“Necessário, somente o necessário”

Nos últimos dias confinado, lembrei de uma velha cançãozinha sob a forma de uma lição básica (ensinada pelo urso Balu, companheiro inseparável de Mogli) que é uma reflexão para os tempos atuais: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Enquanto somos afortunados e podemos enfrentar um período de quarentena visando o isolamento social (necessário?), é possível fazer um paralelo com os ursos em seus períodos de hibernação para aprender a suportar tamanha responsabilidade? Os fatalistas ensinam que há uma força cega e impessoal sobre a qual ninguém tem controle – nem mesmo Deus – e que os eventos são arrastados por este poder cego e sem propósito. Então, aqueles que acreditam cegamente “o que será será” são tão errados quanto os defensores do acaso? Não é verdade que os eventos são certos, mas só por causa do Deus soberano que cumpre os Seus próprios decretos? Como tem acontecido e sido visto na maior parte dos casos, a própria vida ensina que o necessário não é suficiente. A vida exige atos de doação e sacrifícios bem maiores, embora para a maioria das pessoas a parte que pode ser feita é buscar consumir somente o necessário, fazendo aquilo que é razoável, pensando no próximo superficialmente e apenas para ficar com a certeza de que tudo isso vai passar e dias melhores virão.

Porém, os acontecimentos estão mostrando outra coisa: que o tempo está nos convidando ao discernimento das coisas, à humildade de compreender o nosso tamanho ínfimo diante do desconhecido e de esmagar nossos egos. Afinal, será que somos tão necessários como imaginamos? O segredo da vida não é ainda desfrutar a passagem do tempo produzindo e desfrutando o bem?

Ora, quando o tal do “novo normal” vier, sugiro que você escale um monte bastante alto, construa uma igreja, ande nu a cavalo, funde um novo país, viaje pelo mundo explorando cavernas ou viva de forma elegante o seu dia a dia na cidade. Ou salte de paraquedas, percorra o Caminho de Santiago de Compostela, descubra o Reino da Caveira de Cristal do Indiana Jones, ou explore os cafés da sua cidade. Ou ainda: escale os vulcões da Cordilheira dos Andes, viva de forma minimalista no interior, construa a oitava maravilha do mundo ou funde o seu próprio time. Cante em um karaokê em Tóquio, peça o crush em namoro, comece um novo hobby ou faça uma viagem de última hora, aprenda parkour. Transforme o mundo, renovando a sua mente, troque de cidade ou perca-se em um ano sabático.  Afinal, é isso o que todos procuram em algum momento de suas existências não é mesmo?
E agora, se você me der licença, preciso de uma boa caneca de café expresso. Não é assim tão necessário, mas vocês entendem né? Carpe diem!

Sobre lucaspinduca

I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational Christian speaker.
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4 respostas para “Necessário, somente o necessário”

  1. Herman disse:

    Hi there. Thank you for visiting and following HoB. Much appreciated!

  2. Jose Gidra disse:

    Profundo.

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