ECOS DE ECUMENISMO.

“Ecumenismo – é o processo de busca da unidade. O termo provém da palavra grega “oikos” (casa), designando “toda a terra habitada”. Num sentido mais restrito, emprega-se o termo para os esforços em favor da unidade entre igrejas cristãs; num sentido lato, pode designar a busca da unidade entre as religiões ou, mesmo, da humanidade. Neste último sentido, emprega-se também o termo “macro-ecumenismo”.

Assim, ecumenismo é um assunto fascinante e desafiador. Sabemos que discutir a questão ecumênica requer, antes de tudo, despir-se de preconceitos ou qualquer outro tipo de resistência. Mas, acima de tudo, precisamos ser sinceros e claros em nossas convicções e posições. Para os cristãos protestantes fundamentalistas (os que crêem na Bíblia literalmente), o ecumenismo cumpre perfeitamente as profecias bíblicas no livro do Apocalipse que prevê o seu líder – o falso profeta – que levará a humanidade a aceitar o Anticristo que está por vir (Apocalipse 13.11-12, NVI).

“Dicionário Aurélio define ecumenismo como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs.”

“Atualmente, o termo tem um significado estritamente religioso, apesar do seu contexto histórico abranger os aspectos geográfico, cultural e político. Numa edição especial, a revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, p. 36) descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as várias Igrejas cristãs. E explica: Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim como Ele e o Pai são um só”.[1]

“Católico convicto, Monda, radicado nos Estados Unidos há 12 anos, começou a pesquisa, que resultaria no livro, sem sequer notar. Convidou mais 12 personalidades a responderem a pergunta-chave do livro: “você acredita em Deus?”. De um ateu convicto como Paul Auster à Jane Fonda e seu feminismo cristão, as mais diversas defesas da presença religiosa trocaram experiências com Monda. Spike Lee, Toni Morrison, Salman Rushdie, Jonathan Frazen, entre outros, também embarcaram no desafio. Mas teve quem saísse pela tangente. Agradeceram educadamente ao convite do italiano, mas recusaram participar da coletânea”.[2]

Mas a recusa de duas das mulheres de maior expressividade política da atualidade, Hillary Clinton e Condoleezza Rice, de não participarem da entrevista de Antonio Monda, leva-nos a outra reflexão bastante importante: a relação entre Igreja e Estado. Conflito antigo que, a cada dia, como atestam os entrevistados por Monda, está mais vivo. Ou nos movimentos fundamentalistas ou na chamada nova era. E na tentativa de justificar uma crescente religiosidade contemporânea, associada a extremismos e partidarismos, a maioria das personalidades entrevistadas chega a seguinte conclusão: o fundamentalismo como fruto de uma institucionalização da fé, de uma Igreja organizada. Porque o fundamentalismo significa uma interpretação literal das palavras de Deus, a idéia de uma instituição que “controle” a sociedade religiosa é bem aceita:  “Com uma Igreja no meio, o risco é menor, já que há uma orientação do que pode e deve ser feito ou não”.[3]

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que a multiplicidade da fé não condiz propriamente com a multiforme graça divina, visto que, biblicamente só existem dois caminhos, e um conduz ao lugar certo o outro não. Segundo, o fundamentalismo religioso quando usado para consolidar o poder de estado ou de governos é um perigoso provocador de distorções na doutrina bíblica. Vide o caso da igreja Católica, que em sua busca de poder, acabou corrompendo-se ao longo da história por causa do seu adultério com a monarquia e o estado, e o fundamentalismo islâmico, que é um caso extremo de totalitarismo religioso, onde o líder da nação se confunde com um enviado dos céus para poder impor sua ideologia, que quase sempre é baseada no livro sagrado para poder ser impingida mais facilmente. Logo, a exegese bíblica que é necessária para uma correta interpretação dos textos do Antigo e Novo Testamento não deve ser usada para se institucionalizar a fé. Mesmo porque não é a igreja que regula a sociedade, mas é Deus que através de sua igreja se reporta a esta sociedade. Em terceiro lugar, o Papa Leão XIII disse certa vez que “Tolerar igualmente todas as religiões… é o mesmo que ateísmo (Immortale Dei)”, e devo concordar com Monda quando diz que “não acredito que haja ateísta de verdade. Você sempre acredita em algo, cria mitos, ídolos. No lugar de Deus, muitas pessoas colocam outras crenças: seja no dinheiro, no sexo, corpo e o que seja. O ateísta verdadeiro substitui Deus por ídolos”.[4]

Hoje o mundo está vivendo um renascimento religioso. Mas o que realmente isto significa? Bem, a religião está no centro das discussões mundiais. Todos os tipos de religião. Algumas vezes por motivos errados, como no caso dos separatismos e conflitos religiosos. Existe uma movimentação em todos os níveis de uma preparação para um governo mundial, e de uma religião mundial, que passa pelo ecumenismo; quando o Papa João Paulo II reafirmou o ecumenismo como essencial para a fé cristã na Enciclica Ut unum sint (“Que todos sejam um”), este Papa iniciou um movimento ecumênico, instado a dialogar acerca do compromisso com a justiça, a paz, a integridade da criação, a espiritualidade e as novas formas eclesiais surgidas nesse contexto; e várias religiões já se uniram em torno desta doutrina que é claramente contrária aos ensinos bíblicos e agora só falta o estado e a igreja se fundirem em um único poder. Ora, o Senhor Jesus quer que sejamos um com Ele, em obediência e no cumprimento de seus mandamentos, e sempre respeitando o outro (“ame o teu próximo como a ti mesmo”), mas Jesus nunca se envolveu ou pregou idéias religiosas e políticas.  Está claro que devemos respeitar o próximo e o seu direito de “cada um acha qual o melhor jeito de encontrar Deus” (é o que nos diz a lei da liberdade de expressão), mas não podemos cooperar com o ecumenismo sem aceitarmos práticas e doutrinas que fogem ao padrão ensinado por Cristo; cada qual dará conta de si mesmo perante o próprio Deus, logo, é bom que sejamos um sim, mas um em Cristo Jesus para a proclamação do seu evangelho da verdade, e nunca para sermos arautos de uma nova era humanista e suas ideologias que distanciam o homem de Deus, cheia de uma paz temporária baseada em conquistas humanas meramente.

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecumenismo

[2] http://rascunho.ondarpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=2&lista=1&subsecao=54&ordem=1298

[3] Partes retiradas de uma entrevista concedida pelo roteirista italiano e professor da Universidade de Nova York, Antonio Monda ao jornal literário Rascunho, Curitiba, em março de 2007.

[4] idem ao 3.

Sobre lucaspinduca

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