O quê você sabe que não está certo?

A vida parece uma invenção, mas é a invenção que tem que parecer verdadeira não é mesmo?
E não, não tem nada de errado com você, com a sua intensidade, com a sua entrega, com a sua verdade, com o seu coração gigante e a sua mania de confiar nas pessoas. não tem nada de errado em ser real, em ser de verdade, em ser honesto. O mundo precisa de pessoas como nós. As pessoas estão procurando mentores em todos os lugares. Apenas tome cuidado ao levar seu lixo para a rua, isso poderia fazer muitos pensarem que você também pode levá-los à luz.
E somente faça uma reflexão apenas se desejar agir após, pois “O que foi pensado apenas uma vez não pôde ser apagado” segundo Borges. Por isso cuide melhor dos seus pensamentos. Dá muito trabalho depois organizar, abstrair e esquecer certos detalhes e coisas. Enfim, tudo deve ser dito. Krahe* disse uma vez: todas as gerações ressuscitam seu passado. Mas os sátiros, e eu me considero um sátiro, quero dizer, satírico, sempre temos algo a dizer, embora o que eu esteja realmente pensando eu não diga, porque eu posso acabar na fogueira. Parece que todos nós temos um eu-satírico não é mesmo?
Quando olhamos uma pessoa completamente secular, alguém cuidadosamente educado para estar aberto a todas as verdades e comprometido com ninguém, esta pessoa anseia pela certeza e segurança de uma crença. É quando precisamos reconhecer que todo o glamour e capacitação do mundo não podem nos capacitar a usar seu poder para nossos próprios fins. “Você não pode servir a dois senhores”, disse Jesus. Podemos encobrir as nossas escolhas com caprichos e ofuscação, em histórias fantásticas de destinos e capacitação pessoal, mas, no final, precisamos dar uma resposta e não há meio termo.
E lembre-se, a busca que move um povo e dá sentido a tudo o que fazem no mundo é sempre por uma verdade. É a sina humana de inventar relatos que busquem explicações, mesmo que provisórias, para aliviar a carga de nossa imensa ignorância a respeito do mundo. É claro que alguns de nós contamos essas histórias mais explicitamente do que outros – a identidade narrativa de alguém pode ser uma história (mal) formada no limiar da sua consciência, enquanto outra pessoa pode literalmente escrever seu passado e futuro em um diário ou um livro de memórias.
É nesta busca de explicar e preparar uma plataforma para se projetar para a frente, que a psicanálise nos mostra como o presente ressignifica o passado, ou seja, é olhando para trás que o sujeito supera as contingências do tempo em que surgiu. E se isso não acontecer? “Em breve, nem seremos capazes de entender os livros do passado”, Cécile Wajsbrot nos lembra que a monstruosidade atual não consiste em olhar para trás, mas em desprezar o passado. Maximizando a questão, a problemática atual não é culpa nem do fascismo, nem do comunismo, nem nada indexado. É apenas nossa recusa em compartilhar e aprender. Posso crer que ao chegar neste ponto o antropocentrismo falhou.
Eticamente a civilização é um equilíbrio e tensão entre os instintos primitivos dos homens e as inibições de um código moral. Sem as inibições, os instintos destruiriam a civilização, sem os instintos as inibições destruiriam a vida. O problema está em ajustar as inibições protegendo a civilização sem enfraquecer a vida. Nelson Rodrigues já nos alertava para isto: “O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias”. Tudo parece bem encaminhado para nos fazer ultra tolerantes, pacíficos e empáticos desprovidos de instintos. Mas se você é inofensivo, você não é virtuoso, você é apenas inofensivo, você é como um coelho; um coelho não é virtuoso, não pode fazer nada além de ser comido! Isso não é ser virtuoso.** Em resumo, ainda há vida na tradição inaugurada na Idade Média de juntar ferocidade e mansidão. Mas a manutenção desta vida depende de reconhecer que o temperamento cavalheiresco (a bravura e autocontrole coexistindo) é arte, não é natural, algo que deve ser atingido, não algo que devemos confiar que aconteça. E este reconhecimento é especialmente necessário à medida que avançamos na democracia. Em séculos passados os vestígios do cavalheirismo foi mantido vivo por uma classe especializada, por meio da qual avançou para outras classes em parte por imitação em parte por coerção. Agora as pessoas devem ser cavalheirescas por sua própria iniciativa, ou então escolher entre as alternativas restantes de brutalidade ou covardia. Por exemplo, o Aquiles de Homero não sabe nada sobre a demanda de que o bravo também deveria ser modesto e misericordioso. Este é, de fato, parte do problema geral de uma sociedade sem classes, o que é muito raramente mencionado: será seu ethos a síntese do melhor em todas as classes ou uma fossa com os resíduos de todas e as virtudes de nenhuma?***

Os pesquisadores da Denison University, em Ohio, afirmam: “Nossas descobertas sugerem que a experiência de alguém revisar sistematicamente a sua vida e identificar, descrever e relacionar conceitualmente capítulos da vida pode servir para aprimorar o ser, mesmo na ausência de aumento da claridade de autoconceito e significado”.****
Segundo Sartre, o ser para si “não é o que é e é o que não é”, isto é, que ele é livre ou que sua existência precede sua essência, e ao possuir uma identidade que para ele não é definitiva, o ser não está pronto de uma vez por todas. Ou melhor: Eu não sou eu mesmo, eu me torno isso, faço a mim mesmo com cada uma das minhas palavras ou minhas ações. Ser para Sartre significa estar em construção, ser um projeto. Ora, aquilo que o humano é, o é em cada época definido por oposição/relação – àquilo que o humano não é, ao não humano. Nessa definição do humano, a comunicação sempre assumiu, ao longo da história, um papel essencial.
A fala, porém, acabaria por somar-se à força como instrumento de dominação do homem pelo homem. A fala dos mais velhos, a fala dos mais sábios, a fala dos mais brutos, a fala sutil do mais moço e mais fraco que aprendeu a contrapor a esperteza à sabedoria e à força bruta.*****
Parece até que voltamos aos primórdios da raça humana quando os vícios constituíam uma virtude porque pareciam indispensáveis para a sobrevivência da mesma. Mas onde “O condicional foi deliberado, o reino da terra é dos que têm o talento de pôr o não a serviço do sim, ou que, tendo sido autores de um não, rapidamente o liquidam para instaurarem um sim.” – José Saramago.
Mas o quê você sabe que não está certo? Eu sei que poderia viver um pouco mais e melhor sem medo. Apenas comprando um cafezinho para alguém somente para começar uma deliciosa conversa. Afinal, eu preciso de novos argumentos, sou um contador de histórias não sou? E preciso aceitar que a dor e o sofrimento são uma parte inevitável da vida e usar essa aceitação para lidar com pensamentos e sentimentos negativos. Além disso, pessoas incríveis deixam marcas saudáveis. Amizade ainda é um tipo barato de cura para os nossos dias.

*https://elpais.com/ccaa/2016/12/08/madrid/1481226905_898082.html
**tYlxupUH8N
***https://t.co/SXTnew98DK?amp=1 ****https://www.nexojornal.com.br/externo/2019/04/13/Para-impulsionar-a-autoestima-escreva-cap%C3%ADtulos-da-sua-vida? ***** https://oficinadopinduca.wordpress.com/2012/09/07/a-persistencia-da-mensagem-divina-ao-longo-dos-tempos-2/

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Devocionais para não devotos (VIII)

Os festejos de momo terminaram.
Agora todos eles acham que são tão diferentes, mas até a pouco tempo com aquela música tocando, eles estavam todos dançando. Eles achavam que ninguém mais estava divertindo-se tanto quanto, mas todos estavam fazendo a mesma coisa. No fundo, eles estão todos desesperados pela mesma coisa, que é aceitação e ser parte de algo maior, importante e duradouro novamente. Se ao menos pudessem tirar um minuto para dizer isso a quem realmente pode realizar algo sobrenatural e real ao mesmo tempo! Mas eles não vão conseguir sozinhos e essa é a nossa obrigação: ajudá-los a ver se talvez um dia eles descobrirão e possivelmente se salvarão libertando-se do mundo.

Houve uma vez, quando os setenta e dois voltaram e vieram muito alegres e disseram a Jesus (Lucas 10.17-20):

— Até os demônios nos obedeciam quando, pelo poder do nome do senhor, nós mandávamos que saíssem das pessoas! Jesus respondeu:
— De fato, eu vi Satanás cair do céu como um raio. Escutem! Eu dei a vocês poder para pisar cobras e escorpiões e para, sem sofrer nenhum mal, vencer a força do inimigo. Porém não fiquem alegres porque os espíritos maus lhes obedecem, mas sim porque o nome de cada um de vocês está escrito no céu.

Jesus nos ensina algo importante aqui: Não se perca no emaranhado de novidades superficiais que nos conduzem ao orgulho, covardia e falsidade.
Nós nos gloriamos na cruz mas simplesmente pela cruz? Onde está o amor a Cristo pelo Cristo? A glória de servir é a maior prova que o cristão novo pode experimentar ao se libertar do homem velho.
Você pode ir à igreja todos os domingos, mas se você não ama os outros como Jesus amava os outros, você é a razão pela qual as pessoas que não acreditam em Jesus não vão à igreja. Porque tornar-se um servo envolve um estilo de vida em que o próximo vem antes de nós mesmos. Ao contrário de ser orgulhoso que é simplesmente ser cheio de si; que tem um senso de valor próprio superestimado e uma atitude de “ser melhor que os outros”. Preciso dizer que todo orgulhoso superestima sua reputação e integridade (caráter) não é reputação. D. L. Moody diz que o caráter é o que o homem é na obscuridade, quando está sozinho. Infelizmente nossa geração acha difícil distinguir caráter de reputação e isto é tudo o que vale hoje em dia: ter uma reputação. Ser o “tal”, o “cara”. Será preciso lembrar que a concretização dos nossos sonhos depende mais da nossa integridade do que da nossa reputação? No livro de Provérbios lemos que “A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói.” (Provérbios 11:3). Seu caráter é tudo o que você é na sua intimidade e ninguém sabe, suas atitudes repetidas diariamente e que moldam sua personalidade, sua marca pessoal, o “sinal” que o distingue dos outros e pela qual o individuo define seu estilo, a sua maneira de ser, de sentir e de reagir. Ou seja, o caráter não apenas define quem você é, mas também descreve o seu estado moral (leia Provérbios 11: 1-31 e veja o que estou dizendo). Visto pela fé cristão é o homem que foi até à cruz e ao chegar até ela negou a si mesmo, e renunciou ao mundo, seguindo o cordeiro de Deus que foi imolado sob o aguilhão da dor mais pungente que uma criatura pode sentir. O verdadeiro cristão sente nos ombros o peso da cruz de Cristo, caminha combalido com o magnetismo do seu amor, sonda o seu íntimo e sobressalta-se com a doçura de um mel que lhe serve de bússola fiel para seguir os caminhos de uma vida de credibilidade; sua alma regozija agora porque é uma pobre criatura sedenta de uma inabalável fé que o coloca de joelhos submetendo todo o seu corpo, todo o seu espírito e a sua inteligência à prova última que é o reconhecimento do amor de Cristo.*
Mas não é sempre que ouvimos estas histórias da vida real contadas nos noticiários e podemos ver ou sentir esperança. Por isso nos voltamos muitas e seguidas vezes para aquilo que pode nos acalmar ou trazer um pouco de conforto e esperança. Manifestações artísticas, principalmente aquelas mais bem elaboradas, espelham o nosso mundo mas não permitem nos tornar apenas contempladores ou nos alienar dos acontecimentos. Numa sociedade que não está disposta a enxergar sua própria violência, corrupção e problemas somos forçados muitas vezes a reconhecer e rever certos valores. Somos responsáveis por aquilo que acontece em nosso redor e não podemos usar bálsamo de nenhum tipo para nos eximir disso.
Se, segundo Sartre, somos condenados a liberdade, somos também hoje, ao desejo. Como definição o desejo é sempre por algo que não se tem. Com o advento da velocidade incessante tornamo-nos mais consumidores que cidadãos, segundo Bauman, a medida que desejamos o que não temos. Portanto, cada vez mais, nossas escolhas estão ligadas ao consumo, não ao que já nos pertence. Instiga-se o consumo a partir do desejo de maneira não reflexiva. Ao tornar tudo objeto, ao coisificar o mundo (Conceito Heideggeriano que também criticava a racionalidade dessa ação), torna-se objeto de desejo e, por consequência, tudo se torna descartável, supérfluo, a medida que ao possuirmos a coisa que desejamos não a desejamos mais. O desejo está fora de si e, ao possuir, desejamos outra coisa, alimentando a velocidade do mundo.
Assim se constituem as relações no mundo fluido. A constituição de família, relações amorosas, e todas as coisas antes rígidas hoje são líquidas, pautada no desejo e no medo do fracasso, entregues a velocidade da modernidade. Pense, por exemplo, na ideia do casamento. No mundo sólido era concebido como algo eterno, hoje é natural que acabe depois de alguns anos. A ideia de Família, portanto, mantém sua essência, mas mudou sua forma. Em tempos líquidos, nada é feito para durar!
Tenhamos sempre em mente, quem peca é aquele que não faz o que foi criado para fazer. Será que fiz o que Ele me criou para fazer? Reflexão que não me impulsiona a agir é perda de tempo. Não quero entender nada. Quero acreditar, mas não posso ter certeza, apenas posso agir e confiar que Deus me terá em sua Glória e sei que Ele agora está sorrindo.

* citação de @johnpfinch
** http://www.dm.com.br/opiniao/2017/04/nos-autem-gloriari-opportet-in-cruce-domini-nostri-jesus-cristi.html

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Pensando em começar uma jornada?

Segundo Bob Pierce*, nós devemos ter cuidado com aquilo que pensamos porque serão transformados em palavras e estas nortearão nossas ações que se tornarão hábitos conforme agimos e estes hábitos serão a base do nosso caráter. Tudo o que seremos, fazemos, sentimos e desejamos são baseados no que acreditamos, idealizamos e refletimos. Nosso caráter pode definir o nosso destino.

Ora, uma jornada de mil milhas começa com um único passo, mas mesmo antes disso começa com uma decisão. Nós devemos ser livres para dar esse primeiro passo. O que mais?
“Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito ”
Aristóteles considerava as virtudes como habilidades, aquelas que nos esforçamos para aperfeiçoar em nossas vidas. Ser virtuoso era incorporar uma excelência em uma área específica, como coragem, temperança ou amizade. Fazê-lo uma ou duas vezes não era suficiente, você tinha que tornar isso um hábito para realmente incorporar a virtude.Pessoas virtuosas são aquelas que não correm por aí como Chicken Little agindo como se o mundo estivesse desmoronando sobre elas. E sabem porquê? Elas já esperam que muitas dessas tentativas de aprendizado venham com ondas de frustração, ou com um fundo falso, com um tapete puxado debaixo delas, e algumas vezes até contam com um salto/sola do sapato que cairá. Mas alguns continuam sem esperar serem resgatados antes de completarem sua jornada pessoal de aprendizado. Sabem que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira. Não existe nada mais humano, demasiadamente humano que isso.

Bem, o que aprendi ao não desistir é que realmente há luzes no final dos túneis escuros. Às vezes, essa luz está apenas aprendendo a resiliência. A parte B disso é que há recompensas que talvez não tenhamos a experiência (ainda) de prever, simplesmente porquê uma visão de mundo é um pressentimento de como as coisas devem funcionar, um conjunto de suposições sobre as limitações e a natureza do mundo que permite que alguém entenda (ou pelo menos acredite entender) por que as coisas funcionam da maneira que fazem. Agora, quando se trata de um teste de matemática, todas as informações já estão lá. Você só precisa usar seu conhecimento existente para conectar esses objetos de uma maneira que crie uma determinada resposta. Há algo que está claramente certo; há algo que está claramente errado. Em uma atribuição criativa, apenas algumas das informações estão lá, mas você ainda precisa usar seu conhecimento existente para conectar esses objetos, e isso cria uma distinção importante: A falta de informação significa que não há resposta certa. E que você deverá buscá-la onde estiver. Esta é uma das razões pela qual a linguagem literal se esforça para capturar plenamente a nossa experiência vivida: em muitos aspectos a vida é movimento. Ela flui de forma dinâmica, e o faz de uma forma que não pode ser capturada pela rigidez de palavras convencionais que têm significados específicos em relação a outras palavras com significados mais abrangentes. Você pode ser capaz de proferir a frase: “Eu vou caminhar até a cozinha para pegar um copo de água”, e essa frase pode lhe fornecer a utilidade para comunicar para o que você está dirigindo sua atenção, mas ela erra tudo o mais que ocorre em seu campo de consciência quando você se levanta para pegar aquele copo de água. Adicionar mais sentenças pode fechar algumas dessas lacunas, mas não importa quantas frases você adicione, a lacuna, por menor que seja, sempre estará lá. Então estar atento e sóbrio pronto para aprender fará toda a diferença. A mente humana, minha ou a sua, pode ser um lugar desolado, um deserto de apatia e passividade na maioria das vezes. Também pode ser uma lixeira para tudo e qualquer coisa que aconteça atingir nossos interesses e desejos… ou pelo menos nos excitar o suficiente para experimentar, usar e descartar em uma pilha crescente de distrações, emoções e diversões temporariamente satisfatórias. Mas faça o teste: conte quantas vezes por dia você consulta o celular. Mais de 50 vezes? Acha normal? Aliás, quantas horas do dia você está perdendo encalhado nos feeds do Facebook, entre memes, vídeos e textões, e conversas frenéticas no Whatsapp, entre mensagens de texto, mais vídeos e intermináveis áudios? Em poucas palavras, controlar e, aos poucos, nos afastar das redes sociais é ganhar tempo para si mesmo e, consequentemente, resgatar a saúde mental. Uma mente com bem menos ruídos e informações pensará muito melhor. A mente humana também pode ser vibrante, reverberando com o profundo prazer de intrigantes idéias, pessoas, experiências e emoções. Por isso a melhor decisão que já tomei, porque afeta todos as outras, foi tornar o aprendizado um dos principais motivos para acordar todos os dias e durante todo o dia. Dessa forma, estou sempre em algum lugar no processo de descoberta de uma variedade cada vez maior de pontos de vista. Isso é realmente interessante: meu poder de visão (e discernimento) é constantemente renovado quando escolho ser um indivíduo interessado, ensinável e observador. E a não ser que você tenha nascido um iluminado, o que neste caso não estaria lendo esse blog, as chances de você não gostar ou não ter gostado do seu lado obscuro são de 100%. O trabalho de conhecer e aceitar e crescer com o próprio lado sombrio é geralmente uma consequência do trabalho esmerado e profundo sobre si mesmo. Esta sombra é como definiu Carl G. Jung:
“A sombra é o lado da sua personalidade que você não quer que os outros vejam. Representa suas deficiências, suas falhas, suas motivações egoístas. A maioria de nós evita isso antes que qualquer um possa ver. Mas há uma coisa: a parte de você que é a mais escura tem a maior quantidade de coisas para lhe ensinar sobre seu propósito. Se descobrir seu propósito é realmente sobre auto-conhecimento, sua escuridão lhe mostra onde você mais precisa crescer. Mais importante ainda, mostra de quem você mais precisa aprender. É das pessoas que você menos gosta que você tem mais a aprender sobre si mesmo. Mas a maioria ignora o lado sombrio. Em vez disso, você busca relacionamentos confortáveis que reforcem as imagens gastas e obsoletas de si mesmo.”
Lembrando aqui aos cristãos, que a capacidade de achar bênçãos no meio do caos é um reflexo de Romanos 8:28: “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.” Isto significa que mesmo no meio de muita coisa má, há sempre algo digno de ser louvado. Encher a mente de coisas boas não significa viver em negação. Antes significa que é sempre possível encontrar algo bom. A alegria andará sempre a par com a tristeza e com as dificuldades, pelo menos nesta vida. Quando encontrarmos Cristo, aí sim: tudo será alegre. Até lá, devemos procurar o que é certo, as bênçãos. E achando as bênçãos mesmo no meio de um cenário triste, vamos encontrar a alegria. Aquela alegria que invade o nosso coração de paz. A paz de Cristo.


* https://g.co/kgs/KaidyH

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‘Takeaway’

Janeiro é o mês dos recomeços ou das novas empreitadas. E encontrar respostas significativas para os nossos problemas nem sempre é muito fácil não é mesmo? Muitas pessoas vivem em busca de um manual correto do bem viver, no entanto, nós cristãos sabemos que não existe nenhum manual maior ou melhor que o Modelo Vivo descido dos céus. Já que os ensinos de Jesus desvendam aos nossos olhos todo o mal existente no mundo e são eles também uma fonte de sabedoria e refrigério para o nosso dia a dia.

Ora, se já sabemos que no mundo teremos aborrecimentos e dores, sofrimento, não seria mais adequado que quem avisa deve apontar o caminho certo? Sim, porque nada poderá nos separar do amor de Deus ou nos fazer parar na caminhada, mas você, caro leitor, saberia porquê?

“Não foi como criança que acreditei no Cristo, que confessei sua fé. É de uma vasta fornalha de dúvidas que jorra meu Hosana” (Dostoiévski).

É necessário ter fé e vivenciar a mesma; estar coexistindo e estendendo a compaixão aos outros, e ao mesmo tempo não puxar, exigir ou apegar-se demais (também não deixarmos ser maltratados, pois o primeiro passo para o verdadeiro amor é o amor-próprio não egoísta, e sim, o auto-respeito e a autocompaixão, isto é, aplicar em si a mesma consideração madura e saudável).
Isso também está diretamente relacionado à compreensão do que fazemos e do que não controlamos, sabendo que: controlamos apenas a nós mesmos e nossas respostas. Nós não controlamos os outros ou o universo e não podemos impedir que mudanças aconteçam, mas podemos controlar como reagimos a elas.
Em filosofia nós até temos sugestões, pensamentos, ideias e questionamentos, mas nunca respostas definitivas para solucionar todos os problemas da humanidade; por maior que seja o filósofo ele sempre ficará devendo uma resposta para alguma questão que provoque insatisfação em sua vida. Como Antonio Tabucchi nos avisa “A  filosofia dá a impressão de lidar apenas com a verdade, mas talvez ela só diga fantasias”.

Por isso quando falo em filosofia, falo em convergir novas ideias, aprofundar pensamentos qualificados, beber da fonte das grandes reflexões. Redescobrir e se inspirar em um importante filósofo da história. Porque com um pouco de sabedoria e atenção sempre poderemos aprender algo com eles, vejamos o que diz Sócrates:


“A vida não examinada não vale a pena viver.”

Aqui está um pedido para você examinar todas as suas crenças, independentemente da amplitude,  procurando determinar o que é realmente verdade ou não. Sócrates muitas vezes pedia às pessoas que definissem uma virtude, como a coragem, apenas para descobrir que as pessoas que mais valorizavam não tinham ideia do que era. Somente quando nós examinarmos nossas vidas teremos possibilidades de melhorias. E quando não houver gentileza, gere gentileza. Seja simpático, empático e use de misericórdia com todos. Sofra como um bom soldado de Cristo. O texto áureo do Cristianismo, que se encontra no Evangelho de Mateus capítulo 7, versículo 12, nos diz claramente que o amor cristão é proativo.

Aos poucos dá para entender que a humanidade embarcou num caminho de separação. Separação da natureza, separação um do outro, separação da verdade, separação de Deus. É uma crise que, enquanto não estiver completamente resolvida, vai continuar gerando todas as demais crises que temos aí:  financeiras, econômicas, médicas, educacionais, ecológicas, energéticas, alimentares, entre outras. É uma crise múltipla que funciona como um parto que vai nos levar para fora deste mundo de separação e nos conduzir a uma nova história, de reunião, de encontro.

No mais, importante também é lembrar: apesar de todos os pesadíssimos apesares do ano que passou, todos os desafios que serão postos à nossa frente neste novo ano, a imanência da vida é absolutamente alheia às ideias demasiadamente humanas e continuará em seus devires. O sol continuará sendo o sol. O rio continuará a desaguar em alguma paisagem de abundante natureza deste nosso Brasil. O cachorro de rua ainda virá brincar e nos pedir carinho. Entre tantas outras coisas que, apesar e acima de tudo, simplesmente continuarão a ser. Por isso meu primeiro e único conselho é: antes de querermos tomar o mundo externo e resolver tudo à força, vamos começar pelo íntimo. Começar pelo cuidado com o nosso corpo, mente e com a nossa casa espiritual. E entender que as pessoas irão passar pela sua vida, mas nem todos serão protagonistas da sua história e nem sempre você será protagonista da história de outros . Há pessoas que são o caminho, não a chegada! E acredite, experiências ruins também nos fazem crescer. Estejam preparados!

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Devocionais para não devotos (VII)

Não é o Natal que está errado, nossas atitudes sim.

Sobre esta época do ano que gosto muito (sim gosto do Natal e de todo este clima de renovação e esperança de fim de ano): posso estar equivocado, mas o clima festivo não está muito em evidência este ano não é mesmo? Até as propagandas natalinas estão discretas e melancolicamente opacas. Temos um termo bem brasileiro para isto: borocoxô.

Não deveria ser assim mas… A história do nascimento de Jesus costuma ficar esquecida na estante durante a maior parte do ano. Todo fim de ano nós a recuperamos, tiramos o pó e a deixamos brilhar por algumas semanas. Mas, logo depois do Natal, nós a devolvemos à estante e ali a deixamos por mais onze meses sem nos darmos conta de que o Natal tem significado para todos os dias de nossa vida, pois ele estabelece um marco na história de nossa redenção. É uma mensagem de esperança que ratifica a verdade de que Deus sempre cumpre suas promessas, em seu tempo perfeito.

Qual a grande importância disso? Não está mais do que claro? Nós estamos vivendo na era do ódio. Estamos nos definindo muito mais pelo que rejeitamos do que pelo que adoramos. A extrema polarização tem permitido que quase 50% do país odeie os outros quase 50% do país – e o sentimento é mútuo. E nós sabemos: emoções intensas para um ser humano geralmente significam ódio ao invés de amor, embora não devesse. Talvez por isso tenho visto algumas pessoas, principalmente cristãos, rejeitando comemorar o Natal e usando vários argumentos para justificar suas atitudes como por exemplo, o The Christian Book of Why (O Livro Cristão dos Porquês) que diz: “os primeiros cristãos se recusaram a escolher uma data que indicasse o nascimento de Jesus”, pois queriam “se separar de todos os costumes pagãos”; ou as observações do The Externals of the Catholic Church (Os Costumes da Igreja Católica): “Ao dar ou receber presentes de Natal ou colocar guirlandas nas casas e igrejas, quem de nós poderia imaginar estar seguindo costumes pagãos?” e temos ainda o The Battle for Christmas (A Batalha pelo Natal), onde Stephen Nissenbaum diz que “o Natal não passava de uma festa pagã sob um manto de cristianismo”.

Por isso tudo a verdade precisa ser repetida (2Ts 2.1-15). Recordar as verdades sobre Cristo e o evangelho é importante para que a nossa sociedade não deturpe, com mitos e consumismo, nesta época do ano o ato sacrificial de Jesus em prol da humanidade. A repetição é pedagógica.

Ok, ok. Tudo bem pesquisar e estudar, buscar informações é importante. Mas “Não temos outra escolha: ama- se ou adoece-se.” (Freud); e não podemos esquecer, para nós cristãos Jesus é o Natal. Sabemos infelizmente que a tradição da festa natalina tem sido marcada por coisas estranhas ao verdadeiro Natal: egoísmo, consumismo, o engano da comunhão forçada e da solidariedade que só acontece uma vez no ano. No fim das contas, o clima “natalino”, as luzes, escondem as trevas que encobrem os corações. Natal é para ser o anúncio da verdadeira alegria. Da salvação que vem a todos através de Cristo*. Para nós cristãos essa é uma realidade duradoura e não apenas uma festa de fim de ano. As atitudes e comportamento gerados pela celebração natalina não precisam acontecer apenas uma vez ao ano, o amor implícito deve desde agora seguir em frente e para toda a vida. Quando criança, minhas listas de Natal preenchiam uma página, inspiradas por comerciais, catálogos e idas a loja de brinquedos. Hoje, minha lista de Natal é muito menor porque é composta das coisas que não podem ser compradas. Um pouco mais crescido, lembro que meus amigos e eu já cometemos este erro, de rebelar-se contra a comemoração natalina. Íamos para a pequena cozinha sentar-nos de costas para aqueles que estavam reunidos para celebrar mais um encontro entre amigos e familiares. Nós tínhamos as interações natalinas como uma cerca de arame. Trago a memória como foi desagradável comer o panetone seco do exílio, a maionese pegajosa na boca. As ameixas e passas da autoexclusão faziam nossas atitudes mais mesquinhas também. Na sala mais próxima, as garrafas de champanhe brilhavam imponentes como castelos georgianos pertencentes a aristocratas obesos. Os morangos com creme pareciam divinos e odiosos tanto quanto a risadaria solta na sala. Amadureci. Que possamos amar bem, buscar a paz e viver como Cristo nesta época natalícia.

O Natal moderno deve continuar a ser uma festa cristã cheia de simbolismo, apontando para Jesus. Mas isso não tem acontecido com grande intensidade! As luzes, os enfeites, falam da festa de Natal, mas não do verdadeiro Natal, que começa com o nascimento de Cristo, que vem ao mundo salvá-lo. A essência foi perdida. Não sem motivo as coisas parecem cada vez mais artificiais e vazias nessa época. Perguntas são inevitáveis: Onde você irá todos os dias, o que você fará, quem ou o que você irá encontrar, o que você dirá, o que acontecerá com você – tudo isso pode ser previsto para o próximo ano? As pessoas não podem prever todos esses eventos, muito menos controlar como eles se desenvolvem. Na vida, esses eventos imprevisíveis ocorrem o tempo todo e são eventos diários. Essas vicissitudes diárias e o modo como se desdobram, ou seus modos operacionais, são constantes lembretes à humanidade de que nada acontece ao acaso, que as ramificações dessas coisas e sua inevitabilidade não podem ser mudadas pela vontade. humana. Cada evento transmite uma advertência do Criador para a humanidade, e também carrega a mensagem de que os seres humanos não podem controlar seu próprio destino; ao mesmo tempo Cada evento é uma refutação da ambição selvagem e fútil e do desejo da humanidade de tomar seu destino em suas próprias mãos. Eles são como poderosos tapinhas nos ouvidos da humanidade, um após o outro, forçando as pessoas a reconsiderar quem, afinal, governa e controla seu destino. E como suas ambições e desejos são repetidamente frustrados e destruídos, os humanos naturalmente chegam à aceitação inconsciente do que o destino tem em reserva, uma aceitação da realidade, a vontade do Céu e a soberania. do Criador. Dessas vicissitudes diárias do destino de todas as vidas humanas, não há nada que não revele os planos e a soberania do Criador**. O advento do Natal trata de esclarecer tudo isso de uma maneira amorosa e simples: O salvador nasceu. Paz na terra aos homens de boa vontade.

Percebemos a necessidade de uma reflexão sobre tudo isso? Um auto exame físico nos ajuda a descobrir certas doenças, por sua vez, a reflexão sobre a nossa vida nos ajuda a pensarmos sobre a qualidade com que vivemos a nossa cristandade. Como anda a nossa vida com Deus e com o próximo? Como foi para você o ano que passou? Quais foram seus erros e acertos? Aonde você precisa melhorar? As perguntas podem se multiplicar! E como já nos alertava Eduardo Galeano, vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e o culto mais do que Deus. Precisamos resgatar a capacidade de achar bênçãos no meio do caos, uma busca que deve ser segundo a Carta aos Romanos 8:28: “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.” Isto significa que mesmo no meio de muita coisa má, há sempre algo digno de ser aproveitado. Encher a mente de coisas boas não significa viver em negação. Antes significa que é sempre possível encontrar algo bom. A alegria andará sempre a par com a tristeza e com as dificuldades, pelo menos nesta vida. Quando encontrarmos Cristo, aí sim: tudo será alegre. Até lá, devemos procurar o que é certo, as bênçãos. E achando as bênçãos mesmo no meio de um cenário triste, vamos encontrar a alegria. Aquela alegria que invade o nosso coração de paz. A paz de Cristo.
Creio que datas como esta são momentos para pararmos e avaliarmos o que passou e projetarmos aquilo que virá. Projetarmos de forma sempre dependente de Deus sem arrogância, sem uma autoconfiança exacerbada, mas ciente que sem Deus nada podemos fazer. Então façamos um autoexame e comecemos um ano novo buscando a sabedoria de Deus, pois Ele dá liberalmente, aplicando-a em sua vida e praticando a prudência, a singeleza e a fé diariamente em todos os seus passos.


Não é o Natal que está errado, nossas atitudes sim. E se ainda posso desejar algo, desejo o melhor Natal a todos. E um ano novo também. Em Cristo Jesus.

* http://igrejadaabolicao.com.br/site/sermao/natal-fake

** https://www.kingdomsalvation.org/fr/gospel/fate-inseparable-from-Creator-s-sovereignty.html

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Devocionais para não devotos (VI)

Mas, o que é renunciar a si mesmo (baseado em Lucas 9.23)?
Certa vez alguém me disse: “Penso que renunciar a mim mesmo é algo mais difícil do que carregar a cruz. Renunciar a si mesmo é querer, de coração, deixar de fazer, ser, crer, o que queremos para nós, para nossa vida…e por amor a Deus, fazer o que Ele nos pede. Talvez com uma resignação mais intensa que a dos pais pelos filhos. É saber ser humilde, desprendido, é crer com o coração que Deus nos basta”. É uma boa reflexão.
Porque tudo o que temos visto e ouvido hoje em dia parece, e algumas vezes é, apenas produto do antropocentrismo, do ensino secular baseado na centralidade do homem. Do amor às riquezas, à honra, à fama, ao estilismo, elitismo, culturalismo, tudo nos desvia dos ensinos de Cristo. Não passa um dia em que não precisamos desconstruir algo que a modernidade tenta nos impingir como aceitável e valioso, mas que no fundo é apenas arrogância, autossuficiência e autopromoção.

A exigência de Jesus tem uma profunda razão: o pecado original “tirou os nossos olhos do Criador e os voltou para as criaturas”. Nos fez egoístas, egocêntricos, de certa forma ególatras, adoradores de nós mesmos. A queda original estragou a natureza humana; então, devemos abandonar as nossas preferências e, de novo, com a graça de Deus, buscar as de Deus. Aquilo que foi estragado deve ser abandonado; não é assim que fazemos com as comidas azedas?

Ainda bem que Deus, em Cristo, nos confronta e coloca, pelas escrituras, em nosso devido lugar. Claro que precisamos estar quebrantados, arrependidos e bem conscientes das nossas fraquezas, das nossas profundas limitações humanas.

Paulo nos ensina que devemos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Filipenses 2.5-8). Ou seja, devemos abrir mão daquilo que queremos mas não agrada a Deus, pois não produz nenhum acréscimo ao nosso relacionamento com Ele, e aprender Dele mansidão e humildade (Mateus 11.28-30), uma clara referência ao compromisso e lealdade que exige e oferece aos seus discípulos. Fazer a vontade de Deus é, em primeiro lugar, fugir de todo pecado; é uma luta contra nós mesmos; por isso Jesus disse que “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. (Mt 11, 12). Os violentos consigo mesmos; não com os outros. E isso é possível, com a graça de Deus, basta olhar a vida de todos os homens e mulheres na Bíblia que venceram pela sua fé. E fé é o oposto de auto-suficiência; Porque nós não somos suficientes para nós mesmos. É difícil renunciar a si mesmo; mas se Jesus manda isso, então, não pode nos negar a graça necessária.

Enquanto tantos buscam construir um edifício, uma nova vida, segundo a maneira antiga de viver, a nossa nova vida em Cristo pressupõe a superação do domínio da velha vida (II Coríntios 5.17). Precisamos ser reconstruídos pelo Evangelho de Cristo, sendo desconstruídos do velho caráter adâmico  e adquirindo uma nova maneira de viver. Só um caráter novo nos levará a escolhas novas e corretas, só um coração segundo o coração de Cristo nos fará entender que, vivendo, a vontade a ser respeitada, obedecida e desejada não será a minha.
Se Jesus manda que renunciemos a nós mesmos, isto é, a nossa vontade, trocar os nossos planos e desejos pelos Dele, é porque há algo de errado em nossas preferências, e que não nos faz felizes. É como se dissesse: “foge disso, lhe faz mal!”.
Renunciar a si mesmo não é jogar fora as nossas qualidades e muito menos enterrar os talentos; ao contrário, é desenvolvê-los para usar segundo a vontade de Deus para a nossa vida. O pecado original nos fez ficar “brigando com Deus”, disputando entre fazer a vontade Dele e a nossa. Quando fazemos a nossa ao invés da Dele, estamos pecando. É o mesmo que Adão e Eva fizeram no Paraíso e depois ficaram com medo de Deus e se esconderam do Criador.

A nossa desconstrução aponta para a nossa edificação no caráter de Cristo. A natureza dominada pelo pecado e pela morte é substituída pela natureza da santidade e da vida. A obra da cruz é a da nossa crucificação, morte e ressurreição com Cristo (Romanos 6.1-11; Gálatas 2.20). Não se trata de uma simples opinião e sim de que o crente reconheça que, pela sua união com Cristo, está realmente morto para o pecado, mas vivo para Deus.
Não há vontade melhor para a nossa vida do que a de Deus. Ora, será que existe alguém que seja mais sábio, douto e santo que Deus? Será que alguém nos ama mais do que Ele? Então, por que temer Sua vontade? Por que não abrir mão de algo que não produz uma melhora, um aprimoramento para esta vida incluindo também a póstuma?

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Para viver pleno e sem crises morais, minha felicidade e minha verdade não bastam?

Muitos pensadores discutem temas bem difíceis de serem abordados mostrando com sinceridade o lado oculto da vida moderna e fazendo com que os observadores pensem e olhem para os problemas a partir de diferentes ângulos. A maioria destas obras nos dão uma sensação surreal, mostrando muito do que poderia se esconder por trás da realidade. Ou seja, é possível entender muito sobre o mundo que vivemos hoje em dia apenas lançando uma luz sobre a situação em que grande parte da humanidade se encontra, fazendo-os repensar sobre suas (nossas) escolhas futuras. Esta deveria ser a atitude de todos,  cristãos ou não.

Quando olhamos para a ética da virtude percebemos que está incluído nela um relato do objetivo da vida humana ou o sentido da vida. Para Platão e Aristóteles, o objetivo era viver em harmonia com os outros e para isso as quatro virtudes cardeais foram definidas como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. A noção grega das virtudes foi posteriormente incorporada na teologia moral cristã. Os proponentes da teoria da virtude defendem que uma característica central de uma virtude é ser universalmente aplicável. É por isso que a minha verdade pessoal não pode me impedir de alcançar ou realizar um objetivo maior e mais importante. Ser ainda é maior do que existir. Alguém já não disse que o essencial ainda é invisível aos olhos? Se você começar a agir de acordo com o seu coração baseando-se em sua intuição e seguindo somente aquilo que você sente ser a direção correta, a sua vida fluirá naturalmente para algo que, sem julgamento de bom ou mau, será com certeza uma jornada ou missão mais confortável por ser mais individualista. Porque todos nós temos um propósito existencial sim, mas buscamos todo tempo realizar aquele que é mais agradável ou confortável.

A filosofia moral moderna gira cada vez mais em torno de uma ética baseada em reivindicações ou direitos, que são teorias éticas que se baseiam no Princípio Fundamental dos Direitos Humanos e outros direitos ou reivindicações do indivíduo. As teorias baseadas em direitos defendem que as pessoas têm direito a determinadas liberdades e são teorias liberais que se centram nos direitos das pessoas a certas liberdades, como a liberdade de expressão, de associação religiosa, etc.1

Estes direitos buscam, como têm sido definidos por vários pensadores, a felicidade ou o prazer (por oposição a tristeza ou dor) como finalidade última que também tem sido definida como a satisfação de preferências, podendo ser descrita como uma forma de encarar a vida onde a felicidade e o prazer assumem uma importância fundamental. Na prática utilizamos aqui o termo utilitário para referir­‑se frequentemente a um ponto de vista econômico ou pragmático, algo limitado. No entanto, o utilitarismo filosófico é muito mais amplo do que isto, por exemplo, algumas abordagens ao utilitarismo também tomam em consideração os direitos dos animais e das plantas para além das pessoas.

Entretanto, o Kantianismo afirma que os atos verdadeiramente morais ou éticos não se baseiam no interesse próprio ou na maior utilidade, mas num sentido do “dever” e num sentido daquilo que é certo e justo a um nível mais amplo (não obstante as consequências possíveis para o indivíduo e a sua utilidade para outrem). As Teorias Kantianas baseiam­‑se no trabalho do filósofo alemão Immanuel Kant (1724­‑1804), para quem o “imperativo categórico” é um elemento nuclear. Kant era da opinião que o ser humano ocupa um lugar especial no mundo e que a moralidade pode ser resumida a um mandamento fundamental da razão, ou imperativo, do qual todos os deveres e obrigações derivam. Um imperativo categórico denota uma exigência absoluta e incondicional que exerce a sua autoridade em todas as circunstâncias, tanto necessário como justificado enquanto fim por si só. Kant argumentou contra o utilitarismo e contra outras filosofias morais do seu tempo, porque, por exemplo, um utilitarista diria que o assassinato é aceitável se maximizar o bem para o maior número de pessoas; e aquele que se preocupa com a maximização do resultado positivo para si próprio, encararia o assassinato como aceitável ou como irrelevante. Portanto, Kant defendeu que estes sistemas morais não podem induzir uma ação moral ou ser vistos como a base para os juízos morais, pois baseiam­‑se em considerações subjectivas. Um sistema moral baseado no dever foi a sua alternativa. Mas seria isso o suficiente para uma vida sem crises morais e felicidade plena?

Vamos olhar para uma passagem bem conhecida de todos os leitores da Bíblia: um jovem rico aborda Jesus e pergunta­ qual a coisa boa que tem de fazer para adquirir a vida eterna. Jesus respondeu, “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos”. Quando o jovem responde que observa todos os mandamentos, incluindo “ama o teu próximo como a ti mesmo”, Jesus responde que “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”. Nesta altura o jovem retira­‑se, o que leva Jesus a observar que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. Ouvindo isso, os discípulos ficam confundidos e pressionam Jesus, “Quem poderá pois salvar-se?”. Pedro até se lamenta, “Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?”.2

Como muitos de nós, o homem rico quer uma garantia de que terá vida eterna desde que faça a coisa certa, conformando-se com as tradições sociais e evitando o roubo, o adultério e o assassinato. Dado que o homem não pretende uma vida permanentemente miserável, a “vida eterna” significa aqui qualquer coisa como “uma vida duradouramente satisfatória”. Ele apega­‑se aos seus bens materiais como um indicador de que tem feito todas as coisas certas, ele pensa que teve sucesso junto da sociedade porque é virtuoso. E entretanto o homem não é feliz. Esta é a razão por que ele segue Jesus esperando compreender a sua desdita. Jesus indica que o seu questionador está morto e devia preocupar­‑se menos com a vida eterna e mais com a qualidade da sua vida neste momento. Jesus diz que o homem rico pode “começar a viver” (Mateus 19:17) se e apenas se cumprir os mandamentos, incluindo o mandamento crucial de amar o seu vizinho como a si próprio. Dado que o homem rico é obcecado com uma garantia da primazia – ele acredita que merece a vida eterna mais do que qualquer outro porque tem sido especialmente virtuoso – é difícil ver como pode ele amar o seu vizinho como a si próprio. A sua vida tem sido devotada a ultrapassar os outros, batendo­‑os na corrida para a aquisição de marcas sociais de virtude e para ser feliz. Não admira, pois, que os discípulos estejam agitados: desistiram de tudo para serem preferidos, aos olhos do céu, por causa da sua especial virtude! Eles compartilharam a sua sorte com Jesus precisamente porque esperam que ele lhes garanta toda a espécie de coisas boas. Não é por acidente que, imediatamente após este encontro, vemos a mãe dos discípulos Tiago e João pedir a Jesus que sente os seus filhos à sua direita e à sua esquerda no Reino dos Céus. Ainda aqui, nós vemos Jesus dizer ao homem rico para não o apelidar de “bom” e para não olhar para ele como quem concede vida eterna. Nem mesmo Jesus pode tornar fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha ou que um rico entre no Reino dos Céus. Apenas depois de sermos aperfeiçoados, desistindo de acreditar na primazia social, podemos experimentar uma satisfação duradoura. Os discípulos mentiram a si próprios. Eles não desistiram de tudo, estão tão agarrados como o homem rico ao sistema social de primazia e à crença de que a conformidade com a Lei Moral garante felicidade. Apenas querem inverter esse sistema, de forma que humildes pescadores como eles próprios apareçam no topo. Neste aspecto, estão ainda mais decepcionados que o homem rico. O homem rico pelo menos reconhece a força da sua prisão, partindo “triste” porque, embora não esteja disposto a desistir da sua grande riqueza, sente que há mais na vida que a sua existência passada e presente. Os discípulos, em contraste, partilham do vínculo do homem rico mas não o admitem. Estão convencidos de que seguem um caminho diferente e mais virtuoso rumo à felicidade.

A suma de tudo é: todo homem é confrontado na sua vida em sociedade com dilemas de ordem ética, umas de maior e outras de menor complexidade. A escolha entre o “certo” e o “errado” é uma constante na vida das pessoas. Mesmo para aquelas que se decidem entre o “permitido” e o “interdito”. Os comportamentos são pois determinados por uma ideia ética subjacente. A ética é de grande importância para a vida das pessoas e das sociedades, sendo um traço característico daquelas sociedades que são mais fortes, coesas e solidárias. O declínio da religião, concebida como um sistema de crenças dogmáticas, e a necessidade desta sociedade por uma nova espiritualidade são cada dia mais evidentes. A ciência pode ajudar a prever as consequências das nossas ações, mas nenhuma ciência é capaz de nos dizer como nós devemos agir numa questão de natureza moral. Por isso uma nova espiritualidade implica numa nova conduta (virtuosa), que pode encontrar na atitude de amar ao próximo o seu modelo.3

Para tanto, dever­‑se-ia: dizer a verdade; corrigir os males que se causaram a outrem; agir com justiça; ajudar os outros, respeitando a virtude, a inteligência e a felicidade; dar graças a Deus; e evitar prejudicar outrem. E são estas coisas que um caráter que não foi tratado não pode fazer sem uma metamorfose profunda das suas escolhas, simplesmente porque mudar caráter é mudar algo essencial. E onde o confronto entre a minha verdade e a universal poderia revelar as minhas fraquezas,  inadequações ou falta de virtudes (aquelas que sempre achamos ter) eu o evito, o máximo possível, impedindo um crescimento moral e espiritual necessário e valioso.

Aumentar nossa compreensão pessoal de que a maior de todas as virtudes é corresponder ao imperativo de Jesus, amar a Deus e ao teu próximo, isso não diminui de nenhuma forma a possível paz de alma de outra. É por isso que os discípulos não deviam estar preocupados em saber se o homem rico entra no Reino dos Céus: o seu destino não afeta nem um pouco a sua perspectiva de felicidade. Mas o contrário é verdadeiro. Preocupar-se sobre se temos mais ou menos virtude que a pessoa ao lado e se a sociedade nos deu o que merecemos, impede a nossa capacidade de prosperar em tudo. Em vez de gastar o seu dia preocupando­‑se sobre se é moralmente superior e merecedor da sua riqueza, melhor teria sido que o jovem rico tivesse pensado porque é que os seus esforços de obediência moral o foram deixando estranhamente vazio. Bem, penso que percebemos melhor algumas coisas quando a nossa perspectiva muda. É sempre no deserto onde a sede ganha um significado mais forte e acredito que autenticidade não pode significar apenas subjetividade egoísta ou mero hedonismo disfarçado de empatia. Nas palavras de Kant: “Agir de modo a tratar os outros como fins e não apenas como meios”.4

1-http://www.ceic-ucan.org/wp-content/uploads/2017/02/COMPENDIO_ETICA.pdf

2-https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/19/16-27

3-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2011/07/07/a-crise-das-instituicoes/

4-https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-moral-dever-kant.htm

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