Devocionais para não devotos XV.

O niilismo se espalhou como uma sombra pelo corpo da humanidade. Tomou de assalto a humanidade e a leva a decadência. Diante da questão, “Quais as origens dessa doença?”, os niilistas respondem: Excesso de cristianismo e a crença na razão!  Para eles a vida está sempre rebaixada, sempre sendo pensada sob condições, fazendo concessões, em função de uma ideia transcendente, de um universal. Ora moral divina, ora moral humana, sempre os mesmos erros! Por isso é urgente navegar para além de bem e mal!
Hoje, deixei de lado todas as minhas preocupações e arranjei para mim um período claro de tempo livre. Estou aqui completamente sozinho e, por fim, me dedicarei, sinceramente e sem reter, a demolir minhas opiniões. Como eu pensava antigamente, tem muita gente que não acha a vida empolgante porque não encontrou uma estratégia que é suficientemente arriscada, que é suficientemente corajosa para desafiar os limites das suas energias. Todo mundo almeja a aventura. Todo mundo deseja ser significante. Todo mundo deseja sentir que a sua vida é importante para alguém. Você conhece esta sensação? Sim, todos nós já fomos crianças um dia e gostaríamos de, pelo menos uma última vez, voltar a olhar e perceber o mundo com a mente fértil e intocada de uma infância cheia de coisas a descobrir e primeiras vezes para tudo!

E ainda há tempo para mudar a nossa perspectiva, perceber o quanto o nosso olhar é definidor para a nossa saúde emocional. E não são os olhos do rosto, relacionados ao sentido da visão, mas os “olhos do coração”, ou seja, o olhar sobre aquilo que te atrai, que te anima e dá sentido à vida. Já percebeu querido leitor, que o essencial além de ser invisível também é gratuito? Já que as heresias são quase tão perenes quanto a verdade, farei uma confissão: As crônicas de Nárnia mostram liricamente, aquilo que uma criança (o eu em nós) sente diante de Aslam deveríamos sentir diante de Cristo: Aslam não é um leão manso (E a maturidade também não é).

O que ainda acho estranho em envelhecer não é que fiquei mais velho. Não é que o jovem eu do passado envelheça sem que eu perceba. O que me pega de surpresa é, antes, como pessoas da mesma geração que eu envelhecemos, como todos os garotos desejados por todas as garotas bonitas e animadas que eu conhecia, e por isso também desejadas, agora têm idade suficiente para ter alguns netos. É um pouco desconcertante, eu diria até triste. Embora nunca me sinta triste pelo fato de ter envelhecido. Penso que, objetivamente, a responsabilidade precede a razão e a consciência e é, efetivamente, um marco. Posso dizer “Velho o suficiente para saber, jovem suficiente pra fazer mesmo assim”. Definitivamente, meia idade é o outono chegando na vida das pessoas.

Recentemente, li o livro All-American Muslim Girl, de Nadine Jolie Courtney. Sou um leitor ávido e adoro romances para jovens adultos como esse. O personagem principal, Allie, faz parte de uma família muçulmana circassiana onde a mãe e o pai não são praticantes. A crescente islamofobia em sua escola e no mundo faz com que Allie comece a abraçar sua religião. Allie é forte e corajosa. Ela é uma personagem engraçada e relacionável que me manteve interessado no livro até o fim. E acabei inspirado, pelo desejo dela, por estar em contato com minha fé.

“E então eu tirei todos os meus fracassos de uma caixa, minha humanidade boba, inconstante, vaidosa, ridícula, e percebi que não; eu não consigo aceitar que sou pó. Eu não sei lidar com a minha pequenez de alma. Eu não consigo passar do primeiro dia da quaresma com sucesso. Em matéria de culpa eu sou excelente, mas arrependimento?” “Arrependimento é a palavra que o mundo quer esquecer. O normal é fazer o que der na cabeça sem se preocupar se é certo ou não. E se algo der errado, não se arrependa, pois fere o orgulho, outro DEFEITO que o mundo tem transformado em virtude em nosso tempo”. Talvez por isso nossas narrativas estejam tão impregnadas de uma atmosfera kafkiana, povoadas de seres atolados em pesadelos, transitando nos abismos e lacunas espirituais onde um turbulento arsenal de angústias precipitam um mergulho do insondável, em dimensões que evidenciam nossa perplexidade. Sobretudo, por não entender-mos a limitante realidade é que inventamos algumas verdades terríveis para superar nossa falta de sentido; para estar confortáveis e tentar entender quando encontramos em nossos dias pessoas que não podem ser caracterizadas, que vivem continuamente em um círculo de ambiguidades, cheias de dúvidas, que dizem: “não quero esperança. Esperança está me matando. Meu sonho é tornar-me um caso perdido”.

Procuremos entender que existem infinitas maneiras de causar impacto e sermos motivados, inclusive quando as economias desaceleram, ou perdemos a segurança dos amigos que vão, a vida inviabiliza nossos melhores planos e até mesmo nossos corpos nos traem, só precisamos nos dedicar a fazer alguma coisa, mesmo aquelas muito simples:

“A doçura dessa água nasceu da longa caminhada sob as estrelas, do canto da polia e do esforço de puxar o balde. Isso me fez sentir bem, me fez feliz, como um presente.” (O Pequeno Príncipe)

Sobre lucaspinduca

I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational Christian speaker.
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