Devocionais para não devotos XVIII

“Não importa o quão ousado ou cauteloso você escolha ser, no curso de sua vida você está fadado a entrar em contato físico direto com o que é conhecido como o Mal.” – Joseph Brodsky.

Nosso mundo seria melhor se tivesse mais Zoé (em grego  ζωὴν, João 1:4). Deixo esclarecido que faço aqui um comentário pessoal sobre um dilema moral, fato x valor, colocado por um hipotético sujeito e o processo pelo qual ele racionaliza sua justificativa para não seguir sua voz pessoal interior, vulgarmente chamada de consciência. Essa pessoa que deseja desesperadamente trocar sua etiqueta, sua pele e se firmar na pureza da verdade, em vez de se encolher em um silêncio civilizado diante da injustiça, teoriza as consequências de tal ação apesar de saber que isso não vai mudar o fato de sua declaração perturbar o mundo que, até este ponto, vivia confortavelmente em seu próprio auto-engano superficial. Como sua visão é tão diferente de todas as outras, ele sabe que isso perturbará a tranquilidade das pessoas ao seu redor. Em retaliação defensiva, em vez de reexaminar, reformar e admitir o erro de seus métodos, a sociedade voltará suas costas com desdém a sua declaração e proclamará a verdade que ele expôs como sendo apenas a loucura de um brincalhão. Ele ao ver que não será levado a sério, chora de frustração por ser o único que teve essa visão da verdade e da realidade. Ele se sente sozinho e pequeno no cosmos. Com isso, ele sabe que o mundo terá grande prazer em sua aparência externa de fraqueza e derrota, e em sua arrogância, ele sabe que eles se unirão em uma esmagadora declamação e o insultarão impiedosamente aonde quer que ele vá, todos os dias de sua vida. Ele ergue os olhos, buscando a aprovação celestial e a resolução do problema. Ele tenta clarear seus olhos em busca de um sinal do despertar milagroso daqueles ao seu redor. Assim que começa a enxugar os olhos com a fé de que, por causa de sua sinceridade de coração, certamente haverá mudanças, ele cai de seu estado de sonho para a realidade dura. A enormidade de toda a situação se abate sobre ele como um maremoto quando ele vê as ramificações do que começou com sua simples declaração da verdade. Ele está paralisado em pensamentos e não consegue mais entender suas próprias palavras enquanto elas se afogam no redemoinho de confusão entre a emoção humana e a verdade comovente. Ele eventualmente morre como um homem louco porque ele sabe a verdade, mas nunca a buscou com toda a sua intenção devido à sua falta de coragem em suas próprias convicções. Ele se via como totalmente inadequado para desafiar o que ele não aprovava neste mundo, então ele nunca defendeu aquilo em que acreditava. Após sua morte, a civilização se perpetua em sua alegre ignorância, incólume pela voz da verdade que ele guardava dentro de si. Ele se foi, e com ele, a ameaça potencial que ele representava para uma sociedade eufórica de moral fraca. No final, ele vê que realmente estava certo e que a sociedade estava realmente errada. Ele sabe então, tarde demais, que teria feito a diferença se ao menos não tivesse cedido aos próprios medos imaginários ou aos seus pecados. Ele desperdiçou uma vida inteira reprimindo a si mesmo e a verdade que um dia havia imaginado. Ele se tornou seu pior inimigo. Ele havia algemado sua própria alma, não a sociedade que ele tentou responsabilizar por sua falta de ação. No final das contas, ele se tornou a mesma coisa contra a qual uma vez se enfureceu moralmente, um membro silencioso e enganador de uma sociedade pretensiosa. Agora, depois de tudo isso, se ele acabar diante das portas do inferno, o diabo terá todo o direito de reivindicar sua alma. E não adiantará argumentar que os pecados foram terrivelmente escolhidos para representar tudo o que poderia fazê-lo feliz na Terra, pois é nossa obrigação fazer uma seleção melhor daquilo que nos faz feliz.

Uma última coisa: Deus não força você a acreditar Nele, apesar do Diabo trapacear o tempo todo para te convencer que não existe o inferno. E apesar de ainda não estar convicto de que conseguiremos nos comportar menos orientados para a satisfação da própria conveniência, ainda espero que sigamos em nossa jornada enfrentando os problemas e identificando a necessidade de encontrar beleza e sentido nos atos cotidianos da vida, mas desta vez com menos dúvidas. Feliz Natal para você meu querido leitor, que a propósito, deve sempre escolher melhor aquilo que te faz feliz.

Sobre lucaspinduca

I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational Christian speaker.
Esse post foi publicado em Cinema, comportamento, Cristianismo, Pessoal, Sem categoria, Vida Cristã e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Devocionais para não devotos XVIII

  1. Pingback: Viva a vida que você ama e ame a vida que você vive. | Oficina do Pinduca

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.