Devocionais para não devotos (V)

“Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.”

“Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil. E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia. Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” (1 Coríntios: 10. 1-14).

Como é que a sua trajetória pessoal se cruza com a trajetória de Israel? O versículo 6 diz: “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, para que nós não almejemos coisas más, como eles cobiçaram.” Paulo escreveu sobre sua jornada para nos ajudar a evitar os mesmos erros na nossa. Nos versículos 7-10, Paulo aponta para quatro coisas más que eles fizeram:

“Não vos torneis, pois, idólatras” (v.7) – “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” A raiz do pecado é a idolatria. Por isso não vamos agir imoralmente (v.8) – Quando as pessoas agem de forma imoral, eles colocaram o seu desejo pecaminoso e prazer imediato a frente de Deus.

“Nem tentemos o Senhor” (v.9) – Quando as pessoas tentam a Deus, é porque eles colocaram os seus planos, suas ações e sua agenda a frente de Deus.

“E não murmureis” (v.10) – Quando as pessoas reclamam, eles colocaram o seu conforto, sua sabedoria e sua perspectiva a frente de Deus.

Agora reflitam sobre o versículo 12. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”. À primeira vista, podemos pensar que a jornada de Israel e nossa jornada são completamente diferentes. Acho que essa é a advertência do versículo 12. Se você pensa que está de pé, se você acha que isso não se aplica a você, tome muito cuidado para que você não caia nas mesmas armadilhas.

A ênfase aqui é “Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.” Ninguém está livre de errar, ou sem culpa, ou sem pecado. Quem nunca colocou algo ou alguém a frente de Deus e praticou idolatria? Há alguém que não tenha se envolvido em alguma forma de imoralidade? Quem já não ouviu claramente a voz de Deus, conheceu a sua vontade e o desobedeceu tentando aumentar os limites da sua graça para ampliar a possibilidade de fazer valer a sua vontade? Quem nunca resmungou e reclamou com Deus sobre o que está passando, incomodando, e o acusou de não agir em seu favor, em como Deus não buscou o seu melhor interesse?

Somos todos culpados desses tipos de pecados. Se nós não vemos o nosso envolvimento neste tipo de comportamento, corremos o risco de descansar em nossa suposta inocência. E quando descansamos em nós mesmos em vez de permanecer dependente de Deus, é só uma questão de tempo antes de cair. No versículo 13, Paulo nos diz que nenhuma tentação ultrapassou nossas forças. Logo, Deus vai fazer um caminho para você escapar porque Ele sempre está atento. No versículo 14, ele nos mostra o caminho para escapar. Ele começa novamente com uma palavra de conexão, “portanto”. No fim, o pecado sempre cresce a partir da raiz de idolatria ao ego. A resposta de Paulo para evitar os mesmos erros que Israel… Fugi da idolatria.

O pecado, qualquer que seja, existente e alimentado dentro do coração, pode criar problemas sérios à alma humana, levando-a ao desregramento (desordem), confusão, culpa, desespero, desesperança e mesmo à depressão e ao suicídio.

Agora mesmo, você está colocando algo ou alguém a frente de Deus? Você está resmungando sobre como Deus o está tratando? Você está agindo baseado em sua própria sabedoria, sabendo que ela entra em conflito com os ensinamentos de Deus? Você está deliberadamente pecando e testando os limites da graça? Ou você acha que nada disso se aplica a você?

Então é preciso esclarecer. Se os efeitos ou os sintomas do seu comportamento são maus a luz da Bíblia, devemos colocar a etiqueta certa neste comportamento: “comportamento mau”; no caso pastoral e bíblico, a etiqueta seria “pecado”, ou seja, “comportamento pecaminoso”.

Depois de descobrir que seu comportamento é um “comportamento mau ou pecaminoso”, busque mudá-lo. Reparem bem que estou dizendo que se o comportamento da pessoa é mau, é pecaminoso, este comportamento deve ser condenado. Não a pessoa! A pessoa precisa de ajuda e restauração.

Devemos procurar as causas que estão me levando a esse “comportamento mau”. Lidar com estas causas, sem flexionar a verdade para acomodar as minhas vontades, tentando identificá-las e procurando resolvê-las através dos meios terapêuticos e pastorais à nossa disposição.

De igual modo, não posso dizer a um prostituto, prostituta, alcoólico, drogado, vigarista, violento e homicida ou alguém que tem um “mau comportamento”, que isso não faz mal, que ele pode continuar, que ninguém tem nada a haver com o seu comportamento e que, por final, ele nem é culpado das causas que o levaram a isso. Isto é relativização da moral cristã. Não vamos atacar a pessoa, mas vamos identificar o comportamento como “mau ou pecaminoso” e atacar as causas procurando providenciar a cura física, emocional e espiritual para a si ou para o outro que nunca tiveram o cuidado ou a coragem para lidar de frente com esses problemas e procurar a libertação e cura, que forçosamente deverá passar pela confissão, o arrependimento e a Fé em Cristo.

Porquê há pessoas que sofrem toda a vida de um problema, mas vão “ventilando” o problema, ou “negando” o problema, ou “racionalizando o problema”, ou buscando “bodes expiatórios” culpando outras pessoas e situações como sendo os principais responsáveis por esses maus comportamentos, em vez de os confrontar de frente e procurar o perdão, a libertação e a cura!

Ouça com atenção o aviso novamente: quem pensa estar de pé tome cuidado para que não venha cair. Para empreender uma jornada pessoal de sucesso é necessário estar pronto a sacrificar um pouco do conforto emocional e físico que o nosso ego busca desesperadamente nos proporcionar.

Deus abençoe a sua caminhada!

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Devocionais para não devotos (IV)

Como o mundo vê o cristão hoje?

O ponto central da pergunta que dá título ao texto é mostrar que nós cristãos estamos falhando em apresentar Jesus ao mundo. Estamos julgando as pessoas pela aparência, estilo de vida, vocabulário entre outras tantas coisas. Estamos isolados em guetos, onde fazemos pouca influência para o mundo a nossa volta. Penso que devemos pregar menos doutrina denominacional e espalhar mais o Amor de Deus, como Cristo nos ensinou. Sabe o que mais incomoda?  As pessoas atualmente têm duas visões básicas: a ideologia e o testemunho. A ideologia é o que idealizam de Jesus e do cristianismo (um bom homem, que amava, que ajudava, que acolhia) e o testemunho, aquilo que vêem através dos cristãos (dízimo haha, preconceito, manipulação, etc.). Meu Deus!! É nossa missão mostrar o verdadeiro cristianismo. Se as pessoas não veem Jesus em nós  (alguém que não só ama ajuda e acolhe, mas salva e liberta o ser humano do seu pecado ancestral) então estamos falhando miseravelmente em nosso dever.

E como temos falhado em  acolher a todos! Por causa de uns, todos os cristãos são rotulados. Quando houve a reforma protestante, 500 anos atrás, o intuito  era acabar com a falsidade da igreja católica, a hipocrisia dos líderes, acabar com a venda de indulgências (salvação), retornar a prática do  que nos ensina os evangelhos, e hoje em dia o que vemos é justamente as igrejas protestantes só usando o dinheiro , e só pensando no dinheiro.

Na verdade Cristão é aquele que serve ou segue a Cristo, os seguidores de Cristo da igreja primitiva não eram chamados de cristãos e sim de discípulos, os mesmos só passaram a ser chamados de cristãos na Antioquia da Síria conforme o livro de Atos dos Apóstolos capítulo 11 e versículo 26. A palavra cristão significa pequeno Cristo ou pertencente a Cristo, logo não é todo religioso que pode ser chamado de cristão, mesmo porque, existem muitos religiosos que odeiam os cristãos.

Mas você não acha curioso o fato de a parte final de Atos 11:26 dizer: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”? O que considero mais interessante é a simples idéia de que não foram os cristãos que inventaram este nome para si. Em vez disso, eles foram chamados (ou designados) “cristãos” por aquelas pessoas que observavam a vida que eles levavam. Fico pensando se a mesma coisa aconteceria hoje em dia. Será que alguém seria capaz de olhar para sua vida ou para a minha e nos chamar de “cristãos”? Com certeza, esta é uma pergunta diante da qual não dá para permanecer com uma postura arrogante. *

Ah sim, é preciso que a sociedade entenda que ter uma opinião e um conceito pessoal sobre algumas questões baseados na Bíblia, não faz de nós cristãos preconceituosos porque simplesmente o mundo atual nega verdades absolutas ou a existência de um Deus criador; somos apenas influenciados para agir baseados em um amor ao próximo  que não segue o padrão comum e é simplesmente aquilo que recebemos e acreditamos do nosso Deus. E que não são todos os cristãos que fazem isso.

Os “CRISTÃOS” são todos aqueles que entenderam a mensagem da Cruz, são todos aqueles que entenderam Efésios 2, que a vida é limitada e Deus mudou isso nos prometendo a vida eterna; é exatamente isso que temos que entender, quer seja no céu ou no inferno, iremos pra um desses lugares, portanto devemos entender a mensagem da Cruz e se agarrar ao padrão de vida que Jesus ensinou quando estava na terra. Onde é possível fazer a diferença sim. Porque quando renovamos nossa mente através da palavra de DEUS, ela nos ajuda no dia a dia a refletir o seu caráter. Perfeitos não somos. Você cai, você se levanta, você comete erros, você vive, você aprende. Você é humano, você não é perfeito. Você muitas vezes é ferido, mas você ainda está vivo. Por isso agradeça a Deus pelo privilégio de ter o seu coração batendo e conseguir respirar, pensar, amar, perdoar, recomeçar, e ir atrás dos seus sonhos, pois a palavra diz que Deus não tem prazer naquele que retrocede (Hb 10:38).Todo dia precisamos avançar um degrauzinho, subir um por um… Eu preciso me avaliar, reconhecer as mudanças que Jesus tem feito em mim e agradecer, dizer Senhor agora me ajuda a melhorar nisso, ainda falta isso; não se deixar corromper no dia a dia por medo do que vão pensar de nós… corrupção não  envolve só dinheiro, é tudo que nos afasta de Jesus, da sua maneira de viver, da sua verdade. E ao contrário de alguns que dizem e vivem o contrário, ser Cristão trata apenas de obedecer a Deus e sua vontade, não de glamour.

Eu observo esse fato, que contrasta a austeridade dos cristãos “raiz” com o Hillsong de marca de Justin Bieber, ou o evangelho da prosperidade onde “Jesus dará a você um milhão de dólares” de Joel Osteen.**

“Eu gosto de dizer que não estamos construindo uma marca, estamos proclamando um nome. Não é sobre nós. Queremos que o único holofote que tenhamos brilhe sobre Jesus ainda que seja metaforicamente”, diz Treat***. “Somos tradicionais em nossa teologia sobre o que significa ser um cristão. Quando as pessoas veem jovens cristãos reunidos no meio da igreja moderna, muitas vezes há uma suposição: “Ah, eles devem ter de alguma forma adaptado a fé para aquilo que esta nova geração gosta”. Mas o que devemos fazer é contextualizar o evangelho e não adaptá-lo”.

*Extraído de LOUCO AMOR, MARAVILHADO COM UM DEUS QUE NUNCA MUDA, FRANCIS CHAN com Danae Yankoski.
**https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682
***https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682

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Devocionais para não devotos (III)

Como escapar do desesperançado vazio de toda esta vida?

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/anthony-bourdain-escritor-e-apresentador-americano-morre-aos-61-anos.ghtml

Esse apresentador famoso se suicidou e um dia antes dele um ex colega de trabalho de um colega de equipe também se suicidou, a coisa tá feia. A morte do cozinheiro é o segundo suicídio de uma celebridade americana seguido. Três dias antes, a estilista Kate Spade foi encontrada morta em seu apartamento. A polícia de Nova York confirmou que ela cometeu suicídio por enforcamento.
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA citados pela agência Reuters, as taxas de suicídio aumentaram em quase todos os estados do país de 1999 a 2016.
Quase 45 mil pessoas cometeram suicídio em 2016, tornando o problema uma das três principais causas de morte nos EUA, juntamente com a doença de Alzheimer e overdoses de drogas.
Existe hoje uma busca por uma verdade que pudesse pacificar a existência humana,  que integrasse o espiritual e a nossa realidade, mas que infelizmente o mundo tem procurado fora da verdade bíblica chamada por nós cristãos de palavra de Deus. O que encontram é uma verdade humanista que é sempre uma tentativa de reconciliação entre o que eu quero neste mundo e no vindouro, mas não consegue produzir uma trégua longa ou uma paz suportável porque não resolve o conflito existencial humano. Quem sou eu? O que devo fazer com aquilo que sou? Para quem? Porquê?1

Schopenhauer trouxe à luz da discussão filosófica o termo Absurdo. Para ele, a simples noção de existência é um absurdo, justamente porque a vida não apresenta nenhuma outra razão, a não ser “a vontade de querer viver”, sem nenhum sentido aparente, o que resulta no pessimismo, na irracionalidade, e de certa forma, no conformismo da humanidade. Considerando também a noção de existência um absurdo, porém diferente do pessimismo radical de Schopenhauer, Sartre e Camus, por sua vez acreditam que essa absurdidade leva a humanidade à ação, revolução, e principalmente à recusa da conformidade. Afinal, se a vida não nos dá sentido, é necessário que este seja construído, logo angústia e pessimismo, manifestados diante do absurdo em nada se encontram relacionados à ausência de sentido da existência e do mundo.2

_ Sim verdade, a maioria das pessoas não querem a Deus, eles querem a paz, mas a paz do jeito deles. Não foi a toa que Jesus disse:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – (João 14:27 acf)

Este é o ponto. A paz que Cristo oferece não se baseia no suprimento de mera necessidades físicas, emocionais ou intelectuais, ela se baseia na redenção total de um ser humano depravado pelo pecado. Mas o mundo não quer isso, eles não querem submeter a Deus seus desejos, entretanto, eles querem independência dele precisando ser pacificados por Ele; e por causa dessa atitude de rebeldia, sofrem de angústia e de um sentimento de impermanência, sentem-se inadequados a esta existência e buscam novamente e erroneamente solucionar o problema de uma maneira rápida.
_ é muita ignorância que essa independência traz e o sr acha que o suicídio não tem perdão?
_ Acredito que o suicídio quando realizado por alguém sem o controle do seu poder de julgamento, fora do seu juízo perfeito como dizem, ou debaixo de uma pressão sobre humana, pode ser perdoado; fora disso ele é um pecado porque é produto do pecado como falei acima, da rebelião humana afinal de contas. Porque o suicídio quando é produzido diretamente pelo pecado torna-se responsabilidade do pecador vide o exemplo de Judas.
_ é um assunto complexo. Como o filho daquele Pastor americano Rick Warren que tinha problemas mentais e se suicidou, esse eu acredito que houve perdão.
_ Sim, mas não cabe a nós julgar o suicida. Apenas buscar ajudá-los antes deles cometerem o ato. Nós só precisamos cumprir o ministério que Paulo diz que todo cristão verdadeiro possui: reconciliar os homens com Cristo para serem redimidos, para tanto devemos pregar o evangelho e viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Charles Chu diz:

“… A liberdade é certamente louvável, mas parece ser uma faca de dois gumes, já que a escolha excessiva pode levar à indecisão paralítica, a expectativas maiores, estresse e eventual insatisfação, culpa e arrependimento”.

Por isso há quem diga com seriedade, olhando para a nossa sociedade atual, “Isto está tudo errado. É preciso deitar fora e começar de novo”, mas apesar do objetivo generoso e voluntarista, não se dá conta da arrogância sutil de que é vítima. O mundo é como é, e se por acaso a existência não lhe agrada, ninguém lhe dará outra. Nem a natureza nem a humanidade lhe têm de prestar contas. Ninguém o nomeou sequer juiz, quanto mais proprietário da realidade. Tudo o que temos é dom, pois nascemos nus das nossas mães. Isso significa que uma gratidão fundamental é condição prévia para abrir os olhos todas as manhãs. Uma vontade empenhada de melhorar o que há por mais louvável que seja, pode fazer-nos esquecer esta verdade. Seria suficiente dizer que as qualidades morais básicas dos seres humanos também não mudaram com o tempo, e que não há razão para pensar que quaisquer melhorias no comportamento humano que tenham ocorrido façam parte de um padrão de progresso inevitável, e deve ser enfatizado que não houve nenhuma melhoria real.
Outro problema do relacionamento do homem com a sociedade está em um mundo onde ninguém ou quase ninguém acredita que mudar a vida dos outros seja importante para a própria vida […] os vínculos humanos se afrouxaram, razão pela qual se tornaram pouco confiáveis, o que torna difícil o praticar a solidariedade e a empatia, do mesmo modo que é difícil compreender suas vantagens e, mais ainda, suas virtudes morais.
Unida a esse problema está a sensação de incapacidade do homem atual em alcançar a solução almejada, conforme demonstra Bauman:

“A insegurança e a incerteza nascem, por sua vez, da sensação de impotência: parece que temos deixado de ter o controle como indivíduos, grupos e coletividade”.3

O que precisamos para fazer bom uso da liberdade que tem sido disponibilizada a nós é ter discernimento, sabedoria espiritual (em grego, diakrisis). Mas discernimento não pode ser dado a uma criatura velha, pq ela fará as mesmas escolhas erradas de sempre. É preciso que o indivíduo tenha “nascido de novo”, se tornado escravo do amor de Cristo e possua um caráter transformado por uma visão de mundo diferente, onde consiga perceber a existência de algo maior e melhor do que esta realidade desfigurada pelo pecado humano e ação dos demônios.


1- https://medium.com/@lucaspinduca/the-despicable-immaturity-9c7ba7be8e45
2- https://medium.com/@lucaspinduca/anguished-postmodern-man-needs-salvation-dc0999895d14
3- http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo – Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 75-90.
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Devocionais para não devotos (II)

Nós só amamos porque ele nos amou primeiro. – 1 Jo 4:19

O noivado é um evento muito especial! O casal decide se unir em casamento, para passar o resto da vida juntos. Essa é uma grande decisão, que vai mudar a vida dos dois.
O noivado é um compromisso mais sério que o namoro mas ainda não é casamento. O noivado é o tempo de preparação para o casamento, organizando as coisas para começar uma nova vida juntos. É um passo importante no relacionamento.

O amor foi banalizado em nossa geração e muitas vezes é uma palavra empregada com diferente conotação. No entanto, é importante perceber que não é o mundo ou a sociedade quem define o que é o amor. Uma vez que Deus é amor (1 Jo 4:8), e Deus é imutável, o amor legítimo terá sempre a mesma conotação, o próprio Deus. O que isto significa em termos práticos? Significa que tudo aquilo que é bom e tudo aquilo que é perfeito procede de Deus. Nunca compreenderemos o amor, até reunirmos as condições que torne possível experimentar Deus é a sua bondade no cotidiano. Este experimentar não é algo meramente empírico. O amor é o ponto de partida é o destino final da ação de todo cristão. Quando praticamos o amor então Deus nos é revelado a nós. O teólogo Arthur W. Pink definiu o amor como “a rainha de todas as graças”, portanto, quando nos encontrarmos numa encruzilhada onde teremos que optar entre o amor é qualquer outra coisa, façamos a escolha pelo amor.

O povo com seu senso comum insiste em ver o amor como sentimento, mas o que a Bíblia revela é que amar é uma decisão. A famosa frase de Cantares de Salomão mostra claramente isto: “desperte o amor até que queira”. A Bíblia também coloca o amor como mandamento. Se o amor fosse apenas sentimento não seria um mandamento.
Entretanto, é preciso que fique claro, que o amor de Deus, que é diferente do amor natural, ele é derramado em nosso coração no momento em que O Espírito Santo passa habitar naqueles que creem. Então, a capacidade de amar como Deus quer que ame vem do próprio Deus, que derrama com O Espírito Santo o amor em nossos corações.
O amor é a virtude primária do Fruto do Espírito Santo em nós. Então, para que pratiquemos este amor é necessário andarmos no Espírito e não andarmos segundo as concupiscências da nossa carne. Desta forma, amaremos, e não cederemos aos apetites carnais pecaminosos. É preciso também a renúncia aos sentimentos e desejos que se opõem ao amor de Deus para que possamos viver em amor. O amor como uma decisão deve insistir na prática do amor mesmo quando não sentimos o amor. O amor de Deus tem a característica de perseverar mesmo quando a ambiência não favorece. Deus é amor e aqueles que são nascidos dEle amam.

Muitos agarram-se ao texto bíblico que diz que o “amor jamais acaba” para justificar a manutenção de uma relação que já chegou aos seus limites. O amor jamais acaba como um dom, como uma manifestação da graça de Deus para com os indivíduos e dos indivíduos para com o seu próximo. Mas o amor conjugal precisa um pouco mais do que fé e determinação. Este amor precisa de manutenção e de um renovar contínuo dos elementos que o envolve.
Muitos casamentos chegam ao fim quando um casal deixa de ter um sonho em comum. Outras relações são desfeitas pelo abuso de uma das partes na relação. E ainda há o caso do amor que simplesmente deixou de existir, foi desgastado pelo tempo, pela mesmice. O que resta? O conformismo. A tentativa incessante de manter a relação por meio de aconselhamentos, encontros de casais, o medo de um Deus irado que lançará todos os divorciados no inferno.
A Bíblia nos dá espaço para pensarmos nas duas direções. A primeira do divórcio como algo irremediável. Esta era uma prática comum entre os judeus. A segunda é entender que embora esta prática fosse comum entre os judeus, ela não era o ideal de Deus para os matrimônios, mas Deus permitida devido a dureza do coração humano. O certo é que em ambos os casos há uma permissão divina ou uma prática religiosa que buscava absorver esta prática na comunidade sem acrescentar mais dores. E talvez você me pergunte: “Mas o que Deus uniu poderá separar o homem?” A minha resposta a esta pergunta vai como outra questão: “E foi Deus quem uniu este casal?” Acredito que a resposta será dada à medida em que este casal seja capaz de vencer seus obstáculos, manter a paixão e interesse um pelo outro, continuarem a ser sexualmente atraentes um para com o outro. Não sendo este o caso, continuaremos a ver mais e mais divórcios na igreja, a medida em que as pessoas vencem seus medos e seus tabus.
Não acredito que a normalização do divórcio seja a solução para a igreja, no entanto, nem tampouco é o absolutismo. A pós-modernidade trouxe ao ser humano o sentimento de ser livre, e de fato ele o é, portanto, o amor entre um casal para sobreviver terá que passar pelos testes da vida. O importante é não divinizarmos nem satanizarmos as relações, mas examinar cada uma delas à luz de seu contexto existencial e buscarmos formas não apenas de salvar o casamento, mas as pessoas envolvidas nele.

Na verdade o que importa é a percepção que temos da vida, da sua brevidade, da sua volatilidade e daquilo que realmente importa, o amor de Deus por nós. Toda a nossa busca pelo ser e pelo ter esta relacionada com a falta de entendimento do amor de Deus por nós. Pensamos que para ser aceitos precisamos deste ter e deste ser. O amor de Deus não trata-se de um amor qualquer, mais do primeiro amor: Nós amamos porque ele nos amou primeiro. – 1 Jo 4:19 – Primeiro quando? Desde sempre! Conforme a Escritura nos diz: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai…” (1 Pedro 1:2) – Portanto, o desejo de Deus é que possamos abandonar esta busca pelo ser e pelo ter e que possamos nos voltar para ele, voltar para o seu primeiro amor. Isto não significa que devemos abandonar nossas aspirações na vida, mas que nunca devemos fazer delas uma prioridade. Nossa prioridade deve ser amar a Deus, glorificá-lo, e gozar dele para todo o sempre.
Nossa cura na verdade depende disso, depende do nosso retorno para Cristo e para o seu amor. Seu amor é estável. Ele nos ama hoje o mesmo que nos amou ontem, e nos amará amanhã o mesmo que nos ama hoje. Portanto, pouco importa a nossa fina e curta existência neste mundo, o que importa é que sou amado por Deus, que aceitei ser amado por ele, aceitei responder ao seu amor. Como diz a Escritura: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu…” (Cânticos 6:3).

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Devocionais para não devotos (I)

A partir de hoje publicarei pequenos devocionais para quem a fé costuma falhar (e quem nunca né?).

Viver com sabedoria. Nós precisamos ter a visão de Deus. Temos de nos enxergar como pessoas preciosas ao Senhor. Contudo, para que passemos a nos ver como Deus nos vê, é necessário que tomemos algumas atitudes. Isso requer obediência, submissão da vontade, mudança do coração e um espírito brando e dócil. Quando João Batista viu a Jesus, sua reação foi: É necessário que Ele cresça e que eu diminua (Jo 3.30). Em vez de buscar novidades, devemos focalizar e rememorar os valores bíblicos antigos; cuja observação nos mostra consequências eternas. E cuja reflexão nos faz abandonar as nossas convicções meramente humanas, nos apresentando verdades e valores divinos. Então a coisa mais importante é que, vivendo com sabedoria você tornar-se-á autêntico, e não um crente profissional, mendigando bênçãos em troca de jejuns, medindo horas de orações por vitórias temporárias.

“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono…” (Romanos 13.11.)

Será que realmente tem importância aquilo que pensamos de nós mesmos? Sim, tem. Se pensamos que somos lixo, nossa tendência será a agir como lixo.
Algumas pessoas não conseguem ter amigos, porque estão convencidas de que não têm nada a oferecer-lhes.
Enquanto acharmos que não prestamos para nada, enquanto estivermos preocupados com o que os outros pensam de nós, teremos muita dificuldade em amar o nosso próximo e até mesmo a Deus.
Quando ficamos no quarto, nos lamentando, com pena de nós mesmos, nos aproximamos do nível perigoso de achar que não temos valor nenhum.
Mas não somos “um joão-ninguém”, sem lugar no mundo. Deus nos criou e fez de nós um ser muito precioso.

E se por um lado precisamos encontrar uma forma moderada e controlada de fazer tudo aquilo que o homem tenha condição de fazer, desde que seja controlado interiormente pela razão e a sabedoria, condições estas que farão do homem uma pessoa verdadeiramente equilibrada em todas as suas atitudes; por outro, a vida cristã verdadeira passa pela fé cristã de um verdadeiro caráter cristão que está unido ao Espírito Santo e aos irmãos pelo vínculo da paz.

Temos de permitir que Deus e sua Palavra consertem nossas falsas ideias. É impossível uma pessoa viver de maneira certa, se seus conceitos são errados. Não podemos praticar a verdade, quando acreditamos num erro.
É falso o conceito de que Deus se agrada de uma atitude de auto depreciação, que ela é parte da humildade cristã e necessária à nossa santificação e desenvolvimento espiritual.
A verdade, porém, é que a auto depreciação não é a verdadeira humildade cristã. Essa atitude acha-se em oposição a alguns dos ensinos básicos da fé cristã.
O maior mandamento é que amemos a Deus com todo o nosso ser. O segundo é que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. Não temos aqui dois, mas três mandamentos: amar a Deus, amar a nós mesmos e amar aos outros.
Se você amar a Deus, a si mesmo e aos outros estará cumprindo toda a lei de Deus (Mateus 5.43-48). Esse é o eterno princípio do triângulo – um amor correto para com Deus, por nós mesmos e por outras pessoas.
A pessoa que possui uma imagem própria baseada no que Deus diz, é mais saudável, em todos os sentidos, do que aquelas que têm uma imagem própria negativa. Foi assim que Deus nos criou, e se agirmos de modo contrário, não apenas estaremos seguindo um conceito teológico errado, como também correremos o risco de ser destruídos.

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12.3.)

Pensando com moderação, não iremos nem nos subestimar nem nos superestimar. É Satanás quem nos confunde e nos cega nessas questões, quando nos faz acusações: – Olhe aí, você está ficando muito orgulhoso…
Contudo a verdade é justamente o contrário. A pessoa que tem uma imagem própria negativa está sempre tentando se mostrar. Ela tem de provar que está certa, em todas as situações, tem de mostrar seu valor. E geralmente fica tão envolvida em si mesma, que se esquece do Senhor. Ninguém pode amar aos outros incondicionalmente, quando precisa ficar o tempo todo tentando provar seu valor próprio.
A autonegação não tem nada a ver com a humildade cristã, nem com a santidade. A crucificação do eu e a entrega pessoal a Deus não exigem uma autoimagem inferior, que é diferente do que o Senhor pensa de nós:

“Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida.” (Isaías 43.4.)

Precisamos entender que nosso senso de valor próprio deve vir de Deus. Temos de formar nosso senso de valor próprio a partir do que Deus diz, e não dos falsos reflexos que vêm das outras pessoas, do diabo e, até mesmo, do nosso passado. Temos de fazer uma escolha que definirá a nossa vida:

– Vamos dar ouvidos a Satanás ( e todos que ele usa para nos incomodar) e a todas as mentiras que ele nos diz, às distorções e às mágoas do passado que nos mantêm aprisionados por certos sentimentos e conceitos acerca de nós mesmos, que não são cristãos nem saudáveis? Ou buscaremos nosso senso de valor próprio em Deus e em sua Palavra?

Além disso, a sabedoria nos apresenta os riscos do excesso e sua inutilidade. Algumas vezes pode ser perigoso, outras, inútil. Ela não proíbe o excesso. Proibir é próprio da lei e não da sabedoria. A sabedoria orienta ao cuidado. Muitos excessos são lícitos, ou seja, não são proibidos. Contudo, podem não ser convenientes. Cabe a cada um julgar com sabedoria cada situação. Isso é bem do estilo no tempo da graça. Permitamos que Deus nos ame, e deixemos que ele nos ensine a nos amar a nós mesmos, e a amar aos outros. Desejamos ser amados. Queremos que Deus nos dê segurança, que nos aceite. E, aleluia, ele faz isso. Contudo, por causa da programação nociva que recebemos de outras fontes, temos dificuldade em aceitar esse amor. Aliás, isso é tão difícil, que talvez prefiramos continuar a ser como éramos.
Querido, eu o desafio neste momento a iniciar esse processo de restauração, para que possa erguer bem alto sua cabeça, como filho ou filha de Deus.

Que Deus o abençoe hoje e sempre.

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FELICIDADE DOS MANSOS.

via FELICIDADE DOS MANSOS.

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O homem pós-moderno angustiado precisa de salvação

Segundo a Wikipedia, podemos chamar de angústia a forte sensação psicológica, caracterizada por “abafamento”, insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. Na moderna psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos. A angústia é também uma emoção que precede algo (um acontecimento, uma ocasião, circunstância), também pode-se chegar a angústia através de lembranças traumáticas que dilaceraram ou fragmentaram o ego. Diferentemente do medo ou da ansiedade, que são experimentados pela maioria das pessoas, a angústia acomete menos de 50% da população. À luz do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), a psicóloga Marília Dantas, da Universidade Estácio de Sá, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, traduz o mal-estar: “O ser humano sente desamparo, incerteza, falta de controle diante da liberdade de decidir. Optar por um caminho significa correr riscos, abrir mão das alternativas. Isso é angustiante”.1

Angústia pode causar um sentimento de vazio. Fazer sentir conflitos diante das inúmeras possibilidades de escolhas no dia a dia e questiona o sentido de existir. Em casos extremos, essas pessoas são dominadas pela introversão. Elas perdem a capacidade de análise, de lidar com o cotidiano, de interagir socialmente. Podendo ficar paralisadas. Recentemente, a série americana “13 Reasons Why”2 levantou polêmica parecida porque dissecava os motivos do suicídio de uma jovem adolescente que se mata após uma sequência de episódios de bullying e frustrações.3

Cláudio Naranjo4 diz que “É normal não encontrar sentido na vida quando se está muito condicionado pelo mundo”.

E Shelley Prevost explica porque:

“Nossa sociedade reduziu o sucesso a uma lista de itens a serem preenchidos: formar-se no colégio, conseguir um(a) companheiro(a), ter filhos, sossegar num caminho profissional bem definido e ficar ali até que  os cheques da aposentadoria comecem a chegar. Esse caminho bem costurado coloca as pessoas na direção do conformismo, não do propósito. Estamos tão ocupados evitando medos auto-impostos de não sermos suficientemente (preencha aqui alguma qualidade) –  espertos o suficiente, criativos o suficiente, bonitos o suficiente – que raramente paramos e nos perguntamos “ estou feliz e satisfeito? E se não, o que eu deveria mudar?”5

Olhemos para este angustiado pós-moderno (um suicida em potencial?), apesar da sua não preocupação com a salvação, como todos os homens e mulheres do presente sofre as dificuldades da vida do Mal-Estar da Pós-Modernidade6, com suas incertezas existenciais, pois tudo ao redor parece mudar incessantemente, não lhe permitindo ter um projeto de vida, mas vivendo apenas o instante, com o medo de ser enviado ao depósito de lixo, buscando proteção no fechamento em si mesmo. Pode-se inferir que o fechamento do indivíduo em si mesmo, longe de protegê-lo, apenas faz com que aumente sua insegurança e medo. Ver-se-á adiante que a solução para esse e outros problemas do homem presente se dá na abertura para Deus e para o próximo, único modo de, ainda em vida, poder obter a salvação que muitas vezes se ignora precisar.

O homem pós-moderno, nos diz Bauman, vivendo apenas para o instante, “não deixa espaço para inquietações sobre qualquer outra coisa senão o que pode ser, ao menos em princípio, consumido e saboreado instantaneamente, aqui e agora. A eternidade é o óbvio rejeitado”. E prossegue dizendo: “A vida líquida é uma vida de consumo […]. O lixo é o principal e, comprovadamente, mais abundante produto da sociedade líquido-moderna de consumo”; desse modo, “para os que vivem na líquida sociedade moderna, a perspectiva de ‘viver-para-o-depósito-de-lixo’ pode ser a preocupação mais imediata”, e assim “a vida na sociedade líquido-moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser jogado no lixo”. Consequentemente, a sociedade líquida “milita contra o sacrifício das satisfações imediatas em função de objetivos distantes e, portanto, contra a aceitação de um sofrimento prolongado tendo em vista a salvação na vida após a morte”.
Se, por um lado, o homem líquido se vê numa situação angustiante, por outro lado ele ignora a solução para sua angústia, pois não consegue ver além do instante presente.
Essa sociedade líquida exclui “a possibilidade de uma segurança existencial coletivamente garantida e, em consequência, não oferece incentivos para as ações solidárias; no seu lugar, motivam seus destinatários a centrarem-se na própria proteção pessoal ao estilo do ‘cada um por si’”. Bauman aponta ainda que o empenho em concentrar a atenção na criminalidade e nos perigos que ameaçam a segurança física dos indivíduos e de suas propriedades está intimamente relacionado com a ‘sensação de precariedade’, e segue muito de perto o ritmo da liberalização econômica e da consequente substituição da solidariedade social pela responsabilidade individual.
Lembrando que a pós modernidade considera a comunidade cristã, a igreja, um mero apoio a sua verdade individual. Ou seja, o homem torna-se homem apenas nos relacionamentos sociais, uma vez que seu desenvolvimento é influenciado pela cultura em que é criado.

Mas o  problema começa quando você estende esse processo, imaginar como deve agir em relação aos outros, e inclui algo tão pessoal quanto o propósito da sua vida. Algumas pessoas tem nossa confiança e a capacidade de nos ajudar a encontrar nosso real propósito. Mas a maioria das pessoas, mesmo as bem intencionadas, escolhem muitas vezes nos colocar dentro de compartimentos que fazem mais sentido para elas. Para ganhar a aprovação delas, nós nos dispomos a entrar dentro do compartimento. Para manter a aprovação delas, você aprende a negar seguidamente quem você é. Não sem angústia ou um forte sentimento de não realização pessoal, frustração mesmo, porque estou vivendo o roteiro de outra pessoa.7

Logo, o problema do relacionamento do homem com a sociedade está em um mundo onde ninguém ou quase ninguém acredita que mudar a vida dos outros seja importante para a própria vida […] os vínculos humanos se afrouxaram, razão pela qual se tornaram pouco confiáveis, o que torna difícil o praticar a solidariedade, do mesmo modo que é difícil compreender suas vantagens e, mais ainda, suas virtudes morais.
Unida a esse problema está a sensação de incapacidade do homem atual em alcançar a solução almejada, conforme demonstra Bauman: “A insegurança e a incerteza nascem, por sua vez, da sensação de impotência: parece que temos deixado de ter o controle como indivíduos, grupos e coletividade”.8
Está claro que o homem pós-moderno, angustiado, precisa de salvação? De si mesmo, do mundo, dos outros. Uma salvação além da ruína espiritual em que toda a humanidade se encontra.

No mundo grego antigo, o termo salvar implica tirar algo ou alguém de um grave perigo. Também pode significar o curar de uma doença ou proteger algo de sua destruição. No uso religioso, o termo salvar pode apresentar tanto a noção de resgate dos perigos da vida, quanto a de preservar as coisas de perecer.
No Antigo Testamento, segundo a versão da Septuaginta, o termo grego σῴζω aparece no lugar do termo hebraico ישע (salvar, ajudar, libertar) e o termo σωτηρία é usado para os derivados do mesmo termo hebraico. O verbo ישע, no Antigo Testamento, significa em primeiro lugar ter espaço, pois ser levado a um lugar mais espaçoso remete à ideia de libertação. Os substantivos advindos desse termo hebraico compreendem tanto a libertação quanto o estado de salvação que se segue. No livro de Juízes, há um ser superior que traz libertação a um inferior através de uma intervenção: “quando os sidônios, Amalec e Midiã vos oprimiam, e vós clamastes por mim [Deus], não vos salvei das suas mãos?” (Juízes 10, 12). Em Isaías, toda salvação que não provém de Deus é limitada e por isso o povo de Israel deve esperar a salvação de Deus e não de outra coisa qualquer. Deus aparece como o verdadeiro herói e juiz que salva seu povo, enquanto que os ídolos e astrólogos não são capazes de salvar (cf. Isaías 45, 20; 47, 13 e Deuteronômio 33, 29). Por isso o povo de Israel deve pedir a Deus que o salve dos males da injustiça, da violência, das enfermidades, das prisões, dos ataques jurídicos e dos ataques externos. Também se frisa a ideia de que para ser salvo por Deus é preciso confiar em Deus (cf. Salmos 22, 5; 37, 40). Se há alguma salvação humana, ela passa antes por Deus, fonte de toda a salvação.
No Novo Testamento, a salvação também é usada no contexto de cura de uma enfermidade (cf. Atos 4, 9; 14, 9), porém se estende a algo além do âmbito físico, como quando Jesus diz à pecadora que a sua fé (dela) a salvou (cf. Lucas 7, 50). Cabe notar aqui que o próprio nome de Jesus é ligado à salvação, como aparece no Evangelho de Mateus: “Tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1, 21). O termo σωτήρ, por sua vez, remete ao Messias, como consta na Boa Notícia anunciada pelos anjos aos pastores de Belém em Lucas 2, 11.27 No Evangelho de Marcos, vemos a menção de uma salvação escatológica além da simples vida terrestre: “Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas, o que perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, irá salvá-la” (Marcos 8, 35). Nas epístolas de Paulo há uma clara preocupação pela salvação (cf. Romanos 10, 1) e se transmite a ideia de que homens, dentre os quais o próprio Paulo, podem colaborar na salvação de outras pessoas (cf. Romanos 11, 14; I Coríntios 9, 22). Enfim, temos o termo σωτήριος o qual aparece na carta a Tito (cf. Tito 2, 11) em que a salvação não é vista de modo restritivo, e sim aberta a todos os homens. Além disso, o livro do Apocalipse retoma o tom veterotestamentário de vitória ligado ao conceito de salvação, no qual os vencedores confessam que a salvação provém de Deus (cf. Apocalipse 7, 10).9
Vemos até aqui que o homem, de qualquer época, tem, em algum momento da vida, alguma relação com a noção de religião, seja ela favorável ou não. Se por um lado, como investiga Pascal Boyer, ter um cérebro normal humano não implica que alguém tenha uma religião, mas apenas que pode adquirir uma10, por outro lado, essa capacidade de aderir a uma religião faz com que todo homem, e não apenas o religioso, se depare com a noção de religião e salvação, mesmo que, às vezes, somente de modo implícito, isto é, sem pensar de modo claro e distinto nas palavras salvação ou religião. Assim, temos que “a religiosidade, portanto, é inerente ao ser humano enquanto crer que a vida tem um sentido, e quem o busca, já é de algum modo ‘religioso’, mesmo sem religião”.
O livro dos Atos dos Apóstolos descreve a preocupação deste homem religioso com sua salvação individual quando o carcereiro pergunta a Paulo e Silas:
“Senhores, que preciso fazer para ser salvo?” (Atos 16, 30), ao passo que eles respondem:
“Crê no Senhor e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16, 31), mostrando que a salvação não deve ficar restrita apenas ao carcereiro, mas que ela atinge ainda outras pessoas. Além disso, pode-se supor nessa passagem um movimento no carcereiro de “uma noção puramente física de salvação ou cura para o conceito de salvação tornado possível através da morte e ressurreição de Jesus Cristo”.
Do ponto de vista antropológico, o homem, desde longa data, percebe-se aquém da felicidade plena que deseja, depara-se com o mal no mundo e constata que precisa de uma salvação para sair dessa situação e alcançar seu fim adequadamente. Todavia, ele também percebe que não é capaz de se salvar sozinho, pois se percebe limitado. Tal situação é captada pela frase de Agostinho no seu livro Confissões: “porque [Deus] nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós”11. A tradição teológica ocidental também expõe essa visão acerca da salvação, como se pode ver no livro dirigido por Sesboüé:

“Mas em que consiste a salvação? Comporta, sem a ela se reduzir, à libertação de uma situação global de pecado que afeta a humanidade, situação vinculada à falta de Adão”12.

Disso decorre uma necessidade de salvação para todo e qualquer homem vinculado à falta de Adão: O homem pecador está numa situação de necessidade radical de salvação. O homem criado, de algum modo, já estava nessa situação, pois não podia realizar seu fim, a comunhão com Deus, por suas próprias forças. Ele tinha necessidade da iniciativa gratuita pela qual Deus lhe daria essa comunhão de vida e de amor. Temos assim, sob essa ótica antropológica, o homem que precisa de salvação. Do ponto de vista teológico, como já vimos na análise do conceito salvação nas Escrituras, temos Deus como fonte de toda salvação. Desse modo, o homem que se afasta de Deus, se afasta justamente da própria salvação, mantendo-se no estado de inquietude sem os meios de sanar seu problema. Para sair desse estado, o homem precisa do arrependimento de suas faltas que é, segundo Deus, o que leva à salvação estável (cf. 2 Coríntios 7, 10).
E, sobre a angústia humana e como curá-la, até que ponto a rica simbologia de celebrações da fé cristã, a confiança no amor gratuito de Deus, a abertura ao dom da sua misericórdia etc., não têm influência favorável na saúde psíquica? E de maneira mais geral, a religião tem uma função terapêutica? Penso que as respostas a estas perguntas merecem um aprofundamento maior. Não deveriam ser deixadas de lado por uma teologia preocupada com a libertação do ser humano inteiro, em todas as suas dimensões.
E uma pergunta que deve ser feita aqui é: a fé cristã ajuda o angustiado homem pós-moderno a viver melhor? A fé cristã ajuda a superar a angústia existencial das pessoas próximas de nós? Não há dúvida de que precisamos nos situar em sintonia com a sensibilidade do homem e da mulher na pós-modernidade. Ou teremos que dar razão aos críticos da racionalidade moderna, unilateral e objetivista, que denunciam, constantemente, a dureza da investigação exegética que tem tornado a Palavra de Deus algo árido, frio, desprovido de amor e cuidado com o próximo, o que a faz inassimilável existencialmente. Claro que não estou pedindo para sufocar o texto bíblico com psicologia e filosofia humanista, mas para continuar no mesmo espírito pelo qual nos foi dada a revelação: para que todos sejam um em Cristo Jesus, saudáveis e completos. Salvos, na melhor acepção da palavra.

 

1-https://saude.abril.com.br/bem-estar/angustia-e-doenca-e-tem-cura/
2-https://pt.wikipedia.org/wiki/13_Reasons_Why
3-https://noticias.r7.com/prisma/coluna-do-fraga/alerta-para-risco-de-suicidio-lesao-autoprovocada-atinge-82-mulheres-por-dia-no-brasil-e-avanca-200-na-decada-27122017
4-https://pt.wikipedia.org/wiki/Claudio_Naranjo
5-Sobre a Shelley – https://www.linkedin.com/in/shelley-prevost-a8521428/
6-Livro de Bauman escrito em 1997.
7-Idem ao 4
8-http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo – Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 75-90.
9-idem ao 8.
10-Cf. BOYER, Pascal. Religion explained: the evolutionary origins of religious thought. New York: Basic Books, 2001, p. 4.
11-AGOSTINHO. Confissões. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1999, parte 1, livro 1, capítulo 1, p. 37.
12-SESBOÜÉ, B. (org.). História dos dogmas: tomo 2. O homem e sua salvação. São Paulo: Loyola, 2003, p. 168.

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