Devocionais para não devotos XVII

Não sei se esperam que eu vença esta guerra, mas vou lutar o quanto puder… Oro para que chegue logo o dia em que possamos saudar um mundo no qual não devamos matar inimigos que não conseguimos odiar. Para esse fim, estou disposto a ter meu corpo destroçado inúmeras vezes. Afinal, todos nós tendemos a querer chegar logo ao “resultado final”, a solução que resolverá o conflito. Apesar de saber que é exatamente a coisa errada em que se concentrar, pelo menos no início.

Achei uma aranha minúscula em cima de um livro. Num impulso de malvadeza, aproximei minha caneca quente da aranha, que se pôs a correr freneticamente. Coloquei a caneca à sua frente, ela mudou de rota. Repeti o ato várias vezes até a aranha se imobilizar. Deixei-a sossegada por um tempo. Num novo impulso, aproximei a caneca quente por cima e ela voltou a correr. Continuamos assim por uns dois minutos. Ela então cansou, encolheu as pernas e tornou-se imóvel mesmo sem ter sido tocada pelo calor da caneca. É possível que, para essa aranha, o tamanho do livro seja o do Rio de Janeiro, e cinco minutos sejam cinco ou dez anos. Durante esse período, e nesse espaço, onde quer que ela fosse, havia calor. E quando ela parou, o calor veio de cima… Se isso acontecesse a um ser humano, ele enlouqueceria? Talvez. Uma frase de Jean-Christophe [obra que valeu o Nobel de Literatura ao romancista francês Romain Rolland] sobre isto:

“A vida consiste em uma batalha contínua e sem trégua. Se você quer se tornar um ser humano honrado, precisa lutar contra inimigos invisíveis, desastres naturais, desejos avassaladores, pensamentos sombrios; tudo o que engana a pessoa, a diminui, a destrói.”

Ajuda saber quais são as regras antes de se preparar para quebrá-las? Sim, porquê ao saber muitas vezes descobre-se que não é necessário tal ação.

Através da alegoria da aranha vejo o retrato cru e doloroso das pessoas nestes ‘novos’ tempos: sem entender o que ocorre, eles correm sem rumo, em busca de uma saída para a situação impossível causada pela angústia e ansiedade desses dias tão malucos. Seu entendimento é que não se deve preocupar com as ações e seus valores no passado, tendo em vista que nada se pode fazer a respeito do que já passou, mas que se deve, antes, buscar olhar para frente, para o futuro, tomando como motivação a escolha de ações que maximizem suas boas consequências e que reduzam ao máximo suas más consequências. A maioria deles gostaria de fazer alguma diferença no mundo. Não nego que parte desse desejo deriva da sua vontade de ter a existência reconhecida. Mas sobretudo, ela deriva do vazio que sentem e da sua ira com os chamados líderes, que são incapazes de reconhecer problemas que até eu consigo identificar. Para isso desejo me tornar um ser humano capaz, mesmo que a grande custo, capaz de identificar objetivamente a causa do problema e transmitir esse conhecimento à geração seguinte.

A aranha não entende de onde vem aquela coisa quente e não sabe como se livrar. Seres humanos também se perdem às vezes…

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“Necessário, somente o necessário”

Nos últimos dias confinado, lembrei de uma velha cançãozinha sob a forma de uma lição básica (ensinada pelo urso Balu, companheiro inseparável de Mogli) que é uma reflexão para os tempos atuais: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Enquanto somos afortunados e podemos enfrentar um período de quarentena visando o isolamento social (necessário?), é possível fazer um paralelo com os ursos em seus períodos de hibernação para aprender a suportar tamanha responsabilidade? Os fatalistas ensinam que há uma força cega e impessoal sobre a qual ninguém tem controle – nem mesmo Deus – e que os eventos são arrastados por este poder cego e sem propósito. Então, aqueles que acreditam cegamente “o que será será” são tão errados quanto os defensores do acaso? Não é verdade que os eventos são certos, mas só por causa do Deus soberano que cumpre os Seus próprios decretos? Como tem acontecido e sido visto na maior parte dos casos, a própria vida ensina que o necessário não é suficiente. A vida exige atos de doação e sacrifícios bem maiores, embora para a maioria das pessoas a parte que pode ser feita é buscar consumir somente o necessário, fazendo aquilo que é razoável, pensando no próximo superficialmente e apenas para ficar com a certeza de que tudo isso vai passar e dias melhores virão.

Porém, os acontecimentos estão mostrando outra coisa: que o tempo está nos convidando ao discernimento das coisas, à humildade de compreender o nosso tamanho ínfimo diante do desconhecido e de esmagar nossos egos. Afinal, será que somos tão necessários como imaginamos? O segredo da vida não é ainda desfrutar a passagem do tempo produzindo e desfrutando o bem?

Ora, quando o tal do “novo normal” vier, sugiro que você escale um monte bastante alto, construa uma igreja, ande nu a cavalo, funde um novo país, viaje pelo mundo explorando cavernas ou viva de forma elegante o seu dia a dia na cidade. Ou salte de paraquedas, percorra o Caminho de Santiago de Compostela, descubra o Reino da Caveira de Cristal do Indiana Jones, ou explore os cafés da sua cidade. Ou ainda: escale os vulcões da Cordilheira dos Andes, viva de forma minimalista no interior, construa a oitava maravilha do mundo ou funde o seu próprio time. Cante em um karaokê em Tóquio, peça o crush em namoro, comece um novo hobby ou faça uma viagem de última hora, aprenda parkour. Transforme o mundo, renovando a sua mente, troque de cidade ou perca-se em um ano sabático.  Afinal, é isso o que todos procuram em algum momento de suas existências não é mesmo?
E agora, se você me der licença, preciso de uma boa caneca de café expresso. Não é assim tão necessário, mas vocês entendem né? Carpe diem!

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SÓ A VERDADE FAZ BEM A SUA SAÚDE.

Segundo Chauí (2008, p. 95) “Nossa ideia de verdade foi construída ao longo dos séculos com base em três concepções diferentes, vindas da língua grega, da latina e da hebraica.”

Na concepção grega, a verdade é alétheia, que significa o não oculto, o não dissimulado e, como tal verdadeiro, é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito, é a manifestação do que é ou existe tal como é. O falso é pseudos, o escondido, o encoberto, o dissimulado, parece ser, mas não é como parece. De acordo com essa concepção, a verdade estaria na essência, sendo idêntica à realidade e acessível apenas ao pensamento e verdadeiro aos sentidos. Assim, um elemento necessário era a visão inteligível, em outras palavras, o ato de revelar o próprio desvelamento. Então podemos dizer que, a verdade em alétheia seria a busca em distinguir aquilo que temos imprevisão que seja verdadeiro. Sendo assim, a verdade já está evidenciada nas coisas.

Na concepção latina, verdade é veritas , significando exatidão, precisão, rigor do que se refere à linguagem como expressão de fatos acontecidos, a relatos ou enunciados que dizem as coisas, aos fatos tais como foram acontecidos. Se nos colocarmos pelo lado da concepção latina, podemos observar que ela se afirma na capacidade dos seres humanos em descrever com precisão um acontecimento. Essa concepção depende muito da forma que os fatos são narrados. Nesse ponto, a verdade como veritas, se trata de descrever com detalhes o ocorrido no passado. Observam-se diferenças nas duas concepções. Na latina, a precisão dos fatos que são contados é que vai determinar se esse fato é verdadeiro ou falso. Na grega a verdade está nas próprias coisas, diferentemente da latina.

Na concepção hebraica verdade é emunah, que significa confiança. Nessa concepção, Deus e os seres humanos é que são verdadeiros, mas são verdadeiros se cumprem o que prometem, se não traem a confiança. A verdade aqui está relacionada com a esperança de cumprimento do que foi prometido. Note que a fé e a crença movem essa concepção, de tal modo, que temos que acreditar em uma verdade mesmo que as evidências sejam contraditórias.

A verdade então, parece se referir ao que as coisas são, aos fatos e acontecimentos que realmente se deram tais como são relatados, e ao que virá a ser ou o que virá a acontecer porque assim foi prometido.

Se formos seguir este raciocínio, o verdadeiro nome da epidemia de COVID-19 em andamento sugere que, em certo sentido, estamos lidando com um “nada de novo sob o sol contemporâneo”. O nome verdadeiro do coronavírus é SARS 2, que é uma ‘Síndrome Respiratória Aguda Grave 2’, um nome que sinaliza a “segunda vez” dessa identificação, após a epidemia de SARS 1, que se espalhou pelo mundo na primavera de 2003. Na época, ela foi chamada “a primeira doença desconhecida do século XXI”. É claro então, que a epidemia atual não é de forma alguma o surgimento de algo radicalmente novo ou sem precedentes. É a segunda deste tipo neste século e pode ser situada como a primeira descendente. Tanto é assim que a única crítica séria que hoje pode ser dirigida às autoridades em questão de previsão é não ter financiado, após a SARS 1, a pesquisa que teria disponibilizado ao mundo da medicina instrumentos genuínos de ação contra a SARS 2.

O que mostra porque a atual pandemia não é uma situação de crise claramente contraposta a uma situação de normalidade. Desde a década de 1980 o mundo tem vivido em permanente estado de crise. Uma situação duplamente anômala. Por um lado, a ideia de crise permanente é um oximoro, já que, no sentido etimológico, a crise é por natureza excepcional e passageira e constitui a oportunidade para ser superada e dar origem a um melhor estado de coisas. Por outro lado, quando a crise é passageira, ela deve ser explicada pelos fatores que a provocam.

Paralelamente ao aparecimento do coronavírus, uma avalanche de informações sobre a infecção começa a acontecer. Seja pelas redes sociais ou por canais oficiais de mídia, muito é dito acerca do problema. Na mesma medida, observa-se uma invasão de notícias e dados irresponsáveis, sem compromisso com a realidade.

Este é um fenômeno em curso no mundo todo, o qual toma opinião por conhecimento. E por consequência, esvazia o espaço da pesquisa científica e deturpa o lugar da moral. Ou seja, enquanto a construção de conhecimento necessita de análise exaustiva, racional, contextual, complexa de um determinado assunto, a opinião é apenas um julgamento movido por visões limitadas e moduladas por sentimentos internos. Um exemplo: Você falando sobre cloroquina no comentário de uma notícia no Facebook é opinião. Cientistas das áreas de saúde estudando anos em laboratórios, no mestrado, no doutorado, publicando artigos, experienciando vivências é a tentativa de produção de conhecimento.

Sabemos que em uma crise nossas evidências nunca são perfeitas e sempre precisaremos tomar decisões antes que nossa compreensão das coisas esteja completa, especialmente quando as pessoas morrem aos milhares todos os dias, de um vírus que ninguém jamais viu antes. Mas uma ideia grosseira, se não uma ideologia, tomou conta do pânico dessa crise: que qualquer dado, por menos que seja ruim, é melhor que nenhum. “Não é perfeito”, admitiu um autor da pesquisa de anticorpos da Califórnia, John Ioannidis, da Universidade de Stanford, “mas é o melhor que a ciência pode fazer”. Isso é perigoso e errado. Como o próprio Ioannidis mostrou anteriormente, pode ser arriscado diminuir a faísca da ciência em tempos normais. No momento, pode ser ainda pior. É vital reunirmos o conhecimento o mais rápido possível, diante da pandemia, mas sacrificar os padrões científicos não fará nada para acelerar esse processo. Se alguma coisa vai acontecer é um abrandamento.

O que, exatamente, ganhamos com esse abandono louco da prática científica cuidadosa? É muito cedo para dizer com certeza, mas é bem possível que alguns resultados dos estudos descuidados acabem no final, assim como alguns estudos de qualidade superior, estando errados. Enquanto isso, as desvantagens são óbvias. À medida que o trabalho descuidado prolifera, ele gera diários não confiáveis, servidores de pré-impressão e fábricas de boatos da Internet, dificultando a classificação de fatos por pensamentos ilusórios. À margem, isso pode levar as pessoas a fazerem tratamentos não comprovados e potencialmente perigosos, como o homem do Arizona que morreu em março depois de tentar se automedicar com cloroquina. Mas os maiores danos são aqueles que se espalham pela corrente principal do nosso sistema de saúde e pesquisa. Estudos incompletos não produzem apenas resultados enganosos, eles também roubam atenção e recursos preciosos de projetos que têm uma chance real de produzir informações verídicas e aplicáveis.

O jornal americano The Economist mostrava no início deste ano que as epidemias tendem a ser menos letais em países democráticos devido à livre circulação de informação. Mas como as democracias estão cada vez mais vulneráveis às fake news, teremos de imaginar soluções democráticas assentes na democracia participativa ao nível dos bairros e das comunidades e na educação cívica orientada para a solidariedade e cooperação, já que as mentiras são uma forma poderosa de “magia” que podem induzir grandes grupos de pessoas a cometer erros terríveis, além de fazer com que fiquem cegos para o óbvio: Mentiras fazem as pessoas se machucarem enquanto pensam que estão se ajudando.

O modo como foi inicialmente construída a narrativa da pandemia nos meios de comunicações ocidentais tornou evidente a vontade de demonizar a China. As más condições higiênicas nos mercados chineses e os estranhos hábitos alimentares dos chineses (primitivismo insinuado) estariam na origem do mal. Subliminarmente, o público mundial era alertado para o perigo de a China, hoje a segunda economia do mundo, vir a dominar o mundo. Se a China era incapaz de prevenir tamanho dano para a saúde mundial e, além disso, incapaz de o superar eficazmente, como confiar na tecnologia do futuro proposta pela China? Mas terá o vírus nascido na China? A verdade é que, segundo a organização Mundial de Saúde, a origem do vírus ainda não está determinada. É, por isso, irresponsável que os meios oficiais do EUA falem do “vírus estrangeiro” ou mesmo do “coronavírus chinês”, tanto mais que só em países com bons sistemas públicos de saúde (os EUA não são um deles) é possível fazer testes gratuitos e determinar com exatidão os tipos de influenza ocorridos nos últimos meses.

A aparente veracidade das soluções sociais mais rígidas cria nas classes que tiram mais proveito delas um estranho sentimento de segurança. É certo que sobra sempre alguma insegurança, mas há meios e recursos para os minimizar, sejam eles os cuidados médicos, as apólices de seguro, os serviços de empresas de segurança, a terapia psicológica, as academias de ginástica. Este sentimento de segurança combina-se com o de arrogância e até de condenação para com todos aqueles que se sentem vitimizados pelas mesmas soluções sociais. O atual surto viral interrompe este senso comum e evapora a segurança de um dia para o outro, criando um ambiente seguro para a proliferação das opiniões embasadas em fake news.

Mas como você pode se proteger da desinformação? Em primeiro lugar, reflita antes de compartilhar: faça uma busca rápida para ver se a notícia é realmente verdadeira. Em segundo, foque nos fatos: cheque a fonte da informação e veja se ela veio de um órgão oficial, como a OMS ou do Ministério da Saúde, já que desde o início da pandemia de coronavírus, uma das preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS) é justamente com as informações falsas e como o cenário pode interferir na saúde mental. E em terceiro, seja cauteloso com o conteúdo: muitos vídeos e imagens são tirados de contextos. Lembre-se: a desinformação pode se espalhar tão rápido quanto o vírus. Mas fazer as perguntas certas pode impedir tanto a “infodemia” como a propagação de fake news.

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E aí, como estão as coisas?

É comum dizer que “o amor é a linguagem universal”, uma forma de comunicação compreendida por todos. Isto é verdade: a maioria dos humanos são capazes de uma conexão emocional significativa e um profundo afeto em relação aos outros.

“O fato é que toda relação humana é, a um certo grau, uma relação de poder. Nós evoluímos em um mundo de relações estratégicas perpétuas.”

Estas palavras de Foucault demonstram tal como é a realidade dos relacionamentos hoje em dia.  É por isto que o mais importante deveria ser a nossa capacidade de criar conexões e olhar para o outro de maneira empática, pois isto possibilita que a gente se construa de um jeito mais bonito. Amar é isso também. Parar de privilegiar as relações líquidas atuais, e ao mesmo tempo, parar de formatar (deformar) o nosso ego sem uma verdadeira referência do “outro”; porque estamos perdendo a noção de que o mundo é maior do que aquilo que representa os nossos filtros-bolhas e nos apequenando em egocentrismo.

Pior ainda. Criamos um fetiche que nos faz pensar o quanto nosso clique, like ou unfollow é importante. O indivíduo que possui esta deformação se apresenta com uma autoimagem malformada, possivelmente por causa das experiências de reconhecimento, interpretação e projeção pessoal equivocadas, uma vez que, como afirmou Freud,

“o ego é antes de tudo a projeção de uma superfície (forma) corporal”.

E isto talvez não seja apenas uma questão “psicológica”: para Lacan, a experiência da temporalidade humana (passado, presente e memória), a persistência da identidade pessoal através de meses e anos; a própria sensação vivida e existencial do tempo, são também efeitos de linguagem, pois os ícones e pictogramas somados a uma quantidade de imagens e vídeos diminuem o “exercício físico e real” das relações; sem conversar, os relacionamentos ficam comprometidos, ficamos perdidos e existencialmente confusos, cada vez menos dispostos a demonstrar nossas vulnerabilidades. 

A maioria de nós nunca precisou pensar muito para se definir, mas agora a questão tem sido forçada: identifique-se ou peça a alguém que o rotule, projete sua história ou seja projetado. Parece que você precisa ter uma etiqueta e estar disponível em uma prateleira para ser consumido ou descartado. O que acaba criando muitos dos comportamentos e sofrimentos que supomos serem uma parte “normal” do amor (da inveja à infidelidade e ao coração partido) mas que podem ser evitados. Porque simplesmente eles não são uma parte inata do amor maduro e saudável.

Para a maioria dos cristãos, pelo menos os leitores assíduos dos evangelhos, amar ao próximo, seja ele quem for, é servi-lo em amor. Contudo, amamos o próximo ou amamos como nos sentimos quando estamos amando alguém? Na prática cristã diária somos altruístas ou egoístas? Já podemos sofrer o dano para que tudo vá bem ao outro primeiro, abrindo mão daquilo que é nosso? É. Estamos impregnados com as ideias e comportamentos laicos.

Quando duas pessoas se encontram por um certo período de tempo e ficam muito próximas, os sentidos de um registram as referências do outro em sua história. Algo importante com tanta coisa rolando por aí é poder trazer à tona a verdade que se sente, porque falar nem sempre é fácil, decodificar o que o corpo nos diz já é um grande desafio, principalmente quando se está longe, mas tudo fica mais fácil quando nos dão abertura.

Então, focar nossa existência no virtual permite-nos apenas viver em um presente perpétuo, não existindo um relacionamento frasal com o qual os diversos momentos do nosso passado apresentam uma conexão, e dessa maneira não se vislumbra nenhum futuro no horizonte. É por causa dessa linguagem digital (e as redes sociais em particular) que nos “viciamos” tão facilmente na experiência virtual, uma experiência da materialidade isolada, e às vezes até desconectada e descontínua do real.

É nas redes sociais principalmente, que temos a sensação que o outro está lá nos oferecendo meios para reduzir o tamanho do mundo, criar muros de invisibilidade, agregar massas de identidades semelhantes, projetar inimigos de ocasião, criar idealizações massivas sobre como são as vidas alheias.

“O oposto do amor é a indiferença, e o oposto da felicidade é o tédio. ” (Tim Ferriss)

Sabemos que a vida da maioria das pessoas não é necessariamente ruim, mas é terrivelmente chata. É por isso que eles precisam de entretenimento constante da televisão e/ou das redes sociais. Isto acaba produzindo um sentimento de quem vive no mundo virtual está vivendo mais do que no real e analógico, e com nitidez maior, uma experiência muito mais intensa de um definido instante do mundo, o que nos obriga a focar e a selecionar nossas percepções.

Assim descobrimos estarmos em uma sociedade que cresceu sob o grande projeto do muro protetor, que aprendeu que diante da diversidade e do conflito é possível, antes de tudo, esquivar-se e modificar a realidade em vez de modificar-se a si mesmo e aos seus pontos de vista, e sobretudo: “As pessoas querem ser desafiadas, não transformadas”.

Portanto, devemos nos concentrar em ser a pessoa mais amável possível para nosso próximo. Se ele retorna o favor ou não, cabe a ele. Afinal, só o amor real constrói, isso porque se importa de fato pelo outro e busca melhorar para auxiliar e dar suporte; O mais irônico é que o amor é a única construção do mundo que não tem fim, mas que também ninguém espera que acabe. É uma obra infinita que a gente aproveita todos os dias. E as vezes começa por uma simples perguntinha: E aí, como estão as coisas?

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Devocionais para não devotos XVI

Os defensores do senso estético acima de tudo sempre dizem que o mundo é um palco. Mas obviamente, aquilo que deveríamos encenar não foi ensinado e todo mundo está improvisando suas falas. Talvez seja por isso que é tão difícil dizer se estamos em uma tragédia ou em uma farsa. E penso se não seria esse entendimento a causa de tantas pessoas pensarem que precisamos de mais efeitos especiais, bebidas, números de música e dança para tornar um pouco mais aceitável esta vida? Acredito que a resposta dada a esta pergunta seja importante para a época atual, já que estamos vivendo um momento de intensa busca por conforto e pacificação interior (espiritual, psicológica), seja através de ‘lives’, discursos ideológicos ou de um comportamento adequado a tão “necessária” manutenção e permanência do antigo modus vivendi. Me pergunto se todo mundo já leu ou ouviu Nietzsche:


“Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade. Somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida”.


O fato é que estamos vivendo uma época histórica, onde percebemos facilmente a constante troca de informações, tecnologias e DNA entre grupos sociais e étnicos em velocidade aumentada. Sendo a cultura, historicamente, uma mediadora nesta constante troca de “produtos” (ideias, organização social e conceitual, música, arte, religião) entre as populações humanas, nestes dias age como uma ‘membrana plasmática’ separando as ideologias ou permitindo-as. Isto tem produzido nas pessoas um desejo de querer torná-las reais, de concretizar as teorias, por isso parece tão natural aproveitarem-se do ‘roçar de ideias’ afins ou contrárias para começarem a produzir opiniões conciliatórias na forma de pensamentos híbridos. Claro que é necessário que esses pensamentos sejam entregues junto a uma opinião fundamentada que vá contra os nossos preconceitos, porque para o exercício do que chamamos de pensamento é preciso o confronto e a provocação. E sabemos que pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se a base do nosso caráter, que formado diferente dessa maneira, corre o risco da despersonalização e de cair no absurdo, cuja argumentação se dará, na maioria das vezes de forma radical e sem sentido para tentar mostrar as provas de uma evidência sobre fatos pouco evidentes, mas que resistem à refutações. E daí começam os embates.

Nos últimos 300 anos, o mundo ocidental considerou amplamente “religião” (a própria palavra mudou seu significado para acomodar esse novo ponto de vista) como um assunto particular: “o que alguém faz com sua solidão”. A fé cristã como um todo foi então reduzida, na mente do público, a um movimento “privado” no sentido de que – muitos dizem – não deveria ter lugar na vida pública. Laico eles dizem. Quando isso acontece, o sistema gerador de ideias ou a própria ideologia podem entrar em crise muitas vezes, e a crença é quem poderá, muitas vezes também, permitir que os lados de cada sistema manifestem um tanto da sua lógica no intuito de forçar os indivíduos a representarem seus desejos e os conformarem com a realidade. Seria como ‘pôr as cartas na mesa’ e encarar o mundo como é de fato e não como eu penso que é. O filósofo francês René Descartes estabeleceu um novo modelo de pensamento no século XVII, ao formular em latim a seguinte proposição: “Cogito, ergo sum”, (Penso, logo existo). Era uma forma de demonstrar que aquele que existe raciocina e, por conseguinte, põe em xeque o mundo que o cerca. A dúvida científica substituía a certeza religiosa.

Abro um pequeno parêntesis aos cristãos: Quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer outra coisa, segundo Chesterton, na ciência, nas ideologias, no prazer, no mercado e, principalmente, em si mesmo. Nesse caso temos a idolatria como um deslocamento: transferir para instâncias não divinas a adoração que se deve somente a Deus. Todo mundo diz: “a vida continua”, e sabemos que continua. Mas como você continua com a vida depois que aquilo que faz valer a pena viver para você se foi? Está perdido para sempre? Quem nunca teve que começar do zero? Reconstruir uma relação, uma situação da vida, mudar sua forma de pensar?

Olhemos para essa pandemia, cujas causas são pouco compreendidas, mas os modos de ação e as consequências são ainda mais mal colocadas e acabam deixando todo o mundo em uma situação estranha, entre vergonha, impotência e raiva. E contudo, ainda precisamos trazer alguns aprendizados básicos para nossa vida diária, do contrário não conseguiremos levantar os alicerces invisíveis que nos sustentam, consolar os que mais sofreram, ajudar os mais atingidos pela crise econômica a se reerguer, rever os valores que realmente podem fazer diferença na vida de toda a sociedade. Pois é isto que somos obrigados como espécie, a única racional, a fazer: tomar a decadência e a desordem deste mundo para organizá-lo de maneira que possamos entendê-lo, reescrevendo sua história.

Mas para isto acontecer a civilidade precisa ser posta em prática; para que tenhamos uma sociedade equilibrada é preciso conviver com os dois lados, suas crenças e censuras. Para no fim, o melhor de cada lado poder preponderar sobre tudo. Pode ser que nem todos sejam atingidos de forma direta, que nem todos concordem com o que escrevi, mas uma coisa é certa: de alguma forma, mesmo sem perceber, todos vamos mudar algo em nossas vidas a partir de agora. Afinal, quanto podemos ganhar gastando tempo olhando apenas o que estamos fazendo e não o que o outro disse ou fez, afim de que as nossas ações sejam justas, santas e inteiramente boas?


“Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.” (William Shakespeare).

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Devocionais para não devotos XV.

O niilismo se espalhou como uma sombra pelo corpo da humanidade. Tomou de assalto a humanidade e a leva a decadência. Diante da questão, “Quais as origens dessa doença?”, os niilistas respondem: Excesso de cristianismo e a crença na razão!  Para eles a vida está sempre rebaixada, sempre sendo pensada sob condições, fazendo concessões, em função de uma ideia transcendente, de um universal. Ora moral divina, ora moral humana, sempre os mesmos erros! Por isso é urgente navegar para além de bem e mal!
Hoje, deixei de lado todas as minhas preocupações e arranjei para mim um período claro de tempo livre. Estou aqui completamente sozinho e, por fim, me dedicarei, sinceramente e sem retenções, a demolir minhas opiniões. Como eu pensava antigamente, tem muita gente que não acha a vida empolgante porque não encontrou uma estratégia que é suficientemente arriscada, que é suficientemente corajosa para desafiar os limites das suas energias. Todo mundo almeja a aventura. Todo mundo deseja ser significante. Todo mundo deseja sentir que a sua vida é importante para alguém. Você conhece esta sensação? Sim, todos nós já fomos crianças um dia e gostaríamos de, pelo menos uma última vez, voltar a olhar e perceber o mundo com a mente fértil e intocada de uma infância cheia de coisas a descobrir e primeiras vezes para tudo!

Entretanto, ainda temos tempo para mudar a nossa perspectiva, perceber o quanto o nosso olhar é para a nossa saúde emocional. E não são os olhos do rosto, relacionados ao sentido da visão, mas os “olhos do coração”, ou seja, o olhar sobre aquilo que te atrai, que te anima e dá sentido à vida. Já percebeu querido leitor, que o essencial além de ser invisível também é gratuito?

Já que as heresias são quase tão perenes quanto a verdade, farei uma confissão: eu vejo que as crônicas de Nárnia mostram liricamente, o quê uma criança (o eu em nós) sente diante de Aslam é o que deveríamos sentir diante de Cristo: Aslam não é um leão manso (E a maturidade também não é).

O que ainda acho estranho em envelhecer não é que fiquei mais velho. Não é que o jovem eu do passado envelheça sem que eu perceba. O que me pega de surpresa é, antes, como pessoas da mesma geração que eu envelhecemos, como todos os garotos desejados por todas as garotas bonitas e animadas que eu conhecia, e por isso também desejadas, agora têm idade suficiente para ter alguns netos. É um pouco desconcertante, eu diria até triste. Embora nunca me sinta triste pelo fato de ter envelhecido. Penso que, objetivamente, a responsabilidade precede a razão e a consciência e é, efetivamente, um marco. Posso dizer “Velho o suficiente para saber, jovem suficiente pra fazer mesmo assim”. Definitivamente, meia idade é o outono chegando na vida das pessoas.

Recentemente, li o livro All-American Muslim Girl, de Nadine Jolie Courtney. Sou um leitor ávido e adoro romances para jovens adultos como esse. O personagem principal, Allie, faz parte de uma família muçulmana circassiana onde a mãe e o pai não são praticantes. A crescente islamofobia em sua escola e no mundo faz com que Allie comece a abraçar sua religião. Allie é forte e corajosa. Ela é uma personagem engraçada e relacionável que me manteve interessado no livro até o fim. E acabei inspirado, pelo desejo dela, por estar em contato com minha fé.

“E então eu tirei todos os meus fracassos de uma caixa, minha humanidade boba, inconstante, vaidosa, ridícula, e percebi que não; eu não consigo aceitar que sou pó. Eu não sei lidar com a minha pequenez de alma. Eu não consigo passar do primeiro dia da quaresma com sucesso. Em matéria de culpa eu sou excelente, mas arrependimento?” “Arrependimento é a palavra que o mundo quer esquecer. O normal é fazer o que der na cabeça sem se preocupar se é certo ou não. E se algo der errado, não se arrependa, pois fere o orgulho, outro DEFEITO que o mundo tem transformado em virtude em nosso tempo”. Talvez por isso nossas narrativas estejam tão impregnadas de uma atmosfera kafkiana, povoadas de seres atolados em pesadelos, transitando nos abismos e lacunas espirituais onde um turbulento arsenal de angústias precipitam um mergulho do insondável, em dimensões que evidenciam nossa perplexidade. Sobretudo, por não entender-mos a limitante realidade é que inventamos algumas verdades terríveis para superar nossa falta de sentido; para estar confortáveis e tentar entender quando encontramos em nossos dias pessoas que não podem ser caracterizadas, que vivem continuamente em um círculo de ambiguidades, cheias de dúvidas, que dizem: “não quero esperança. Esperança está me matando. Meu sonho é tornar-me um caso perdido”.

Procuremos entender que existem infinitas maneiras de causar impacto e sermos motivados, inclusive quando as economias desaceleram, ou perdemos a segurança dos amigos que vão, a vida inviabiliza nossos melhores planos e até mesmo nossos corpos nos traem, só precisamos nos dedicar a fazer alguma coisa, mesmo aquelas muito simples:

“A doçura dessa água nasceu da longa caminhada sob as estrelas, do canto da polia e do esforço de puxar o balde. Isso me fez sentir bem, me fez feliz, como um presente.” (O Pequeno Príncipe)

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Devocionais para não devotos XIV.

Sim, ainda estamos em uma pandemia. E ainda mantenho o meu otimismo. Sempre que mudanças importantes precisam acontecer, coisas drásticas acontecem também! Talvez você esteja perguntando: qual mudança importante ainda precisa acontecer? Bem, precisamos aprender a viver mais para o outro. Sermos mais solidários. Esta crise veio nos mostrar que estávamos tão fechados em torno do nosso ego, tão ensimesmados… Agora todas as pessoas parecem ter um vislumbre daquilo que realmente importa e era tratado por nós como banalidade.

E o que recai sobre nós é muito mais metafísico do que pensamos. É “o incômodo da existência”. Flaubert, brilhantemente, diz em poucas palavras o que os Modernos pensavam: o homem é um animal entediado. Experimentando sua solidão, descobrindo-se jogado em um mundo sem significado ou instruções de uso, ele descobre no coração do tédio, entre consternação e vertigem, a tragédia de sua condição. Um mundo que vive uma era de relativização de tudo, e da verdade como norma, onde você consegue ser a favor ou contra qualquer coisa e ter um estudo científico pra usar de pretexto pra defender suas convicções pessoais. Penso, é muito ruim esta métrica onde as pessoas precisam morrer para que as coisas mudem. Até entendo o ponto de vista dos pessimistas, embora não consiga validar mudanças favoráveis a partir de desgraças, sei que as pessoas estavam (e ainda estão) brigando por ninharias, tentando empurrar no outro a sua melhor forma de achismo.

Poucos percebem querido leitor, que o essencial além de ser invisível também é gratuito e compartilhável. Olhemos a nossa volta: ninguém dialoga, apenas empurram na goela do outro o que pretensamente acreditam ser um direito seu. E vão continuar assim por um tempo ainda (o grau de egocentrismo e xenofobia está alto demais), pois uma lição só não vai ser tão didática quanto queremos acreditar. Mas tal qual nos mostrou o personagem Wilson do filme Náufrago, em toda grande crise precisamos olhar para o outro e tê-lo como uma âncora que nos prende a realidade. Mesmo com mortes acontecendo e destruindo sonhos e famílias aos milhares, devemos continuar acreditando e dando suporte ao ser humano mais próximo. Concordo que não precisamos morrer para ter ajustes bons. Na prática, morte é o fim da ação humana. Falamos tanto de empatia, mas deixamos chegar ao ponto em que estamos por mero egoísmo. Agora precisaremos ir além da empatia, precisaremos exercitar a misericórdia.

Acredito na capacidade do ser humano para impedir a morte prematura em qualquer nível, de qualquer ser, desde que, como indivíduos pensantes de uma mesma raça e dividindo um mesmo lugar, aceitemos fazer um bom uso otimizado da razão e sermos mais comedidos com as nossas emoções. Afinal, todos nós somos responsáveis pelo outro e por este planeta também. Jane Austen, quando ninguém havia entendido o Sermão do Monte, deixou um lembrete:

“Não é o que dizemos ou pensamos que nos define, mas o que fazemos.”

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Devocionais para não devotos XIII

Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa. Ideias fixas borram as fronteiras entre a vida e a imaginação, confundem sonho e delírio, onde metade pode ser precisão rigorosa e a outra metade delírio e festa.

Agora imagine se é uma ideia fixa ruim…

Por isso é preciso tomar muito cuidado com aquilo que a gente encasqueta. Porque podemos ser vítimas da má informação, da distorção, da mentira, da ilusão, do romantismo e até da insinuação malévola. Porque uma vez dentro da mente, estas coisas alteram a sensibilidade, provocam decisões nem sempre oportunas e acertadas, mexem com o nosso comportamento e desgastam nossas energias. E estes mesmos ingredientes podem ser encontrados nas várias tentativas de colar os cacos restantes das velhas catedrais de nossas vaidades autorais, isso acontece com todo mundo, mas principalmente entre quem é culto e quem é popular.

Há também aquelas pessoas que fixaram pensamentos que impedem a si mesmas e aos outros de se entenderem. De buscarem o desenvolvimento pessoal, afetivo, profissional, enfim, em todos os segmentos de suas vidas, pois estão estagnadas na idéia fixa que se propuseram, não se permitindo nenhum tipo de reflexão

Hoje, na era da internet, existe um lugar-comum para aqueles que encasquetam com alguma coisa e depois sangram e estrebucham sob o flagelo das feridas sociais. Em comum, todos estão sentados em algum lugar com wifi, arranhando uma tela e se perguntando “quantas ideias precisamos renegar para se refundar na cova das escolhas descartadas”?

Até mesmo o imperativo moderno “Produzir novas idéias, originais e adaptadas ao seu contexto” – definição de criatividade – tornou-se uma liminar fixa. No momento em que a inteligência artificial está interferindo em um número crescente de processos, pede-se que as inteligências humanas sejam ainda mais surpreendentes, seja no mundo econômico ou em laboratórios científicos, privados ou públicos, somos solicitados a encontrar (e publicar) “inovações revolucionárias” justificando os orçamentos e esforços alocados a elas.

Bem, moralmente redefinir sua doutrina já é se preparar melhor para responder efetivamente às problemáticas deste século. Agora pare e pense. Imagine um dia qualquer no início do século 21, se aparecesse uma tecnologia que, ao longo de uma década, mudasse vários parâmetros fundamentais da vida social e política? E se essa tecnologia aumentasse bastante a quantidade de “animosidade mútua” e a velocidade com que a indignação se espalha sobre qualquer assunto ou acontecimento?

Sabemos que pacificação é aquele trabalho do qual muitos preferem correr, particularmente aqueles de nós que são beneficiados como as coisas estão. Vozes privilegiadas são rápidas em pintar manifestantes, críticos e corpos marginalizados como perturbadores de uma paz que ainda não existe. É um jogo complicado, com vencedores e perdedores claros, sendo a Paz o último. Mas não podemos esperar participar do conserto do que está quebrado, se recusarmos reconhecer as profundezas do que está errado, e isso requer ir às margens e sentar aos pés das pessoas que a maioria está mais acostumada a demonizar e anular. Fico pensando se este mundo ainda pode ser um lugar sério, sóbrio e desconectado? Aparentemente não com uma interação humana cada vez menos genuína, significativa e com mais razões para você permanecer conectado a coisas que não o servem emocionalmente, criativa e mentalmente. Mas o secularismo que estamos vivendo não é a gestão apenas de comportamentos ou roupas no espaço público/eclesiástico e social, ainda que englobe isso! É o recall do laicismo em toda a nossa moderna sociedade! 

Há alguns anos, fiquei impressionado com o número de coisas falsas em que acreditei e com dúvidas sobre a estrutura de crenças que eu baseava nelas. Pessoas agarram-se às suas pretensas verdades por várias razões. Uma delas é o grande medo de admitir que alguma vez interpretou errado sua vida e agora, se aceitar isso, perceberá que viveu, então, uma grande mentira, apenas sobre erros. Se a verdade de cada um depende do seu modo particular de encarar a realidade, do seu ponto de vista, mudando a perspectiva relativizamos a verdade. Ora, segundo Aristóteles, Deus está imóvel e é a realidade que gira em torno Dele (eu diria abaixo Dele). Ou seja, se a perspectiva divina não muda, sua verdade permanece inalterada. Por isso diz uma doutrina cristã central: aquilo que é visto é temporário e o que não é visto, eterno; e que o que é eterno é mais importante do que o que é temporal.

Apesar de ser uma proposição aristotélica clássica, inteligente, considero que é muito fria, distante e pouco imanente. Prefiro a metáfora do Pastor supremo. Onde Deus quer nos ajudar a viver de maneira a abençoar outras vidas. O pastor que anda no meio do seu rebanho invertendo algumas vezes a lógica em prol da humanidade, nos guiando às águas tranquilas.

O Salmo 23 nos fala desse supremo Pastor capaz de suprir todas as nossas necessidades e providenciar recursos em meio a escassez. Porque Ele conhece a ovelha e o pasto tanto quanto um oleiro conhece a sua obra. Deus também sabe que viver na dificuldade nos faz duros e causadores da dificuldade alheia. Por isso Ele nos ajuda e supre, preparando algo bom no lugar mais inóspito ou em uma situação bem difícil, para quando chegar a oportunidade nós podermos agir com bondade e misericórdia também. Acreditando que cada pessoa é um ser individual e que semelhanças não querem dizer igualdades, fazendo com que tratemos as pessoas com respeito e consideração.

A idéia fixa então, é ação madrasta de pré-julgamentos e fator limitador de uma relação feliz e por isso mesmo deve ser deixada. Deve ficar claro também que não estamos simplesmente trabalhando para descansar, estamos trabalhando com um senso de descanso, satisfação e prazer na bondade de Deus. É isso que nos ensina o Salmo 23, nos impedindo de sermos frenéticos, nos impedindo de viciar no trabalho, porque nosso trabalho não é feito de maneira a lutar para que possamos chegar ao feriado. É feito a partir de um descanso que já foi alcançado.

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Devocionais para não devotos XII.

(Este texto é dedicado para quem teve um dia/semana/mês/ano difícil).

“De todas as eras, desde nosso mais remoto passado, quais certezas sobreviveram? E, no entanto, nos apressamos para fabricar novas certezas. Em busca do conforto. A certeza é o caminho fácil” (The Gal Who Got Rattled).

Continue avançando, a vida pode ficar difícil, então concentre-se nas coisas boas (como abraços fraternos e a companhia de animais). Creio sim, que a expectativa é um componente da fé e sabemos que tudo o que pedimos com fé, vamos receber. Mas quantas vezes a expectativa é frustrada? Quanto tempo esperamos por uma resposta, ano após ano, e nada acontece? E as expectativas vão sumindo feito fumaça. Nosso ânimo se desfalece, nosso horizonte fica escuro, nossos planos são frustrados, nossa alma entristece, nós cansamos e literalmente entregamos os pontos. Você já passou por isso? Claro que sim. Em qualquer área da nossa vida somos atingidos por este cansaço. É quando a amargura e a revolta que traz no coração fazem com que você não reconheça a generosidade recebida até aqui. E por isso não pode ser aceito em nenhum lugar, encontrando abrigo na casa das narrativas vitimistas, que lhe oferecem comida e pouso. Mas a vida poderia ser pior não acha?

Bem, suponha que não haja vida após a morte. isso significaria que esta vida é tudo que você tem e isso significaria também que, enquanto você está sentado aí em sua cama, momentos preciosos de sua vida curta demais desaparecem para sempre. É por isso que, a partir desse acontecimento, você precisa descobrir uma fé que julgava morta dentro de si e qualidades que também desconhecia haver em si próprio.

Você sabe que algumas vezes o mundo parece um lugar legal. E em outros dias realmente parece que o mundo inteiro está conspirando contra você. A vida nunca parece justa, mas acho que é isso que torna a vida tão especial. Aprecie cada momento, não deixe passar nenhuma oportunidade, porque um dia você acordará e se arrependerá de onde passou a maior parte do tempo.

Outra coisa: Cada um de nós é jogado em um mundo que não é de nossa própria autoria. Não escolhemos nossos pais, nosso DNA ou a nação de nosso nascimento. Não escolhemos a classe econômica ou o sistema político em que nascemos. E durante séculos, outras pessoas moldaram as economias, os sistemas políticos, estruturas sociais e clima do mundo. Aparentemente, essas pessoas nunca consideraram nos consultar, mas fomos deixados a mercê do mundo que eles deixaram para nós. É o que é. Somos lançados ao nascer em injustiças, absurdos e confusões que não são de nossa culpa ou autoria.

Ou você acha que o seu destino é determinado pelas estrelas? Todos sabemos que a vida é muito mais divertida quando você não é responsável por suas ações, mas como um verdadeiro amigo, devo me sentar ao seu lado e dizer, olhando nos seus olhos: você não é tão especial assim. Não mais que tantos outros seres humanos. Ou não são os seus passos como o de todos os homens em torno da sua existência, sem respostas paradigmáticas, num vazio que se procura transformar em matéria?

Olhe para uma caixa de giz de cera novo. Agora eles são todos valiosos. Alinhados em ordem. Brilhante e perfeito. Em breve, eles estarão espalhados pelo chão, arredondados. Tocos indistinguíveis, sem as embalagens e manchados com outras cores. Às vezes a vida parece insuportavelmente trágica não é mesmo? E você sabe o que é estranho? Dia após dia, nada parece mudar, mas logo tudo muda. Você segue seus negócios e um dia percebe que não é a mesma pessoa que costumava ser. As pessoas mudam, decidindo ou não!

Eu poderia contar umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, jogar umas verdades na sua cara e pronto, você já se sentiria muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão. 

Porque deixar-se preocupar com outra criatura em seu sofrimento, seja um cachorro, um gato ou um ser humano, vai esticar seu coração e provavelmente até quebrá-lo. Mas Jesus nos ensina que, paradoxalmente, só começamos a viver uma existência genuinamente humana quando cuidamos do sofrimento alheio. Conhecê-lo ajuda a explicar o que fomos no passado, o que somos hoje e também o que seremos daqui para a frente.

Certa vez, quando se aproximava rapidamente o tempo de sua crucificação, Jesus predisse a destruição do templo e lembrou a seus seguidores a promessa de Deus de restaurar todas as coisas à totalidade. Quando eles se perguntaram quando isso aconteceria, Jesus basicamente disse que haveria guerras e desastres naturais, perseguição de minorias religiosas e fome. Você pode estar acostumado a ouvir essa ladainha de sofrimento como uma lista de sinais de que a Segunda Vinda está chegando. Mas pense bem: sempre houve guerras, desastres, perseguições e fomes. Jesus estava dizendo que as pessoas sofrem, e por isso devemos prestar atenção nelas. Inclinar-se para elas. Tornar os seus problemas algo pessoal.

Quando ele disse: “É perseverando que vocês obterão a vida.” (Lucas 21:19, NVI) Ele não quis dizer que, sofrendo, iríamos para o céu. Em vez disso, ele estava nos dizendo que a forma como lidamos com o sofrimento deste mundo moldará nosso DNA espiritual e nos fará viver uma vida realmente diferente.

Nossa tradição cristã pode falar proveitosamente sobre a ideia de que somos livres para fazer escolhas em um mundo despedaçado, não de nossa própria autoria. Um mundo que é ao mesmo tempo de tirar o fôlego e uma bagunça. Nosso desafio espiritual, nosso destino é estar bem aqui. Agora mesmo.

Lembre-se leitor amigo: Todos somos livres para fazer escolhas a cada instante de nossas vidas. E, no entanto, nenhum de nós é livre para escolher as circunstâncias em que faremos essas escolhas. Como algumas pessoas dizem hoje em dia: “É o que é.” O que resta para nós é: “Então, o que você está disposto a fazer?”

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Teorizando a distopia da rã coitadinha.

“Acho que o amor é a ausência de engarrafamento”. Elis Regina. [1]

Lendo esta declaração pensei na possibilidade de aplicá-la a todos que estão em busca de um encaixe customizado neste mundo a partir de uma interpretação particular e confortável da realidade. Como é sabido por todos, a ausência daquilo que detesto permite a realização do que me apraz. E a verdade de hoje é: o amor pelo proibido tem se disfarçado de amor verdadeiro, de amores maiores do que aqueles limitados a apenas um assunto ou família. Um amor assexuado, polimorfo, dedicado para e por toda a humanidade.

Bem, viver nunca foi fácil. É no caminho de escolhas e renúncias que muitas dificuldades nos são dadas como aprendizado, existindo duas formas de reagir as adversidades portanto: ou você empaca e remói o percalço que interrompeu sua jornada ou usa o ato negativo como força motriz e choque mental para mudar o rumo e seguir em frente.

E penso também que não será necessário um artista, guru, coach ou influencer (ou seja, lá quem você tem por mentor) que transformado numa espécie de narrador de seu próprio tempo dê um depoimento último, porque não será preciso deslocar ou provocar o público como em um exercício onde este seja convidado a pensar junto sobre o cotidiano para ampliar sua visão de mundo. Ora, ampliar a visão é poder ver além de uma perspectiva pessoal. É saber que existe algo mais do que aquilo que estamos observando no momento. Ampliar sua visão é perceber que há algo mais, além do que seus olhos podem ver e ir em busca do aprendizado. Então, essas percepções poderiam nos levar a investir em um diálogo com a realidade através da cultura (literária, religiosa, artística e midiática em geral), compreendendo-a como linguagem capaz de elaborar percepções sobre temporalidades e lugares, repercutindo relatos sobre identidades e cotidianos diversos, ou seja, uma modalidade discursiva capaz de enredar histórias (E haja imaginação para tantas e novas narrativas).

Ou, como nos diz o filosófo Hume: As ideias são as marcas das impressões dissipadas no fluxo de percepções que constitui a mente humana. Já as impressões mais vívidas, penetram mais violentamente em nosso pensamento em sua primeira aparição à alma, e abrangem as sensações e as paixões. Bem, Hume parece estar sugerindo que “o mundo é tal qual como o percebemos”. Qual o risco de você acreditar nisso? Você poderá aceitar o “podemos idealizar tudo agora” como uma hipótese capaz de mudar toda a sua existência e acreditar que ela poderá ser utópica, otimista e muito recompensadora apenas ignorando os fatos desagradáveis.

Infelizmente tenho dificuldades para acreditar nisso porque quase sempre me dou conta de que o nosso mundo real está petrificado pelo hábito, e já nos acostumamos a falar sobre ele de uma certa forma e pensarmos sempre dentro dos mesmos quadros, onde vemos tudo sempre da mesma maneira e os sentimentos se embotam por sabermos que o que vai ser é igual àquilo que já foi (Olá Eclesiastes!). E aquilo que experimentamos deveria se encaixar em categorias mais racionais. Mas tudo o que podemos conhecer ainda não é a realidade total, aquilo que Kant chama de fenômeno, o objeto na medida em que ele é apresentado, organizado e entendido pelo nosso pensamento[2].

Vivemos em uma época em que belos momentos estão muitas vezes atrás das telas. Nunca será o mesmo que deixar a sua alma capturar o momento e permitir-se engolfar as emoções que se desenrolam. Uma parte da nossa capacidade de mergulhar totalmente foi apreendida e limitada por um dispositivo que nunca nos deixará realmente apreciar a beleza da efemeridade. (O declínio da realidade humana – Lara Mindy)

A minha próxima pergunta é: Viver é sobre crescimento e mudança? E quando parar de acontecer significa que estou apenas sobrevivendo ou meramente existindo sem nenhuma relevância? Viver no fundo do poço e se contentar com uma vida de migalhas é uma questão de escolha? Eu sei, nosso primeiro instinto seria de encolher-se como um rato que subitamente acorda de seus sonhos de roedor e se vê perdido na cidade furiosa em pleno horário do rush. Mas ao contrário, desafiando a simples angústia de sobreviver, todos nós temos a oportunidade de sair desta condição de miséria e procurar o vasto oceano que começa em si mesmo, e que apenas não conseguimos enxergá-lo por estarmos em uma posição desprivilegiada. Por isso rejeito o coitadismo[3] moderno que apenas serve como um antônimo para aqueles que cuidam do próprio destino, porque ele faz você naturalmente depender sempre de outras pessoas ou de fatores externos para que as coisas aconteçam. Em alguns casos, certas atitudes, ou falta delas, podem ser definidas até como preguiçosas.

Já leram a parábola da rã[4]? Uma das interpretações nos diz que podemos entender a garça como a nossa consciência, nos chamando a sair do fundo do poço em direção ao oceano das novas oportunidades e perspectivas, onde parte deste oceano já está dentro de nós, basta que enxerguemos sua beleza obscurecida pelo medo, pelos complexos de inferioridade, pelos traumas do passado etc.

Entretanto, hoje há um grande obstáculo para isto acontecer: Esta geração (e a próxima infelizmente) ainda não conseguiu imaginar um futuro melhor (e também ninguém se preocupou em preparar um). Acham que suas ideias podem corrigir e consertar todos os erros das gerações anteriores e, principalmente, aquilo que não se encaixam mais em seus anseios e idealizações. Por isso mesmo engendram tantas queixas, indignações e ressentimentos para conseguirem submeter todos quanto puderem ao desamparo e desesperança. Afinal, isso não exige coragem de ninguém, apenas a covardia é suficiente (e um perfil em rede sociais). Sua única admoestação é: Desesperem-se mais. Apelam tanto para a esquerda como para a direita, porque, no final, exigem tão pouco da nossa imaginação literária, da nossa política ou da moral, pedindo apenas que desfrutemos da companhia de pessoas cujo medo do futuro se alinha confortavelmente com o seu próprio coitadismo. E não é irônico nós estarmos com medo que nossos jovens desaprendam a ver como nós vemos e diligentemente os ensinamos também?

É bem conhecida a citação do Sócrates no diálogo de Fedro[5], em que ele diz que a escrita atrofiará a memória dos jovens, que já

“não usarão suas memórias; eles confiarão nas externas letras escritas e não se lembrarão por si mesmos”.

E arremata com uma afirmação que poderíamos bem repetir hoje mesmo sobre o Google:

“eles serão ouvintes de muitas coisas e não terão aprendido nada; eles parecerão ser oniscientes e não saberão praticamente nada; eles serão uma companhia cansativa, tendo a aparência da sabedoria sem sua realidade”.

Antes de dizer que os jovens de hoje em dia não estão preparados para o mundo adulto, lembre-se de que eles não precisam entrar em nosso mundo adulto. Eles criarão o mundo deles. Para o qual terão certeza de que seus filhos não estarão preparados também.

Para os cristãos: A. W. Tozer[6] percebeu a muito tempo que é preciso uma guerra, uma eleição, tensões raciais, mudanças climáticas, um exôdo de refugiados ou um surto de criminalidade juvenil para dar suporte ao assunto dos profetas modernos. Não é a Palavra do Senhor, mas a vida descompromissada, o desfrutar do tempo e o pensamento dos comentaristas itinerantes (artista, guru, coach ou influencer) que estabelecem o ritmo e determinam a importância da nossa pregação. O mundo sempre se move primeiro e a igreja vem humildemente depois, tentando lamentavelmente parecer e soar como um modelo razoável e, ao mesmo tempo, manter um testemunho religioso fraco, inserindo um comercial respeitável de vez em quando, com o objetivo de que todos devam aceitar Jesus e ser renascido. O fundamentalismo secularizado é uma coisa horrível, muito horrível, muito pior na minha opinião do que o modernismo honesto ou o ateísmo total. É todo um tipo de heterodoxia do coração que existe junto com a ortodoxia do credo. Seu verdadeiro mestre pode ser descoberto observando quem ele admira e imita.

Os fatos por si só nos mostram que estamos evocando agora uma distopia não para resistir, mas para esconder. Porque estamos mais preocupados com o estilo de vida do que com o futuro, queremos acreditar que um feminismo distópico, representações midiáticas evocando quebras de paradigmas e influenciadores pseudos intelectuais ganhando prêmios são algum tipo de mudança significativa em si mesmo. E ainda temos os grandes eventos de música e cinema para amortizar a quebra de padrões comportamentais e implementar os novos! Yeah! Estamos conseguindo e avançando! Aumenta o som DJ! Com tudo isso acontecendo podemos perceber que já vivemos estes tempos de distopia. Imobilidade, apatia, indiferença. Como o autor bíblico do Eclesiastes nos diz:

“Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” (Eclesiastes 1, 8-9, NVI).

Então, para encerrar, uma coisa deve ficar bem esclarecida: havendo ou não engarrafamentos, isso não impedirá que o amor verdadeiro siga seu curso. Vá ao encontro dele antes que alguma narrativa moderna de algum artista, guru, coach ou influencer tente transformá-lo em um batráquio preso num poço! Ainda há um amor que tudo crê, tudo suporta, é paciente e que não se ufana!

Que comece 2020!

1- https://analauranahas.com/2013/07/14/acho-que-o-amor-e-a-ausencia-de-engarrafamento/

2- https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/immanuel-kant/#c

3- https://manualdohomemmoderno.com.br/comportamento/complexo-do-chaves-ou-sindrome-do-coitadismo

4- http://blogs.opovo.com.br/artesanatodamente/2014/11/14/parabola-da-ra/

5- https://pt.wikipedia.org/wiki/Fedro_%28di%C3%A1logo%29

6- https://books.google.com.br/books?id=fXgYAgAAQBAJ&dq=today,+it+takes+a+war,+an+election,+racial+tensions+or+an+outbreak+of+juvenile&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s

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