O quê você sabe que não está certo?

A vida parece uma invenção, mas é a invenção que tem que parecer verdadeira não é mesmo?
E não, não tem nada de errado com você, com a sua intensidade, com a sua entrega, com a sua verdade, com o seu coração gigante e a sua mania de confiar nas pessoas. não tem nada de errado em ser real, em ser de verdade, em ser honesto. O mundo precisa de pessoas como nós. As pessoas estão procurando mentores em todos os lugares. Apenas tome cuidado ao levar seu lixo para a rua, isso poderia fazer muitos pensarem que você também pode levá-los à luz.
E faça uma reflexão apenas se desejar agir após, pois “O que foi pensado apenas uma vez não pôde ser apagado” segundo Borges. Por isso cuide melhor dos seus pensamentos. Dá muito trabalho depois organizar, abstrair e esquecer certos detalhes e coisas. Enfim, tudo que deve ser dito já foi pensado uma vez. Krahe* disse isso: todas as gerações ressuscitam seu passado. Mas os sátiros, e eu me considero um sátiro, quero dizer, satírico, sempre temos algo a dizer, embora o que eu esteja realmente pensando eu não diga, porque eu posso acabar na fogueira. Parece que todos nós temos um eu-satírico não é mesmo?
Quando olhamos uma pessoa completamente secular, alguém cuidadosamente educado para estar aberto a todas as verdades e comprometido com ninguém, esta pessoa anseia pela certeza e segurança de uma crença. É quando precisamos reconhecer que todo o glamour e capacitação do mundo não podem nos capacitar a usar seu poder para nossos próprios fins. “Você não pode servir a dois senhores”, disse Jesus. Podemos encobrir as nossas escolhas com caprichos e ofuscação, em histórias fantásticas de destinos e capacitação pessoal, mas no final ainda precisaríamos dar uma resposta e sem meio termos.
E lembre-se, a busca que move um povo e dá sentido a tudo o que fazem no mundo é sempre por uma verdade. É a sina humana de inventar relatos que busquem explicações, mesmo que provisórias, para aliviar a carga de nossa imensa ignorância a respeito do mundo. É claro que alguns de nós contamos essas histórias mais explicitamente do que outros – a identidade narrativa de alguém pode ser uma história (mal) formada no limiar da sua consciência, enquanto outra pessoa pode literalmente escrever seu passado e futuro em um diário ou um livro de memórias.
É nesta busca de explicar e preparar uma plataforma para se projetar para a frente, que a psicanálise nos mostra como o presente ressignifica o passado, ou seja, é olhando para trás que o sujeito supera as contingências do tempo em que surgiu. E se isso não acontecer? “Em breve, nem seremos capazes de entender os livros do passado”, Cécile Wajsbrot nos lembra que a monstruosidade atual não consiste em olhar para trás, mas em desprezar o passado. Maximizando a questão, a problemática atual não é culpa nem do fascismo, nem do comunismo, nem nada indexado. É apenas nossa recusa em compartilhar e aprender. Posso crer que ao chegar neste ponto o antropocentrismo falhou.
Eticamente a civilização é um equilíbrio e tensão entre os instintos primitivos dos homens e as inibições de um código moral. Sem as inibições, os instintos destruiriam a civilização, sem os instintos as inibições destruiriam a vida. O problema está em ajustar as inibições protegendo a civilização sem enfraquecer a vida. Nelson Rodrigues já nos alertava para isto: “O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias”. Tudo parece bem encaminhado para nos fazer ultra tolerantes, pacíficos e empáticos desprovidos de instintos. Mas se você é inofensivo, você não é virtuoso, você é apenas inofensivo, você é como um coelho; um coelho não é virtuoso, não pode fazer nada além de ser comido! Isso não é ser virtuoso.** Em resumo, ainda há vida na tradição inaugurada na Idade Média de juntar ferocidade e mansidão. Mas a manutenção desta vida depende de reconhecer que o temperamento cavalheiresco (a bravura e autocontrole coexistindo) é arte, não é natural, algo que deve ser atingido, não algo que devemos confiar que aconteça. E este reconhecimento é especialmente necessário à medida que avançamos na democracia. Em séculos passados os vestígios do cavalheirismo foi mantido vivo por uma classe especializada, por meio da qual avançou para outras classes em parte por imitação em parte por coerção. Agora as pessoas devem ser cavalheirescas por sua própria iniciativa, ou então escolher entre as alternativas restantes de brutalidade ou covardia. Por exemplo, o Aquiles de Homero não sabe nada sobre a demanda de que o bravo também deveria ser modesto e misericordioso. Este é, de fato, parte do problema geral de uma sociedade sem classes, o que é muito raramente mencionado: será seu ethos a síntese do melhor em todas as classes ou uma fossa com os resíduos de todas e as virtudes de nenhuma?***

Os pesquisadores da Denison University, em Ohio, afirmam: “Nossas descobertas sugerem que a experiência de alguém revisar sistematicamente a sua vida e identificar, descrever e relacionar conceitualmente capítulos da vida pode servir para aprimorar o ser, mesmo na ausência de aumento da claridade de autoconceito e significado”.****
Segundo Sartre, o ser para si “não é o que é e é o que não é”, isto é, que ele é livre ou que sua existência precede sua essência, e ao possuir uma identidade que para ele não é definitiva, o ser não está pronto de uma vez por todas. Ou melhor: Eu não sou eu mesmo, eu me torno isso, faço a mim mesmo com cada uma das minhas palavras ou minhas ações. Ser para Sartre significa estar em construção, ser um projeto. Ora, aquilo que o humano é, o é em cada época definido por oposição/relação – àquilo que o humano não é, ao não humano. Nessa definição do humano, a comunicação sempre assumiu, ao longo da história, um papel essencial.
A fala, porém, acabaria por somar-se à força como instrumento de dominação do homem pelo homem. A fala dos mais velhos, a fala dos mais sábios, a fala dos mais brutos, a fala sutil do mais moço e mais fraco que aprendeu a contrapor a esperteza à sabedoria e à força bruta.*****
Parece até que voltamos aos primórdios da raça humana quando os vícios constituíam uma virtude porque pareciam indispensáveis para a sobrevivência da mesma. Mas onde “O condicional foi deliberado, o reino da terra é dos que têm o talento de pôr o não a serviço do sim, ou que, tendo sido autores de um não, rapidamente o liquidam para instaurarem um sim.” – José Saramago.
Mas o quê você sabe que não está certo? Eu sei que poderia viver um pouco mais e melhor sem medo. Apenas comprando um cafezinho para alguém e tão somente para começar uma deliciosa conversa. Afinal, eu preciso de novos argumentos, sou um contador de histórias não sou? E preciso aceitar que a dor e o sofrimento são uma parte inevitável da vida e usar essa aceitação para lidar com pensamentos e sentimentos negativos. Além disso, pessoas incríveis deixam marcas saudáveis. Amizade ainda é um tipo barato de cura para os nossos dias.

*https://elpais.com/ccaa/2016/12/08/madrid/1481226905_898082.html
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Sobre lucaspinduca

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