Devocionais para não devotos (VIII)

Os festejos de momo terminaram.
Agora todos eles acham que são tão diferentes, mas até a pouco tempo com aquela música tocando, eles estavam todos dançando. Eles achavam que ninguém mais estava divertindo-se tanto quanto, mas todos estavam fazendo a mesma coisa. No fundo, eles estão todos desesperados pela mesma coisa, que é aceitação e ser parte de algo maior, importante e duradouro novamente. Se ao menos pudessem tirar um minuto para dizer isso a quem realmente pode realizar algo sobrenatural e real ao mesmo tempo! Mas eles não vão conseguir sozinhos e essa é a nossa obrigação: ajudá-los a ver se talvez um dia eles descobrirão e possivelmente se salvarão libertando-se do mundo.

Houve uma vez, quando os setenta e dois voltaram e vieram muito alegres e disseram a Jesus (Lucas 10.17-20):

— Até os demônios nos obedeciam quando, pelo poder do nome do senhor, nós mandávamos que saíssem das pessoas! Jesus respondeu:
— De fato, eu vi Satanás cair do céu como um raio. Escutem! Eu dei a vocês poder para pisar cobras e escorpiões e para, sem sofrer nenhum mal, vencer a força do inimigo. Porém não fiquem alegres porque os espíritos maus lhes obedecem, mas sim porque o nome de cada um de vocês está escrito no céu.

Jesus nos ensina algo importante aqui: Não se perca no emaranhado de novidades superficiais que nos conduzem ao orgulho, covardia e falsidade.
Nós nos gloriamos na cruz mas simplesmente pela cruz? Onde está o amor a Cristo pelo Cristo? A glória de servir é a maior prova que o cristão novo pode experimentar ao se libertar do homem velho.
Você pode ir à igreja todos os domingos, mas se você não ama os outros como Jesus amava os outros, você é a razão pela qual as pessoas que não acreditam em Jesus não vão à igreja. Porque tornar-se um servo envolve um estilo de vida em que o próximo vem antes de nós mesmos. Ao contrário de ser orgulhoso que é simplesmente ser cheio de si; que tem um senso de valor próprio superestimado e uma atitude de “ser melhor que os outros”. Preciso dizer que todo orgulhoso superestima sua reputação e integridade (caráter) não é reputação. D. L. Moody diz que o caráter é o que o homem é na obscuridade, quando está sozinho. Infelizmente nossa geração acha difícil distinguir caráter de reputação e isto é tudo o que vale hoje em dia: ter uma reputação. Ser o “tal”, o “cara”. Será preciso lembrar que a concretização dos nossos sonhos depende mais da nossa integridade do que da nossa reputação? No livro de Provérbios lemos que “A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói.” (Provérbios 11:3). Seu caráter é tudo o que você é na sua intimidade e ninguém sabe, suas atitudes repetidas diariamente e que moldam sua personalidade, sua marca pessoal, o “sinal” que o distingue dos outros e pela qual o individuo define seu estilo, a sua maneira de ser, de sentir e de reagir. Ou seja, o caráter não apenas define quem você é, mas também descreve o seu estado moral (leia Provérbios 11: 1-31 e veja o que estou dizendo). Visto pela fé cristão é o homem que foi até à cruz e ao chegar até ela negou a si mesmo, e renunciou ao mundo, seguindo o cordeiro de Deus que foi imolado sob o aguilhão da dor mais pungente que uma criatura pode sentir. O verdadeiro cristão sente nos ombros o peso da cruz de Cristo, caminha combalido com o magnetismo do seu amor, sonda o seu íntimo e sobressalta-se com a doçura de um mel que lhe serve de bússola fiel para seguir os caminhos de uma vida de credibilidade; sua alma regozija agora porque é uma pobre criatura sedenta de uma inabalável fé que o coloca de joelhos submetendo todo o seu corpo, todo o seu espírito e a sua inteligência à prova última que é o reconhecimento do amor de Cristo.*
Mas não é sempre que ouvimos estas histórias da vida real contadas nos noticiários e podemos ver ou sentir esperança. Por isso nos voltamos muitas e seguidas vezes para aquilo que pode nos acalmar ou trazer um pouco de conforto e esperança. Manifestações artísticas, principalmente aquelas mais bem elaboradas, espelham o nosso mundo mas não permitem nos tornar apenas contempladores ou nos alienar dos acontecimentos. Numa sociedade que não está disposta a enxergar sua própria violência, corrupção e problemas somos forçados muitas vezes a reconhecer e rever certos valores. Somos responsáveis por aquilo que acontece em nosso redor e não podemos usar bálsamo de nenhum tipo para nos eximir disso.
Se, segundo Sartre, somos condenados a liberdade, somos também hoje, ao desejo. Como definição o desejo é sempre por algo que não se tem. Com o advento da velocidade incessante tornamo-nos mais consumidores que cidadãos, segundo Bauman, a medida que desejamos o que não temos. Portanto, cada vez mais, nossas escolhas estão ligadas ao consumo, não ao que já nos pertence. Instiga-se o consumo a partir do desejo de maneira não reflexiva. Ao tornar tudo objeto, ao coisificar o mundo (Conceito Heideggeriano que também criticava a racionalidade dessa ação), torna-se objeto de desejo e, por consequência, tudo se torna descartável, supérfluo, a medida que ao possuirmos a coisa que desejamos não a desejamos mais. O desejo está fora de si e, ao possuir, desejamos outra coisa, alimentando a velocidade do mundo.
Assim se constituem as relações no mundo fluido. A constituição de família, relações amorosas, e todas as coisas antes rígidas hoje são líquidas, pautada no desejo e no medo do fracasso, entregues a velocidade da modernidade. Pense, por exemplo, na ideia do casamento. No mundo sólido era concebido como algo eterno, hoje é natural que acabe depois de alguns anos. A ideia de Família, portanto, mantém sua essência, mas mudou sua forma. Em tempos líquidos, nada é feito para durar!
Tenhamos sempre em mente, quem peca é aquele que não faz o que foi criado para fazer. Será que fiz o que Ele me criou para fazer? Reflexão que não me impulsiona a agir é perda de tempo. Não quero entender nada. Quero acreditar, mas não posso ter certeza, apenas posso agir e confiar que Deus me terá em sua Glória e sei que Ele agora está sorrindo.

* citação de @johnpfinch
** http://www.dm.com.br/opiniao/2017/04/nos-autem-gloriari-opportet-in-cruce-domini-nostri-jesus-cristi.html

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Sobre lucaspinduca

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