Devocionais para não devotos (V)

“Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.”

“Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil. E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia. Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” (1 Coríntios: 10. 1-14).

Como é que a sua trajetória pessoal se cruza com a trajetória de Israel? O versículo 6 diz: “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, para que nós não almejemos coisas más, como eles cobiçaram.” Paulo escreveu sobre sua jornada para nos ajudar a evitar os mesmos erros na nossa. Nos versículos 7-10, Paulo aponta para quatro coisas más que eles fizeram:

“Não vos torneis, pois, idólatras” (v.7) – “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” A raiz do pecado é a idolatria. Por isso não vamos agir imoralmente (v.8) – Quando as pessoas agem de forma imoral, eles colocaram o seu desejo pecaminoso e prazer imediato a frente de Deus.

“Nem tentemos o Senhor” (v.9) – Quando as pessoas tentam a Deus, é porque eles colocaram os seus planos, suas ações e sua agenda a frente de Deus.

“E não murmureis” (v.10) – Quando as pessoas reclamam, eles colocaram o seu conforto, sua sabedoria e sua perspectiva a frente de Deus.

Agora reflitam sobre o versículo 12. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”. À primeira vista, podemos pensar que a jornada de Israel e nossa jornada são completamente diferentes. Acho que essa é a advertência do versículo 12. Se você pensa que está de pé, se você acha que isso não se aplica a você, tome muito cuidado para que você não caia nas mesmas armadilhas.

A ênfase aqui é “Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.” Ninguém está livre de errar, ou sem culpa, ou sem pecado. Quem nunca colocou algo ou alguém a frente de Deus e praticou idolatria? Há alguém que não tenha se envolvido em alguma forma de imoralidade? Quem já não ouviu claramente a voz de Deus, conheceu a sua vontade e o desobedeceu tentando aumentar os limites da sua graça para ampliar a possibilidade de fazer valer a sua vontade? Quem nunca resmungou e reclamou com Deus sobre o que está passando, incomodando, e o acusou de não agir em seu favor, em como Deus não buscou o seu melhor interesse?

Somos todos culpados desses tipos de pecados. Se nós não vemos o nosso envolvimento neste tipo de comportamento, corremos o risco de descansar em nossa suposta inocência. E quando descansamos em nós mesmos em vez de permanecer dependente de Deus, é só uma questão de tempo antes de cair. No versículo 13, Paulo nos diz que nenhuma tentação ultrapassou nossas forças. Logo, Deus vai fazer um caminho para você escapar porque Ele sempre está atento. No versículo 14, ele nos mostra o caminho para escapar. Ele começa novamente com uma palavra de conexão, “portanto”. No fim, o pecado sempre cresce a partir da raiz de idolatria ao ego. A resposta de Paulo para evitar os mesmos erros que Israel… Fugi da idolatria.

O pecado, qualquer que seja, existente e alimentado dentro do coração, pode criar problemas sérios à alma humana, levando-a ao desregramento (desordem), confusão, culpa, desespero, desesperança e mesmo à depressão e ao suicídio.

Agora mesmo, você está colocando algo ou alguém a frente de Deus? Você está resmungando sobre como Deus o está tratando? Você está agindo baseado em sua própria sabedoria, sabendo que ela entra em conflito com os ensinamentos de Deus? Você está deliberadamente pecando e testando os limites da graça? Ou você acha que nada disso se aplica a você?

Então é preciso esclarecer. Se os efeitos ou os sintomas do seu comportamento são maus a luz da Bíblia, devemos colocar a etiqueta certa neste comportamento: “comportamento mau”; no caso pastoral e bíblico, a etiqueta seria “pecado”, ou seja, “comportamento pecaminoso”.

Depois de descobrir que seu comportamento é um “comportamento mau ou pecaminoso”, busque mudá-lo. Reparem bem que estou dizendo que se o comportamento da pessoa é mau, é pecaminoso, este comportamento deve ser condenado. Não a pessoa! A pessoa precisa de ajuda e restauração.

Devemos procurar as causas que estão me levando a esse “comportamento mau”. Lidar com estas causas, sem flexionar a verdade para acomodar as minhas vontades, tentando identificá-las e procurando resolvê-las através dos meios terapêuticos e pastorais à nossa disposição.

De igual modo, não posso dizer a um prostituto, prostituta, alcoólico, drogado, vigarista, violento e homicida ou alguém que tem um “mau comportamento”, que isso não faz mal, que ele pode continuar, que ninguém tem nada a haver com o seu comportamento e que, por final, ele nem é culpado das causas que o levaram a isso. Isto é relativização da moral cristã. Não vamos atacar a pessoa, mas vamos identificar o comportamento como “mau ou pecaminoso” e atacar as causas procurando providenciar a cura física, emocional e espiritual para a si ou para o outro que nunca tiveram o cuidado ou a coragem para lidar de frente com esses problemas e procurar a libertação e cura, que forçosamente deverá passar pela confissão, o arrependimento e a Fé em Cristo.

Porquê há pessoas que sofrem toda a vida de um problema, mas vão “ventilando” o problema, ou “negando” o problema, ou “racionalizando o problema”, ou buscando “bodes expiatórios” culpando outras pessoas e situações como sendo os principais responsáveis por esses maus comportamentos, em vez de os confrontar de frente e procurar o perdão, a libertação e a cura!

Ouça com atenção o aviso novamente: quem pensa estar de pé tome cuidado para que não venha cair. Para empreender uma jornada pessoal de sucesso é necessário estar pronto a sacrificar um pouco do conforto emocional e físico que o nosso ego busca desesperadamente nos proporcionar.

Deus abençoe a sua caminhada!

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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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