Devocionais para não devotos (III)

Como escapar do desesperançado vazio de toda esta vida?

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/anthony-bourdain-escritor-e-apresentador-americano-morre-aos-61-anos.ghtml

Esse apresentador famoso se suicidou e um dia antes dele um ex colega de trabalho de um colega de equipe também se suicidou, a coisa tá feia. A morte do cozinheiro é o segundo suicídio de uma celebridade americana seguido. Três dias antes, a estilista Kate Spade foi encontrada morta em seu apartamento. A polícia de Nova York confirmou que ela cometeu suicídio por enforcamento.
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA citados pela agência Reuters, as taxas de suicídio aumentaram em quase todos os estados do país de 1999 a 2016.
Quase 45 mil pessoas cometeram suicídio em 2016, tornando o problema uma das três principais causas de morte nos EUA, juntamente com a doença de Alzheimer e overdoses de drogas.
Existe hoje uma busca por uma verdade que pudesse pacificar a existência humana,  que integrasse o espiritual e a nossa realidade, mas que infelizmente o mundo tem procurado fora da verdade bíblica chamada por nós cristãos de palavra de Deus. O que encontram é uma verdade humanista que é sempre uma tentativa de reconciliação entre o que eu quero neste mundo e no vindouro, mas não consegue produzir uma trégua longa ou uma paz suportável porque não resolve o conflito existencial humano. Quem sou eu? O que devo fazer com aquilo que sou? Para quem? Porquê?1

Schopenhauer trouxe à luz da discussão filosófica o termo Absurdo. Para ele, a simples noção de existência é um absurdo, justamente porque a vida não apresenta nenhuma outra razão, a não ser “a vontade de querer viver”, sem nenhum sentido aparente, o que resulta no pessimismo, na irracionalidade, e de certa forma, no conformismo da humanidade. Considerando também a noção de existência um absurdo, porém diferente do pessimismo radical de Schopenhauer, Sartre e Camus, por sua vez acreditam que essa absurdidade leva a humanidade à ação, revolução, e principalmente à recusa da conformidade. Afinal, se a vida não nos dá sentido, é necessário que este seja construído, logo angústia e pessimismo, manifestados diante do absurdo em nada se encontram relacionados à ausência de sentido da existência e do mundo.2

_ Sim verdade, a maioria das pessoas não querem a Deus, eles querem a paz, mas a paz do jeito deles. Não foi a toa que Jesus disse:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – (João 14:27 acf)

Este é o ponto. A paz que Cristo oferece não se baseia no suprimento de mera necessidades físicas, emocionais ou intelectuais, ela se baseia na redenção total de um ser humano depravado pelo pecado. Mas o mundo não quer isso, eles não querem submeter a Deus seus desejos, entretanto, eles querem independência dele precisando ser pacificados por Ele; e por causa dessa atitude de rebeldia, sofrem de angústia e de um sentimento de impermanência, sentem-se inadequados a esta existência e buscam novamente e erroneamente solucionar o problema de uma maneira rápida.
_ é muita ignorância que essa independência traz e o sr acha que o suicídio não tem perdão?
_ Acredito que o suicídio quando realizado por alguém sem o controle do seu poder de julgamento, fora do seu juízo perfeito como dizem, ou debaixo de uma pressão sobre humana, pode ser perdoado; fora disso ele é um pecado porque é produto do pecado como falei acima, da rebelião humana afinal de contas. Porque o suicídio quando é produzido diretamente pelo pecado torna-se responsabilidade do pecador vide o exemplo de Judas.
_ é um assunto complexo. Como o filho daquele Pastor americano Rick Warren que tinha problemas mentais e se suicidou, esse eu acredito que houve perdão.
_ Sim, mas não cabe a nós julgar o suicida. Apenas buscar ajudá-los antes deles cometerem o ato. Nós só precisamos cumprir o ministério que Paulo diz que todo cristão verdadeiro possui: reconciliar os homens com Cristo para serem redimidos, para tanto devemos pregar o evangelho e viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Charles Chu diz:

“… A liberdade é certamente louvável, mas parece ser uma faca de dois gumes, já que a escolha excessiva pode levar à indecisão paralítica, a expectativas maiores, estresse e eventual insatisfação, culpa e arrependimento”.

Por isso há quem diga com seriedade, olhando para a nossa sociedade atual, “Isto está tudo errado. É preciso deitar fora e começar de novo”, mas apesar do objetivo generoso e voluntarista, não se dá conta da arrogância sutil de que é vítima. O mundo é como é, e se por acaso a existência não lhe agrada, ninguém lhe dará outra. Nem a natureza nem a humanidade lhe têm de prestar contas. Ninguém o nomeou sequer juiz, quanto mais proprietário da realidade. Tudo o que temos é dom, pois nascemos nus das nossas mães. Isso significa que uma gratidão fundamental é condição prévia para abrir os olhos todas as manhãs. Uma vontade empenhada de melhorar o que há por mais louvável que seja, pode fazer-nos esquecer esta verdade. Seria suficiente dizer que as qualidades morais básicas dos seres humanos também não mudaram com o tempo, e que não há razão para pensar que quaisquer melhorias no comportamento humano que tenham ocorrido façam parte de um padrão de progresso inevitável, e deve ser enfatizado que não houve nenhuma melhoria real.
Outro problema do relacionamento do homem com a sociedade está em um mundo onde ninguém ou quase ninguém acredita que mudar a vida dos outros seja importante para a própria vida […] os vínculos humanos se afrouxaram, razão pela qual se tornaram pouco confiáveis, o que torna difícil o praticar a solidariedade e a empatia, do mesmo modo que é difícil compreender suas vantagens e, mais ainda, suas virtudes morais.
Unida a esse problema está a sensação de incapacidade do homem atual em alcançar a solução almejada, conforme demonstra Bauman:

“A insegurança e a incerteza nascem, por sua vez, da sensação de impotência: parece que temos deixado de ter o controle como indivíduos, grupos e coletividade”.3

O que precisamos para fazer bom uso da liberdade que tem sido disponibilizada a nós é ter discernimento, sabedoria espiritual (em grego, diakrisis). Mas discernimento não pode ser dado a uma criatura velha, pq ela fará as mesmas escolhas erradas de sempre. É preciso que o indivíduo tenha “nascido de novo”, se tornado escravo do amor de Cristo e possua um caráter transformado por uma visão de mundo diferente, onde consiga perceber a existência de algo maior e melhor do que esta realidade desfigurada pelo pecado humano e ação dos demônios.


1- https://medium.com/@lucaspinduca/the-despicable-immaturity-9c7ba7be8e45
2- https://medium.com/@lucaspinduca/anguished-postmodern-man-needs-salvation-dc0999895d14
3- http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo – Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 75-90.
Anúncios

Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
Esse post foi publicado em comportamento, Cristianismo, Vida Cristã e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s