquer outra coisa – é pecado, deve ter a mesma liberdade para expressar suas crenças quanto as pessoas que creem que não é pecado.

Primeiro, não sou religioso no sentido clássico de religare. Entendo que a religião como ponte feita pelos homens para atingirem um propósito de transcendência metafísica através do bem estar particular é uma mentira porque faz aparecer mais claramente, e apenas, o humanum. E dentro do Cristianismo o supremo bem é o próprio Deus. E sendo Ele bem e amor, Ele é a raiz ontológica última do ser humano, entregues naturalmente a sua condição de liberdade. O mal que o homem pratica não destrói sua ontologia, mas bloqueia-lhe um agir comunal com Deus. E o ser humano foi criado para se relacionar com Deus. Logo uma recuperação dessa base ontológica do bem no ser humano traz alguma luz para a ética nesse momento atual que nos leva a descrer radicalmente do ser humano pelas barbáries que ele causou e continua a causar. Afinal, A cultura pós-moderna anunciou a morte do sujeito. Os ataques da antropologia, da sociologia, da psicanálise desfizeram o sujeito. Só há sujeito onde há liberdade. Mas quem age em mim? O id? O superego? O ego? As condições sociais? O grupo cultural em que vivo? Sem sujeito não há ética.

Segundo, quando discussões sobre Jesus e o homossexualismo ou LGBT vêm à tona, muitas pessoas tentam afirmar que Ele nunca tratou deste assunto. No entanto, não é exatamente assim. Jesus, como Deus, foi um professor único. Ele sempre tratava com autoridade dos princípios que estavam por trás não só de uma única ação, mas de uma série de possibilidades. Ele julgava o coração e a intenção das pessoas, e expunha tanto o coração pecaminoso quanto o Seu padrão de santidade. Os dois exemplos a seguir mostram claramente como todos nós estamos destituídos da graça de Deus e carecemos dela.

Em Mateus 5.27-28 Jesus deixou claro que o padrão de Deus para certo e errado não é só deixar de fazer alguma coisa, mas inclui também pensar e sentir. Até mesmo ter fantasias imorais é errado.

Em Mateus 19:3-9, temos a definição específica quanto ao propósito de Deus para homens e mulheres e o casamento. O fundamento da Sua resposta sobre a questão dos relacionamentos volta ao plano original de Deus. Esse plano foi desvirtuado e distorcido de todas as formas possíveis pelo nosso pecado e pela dureza do nosso coração. Neste caso específico, a questão é o divórcio, a imoralidade e o adultério. No entanto, todos os outros desvios do intento original de Deus são igualmente contra o Seu plano — o qual é reiterado por Jesus nesta passagem. Ratificando o propósito original de Deus, Jesus está destruindo, invalidando e rejeitando qualquer ato contrário a ele. A imoralidade, como o divórcio, declara que a providência e o desígnio de Deus são insuficientes. O mesmo ocorre com o homossexualismo1.
Jesus nos deu liberdade através da sua obediência e sacrifício demonstrados até a morte na Cruz, uma liberdade frente ao pecado e a restauração do nosso livre arbítrio através do amor de Deus por nós. Quando escolhemos o caminho da religiosidade, ofendemos e desonramos a mensagem da Cruz pois, se Cristo nos libertou, porque achamos que temos o direito de escolher nos prender a qualquer sistema religioso, algo que Ele mesmo condenou quando andou entre os homens? Necessário e preciso é honrar a Cristo saindo da gaiola da religiosidade e ajudando os irmãos que também possuem essa dificuldade, pregando e cumprindo todo o verdadeiro evangelho do Reino de Deus, amando o próximo e a Deus. Pelas palavras de Jesus, vemos que nenhum de nós escapa ao Seu ensino sobre os padrões de Deus sobre sexualidade e casamento. O próprio Jesus ensinou uma ética sexual e conjugal que ressalta e enfatiza o plano original de Deus para uma relação heterossexual pura e monogâmica. Nada mais tem valor — nem mesmo pensamentos lascivos em qualquer direção. Para quem tem qualquer tipo de relacionamento hetero ou homossexual fora do casamento homem/mulher, estas verdades têm implicações muito abrangentes. A declaração de Jesus é que tais relações não têm valor e são pecado. Logo, como um cristão eu entendo que nenhuma causa própria é mais relevante que a verdade.

As distorções inventadas para adequar o padrão bíblico aos desejos das pessoas são tantas que se os filósofos costumam discordar com frequência, imaginem como as pessoas normais têm dificuldade de chegar a um acordo. Sabemos que há tremendas diferenças morais no mundo. Em várias culturas, é moralmente certo decidir os casamentos para os filhos, suprimir a diferença política para harmonizar o grupo e que as mulheres tenham menos status que os homens; no ocidente, isso tudo está errado.

Até onde o filósofo em mim pode ver, a moral não existe no mundo da mesma forma que os fatos científicos ou matemáticos existem. Estes últimos existem de maneira independente dos seres humanos. A moral, dizem, não é algo descoberto, mas algo inventado por diferentes grupos em diferentes momentos e lugares. E como com qualquer invenção, depende inteiramente do inventor decidir o que entra e o que fica de fora. Logo, culturas diferentes podem estabelecer as regras morais que quiserem, e cada cultura será o único juiz do que é certo e errado dentro daquela cultura. Por esse motivo, ninguém está na posição de julgar a moral de outra cultura; a não ser que exista uma moral universal.

Quem pode dizer quem está certo e quem está errado quando as culturas discordam sobre a moral? Todo mundo e ninguém, pois todo mundo pode opinar sobre a moral da própria cultura, mas ninguém pode opinar sobre a do outro. Se entendemos que a bíblia não é uma simples coleção de ditos morais, mas a expressa palavra do Deus criador que expõe sua vontade para todo aquele que Nele crê, temos uma ética universal a medida que todos podem receber, entender e praticar o que está nela contido; pois se Deus é criador de todas as coisas, e Jesus Cristo é Deus, como cristão ortodoxo ocidental é de dentro de uma moral judaico-cristã, aquela predominante no ocidente, que busco produzir uma opinião sobre um tipo de comportamento e defendê-lo ou não conforme o mandamento bíblico universal.

Bem, nós cristão acreditamos piamente que não vivemos, mas Cristo vive em nós através do Seu Espírito Santo e da conformidade gerada em nosso ser. Somos porque Deus é. Para que isso aconteça a nossa fé deve ser obediente e prática, nosso comportamento adequado ao ideal divino professado. Não há espaço para minhas especulações e achismos; Deus e sua vontade são o padrão virtuoso a ser seguido ainda que com dificuldades. Eu sei que essa forma de pensar não é um consenso hoje, nem mesmo dentro da igreja.

Bertrand Russell dizia que a crença em Deus é uma tentativa humana de participar de sua onipotência. Se o mundo é controlado por Deus, e Deus pode ser movido pela oração, a religião é a realização desta tentativa.

Respondendo a pergunta que é o mote deste texto, a homossexualidade, segundo este ponto de vista, como um padrão de comportamento de um grupo, não é ruim para uma religião, pois é quanto a ética cristã que a religião e a homossexualidade funcionam iguais: podem ser um comportamento usado para tentarmos nos esconder de Deus ou “distraí-lo”. Pois há algo sobre ritmos e rituais, formalidades e funções que nos enganam de tal maneira que pensamos que Deus está enganado sobre nós. Nós pensamos: “Talvez se eu levantar minhas mãos bem alto domingo de manhã, eu vou distrair Deus do que aconteceu quinta-feira à noite.” E mesmo que raramente falamos esses pensamentos em voz alta, sabemos como a tentação funciona.

Bem, os elementos que caracterizam o dia a dia dos homossexuais, na sua maioria jovens adeptos do hedonismo,  são alimentados pela beleza das coisas, inserem-se no mundo a partir das relações que estes mantêm com uma idéia muito peculiar de amor: amar é embelezar, é endeusar, colocar num pedestal, ser passional. Amar é também imaginar. E perder-se nessa contradição onde o carnal e o aural fazem-se presentes o tempo todo2. Assim, é fácil constatar o porquê de muitos passarem tanto tempo arrumando-se, vestindo seus mais descolados ou chamativos acessórios quando estes vão ao encontro dos seus pares, seja em uma igreja, shopping ou bar. A moral a partir daí também passa a ser guiada pelos atributos estéticos (Lembramos que Deus não se prende ao exterior, Ele sonda o interior do homem, sua essência, por isso conhece o seu coração).

Sei que você dizendo-se homossexual e cristão, doa aos pobres, que o sofrimento das crianças e dos gatos pode levá-lo às lágrimas. Sei que é piedoso e contrito. Mas isso não muda o fato de continuar sendo incapaz de demonstrar mais amor a Deus, cumprindo os seus mandamentos e negando a si. Saber falar sobre empatia, caridade e amor ágape com uma voz trêmula acreditando que o pecado não é uma escolha moral, mas sim uma doença do  espírito, só faz com que acredite estar com a razão. Não crie ilusões para si mesmo; é ela que você está ouvindo agora tentando convencer que seu comportamento e atitudes são logicamente aceitáveis. Bem, a verdade tem algo de auto demonstrativo, que se impõe por conta própria. O mesmo vale para seu contrário e, para não  valorizar  isso, é preciso ter perdido todo e qualquer julgamento. Honestamente você pode afirmar que sua homossexualidade o tornou uma pessoa melhor, um cristão melhor?? Pra quem mesmo?

Uma ética do particular, do provisório, do relativismo subjetivo não resiste à arbitrariedade, porque não se submete a nenhuma “norma objetiva” maior que o próprio indivíduo. Não cumpre a função reguladora da ética para o indivíduo e para a sociedade. A tradição bíblico cristã tem aguda consciência de que sua mensagem é duplamente universal: conteúdo e destino; mandamento e vida com Deus pra sempre. A ética cristã é a própria verdade de Deus para o homem. Enquanto uma verdade participa de Deus, ela é universal e definitiva porque Deus nunca mudou. Ele não desfez a criação original de macho para fêmea e fêmea para macho. você pode até aceitar, desejar e proclamar isso como a nova verdade, baseando-se em uma mudança dos novos tempos, no ideal moderno de relativismo ético onde cada qual segue o seu padrão pessoal e tenta imputar ao outro a sua “verdade”, mas não encontrará registro de uma única declaração de Jesus dizendo ao homem que inverta o seu padrão. Mas o que muda e tem se modificado com o passar dos tempos é a interpretação da verdade divina. Onde, por exemplo, a felicidade moderna da auto realização (e o homossexual vive esta busca em todos os níveis), leia-se busca de satisfação e prazer, não concorda com a norma ética cristã, que é traçada a partir de atos objetivos, atos que afirmam a cidadania do pobre homem perdido no Reino de Deus, isto é, no projeto histórico de Deus, apontando o caminho ético do consolo aos aflitos, dos mansos, dos que têm fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puros de coração, dos que promovem a paz, dos perseguidos por causa da justiça. Uma radicalização ética da justiça, do não matar, do não odiar, do não cometer adultério, do não cobiçar, do não jurar, do não vingar-se, do amor ao inimigo. Por isso a razão última do agir cristão é: sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito e a unidade dos dois amores a Deus e ao próximo (1 Jo 4, 21). Ora, a perfeição humana só existe transcendentalmente quando correspondemos a expectativa daquele que nos criou. Quando aliamos nossa existência aquilo que nos é proposto por Deus e cumprimos isto. Quando permanecemos em Deus e Ele em nós. Nunca é o que meu desejo quer, a comunidade ou a igreja instituição quer. Mas o que Deus planejou e cuida para que aconteça conforme está nas Escrituras. Portanto aquele que ama a Deus, (isso serve para quem é homossexual ou não), e deseja permanecer identificado com Ele, não deve seguir uma religião, deve apenas cumprir o seu mandamento. Conselhos…

E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária; porque esquadrinha o SENHOR todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos; se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre – 1 Crônicas 28.9

Para isso precisamos que as referências que constituem nossa identidade sejam claras e bem definidas, tornando-se um guia sólido e trazendo segurança. Infelizmente a igreja como a instituição deixada por Deus para propagar a verdade bíblica e seus valores capazes de moldar um estilo de vida santo, perdeu-se entre tantas teorias e práticas e encontra-se mergulhada no relativismo ético. Agora é a igreja que precisa reinventar-se o tempo todo. Cabe aqui uma pergunta: o comportamento cristão não deve ser baseado UNICAMENTE no padrão deixado por Jesus Cristo? E Ele não é o mesmo ontem, hoje e eternamente? Jesus Cristo não mudou e tão pouco o seu evangelho. O que mudou foi nossa atitude, já que a obediência a Cristo não é mais tão importante somente o reconhecimento de sua autoridade3.

Bem, amanhã quando acordarmos não teremos mais o tempo que passou… Esta é a constatação diária de todo ser humano; e todo o tempo que resta é para vencer a corrida para chegar na existência eterna. O problema para a maioria de nós, seres humanos pretensamentes donos do próprio arbítrio, é perceber que a eternidade desconhecida pertence a um Deus pessoal e Todo Poderoso e não viveremos nela segundo a minha vontade. Duro discurso para uma época individualista cultuadora da personalidade em todas as suas nuances!

1-https://bible.org/node/23457##I.
2-http://obviousmag.org/karamundiar/2015/05/filmes-que-cortam-a-nossa-cabeca-em-camera-lenta-1.html#ixzz4QnISn7UM
3-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2011/07/07/a-crise-das-instituicoes/
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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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