Você pensa que está girando ou rodopiando?

Saber a diferença entre um giro e um rodopio, que é ter uma das pernas como eixo, me lembra e faz entender que viver é ir um pouco além de expectativas, momentos ou circunstâncias cabíveis a cada um. Ainda que a ideia de liberdade em nossos dias pareça ser o direito de definir o próprio conceito de existência, de significado, nós precisamos atentar para o fato da natureza humana ser permanente. Em filosofia quando se diz que existe uma verdade sobre algo ela automaticamente torna as outras uma mentira. O que é extremamente difícil e frustrante nisso tudo é o simples fato de ter tanta certeza antes e agora eu me sentir completamente perdido e um nada. Chamo essa sensação de vertigem do rodopio. Para piorar, quando você está no ônibus e o celular está descarregado tudo que você faz é olhar para fora da janela enquanto os pensamentos ecoam na sua cabeça: “Estou perdido… Não sei do que preciso… Do que realmente gosto… Onde quero estar… Quem eu quero ser”. E claro, a suprema dúvida das dúvidas: “Eu realmente estou perdido”? Que só é menos pior se a possibilidade de resposta for: Se você faz esta pergunta dessas muitas vezes ao dia, durante o mês, durante a vida, invariavelmente você já sabe onde está o problema e a solução também. Aí começam a bater algumas dúvidas na cachola da gente:

“Nada no mundo consegue tomar o lugar da persistência. O talento não consegue; nada é mais comum que homens fracassados com talento. A genialidade não consegue; gênios não recompensados é quase um provérbio. A educação não consegue; o mundo é cheio de errantes educados. A persistência e determinação sozinhas são onipotentes”*.

Porque tanta angústia se já sabemos o que deve ser feito? Bem, eu acredito que nós não nascemos para voar. Nascemos para fazer do nosso lugar um lugar melhor. Mas como não estamos muito interessados nisso, criamos asas para nos evadir. Como um monge inglês chamado Pelágio** disse:

“já que a perfeição é possível para o homem, ela é obrigatória”.

Girar é sempre em torno de algo, de um centro. Mas rodopiar nos faz o centro do giro. O segredo para ser perfeito é sempre vontade e esforço não é? Se os indivíduos trabalhassem bastante e empregassem seus talentos com sabedoria suficiente, eles poderiam ser perfeitos. Mas um rodopio simples nos mostra como estamos errados em compreender nossa fragilidade. Somos frágeis e falíveis. Nós temos necessidades que precisam ser supridas. E todos nós precisamos da graça de Deus. Não somos auto suficientes. Cada vez mais me convenço de que só é complicado e difícil quem não tem muito a dizer e acha que é preciso se valorizar, transformando o que era simples num enigma de esfinge.

Na frase de Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”, o filósofo afirma que somente através da disciplina e moralidade, chegaremos a uma humanidade mais feliz e respeitosa com a coletividade. Temos visto o contrário disso não é mesmo? Bem, Imagine que o dia mal começou e a pessoa já estava andando por aí com uma raiva sem tamanho porque teve um sonho ruim e não tinha a quem culpar porque ‘ninguém faz promessas a alguém nos sonhos’? Isto pede a dica do dia: os momentos felizes não estão escondidos no passado e nem no futuro. Outra coisa importante: parece que seguimos compreendendo o valor do petróleo, da comida, dos minerais preciosos e da habitação, mas não o valor da beleza intocada, de uma amizade, da vida selvagem, da solidão e da renovação espiritual. Deve ser porque estamos em uma época de saturação da mídia, das liberdades, das dúvidas, das filosofias, de tudo. O nosso maior perigo hoje não é o de nos entregarmos a formas obviamente pecaminosas de entretenimento, porque parece que nada mais é errado se te faz feliz, mas que nossa atenção se consumisse lentamente com trivialidades e nos tornássemos entediados com a Verdade ou até mesmo incapazes de reconhecê-la.

Será que continuaremos agindo como estúpidos, negando teimosamente que era ilusão tudo aquilo que investimos tanto tempo e esforço, até quando mesmo? Quando temos um centro para orbitar revoluções podem acontecer. Mas ser o centro nos obriga a voltar ao mesmo ponto várias vezes, e não é sempre por um bom motivo. Acho que não sei mais como lidar com as pessoas por causa destas atitudes cínicas, egocentradas, mesmo eu passando a vida toda achando que sabia, mas eu não sei. As vezes me sinto como um ouriço. Todo mundo conhece um ouriço. São tímidos, hábitos noturnos (muita netflix e mineração online nas redes sociais), espinhosos as vezes, principalmente quando precisam defender suas posições ou pontos de interesses. Mas capazes de sofrer o espinho alheio se for por um motivo de bem comum maior. São totalmente diretos quando confrontados: Se você tentar perturbar o seu silêncio que seja com algo relevante porque senão… Pimba!

_ Mano, tá tudo bem?

_Que pergunta idiota. Nunca está tudo bem.

Traduzindo as entrelinhas: “Não ouse roubar a minha solidão, se não fores capaz de me fazer real companhia” (Nietzsche).

Isso não parece muito empático para mim agora, lendo devagar, embora se você sabe que ficar evitando os seus problemas não é a mesma coisa que solucioná-los… Tudo bem para mim. Às vezes penso que Deus não deixa as coisas fazerem sentido pra gente aprender a brincadeira de decifrar. Ou podemos pensar assim:

“Você não pode simplesmente sentar-se e colocar a vida de todo mundo à frente da sua e pensar que isso conta como amor. Você simplesmente não pode. Você tem que fazer coisas. Eu vou fazer o que eu quero fazer. Eu vou ser quem eu realmente sou. E vou descobrir o que é isso.” (Stephen Chbosky).

Você deve ser responsável por escolher girar ou rodopiar. Em ser humilde e comum aceitando sua fraqueza e necessidade de ajuda, e ajudando seu próximo também. Leu isso e logo veio aquele sentimento de gostar-o-suficiente-pra-não-conseguir-sair-no-meio-da-conversa-chata? Acho que isso diz mais sobre quem você é do que sobre a outra pessoa. Isso me faz sentir como se a minha piscina estivesse cheia de mocaccino (Não que eu tenha uma. Usei a comparação para ser exagerado mesmo). E as minhas ideias fossem reminiscências de uma época boa com uma ideologia que é puro argumento de música francesa para levante popular***. Pelo menos uma vez na vida, a gente gostaria de ter a chance de esquecer tudo isso… e poder recomeçar. Entende? E quando digo “tudo isso” estou falando em dar um reset na vida… Pelo menos saber por onde ir e começar… A cruz cristã anuncia a fraqueza e necessidade de cada pessoa. E isso significa que exclui a ostentação, o orgulho e egoísmo de poucos. Olha, algo da minha moral judaico cristã está gritando umas coisas do C.S. Lewis aqui:

“Somos criaturas medíocres, brincando com bebida, sexo e ambição, quando a alegria infinita nos é oferecida. […] Nos contentamos com muito pouco.”

Agora sinto como se a qualquer momento tudo fosse desabar e que eu irei pagar até pelos erros que não cometi. Então, se é desse jeito como todo mundo já sabe, mais cedo ou tarde vamos sentar para o banquete das consequências, eu já peguei o pires para me servir e você?

*https://citacoes.in/citacoes/111311-immanuel-kant-o-homem-nao-e-nada-alem-daquilo-que-a-educacao-faz/

** https://g.co/kgs/gwP9jC

*** https://www.youtube.com/watch?v=tmiI98EG1Fo&feature=youtu.be

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Sobre lucaspinduca

I like to think I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational christian speaker.
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