Devocionais para não devotos (VI)

Mas, o que é renunciar a si mesmo (baseado em Lucas 9.23)?
Certa vez alguém me disse: “Penso que renunciar a mim mesmo é algo mais difícil do que carregar a cruz. Renunciar a si mesmo é querer, de coração, deixar de fazer, ser, crer, o que queremos para nós, para nossa vida…e por amor a Deus, fazer o que Ele nos pede. Talvez com uma resignação mais intensa que a dos pais pelos filhos. É saber ser humilde, desprendido, é crer com o coração que Deus nos basta”. É uma boa reflexão.
Porque tudo o que temos visto e ouvido hoje em dia parece, e algumas vezes é, apenas produto do antropocentrismo, do ensino secular baseado na centralidade do homem. Do amor às riquezas, à honra, à fama, ao estilismo, elitismo, culturalismo, tudo nos desvia dos ensinos de Cristo. Não passa um dia em que não precisamos desconstruir algo que a modernidade tenta nos impingir como aceitável e valioso, mas que no fundo é apenas arrogância, autossuficiência e autopromoção.

A exigência de Jesus tem uma profunda razão: o pecado original “tirou os nossos olhos do Criador e os voltou para as criaturas”. Nos fez egoístas, egocêntricos, de certa forma ególatras, adoradores de nós mesmos. A queda original estragou a natureza humana; então, devemos abandonar as nossas preferências e, de novo, com a graça de Deus, buscar as de Deus. Aquilo que foi estragado deve ser abandonado; não é assim que fazemos com as comidas azedas?

Ainda bem que Deus, em Cristo, nos confronta e coloca, pelas escrituras, em nosso devido lugar. Claro que precisamos estar quebrantados, arrependidos e bem conscientes das nossas fraquezas, das nossas profundas limitações humanas.

Paulo nos ensina que devemos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Filipenses 2.5-8). Ou seja, devemos abrir mão daquilo que queremos mas não agrada a Deus, pois não produz nenhum acréscimo ao nosso relacionamento com Ele, e aprender Dele mansidão e humildade (Mateus 11.28-30), uma clara referência ao compromisso e lealdade que exige e oferece aos seus discípulos. Fazer a vontade de Deus é, em primeiro lugar, fugir de todo pecado; é uma luta contra nós mesmos; por isso Jesus disse que “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. (Mt 11, 12). Os violentos consigo mesmos; não com os outros. E isso é possível, com a graça de Deus, basta olhar a vida de todos os homens e mulheres na Bíblia que venceram pela sua fé. E fé é o oposto de auto-suficiência; Porque nós não somos suficientes para nós mesmos. É difícil renunciar a si mesmo; mas se Jesus manda isso, então, não pode nos negar a graça necessária.

Enquanto tantos buscam construir um edifício, uma nova vida, segundo a maneira antiga de viver, a nossa nova vida em Cristo pressupõe a superação do domínio da velha vida (II Coríntios 5.17). Precisamos ser reconstruídos pelo Evangelho de Cristo, sendo desconstruídos do velho caráter adâmico  e adquirindo uma nova maneira de viver. Só um caráter novo nos levará a escolhas novas e corretas, só um coração segundo o coração de Cristo nos fará entender que, vivendo, a vontade a ser respeitada, obedecida e desejada não será a minha.
Se Jesus manda que renunciemos a nós mesmos, isto é, a nossa vontade, trocar os nossos planos e desejos pelos Dele, é porque há algo de errado em nossas preferências, e que não nos faz felizes. É como se dissesse: “foge disso, lhe faz mal!”.
Renunciar a si mesmo não é jogar fora as nossas qualidades e muito menos enterrar os talentos; ao contrário, é desenvolvê-los para usar segundo a vontade de Deus para a nossa vida. O pecado original nos fez ficar “brigando com Deus”, disputando entre fazer a vontade Dele e a nossa. Quando fazemos a nossa ao invés da Dele, estamos pecando. É o mesmo que Adão e Eva fizeram no Paraíso e depois ficaram com medo de Deus e se esconderam do Criador.

A nossa desconstrução aponta para a nossa edificação no caráter de Cristo. A natureza dominada pelo pecado e pela morte é substituída pela natureza da santidade e da vida. A obra da cruz é a da nossa crucificação, morte e ressurreição com Cristo (Romanos 6.1-11; Gálatas 2.20). Não se trata de uma simples opinião e sim de que o crente reconheça que, pela sua união com Cristo, está realmente morto para o pecado, mas vivo para Deus.
Não há vontade melhor para a nossa vida do que a de Deus. Ora, será que existe alguém que seja mais sábio, douto e santo que Deus? Será que alguém nos ama mais do que Ele? Então, por que temer Sua vontade? Por que não abrir mão de algo que não produz uma melhora, um aprimoramento para esta vida incluindo também a póstuma?

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Para viver pleno e sem crises morais, minha felicidade e minha verdade não bastam?

Muitos pensadores discutem temas bem difíceis de serem abordados mostrando com sinceridade o lado oculto da vida moderna e fazendo com que os observadores pensem e olhem para os problemas a partir de diferentes ângulos. A maioria destas obras nos dão uma sensação surreal, mostrando muito do que poderia se esconder por trás da realidade. Ou seja, é possível entender muito sobre o mundo que vivemos hoje em dia apenas lançando uma luz sobre a situação em que grande parte da humanidade se encontra, fazendo-os repensar sobre suas (nossas) escolhas futuras. Esta deveria ser a atitude de todos,  cristãos ou não.

Quando olhamos para a ética da virtude percebemos que está incluído nela um relato do objetivo da vida humana ou o sentido da vida. Para Platão e Aristóteles, o objetivo era viver em harmonia com os outros e para isso as quatro virtudes cardeais foram definidas como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. A noção grega das virtudes foi posteriormente incorporada na teologia moral cristã. Os proponentes da teoria da virtude defendem que uma característica central de uma virtude é ser universalmente aplicável. É por isso que a minha verdade pessoal não pode me impedir de alcançar ou realizar um objetivo maior e mais importante. Ser ainda é maior do que existir. Alguém já não disse que o essencial ainda é invisível aos olhos? Se você começar a agir de acordo com o seu coração baseando-se em sua intuição e seguindo somente aquilo que você sente ser a direção correta, a sua vida fluirá naturalmente para algo que, sem julgamento de bom ou mau, será com certeza uma jornada ou missão mais confortável por ser mais individualista. Porque todos nós temos um propósito existencial sim, mas buscamos todo tempo realizar aquele que é mais agradável ou confortável.

A filosofia moral moderna gira cada vez mais em torno de uma ética baseada em reivindicações ou direitos, que são teorias éticas que se baseiam no Princípio Fundamental dos Direitos Humanos e outros direitos ou reivindicações do indivíduo. As teorias baseadas em direitos defendem que as pessoas têm direito a determinadas liberdades e são teorias liberais que se centram nos direitos das pessoas a certas liberdades, como a liberdade de expressão, de associação religiosa, etc.1

Estes direitos buscam, como têm sido definidos por vários pensadores, a felicidade ou o prazer (por oposição a tristeza ou dor) como finalidade última que também tem sido definida como a satisfação de preferências, podendo ser descrita como uma forma de encarar a vida onde a felicidade e o prazer assumem uma importância fundamental. Na prática utilizamos aqui o termo utilitário para referir­‑se frequentemente a um ponto de vista econômico ou pragmático, algo limitado. No entanto, o utilitarismo filosófico é muito mais amplo do que isto, por exemplo, algumas abordagens ao utilitarismo também tomam em consideração os direitos dos animais e das plantas para além das pessoas.

Entretanto, o Kantianismo afirma que os atos verdadeiramente morais ou éticos não se baseiam no interesse próprio ou na maior utilidade, mas num sentido do “dever” e num sentido daquilo que é certo e justo a um nível mais amplo (não obstante as consequências possíveis para o indivíduo e a sua utilidade para outrem). As Teorias Kantianas baseiam­‑se no trabalho do filósofo alemão Immanuel Kant (1724­‑1804), para quem o “imperativo categórico” é um elemento nuclear. Kant era da opinião que o ser humano ocupa um lugar especial no mundo e que a moralidade pode ser resumida a um mandamento fundamental da razão, ou imperativo, do qual todos os deveres e obrigações derivam. Um imperativo categórico denota uma exigência absoluta e incondicional que exerce a sua autoridade em todas as circunstâncias, tanto necessário como justificado enquanto fim por si só. Kant argumentou contra o utilitarismo e contra outras filosofias morais do seu tempo, porque, por exemplo, um utilitarista diria que o assassinato é aceitável se maximizar o bem para o maior número de pessoas; e aquele que se preocupa com a maximização do resultado positivo para si próprio, encararia o assassinato como aceitável ou como irrelevante. Portanto, Kant defendeu que estes sistemas morais não podem induzir uma ação moral ou ser vistos como a base para os juízos morais, pois baseiam­‑se em considerações subjectivas. Um sistema moral baseado no dever foi a sua alternativa. Mas seria isso o suficiente para uma vida sem crises morais e felicidade plena?

Vamos olhar para uma passagem bem conhecida de todos os leitores da Bíblia: um jovem rico aborda Jesus e pergunta­ qual a coisa boa que tem de fazer para adquirir a vida eterna. Jesus respondeu, “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos”. Quando o jovem responde que observa todos os mandamentos, incluindo “ama o teu próximo como a ti mesmo”, Jesus responde que “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”. Nesta altura o jovem retira­‑se, o que leva Jesus a observar que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. Ouvindo isso, os discípulos ficam confundidos e pressionam Jesus, “Quem poderá pois salvar-se?”. Pedro até se lamenta, “Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?”.2

Como muitos de nós, o homem rico quer uma garantia de que terá vida eterna desde que faça a coisa certa, conformando-se com as tradições sociais e evitando o roubo, o adultério e o assassinato. Dado que o homem não pretende uma vida permanentemente miserável, a “vida eterna” significa aqui qualquer coisa como “uma vida duradouramente satisfatória”. Ele apega­‑se aos seus bens materiais como um indicador de que tem feito todas as coisas certas, ele pensa que teve sucesso junto da sociedade porque é virtuoso. E entretanto o homem não é feliz. Esta é a razão por que ele segue Jesus esperando compreender a sua desdita. Jesus indica que o seu questionador está morto e devia preocupar­‑se menos com a vida eterna e mais com a qualidade da sua vida neste momento. Jesus diz que o homem rico pode “começar a viver” (Mateus 19:17) se e apenas se cumprir os mandamentos, incluindo o mandamento crucial de amar o seu vizinho como a si próprio. Dado que o homem rico é obcecado com uma garantia da primazia – ele acredita que merece a vida eterna mais do que qualquer outro porque tem sido especialmente virtuoso – é difícil ver como pode ele amar o seu vizinho como a si próprio. A sua vida tem sido devotada a ultrapassar os outros, batendo­‑os na corrida para a aquisição de marcas sociais de virtude e para ser feliz. Não admira, pois, que os discípulos estejam agitados: desistiram de tudo para serem preferidos, aos olhos do céu, por causa da sua especial virtude! Eles compartilharam a sua sorte com Jesus precisamente porque esperam que ele lhes garanta toda a espécie de coisas boas. Não é por acidente que, imediatamente após este encontro, vemos a mãe dos discípulos Tiago e João pedir a Jesus que sente os seus filhos à sua direita e à sua esquerda no Reino dos Céus. Ainda aqui, nós vemos Jesus dizer ao homem rico para não o apelidar de “bom” e para não olhar para ele como quem concede vida eterna. Nem mesmo Jesus pode tornar fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha ou que um rico entre no Reino dos Céus. Apenas depois de sermos aperfeiçoados, desistindo de acreditar na primazia social, podemos experimentar uma satisfação duradoura. Os discípulos mentiram a si próprios. Eles não desistiram de tudo, estão tão agarrados como o homem rico ao sistema social de primazia e à crença de que a conformidade com a Lei Moral garante felicidade. Apenas querem inverter esse sistema, de forma que humildes pescadores como eles próprios apareçam no topo. Neste aspecto, estão ainda mais decepcionados que o homem rico. O homem rico pelo menos reconhece a força da sua prisão, partindo “triste” porque, embora não esteja disposto a desistir da sua grande riqueza, sente que há mais na vida que a sua existência passada e presente. Os discípulos, em contraste, partilham do vínculo do homem rico mas não o admitem. Estão convencidos de que seguem um caminho diferente e mais virtuoso rumo à felicidade.

A suma de tudo é: todo homem é confrontado na sua vida em sociedade com dilemas de ordem ética, umas de maior e outras de menor complexidade. A escolha entre o “certo” e o “errado” é uma constante na vida das pessoas. Mesmo para aquelas que se decidem entre o “permitido” e o “interdito”. Os comportamentos são pois determinados por uma ideia ética subjacente. A ética é de grande importância para a vida das pessoas e das sociedades, sendo um traço característico daquelas sociedades que são mais fortes, coesas e solidárias. O declínio da religião, concebida como um sistema de crenças dogmáticas, e a necessidade desta sociedade por uma nova espiritualidade são cada dia mais evidentes. A ciência pode ajudar a prever as consequências das nossas ações, mas nenhuma ciência é capaz de nos dizer como nós devemos agir numa questão de natureza moral. Por isso uma nova espiritualidade implica numa nova conduta (virtuosa), que pode encontrar na atitude de amar ao próximo o seu modelo.3

Para tanto, dever­‑se-ia: dizer a verdade; corrigir os males que se causaram a outrem; agir com justiça; ajudar os outros, respeitando a virtude, a inteligência e a felicidade; dar graças a Deus; e evitar prejudicar outrem. E são estas coisas que um caráter que não foi tratado não pode fazer sem uma metamorfose profunda das suas escolhas, simplesmente porque mudar caráter é mudar algo essencial. E onde o confronto entre a minha verdade e a universal poderia revelar as minhas fraquezas,  inadequações ou falta de virtudes (aquelas que sempre achamos ter) eu o evito, o máximo possível, impedindo um crescimento moral e espiritual necessário e valioso.

Aumentar nossa compreensão pessoal de que a maior de todas as virtudes é corresponder ao imperativo de Jesus, amar a Deus e ao teu próximo, isso não diminui de nenhuma forma a possível paz de alma de outra. É por isso que os discípulos não deviam estar preocupados em saber se o homem rico entra no Reino dos Céus: o seu destino não afeta nem um pouco a sua perspectiva de felicidade. Mas o contrário é verdadeiro. Preocupar-se sobre se temos mais ou menos virtude que a pessoa ao lado e se a sociedade nos deu o que merecemos, impede a nossa capacidade de prosperar em tudo. Em vez de gastar o seu dia preocupando­‑se sobre se é moralmente superior e merecedor da sua riqueza, melhor teria sido que o jovem rico tivesse pensado porque é que os seus esforços de obediência moral o foram deixando estranhamente vazio. Bem, penso que percebemos melhor algumas coisas quando a nossa perspectiva muda. É sempre no deserto onde a sede ganha um significado mais forte e acredito que autenticidade não pode significar apenas subjetividade egoísta ou mero hedonismo disfarçado de empatia. Nas palavras de Kant: “Agir de modo a tratar os outros como fins e não apenas como meios”.4

1-http://www.ceic-ucan.org/wp-content/uploads/2017/02/COMPENDIO_ETICA.pdf

2-https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/19/16-27

3-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2011/07/07/a-crise-das-instituicoes/

4-https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-moral-dever-kant.htm

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Devocionais para não devotos (V)

“Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.”

“Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil. E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia. Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” (1 Coríntios: 10. 1-14).

Como é que a sua trajetória pessoal se cruza com a trajetória de Israel? O versículo 6 diz: “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, para que nós não almejemos coisas más, como eles cobiçaram.” Paulo escreveu sobre sua jornada para nos ajudar a evitar os mesmos erros na nossa. Nos versículos 7-10, Paulo aponta para quatro coisas más que eles fizeram:

“Não vos torneis, pois, idólatras” (v.7) – “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” A raiz do pecado é a idolatria. Por isso não vamos agir imoralmente (v.8) – Quando as pessoas agem de forma imoral, eles colocaram o seu desejo pecaminoso e prazer imediato a frente de Deus.

“Nem tentemos o Senhor” (v.9) – Quando as pessoas tentam a Deus, é porque eles colocaram os seus planos, suas ações e sua agenda a frente de Deus.

“E não murmureis” (v.10) – Quando as pessoas reclamam, eles colocaram o seu conforto, sua sabedoria e sua perspectiva a frente de Deus.

Agora reflitam sobre o versículo 12. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”. À primeira vista, podemos pensar que a jornada de Israel e nossa jornada são completamente diferentes. Acho que essa é a advertência do versículo 12. Se você pensa que está de pé, se você acha que isso não se aplica a você, tome muito cuidado para que você não caia nas mesmas armadilhas.

A ênfase aqui é “Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.” Ninguém está livre de errar, ou sem culpa, ou sem pecado. Quem nunca colocou algo ou alguém a frente de Deus e praticou idolatria? Há alguém que não tenha se envolvido em alguma forma de imoralidade? Quem já não ouviu claramente a voz de Deus, conheceu a sua vontade e o desobedeceu tentando aumentar os limites da sua graça para ampliar a possibilidade de fazer valer a sua vontade? Quem nunca resmungou e reclamou com Deus sobre o que está passando, incomodando, e o acusou de não agir em seu favor, em como Deus não buscou o seu melhor interesse?

Somos todos culpados desses tipos de pecados. Se nós não vemos o nosso envolvimento neste tipo de comportamento, corremos o risco de descansar em nossa suposta inocência. E quando descansamos em nós mesmos em vez de permanecer dependente de Deus, é só uma questão de tempo antes de cair. No versículo 13, Paulo nos diz que nenhuma tentação ultrapassou nossas forças. Logo, Deus vai fazer um caminho para você escapar porque Ele sempre está atento. No versículo 14, ele nos mostra o caminho para escapar. Ele começa novamente com uma palavra de conexão, “portanto”. No fim, o pecado sempre cresce a partir da raiz de idolatria ao ego. A resposta de Paulo para evitar os mesmos erros que Israel… Fugi da idolatria.

O pecado, qualquer que seja, existente e alimentado dentro do coração, pode criar problemas sérios à alma humana, levando-a ao desregramento (desordem), confusão, culpa, desespero, desesperança e mesmo à depressão e ao suicídio.

Agora mesmo, você está colocando algo ou alguém a frente de Deus? Você está resmungando sobre como Deus o está tratando? Você está agindo baseado em sua própria sabedoria, sabendo que ela entra em conflito com os ensinamentos de Deus? Você está deliberadamente pecando e testando os limites da graça? Ou você acha que nada disso se aplica a você?

Então é preciso esclarecer. Se os efeitos ou os sintomas do seu comportamento são maus a luz da Bíblia, devemos colocar a etiqueta certa neste comportamento: “comportamento mau”; no caso pastoral e bíblico, a etiqueta seria “pecado”, ou seja, “comportamento pecaminoso”.

Depois de descobrir que seu comportamento é um “comportamento mau ou pecaminoso”, busque mudá-lo. Reparem bem que estou dizendo que se o comportamento da pessoa é mau, é pecaminoso, este comportamento deve ser condenado. Não a pessoa! A pessoa precisa de ajuda e restauração.

Devemos procurar as causas que estão me levando a esse “comportamento mau”. Lidar com estas causas, sem flexionar a verdade para acomodar as minhas vontades, tentando identificá-las e procurando resolvê-las através dos meios terapêuticos e pastorais à nossa disposição.

De igual modo, não posso dizer a um prostituto, prostituta, alcoólico, drogado, vigarista, violento e homicida ou alguém que tem um “mau comportamento”, que isso não faz mal, que ele pode continuar, que ninguém tem nada a haver com o seu comportamento e que, por final, ele nem é culpado das causas que o levaram a isso. Isto é relativização da moral cristã. Não vamos atacar a pessoa, mas vamos identificar o comportamento como “mau ou pecaminoso” e atacar as causas procurando providenciar a cura física, emocional e espiritual para a si ou para o outro que nunca tiveram o cuidado ou a coragem para lidar de frente com esses problemas e procurar a libertação e cura, que forçosamente deverá passar pela confissão, o arrependimento e a Fé em Cristo.

Porquê há pessoas que sofrem toda a vida de um problema, mas vão “ventilando” o problema, ou “negando” o problema, ou “racionalizando o problema”, ou buscando “bodes expiatórios” culpando outras pessoas e situações como sendo os principais responsáveis por esses maus comportamentos, em vez de os confrontar de frente e procurar o perdão, a libertação e a cura!

Ouça com atenção o aviso novamente: quem pensa estar de pé tome cuidado para que não venha cair. Para empreender uma jornada pessoal de sucesso é necessário estar pronto a sacrificar um pouco do conforto emocional e físico que o nosso ego busca desesperadamente nos proporcionar.

Deus abençoe a sua caminhada!

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Devocionais para não devotos (IV)

Como o mundo vê o cristão hoje?

O ponto central da pergunta que dá título ao texto é mostrar que nós cristãos estamos falhando em apresentar Jesus ao mundo. Estamos julgando as pessoas pela aparência, estilo de vida, vocabulário entre outras tantas coisas. Estamos isolados em guetos, onde fazemos pouca influência para o mundo a nossa volta. Penso que devemos pregar menos doutrina denominacional e espalhar mais o Amor de Deus, como Cristo nos ensinou. Sabe o que mais incomoda?  As pessoas atualmente têm duas visões básicas: a ideologia e o testemunho. A ideologia é o que idealizam de Jesus e do cristianismo (um bom homem, que amava, que ajudava, que acolhia) e o testemunho, aquilo que vêem através dos cristãos (dízimo haha, preconceito, manipulação, etc.). Meu Deus!! É nossa missão mostrar o verdadeiro cristianismo. Se as pessoas não veem Jesus em nós  (alguém que não só ama ajuda e acolhe, mas salva e liberta o ser humano do seu pecado ancestral) então estamos falhando miseravelmente em nosso dever.

E como temos falhado em  acolher a todos! Por causa de uns, todos os cristãos são rotulados. Quando houve a reforma protestante, 500 anos atrás, o intuito  era acabar com a falsidade da igreja católica, a hipocrisia dos líderes, acabar com a venda de indulgências (salvação), retornar a prática do  que nos ensina os evangelhos, e hoje em dia o que vemos é justamente as igrejas protestantes só usando o dinheiro , e só pensando no dinheiro.

Na verdade Cristão é aquele que serve ou segue a Cristo, os seguidores de Cristo da igreja primitiva não eram chamados de cristãos e sim de discípulos, os mesmos só passaram a ser chamados de cristãos na Antioquia da Síria conforme o livro de Atos dos Apóstolos capítulo 11 e versículo 26. A palavra cristão significa pequeno Cristo ou pertencente a Cristo, logo não é todo religioso que pode ser chamado de cristão, mesmo porque, existem muitos religiosos que odeiam os cristãos.

Mas você não acha curioso o fato de a parte final de Atos 11:26 dizer: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”? O que considero mais interessante é a simples idéia de que não foram os cristãos que inventaram este nome para si. Em vez disso, eles foram chamados (ou designados) “cristãos” por aquelas pessoas que observavam a vida que eles levavam. Fico pensando se a mesma coisa aconteceria hoje em dia. Será que alguém seria capaz de olhar para sua vida ou para a minha e nos chamar de “cristãos”? Com certeza, esta é uma pergunta diante da qual não dá para permanecer com uma postura arrogante. *

Ah sim, é preciso que a sociedade entenda que ter uma opinião e um conceito pessoal sobre algumas questões baseados na Bíblia, não faz de nós cristãos preconceituosos porque simplesmente o mundo atual nega verdades absolutas ou a existência de um Deus criador; somos apenas influenciados para agir baseados em um amor ao próximo  que não segue o padrão comum e é simplesmente aquilo que recebemos e acreditamos do nosso Deus. E que não são todos os cristãos que fazem isso.

Os “CRISTÃOS” são todos aqueles que entenderam a mensagem da Cruz, são todos aqueles que entenderam Efésios 2, que a vida é limitada e Deus mudou isso nos prometendo a vida eterna; é exatamente isso que temos que entender, quer seja no céu ou no inferno, iremos pra um desses lugares, portanto devemos entender a mensagem da Cruz e se agarrar ao padrão de vida que Jesus ensinou quando estava na terra. Onde é possível fazer a diferença sim. Porque quando renovamos nossa mente através da palavra de DEUS, ela nos ajuda no dia a dia a refletir o seu caráter. Perfeitos não somos. Você cai, você se levanta, você comete erros, você vive, você aprende. Você é humano, você não é perfeito. Você muitas vezes é ferido, mas você ainda está vivo. Por isso agradeça a Deus pelo privilégio de ter o seu coração batendo e conseguir respirar, pensar, amar, perdoar, recomeçar, e ir atrás dos seus sonhos, pois a palavra diz que Deus não tem prazer naquele que retrocede (Hb 10:38).Todo dia precisamos avançar um degrauzinho, subir um por um… Eu preciso me avaliar, reconhecer as mudanças que Jesus tem feito em mim e agradecer, dizer Senhor agora me ajuda a melhorar nisso, ainda falta isso; não se deixar corromper no dia a dia por medo do que vão pensar de nós… corrupção não  envolve só dinheiro, é tudo que nos afasta de Jesus, da sua maneira de viver, da sua verdade. E ao contrário de alguns que dizem e vivem o contrário, ser Cristão trata apenas de obedecer a Deus e sua vontade, não de glamour.

Eu observo esse fato, que contrasta a austeridade dos cristãos “raiz” com o Hillsong de marca de Justin Bieber, ou o evangelho da prosperidade onde “Jesus dará a você um milhão de dólares” de Joel Osteen.**

“Eu gosto de dizer que não estamos construindo uma marca, estamos proclamando um nome. Não é sobre nós. Queremos que o único holofote que tenhamos brilhe sobre Jesus ainda que seja metaforicamente”, diz Treat***. “Somos tradicionais em nossa teologia sobre o que significa ser um cristão. Quando as pessoas veem jovens cristãos reunidos no meio da igreja moderna, muitas vezes há uma suposição: “Ah, eles devem ter de alguma forma adaptado a fé para aquilo que esta nova geração gosta”. Mas o que devemos fazer é contextualizar o evangelho e não adaptá-lo”.

*Extraído de LOUCO AMOR, MARAVILHADO COM UM DEUS QUE NUNCA MUDA, FRANCIS CHAN com Danae Yankoski.
**https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682
***https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682

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Devocionais para não devotos (III)

Como escapar do desesperançado vazio de toda esta vida?

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/anthony-bourdain-escritor-e-apresentador-americano-morre-aos-61-anos.ghtml

Esse apresentador famoso se suicidou e um dia antes dele um ex colega de trabalho de um colega de equipe também se suicidou, a coisa tá feia. A morte do cozinheiro é o segundo suicídio de uma celebridade americana seguido. Três dias antes, a estilista Kate Spade foi encontrada morta em seu apartamento. A polícia de Nova York confirmou que ela cometeu suicídio por enforcamento.
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA citados pela agência Reuters, as taxas de suicídio aumentaram em quase todos os estados do país de 1999 a 2016.
Quase 45 mil pessoas cometeram suicídio em 2016, tornando o problema uma das três principais causas de morte nos EUA, juntamente com a doença de Alzheimer e overdoses de drogas.
Existe hoje uma busca por uma verdade que pudesse pacificar a existência humana,  que integrasse o espiritual e a nossa realidade, mas que infelizmente o mundo tem procurado fora da verdade bíblica chamada por nós cristãos de palavra de Deus. O que encontram é uma verdade humanista que é sempre uma tentativa de reconciliação entre o que eu quero neste mundo e no vindouro, mas não consegue produzir uma trégua longa ou uma paz suportável porque não resolve o conflito existencial humano. Quem sou eu? O que devo fazer com aquilo que sou? Para quem? Porquê?1

Schopenhauer trouxe à luz da discussão filosófica o termo Absurdo. Para ele, a simples noção de existência é um absurdo, justamente porque a vida não apresenta nenhuma outra razão, a não ser “a vontade de querer viver”, sem nenhum sentido aparente, o que resulta no pessimismo, na irracionalidade, e de certa forma, no conformismo da humanidade. Considerando também a noção de existência um absurdo, porém diferente do pessimismo radical de Schopenhauer, Sartre e Camus, por sua vez acreditam que essa absurdidade leva a humanidade à ação, revolução, e principalmente à recusa da conformidade. Afinal, se a vida não nos dá sentido, é necessário que este seja construído, logo angústia e pessimismo, manifestados diante do absurdo em nada se encontram relacionados à ausência de sentido da existência e do mundo.2

_ Sim verdade, a maioria das pessoas não querem a Deus, eles querem a paz, mas a paz do jeito deles. Não foi a toa que Jesus disse:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – (João 14:27 acf)

Este é o ponto. A paz que Cristo oferece não se baseia no suprimento de mera necessidades físicas, emocionais ou intelectuais, ela se baseia na redenção total de um ser humano depravado pelo pecado. Mas o mundo não quer isso, eles não querem submeter a Deus seus desejos, entretanto, eles querem independência dele precisando ser pacificados por Ele; e por causa dessa atitude de rebeldia, sofrem de angústia e de um sentimento de impermanência, sentem-se inadequados a esta existência e buscam novamente e erroneamente solucionar o problema de uma maneira rápida.
_ é muita ignorância que essa independência traz e o sr acha que o suicídio não tem perdão?
_ Acredito que o suicídio quando realizado por alguém sem o controle do seu poder de julgamento, fora do seu juízo perfeito como dizem, ou debaixo de uma pressão sobre humana, pode ser perdoado; fora disso ele é um pecado porque é produto do pecado como falei acima, da rebelião humana afinal de contas. Porque o suicídio quando é produzido diretamente pelo pecado torna-se responsabilidade do pecador vide o exemplo de Judas.
_ é um assunto complexo. Como o filho daquele Pastor americano Rick Warren que tinha problemas mentais e se suicidou, esse eu acredito que houve perdão.
_ Sim, mas não cabe a nós julgar o suicida. Apenas buscar ajudá-los antes deles cometerem o ato. Nós só precisamos cumprir o ministério que Paulo diz que todo cristão verdadeiro possui: reconciliar os homens com Cristo para serem redimidos, para tanto devemos pregar o evangelho e viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Charles Chu diz:

“… A liberdade é certamente louvável, mas parece ser uma faca de dois gumes, já que a escolha excessiva pode levar à indecisão paralítica, a expectativas maiores, estresse e eventual insatisfação, culpa e arrependimento”.

Por isso há quem diga com seriedade, olhando para a nossa sociedade atual, “Isto está tudo errado. É preciso deitar fora e começar de novo”, mas apesar do objetivo generoso e voluntarista, não se dá conta da arrogância sutil de que é vítima. O mundo é como é, e se por acaso a existência não lhe agrada, ninguém lhe dará outra. Nem a natureza nem a humanidade lhe têm de prestar contas. Ninguém o nomeou sequer juiz, quanto mais proprietário da realidade. Tudo o que temos é dom, pois nascemos nus das nossas mães. Isso significa que uma gratidão fundamental é condição prévia para abrir os olhos todas as manhãs. Uma vontade empenhada de melhorar o que há por mais louvável que seja, pode fazer-nos esquecer esta verdade. Seria suficiente dizer que as qualidades morais básicas dos seres humanos também não mudaram com o tempo, e que não há razão para pensar que quaisquer melhorias no comportamento humano que tenham ocorrido façam parte de um padrão de progresso inevitável, e deve ser enfatizado que não houve nenhuma melhoria real.
Outro problema do relacionamento do homem com a sociedade está em um mundo onde ninguém ou quase ninguém acredita que mudar a vida dos outros seja importante para a própria vida […] os vínculos humanos se afrouxaram, razão pela qual se tornaram pouco confiáveis, o que torna difícil o praticar a solidariedade e a empatia, do mesmo modo que é difícil compreender suas vantagens e, mais ainda, suas virtudes morais.
Unida a esse problema está a sensação de incapacidade do homem atual em alcançar a solução almejada, conforme demonstra Bauman:

“A insegurança e a incerteza nascem, por sua vez, da sensação de impotência: parece que temos deixado de ter o controle como indivíduos, grupos e coletividade”.3

O que precisamos para fazer bom uso da liberdade que tem sido disponibilizada a nós é ter discernimento, sabedoria espiritual (em grego, diakrisis). Mas discernimento não pode ser dado a uma criatura velha, pq ela fará as mesmas escolhas erradas de sempre. É preciso que o indivíduo tenha “nascido de novo”, se tornado escravo do amor de Cristo e possua um caráter transformado por uma visão de mundo diferente, onde consiga perceber a existência de algo maior e melhor do que esta realidade desfigurada pelo pecado humano e ação dos demônios.


1- https://medium.com/@lucaspinduca/the-despicable-immaturity-9c7ba7be8e45
2- https://medium.com/@lucaspinduca/anguished-postmodern-man-needs-salvation-dc0999895d14
3- http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo – Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 75-90.
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Devocionais para não devotos (II)

Nós só amamos porque ele nos amou primeiro. – 1 Jo 4:19

O noivado é um evento muito especial! O casal decide se unir em casamento, para passar o resto da vida juntos. Essa é uma grande decisão, que vai mudar a vida dos dois.
O noivado é um compromisso mais sério que o namoro mas ainda não é casamento. O noivado é o tempo de preparação para o casamento, organizando as coisas para começar uma nova vida juntos. É um passo importante no relacionamento.

O amor foi banalizado em nossa geração e muitas vezes é uma palavra empregada com diferente conotação. No entanto, é importante perceber que não é o mundo ou a sociedade quem define o que é o amor. Uma vez que Deus é amor (1 Jo 4:8), e Deus é imutável, o amor legítimo terá sempre a mesma conotação, o próprio Deus. O que isto significa em termos práticos? Significa que tudo aquilo que é bom e tudo aquilo que é perfeito procede de Deus. Nunca compreenderemos o amor, até reunirmos as condições que torne possível experimentar Deus é a sua bondade no cotidiano. Este experimentar não é algo meramente empírico. O amor é o ponto de partida é o destino final da ação de todo cristão. Quando praticamos o amor então Deus nos é revelado a nós. O teólogo Arthur W. Pink definiu o amor como “a rainha de todas as graças”, portanto, quando nos encontrarmos numa encruzilhada onde teremos que optar entre o amor é qualquer outra coisa, façamos a escolha pelo amor.

O povo com seu senso comum insiste em ver o amor como sentimento, mas o que a Bíblia revela é que amar é uma decisão. A famosa frase de Cantares de Salomão mostra claramente isto: “desperte o amor até que queira”. A Bíblia também coloca o amor como mandamento. Se o amor fosse apenas sentimento não seria um mandamento.
Entretanto, é preciso que fique claro, que o amor de Deus, que é diferente do amor natural, ele é derramado em nosso coração no momento em que O Espírito Santo passa habitar naqueles que creem. Então, a capacidade de amar como Deus quer que ame vem do próprio Deus, que derrama com O Espírito Santo o amor em nossos corações.
O amor é a virtude primária do Fruto do Espírito Santo em nós. Então, para que pratiquemos este amor é necessário andarmos no Espírito e não andarmos segundo as concupiscências da nossa carne. Desta forma, amaremos, e não cederemos aos apetites carnais pecaminosos. É preciso também a renúncia aos sentimentos e desejos que se opõem ao amor de Deus para que possamos viver em amor. O amor como uma decisão deve insistir na prática do amor mesmo quando não sentimos o amor. O amor de Deus tem a característica de perseverar mesmo quando a ambiência não favorece. Deus é amor e aqueles que são nascidos dEle amam.

Muitos agarram-se ao texto bíblico que diz que o “amor jamais acaba” para justificar a manutenção de uma relação que já chegou aos seus limites. O amor jamais acaba como um dom, como uma manifestação da graça de Deus para com os indivíduos e dos indivíduos para com o seu próximo. Mas o amor conjugal precisa um pouco mais do que fé e determinação. Este amor precisa de manutenção e de um renovar contínuo dos elementos que o envolve.
Muitos casamentos chegam ao fim quando um casal deixa de ter um sonho em comum. Outras relações são desfeitas pelo abuso de uma das partes na relação. E ainda há o caso do amor que simplesmente deixou de existir, foi desgastado pelo tempo, pela mesmice. O que resta? O conformismo. A tentativa incessante de manter a relação por meio de aconselhamentos, encontros de casais, o medo de um Deus irado que lançará todos os divorciados no inferno.
A Bíblia nos dá espaço para pensarmos nas duas direções. A primeira do divórcio como algo irremediável. Esta era uma prática comum entre os judeus. A segunda é entender que embora esta prática fosse comum entre os judeus, ela não era o ideal de Deus para os matrimônios, mas Deus permitida devido a dureza do coração humano. O certo é que em ambos os casos há uma permissão divina ou uma prática religiosa que buscava absorver esta prática na comunidade sem acrescentar mais dores. E talvez você me pergunte: “Mas o que Deus uniu poderá separar o homem?” A minha resposta a esta pergunta vai como outra questão: “E foi Deus quem uniu este casal?” Acredito que a resposta será dada à medida em que este casal seja capaz de vencer seus obstáculos, manter a paixão e interesse um pelo outro, continuarem a ser sexualmente atraentes um para com o outro. Não sendo este o caso, continuaremos a ver mais e mais divórcios na igreja, a medida em que as pessoas vencem seus medos e seus tabus.
Não acredito que a normalização do divórcio seja a solução para a igreja, no entanto, nem tampouco é o absolutismo. A pós-modernidade trouxe ao ser humano o sentimento de ser livre, e de fato ele o é, portanto, o amor entre um casal para sobreviver terá que passar pelos testes da vida. O importante é não divinizarmos nem satanizarmos as relações, mas examinar cada uma delas à luz de seu contexto existencial e buscarmos formas não apenas de salvar o casamento, mas as pessoas envolvidas nele.

Na verdade o que importa é a percepção que temos da vida, da sua brevidade, da sua volatilidade e daquilo que realmente importa, o amor de Deus por nós. Toda a nossa busca pelo ser e pelo ter esta relacionada com a falta de entendimento do amor de Deus por nós. Pensamos que para ser aceitos precisamos deste ter e deste ser. O amor de Deus não trata-se de um amor qualquer, mais do primeiro amor: Nós amamos porque ele nos amou primeiro. – 1 Jo 4:19 – Primeiro quando? Desde sempre! Conforme a Escritura nos diz: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai…” (1 Pedro 1:2) – Portanto, o desejo de Deus é que possamos abandonar esta busca pelo ser e pelo ter e que possamos nos voltar para ele, voltar para o seu primeiro amor. Isto não significa que devemos abandonar nossas aspirações na vida, mas que nunca devemos fazer delas uma prioridade. Nossa prioridade deve ser amar a Deus, glorificá-lo, e gozar dele para todo o sempre.
Nossa cura na verdade depende disso, depende do nosso retorno para Cristo e para o seu amor. Seu amor é estável. Ele nos ama hoje o mesmo que nos amou ontem, e nos amará amanhã o mesmo que nos ama hoje. Portanto, pouco importa a nossa fina e curta existência neste mundo, o que importa é que sou amado por Deus, que aceitei ser amado por ele, aceitei responder ao seu amor. Como diz a Escritura: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu…” (Cânticos 6:3).

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Devocionais para não devotos (I)

A partir de hoje publicarei pequenos devocionais para quem a fé costuma falhar (e quem nunca né?).

Viver com sabedoria. Nós precisamos ter a visão de Deus. Temos de nos enxergar como pessoas preciosas ao Senhor. Contudo, para que passemos a nos ver como Deus nos vê, é necessário que tomemos algumas atitudes. Isso requer obediência, submissão da vontade, mudança do coração e um espírito brando e dócil. Quando João Batista viu a Jesus, sua reação foi: É necessário que Ele cresça e que eu diminua (Jo 3.30). Em vez de buscar novidades, devemos focalizar e rememorar os valores bíblicos antigos; cuja observação nos mostra consequências eternas. E cuja reflexão nos faz abandonar as nossas convicções meramente humanas, nos apresentando verdades e valores divinos. Então a coisa mais importante é que, vivendo com sabedoria você tornar-se-á autêntico, e não um crente profissional, mendigando bênçãos em troca de jejuns, medindo horas de orações por vitórias temporárias.

“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono…” (Romanos 13.11.)

Será que realmente tem importância aquilo que pensamos de nós mesmos? Sim, tem. Se pensamos que somos lixo, nossa tendência será a agir como lixo.
Algumas pessoas não conseguem ter amigos, porque estão convencidas de que não têm nada a oferecer-lhes.
Enquanto acharmos que não prestamos para nada, enquanto estivermos preocupados com o que os outros pensam de nós, teremos muita dificuldade em amar o nosso próximo e até mesmo a Deus.
Quando ficamos no quarto, nos lamentando, com pena de nós mesmos, nos aproximamos do nível perigoso de achar que não temos valor nenhum.
Mas não somos “um joão-ninguém”, sem lugar no mundo. Deus nos criou e fez de nós um ser muito precioso.

E se por um lado precisamos encontrar uma forma moderada e controlada de fazer tudo aquilo que o homem tenha condição de fazer, desde que seja controlado interiormente pela razão e a sabedoria, condições estas que farão do homem uma pessoa verdadeiramente equilibrada em todas as suas atitudes; por outro, a vida cristã verdadeira passa pela fé cristã de um verdadeiro caráter cristão que está unido ao Espírito Santo e aos irmãos pelo vínculo da paz.

Temos de permitir que Deus e sua Palavra consertem nossas falsas ideias. É impossível uma pessoa viver de maneira certa, se seus conceitos são errados. Não podemos praticar a verdade, quando acreditamos num erro.
É falso o conceito de que Deus se agrada de uma atitude de auto depreciação, que ela é parte da humildade cristã e necessária à nossa santificação e desenvolvimento espiritual.
A verdade, porém, é que a auto depreciação não é a verdadeira humildade cristã. Essa atitude acha-se em oposição a alguns dos ensinos básicos da fé cristã.
O maior mandamento é que amemos a Deus com todo o nosso ser. O segundo é que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. Não temos aqui dois, mas três mandamentos: amar a Deus, amar a nós mesmos e amar aos outros.
Se você amar a Deus, a si mesmo e aos outros estará cumprindo toda a lei de Deus (Mateus 5.43-48). Esse é o eterno princípio do triângulo – um amor correto para com Deus, por nós mesmos e por outras pessoas.
A pessoa que possui uma imagem própria baseada no que Deus diz, é mais saudável, em todos os sentidos, do que aquelas que têm uma imagem própria negativa. Foi assim que Deus nos criou, e se agirmos de modo contrário, não apenas estaremos seguindo um conceito teológico errado, como também correremos o risco de ser destruídos.

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12.3.)

Pensando com moderação, não iremos nem nos subestimar nem nos superestimar. É Satanás quem nos confunde e nos cega nessas questões, quando nos faz acusações: – Olhe aí, você está ficando muito orgulhoso…
Contudo a verdade é justamente o contrário. A pessoa que tem uma imagem própria negativa está sempre tentando se mostrar. Ela tem de provar que está certa, em todas as situações, tem de mostrar seu valor. E geralmente fica tão envolvida em si mesma, que se esquece do Senhor. Ninguém pode amar aos outros incondicionalmente, quando precisa ficar o tempo todo tentando provar seu valor próprio.
A autonegação não tem nada a ver com a humildade cristã, nem com a santidade. A crucificação do eu e a entrega pessoal a Deus não exigem uma autoimagem inferior, que é diferente do que o Senhor pensa de nós:

“Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida.” (Isaías 43.4.)

Precisamos entender que nosso senso de valor próprio deve vir de Deus. Temos de formar nosso senso de valor próprio a partir do que Deus diz, e não dos falsos reflexos que vêm das outras pessoas, do diabo e, até mesmo, do nosso passado. Temos de fazer uma escolha que definirá a nossa vida:

– Vamos dar ouvidos a Satanás ( e todos que ele usa para nos incomodar) e a todas as mentiras que ele nos diz, às distorções e às mágoas do passado que nos mantêm aprisionados por certos sentimentos e conceitos acerca de nós mesmos, que não são cristãos nem saudáveis? Ou buscaremos nosso senso de valor próprio em Deus e em sua Palavra?

Além disso, a sabedoria nos apresenta os riscos do excesso e sua inutilidade. Algumas vezes pode ser perigoso, outras, inútil. Ela não proíbe o excesso. Proibir é próprio da lei e não da sabedoria. A sabedoria orienta ao cuidado. Muitos excessos são lícitos, ou seja, não são proibidos. Contudo, podem não ser convenientes. Cabe a cada um julgar com sabedoria cada situação. Isso é bem do estilo no tempo da graça. Permitamos que Deus nos ame, e deixemos que ele nos ensine a nos amar a nós mesmos, e a amar aos outros. Desejamos ser amados. Queremos que Deus nos dê segurança, que nos aceite. E, aleluia, ele faz isso. Contudo, por causa da programação nociva que recebemos de outras fontes, temos dificuldade em aceitar esse amor. Aliás, isso é tão difícil, que talvez prefiramos continuar a ser como éramos.
Querido, eu o desafio neste momento a iniciar esse processo de restauração, para que possa erguer bem alto sua cabeça, como filho ou filha de Deus.

Que Deus o abençoe hoje e sempre.

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