‘Takeaway’

Janeiro é o mês dos recomeços ou das novas empreitadas. E encontrar respostas significativas para os nossos problemas nem sempre é muito fácil não é mesmo? Muitas pessoas vivem em busca de um manual correto do bem viver, no entanto, nós cristãos sabemos que não existe nenhum manual maior ou melhor que o Modelo Vivo descido dos céus. Já que os ensinos de Jesus desvendam aos nossos olhos todo o mal existente no mundo e são eles também uma fonte de sabedoria e refrigério para o nosso dia a dia.

Ora, se já sabemos que no mundo teremos aborrecimentos e dores, sofrimento, não seria mais adequado que quem avisa deve apontar o caminho certo? Sim, porque nada poderá nos separar do amor de Deus ou nos fazer parar na caminhada, mas você, caro leitor, saberia porquê?

“Não foi como criança que acreditei no Cristo, que confessei sua fé. É de uma vasta fornalha de dúvidas que jorra meu Hosana” (Dostoiévski).

É necessário ter fé e vivenciar a mesma; estar coexistindo e estendendo a compaixão aos outros, e ao mesmo tempo não puxar, exigir ou apegar-se demais (também não deixarmos ser maltratados, pois o primeiro passo para o verdadeiro amor é o amor-próprio não egoísta, e sim, o auto-respeito e a autocompaixão, isto é, aplicar em si a mesma consideração madura e saudável).
Isso também está diretamente relacionado à compreensão do que fazemos e do que não controlamos, sabendo que: controlamos apenas a nós mesmos e nossas respostas. Nós não controlamos os outros ou o universo e não podemos impedir que mudanças aconteçam, mas podemos controlar como reagimos a elas.
Em filosofia nós até temos sugestões, pensamentos, ideias e questionamentos, mas nunca respostas definitivas para solucionar todos os problemas da humanidade; por maior que seja o filósofo ele sempre ficará devendo uma resposta para alguma questão que provoque insatisfação em sua vida. Como Antonio Tabucchi nos avisa “A  filosofia dá a impressão de lidar apenas com a verdade, mas talvez ela só diga fantasias”.

Por isso quando falo em filosofia, falo em convergir novas ideias, aprofundar pensamentos qualificados, beber da fonte das grandes reflexões. Redescobrir e se inspirar em um importante filósofo da história. Porque com um pouco de sabedoria e atenção sempre poderemos aprender algo com eles, vejamos o que diz Sócrates:


“A vida não examinada não vale a pena viver.”

Aqui está um pedido para você examinar todas as suas crenças, independentemente da amplitude,  procurando determinar o que é realmente verdade ou não. Sócrates muitas vezes pedia às pessoas que definissem uma virtude, como a coragem, apenas para descobrir que as pessoas que mais valorizavam não tinham ideia do que era. Somente quando nós examinarmos nossas vidas teremos possibilidades de melhorias. E quando não houver gentileza, gere gentileza. Seja simpático, empático e use de misericórdia com todos. Sofra como um bom soldado de Cristo. O texto áureo do Cristianismo, que se encontra no Evangelho de Mateus capítulo 7, versículo 12, nos diz claramente que o amor cristão é proativo.

Aos poucos dá para entender que a humanidade embarcou num caminho de separação. Separação da natureza, separação um do outro, separação da verdade, separação de Deus. É uma crise que, enquanto não estiver completamente resolvida, vai continuar gerando todas as demais crises que temos aí:  financeiras, econômicas, médicas, educacionais, ecológicas, energéticas, alimentares, entre outras. É uma crise múltipla que funciona como um parto que vai nos levar para fora deste mundo de separação e nos conduzir a uma nova história, de reunião, de encontro.

No mais, importante também é lembrar: apesar de todos os pesadíssimos apesares do ano que passou, todos os desafios que serão postos à nossa frente neste novo ano, a imanência da vida é absolutamente alheia às ideias demasiadamente humanas e continuará em seus devires. O sol continuará sendo o sol. O rio continuará a desaguar em alguma paisagem de abundante natureza deste nosso Brasil. O cachorro de rua ainda virá brincar e nos pedir carinho. Entre tantas outras coisas que, apesar e acima de tudo, simplesmente continuarão a ser. Por isso meu primeiro e único conselho é: antes de querermos tomar o mundo externo e resolver tudo à força, vamos começar pelo íntimo. Começar pelo cuidado com o nosso corpo, mente e com a nossa casa espiritual. E entender que as pessoas irão passar pela sua vida, mas nem todos serão protagonistas da sua história e nem sempre você será protagonista da história de outros . Há pessoas que são o caminho, não a chegada! E acredite, experiências ruins também nos fazem crescer. Estejam preparados!

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Devocionais para não devotos (VII)

Não é o Natal que está errado, nossas atitudes sim.

Sobre esta época do ano que gosto muito (sim gosto do Natal e de todo este clima de renovação e esperança de fim de ano): posso estar equivocado, mas o clima festivo não está muito em evidência este ano não é mesmo? Até as propagandas natalinas estão discretas e melancolicamente opacas. Temos um termo bem brasileiro para isto: borocoxô.

Não deveria ser assim mas… A história do nascimento de Jesus costuma ficar esquecida na estante durante a maior parte do ano. Todo fim de ano nós a recuperamos, tiramos o pó e a deixamos brilhar por algumas semanas. Mas, logo depois do Natal, nós a devolvemos à estante e ali a deixamos por mais onze meses sem nos darmos conta de que o Natal tem significado para todos os dias de nossa vida, pois ele estabelece um marco na história de nossa redenção. É uma mensagem de esperança que ratifica a verdade de que Deus sempre cumpre suas promessas, em seu tempo perfeito.

Qual a grande importância disso? Não está mais do que claro? Nós estamos vivendo na era do ódio. Estamos nos definindo muito mais pelo que rejeitamos do que pelo que adoramos. A extrema polarização tem permitido que quase 50% do país odeie os outros quase 50% do país – e o sentimento é mútuo. E nós sabemos: emoções intensas para um ser humano geralmente significam ódio ao invés de amor, embora não devesse. Talvez por isso tenho visto algumas pessoas, principalmente cristãos, rejeitando comemorar o Natal e usando vários argumentos para justificar suas atitudes como por exemplo, o The Christian Book of Why (O Livro Cristão dos Porquês) que diz: “os primeiros cristãos se recusaram a escolher uma data que indicasse o nascimento de Jesus”, pois queriam “se separar de todos os costumes pagãos”; ou as observações do The Externals of the Catholic Church (Os Costumes da Igreja Católica): “Ao dar ou receber presentes de Natal ou colocar guirlandas nas casas e igrejas, quem de nós poderia imaginar estar seguindo costumes pagãos?” e temos ainda o The Battle for Christmas (A Batalha pelo Natal), onde Stephen Nissenbaum diz que “o Natal não passava de uma festa pagã sob um manto de cristianismo”.

Por isso tudo a verdade precisa ser repetida (2Ts 2.1-15). Recordar as verdades sobre Cristo e o evangelho é importante para que a nossa sociedade não deturpe, com mitos e consumismo, nesta época do ano o ato sacrificial de Jesus em prol da humanidade. A repetição é pedagógica.

Ok, ok. Tudo bem pesquisar e estudar, buscar informações é importante. Mas “Não temos outra escolha: ama- se ou adoece-se.” (Freud); e não podemos esquecer, para nós cristãos Jesus é o Natal. Sabemos infelizmente que a tradição da festa natalina tem sido marcada por coisas estranhas ao verdadeiro Natal: egoísmo, consumismo, o engano da comunhão forçada e da solidariedade que só acontece uma vez no ano. No fim das contas, o clima “natalino”, as luzes, escondem as trevas que encobrem os corações. Natal é para ser o anúncio da verdadeira alegria. Da salvação que vem a todos através de Cristo*. Para nós cristãos essa é uma realidade duradoura e não apenas uma festa de fim de ano. As atitudes e comportamento gerados pela celebração natalina não precisam acontecer apenas uma vez ao ano, o amor implícito deve desde agora seguir em frente e para toda a vida. Quando criança, minhas listas de Natal preenchiam uma página, inspiradas por comerciais, catálogos e idas a loja de brinquedos. Hoje, minha lista de Natal é muito menor porque é composta das coisas que não podem ser compradas. Um pouco mais crescido, lembro que meus amigos e eu já cometemos este erro, de rebelar-se contra a comemoração natalina. Íamos para a pequena cozinha sentar-nos de costas para aqueles que estavam reunidos para celebrar mais um encontro entre amigos e familiares. Nós tínhamos as interações natalinas como uma cerca de arame. Trago a memória como foi desagradável comer o panetone seco do exílio, a maionese pegajosa na boca. As ameixas e passas da autoexclusão faziam nossas atitudes mais mesquinhas também. Na sala mais próxima, as garrafas de champanhe brilhavam imponentes como castelos georgianos pertencentes a aristocratas obesos. Os morangos com creme pareciam divinos e odiosos tanto quanto a risadaria solta na sala. Amadureci. Que possamos amar bem, buscar a paz e viver como Cristo nesta época natalícia.

O Natal moderno deve continuar a ser uma festa cristã cheia de simbolismo, apontando para Jesus. Mas isso não tem acontecido com grande intensidade! As luzes, os enfeites, falam da festa de Natal, mas não do verdadeiro Natal, que começa com o nascimento de Cristo, que vem ao mundo salvá-lo. A essência foi perdida. Não sem motivo as coisas parecem cada vez mais artificiais e vazias nessa época. Perguntas são inevitáveis: Onde você irá todos os dias, o que você fará, quem ou o que você irá encontrar, o que você dirá, o que acontecerá com você – tudo isso pode ser previsto para o próximo ano? As pessoas não podem prever todos esses eventos, muito menos controlar como eles se desenvolvem. Na vida, esses eventos imprevisíveis ocorrem o tempo todo e são eventos diários. Essas vicissitudes diárias e o modo como se desdobram, ou seus modos operacionais, são constantes lembretes à humanidade de que nada acontece ao acaso, que as ramificações dessas coisas e sua inevitabilidade não podem ser mudadas pela vontade. humana. Cada evento transmite uma advertência do Criador para a humanidade, e também carrega a mensagem de que os seres humanos não podem controlar seu próprio destino; ao mesmo tempo Cada evento é uma refutação da ambição selvagem e fútil e do desejo da humanidade de tomar seu destino em suas próprias mãos. Eles são como poderosos tapinhas nos ouvidos da humanidade, um após o outro, forçando as pessoas a reconsiderar quem, afinal, governa e controla seu destino. E como suas ambições e desejos são repetidamente frustrados e destruídos, os humanos naturalmente chegam à aceitação inconsciente do que o destino tem em reserva, uma aceitação da realidade, a vontade do Céu e a soberania. do Criador. Dessas vicissitudes diárias do destino de todas as vidas humanas, não há nada que não revele os planos e a soberania do Criador**. O advento do Natal trata de esclarecer tudo isso de uma maneira amorosa e simples: O salvador nasceu. Paz na terra aos homens de boa vontade.

Percebemos a necessidade de uma reflexão sobre tudo isso? Um auto exame físico nos ajuda a descobrir certas doenças, por sua vez, a reflexão sobre a nossa vida nos ajuda a pensarmos sobre a qualidade com que vivemos a nossa cristandade. Como anda a nossa vida com Deus e com o próximo? Como foi para você o ano que passou? Quais foram seus erros e acertos? Aonde você precisa melhorar? As perguntas podem se multiplicar! E como já nos alertava Eduardo Galeano, vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e o culto mais do que Deus. Precisamos resgatar a capacidade de achar bênçãos no meio do caos, uma busca que deve ser segundo a Carta aos Romanos 8:28: “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus.” Isto significa que mesmo no meio de muita coisa má, há sempre algo digno de ser aproveitado. Encher a mente de coisas boas não significa viver em negação. Antes significa que é sempre possível encontrar algo bom. A alegria andará sempre a par com a tristeza e com as dificuldades, pelo menos nesta vida. Quando encontrarmos Cristo, aí sim: tudo será alegre. Até lá, devemos procurar o que é certo, as bênçãos. E achando as bênçãos mesmo no meio de um cenário triste, vamos encontrar a alegria. Aquela alegria que invade o nosso coração de paz. A paz de Cristo.
Creio que datas como esta são momentos para pararmos e avaliarmos o que passou e projetarmos aquilo que virá. Projetarmos de forma sempre dependente de Deus sem arrogância, sem uma autoconfiança exacerbada, mas ciente que sem Deus nada podemos fazer. Então façamos um autoexame e comecemos um ano novo buscando a sabedoria de Deus, pois Ele dá liberalmente, aplicando-a em sua vida e praticando a prudência, a singeleza e a fé diariamente em todos os seus passos.


Não é o Natal que está errado, nossas atitudes sim. E se ainda posso desejar algo, desejo o melhor Natal a todos. E um ano novo também. Em Cristo Jesus.

* http://igrejadaabolicao.com.br/site/sermao/natal-fake

** https://www.kingdomsalvation.org/fr/gospel/fate-inseparable-from-Creator-s-sovereignty.html

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Devocionais para não devotos (VI)

Mas, o que é renunciar a si mesmo (baseado em Lucas 9.23)?
Certa vez alguém me disse: “Penso que renunciar a mim mesmo é algo mais difícil do que carregar a cruz. Renunciar a si mesmo é querer, de coração, deixar de fazer, ser, crer, o que queremos para nós, para nossa vida…e por amor a Deus, fazer o que Ele nos pede. Talvez com uma resignação mais intensa que a dos pais pelos filhos. É saber ser humilde, desprendido, é crer com o coração que Deus nos basta”. É uma boa reflexão.
Porque tudo o que temos visto e ouvido hoje em dia parece, e algumas vezes é, apenas produto do antropocentrismo, do ensino secular baseado na centralidade do homem. Do amor às riquezas, à honra, à fama, ao estilismo, elitismo, culturalismo, tudo nos desvia dos ensinos de Cristo. Não passa um dia em que não precisamos desconstruir algo que a modernidade tenta nos impingir como aceitável e valioso, mas que no fundo é apenas arrogância, autossuficiência e autopromoção.

A exigência de Jesus tem uma profunda razão: o pecado original “tirou os nossos olhos do Criador e os voltou para as criaturas”. Nos fez egoístas, egocêntricos, de certa forma ególatras, adoradores de nós mesmos. A queda original estragou a natureza humana; então, devemos abandonar as nossas preferências e, de novo, com a graça de Deus, buscar as de Deus. Aquilo que foi estragado deve ser abandonado; não é assim que fazemos com as comidas azedas?

Ainda bem que Deus, em Cristo, nos confronta e coloca, pelas escrituras, em nosso devido lugar. Claro que precisamos estar quebrantados, arrependidos e bem conscientes das nossas fraquezas, das nossas profundas limitações humanas.

Paulo nos ensina que devemos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Filipenses 2.5-8). Ou seja, devemos abrir mão daquilo que queremos mas não agrada a Deus, pois não produz nenhum acréscimo ao nosso relacionamento com Ele, e aprender Dele mansidão e humildade (Mateus 11.28-30), uma clara referência ao compromisso e lealdade que exige e oferece aos seus discípulos. Fazer a vontade de Deus é, em primeiro lugar, fugir de todo pecado; é uma luta contra nós mesmos; por isso Jesus disse que “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. (Mt 11, 12). Os violentos consigo mesmos; não com os outros. E isso é possível, com a graça de Deus, basta olhar a vida de todos os homens e mulheres na Bíblia que venceram pela sua fé. E fé é o oposto de auto-suficiência; Porque nós não somos suficientes para nós mesmos. É difícil renunciar a si mesmo; mas se Jesus manda isso, então, não pode nos negar a graça necessária.

Enquanto tantos buscam construir um edifício, uma nova vida, segundo a maneira antiga de viver, a nossa nova vida em Cristo pressupõe a superação do domínio da velha vida (II Coríntios 5.17). Precisamos ser reconstruídos pelo Evangelho de Cristo, sendo desconstruídos do velho caráter adâmico  e adquirindo uma nova maneira de viver. Só um caráter novo nos levará a escolhas novas e corretas, só um coração segundo o coração de Cristo nos fará entender que, vivendo, a vontade a ser respeitada, obedecida e desejada não será a minha.
Se Jesus manda que renunciemos a nós mesmos, isto é, a nossa vontade, trocar os nossos planos e desejos pelos Dele, é porque há algo de errado em nossas preferências, e que não nos faz felizes. É como se dissesse: “foge disso, lhe faz mal!”.
Renunciar a si mesmo não é jogar fora as nossas qualidades e muito menos enterrar os talentos; ao contrário, é desenvolvê-los para usar segundo a vontade de Deus para a nossa vida. O pecado original nos fez ficar “brigando com Deus”, disputando entre fazer a vontade Dele e a nossa. Quando fazemos a nossa ao invés da Dele, estamos pecando. É o mesmo que Adão e Eva fizeram no Paraíso e depois ficaram com medo de Deus e se esconderam do Criador.

A nossa desconstrução aponta para a nossa edificação no caráter de Cristo. A natureza dominada pelo pecado e pela morte é substituída pela natureza da santidade e da vida. A obra da cruz é a da nossa crucificação, morte e ressurreição com Cristo (Romanos 6.1-11; Gálatas 2.20). Não se trata de uma simples opinião e sim de que o crente reconheça que, pela sua união com Cristo, está realmente morto para o pecado, mas vivo para Deus.
Não há vontade melhor para a nossa vida do que a de Deus. Ora, será que existe alguém que seja mais sábio, douto e santo que Deus? Será que alguém nos ama mais do que Ele? Então, por que temer Sua vontade? Por que não abrir mão de algo que não produz uma melhora, um aprimoramento para esta vida incluindo também a póstuma?

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Para viver pleno e sem crises morais, minha felicidade e minha verdade não bastam?

Muitos pensadores discutem temas bem difíceis de serem abordados mostrando com sinceridade o lado oculto da vida moderna e fazendo com que os observadores pensem e olhem para os problemas a partir de diferentes ângulos. A maioria destas obras nos dão uma sensação surreal, mostrando muito do que poderia se esconder por trás da realidade. Ou seja, é possível entender muito sobre o mundo que vivemos hoje em dia apenas lançando uma luz sobre a situação em que grande parte da humanidade se encontra, fazendo-os repensar sobre suas (nossas) escolhas futuras. Esta deveria ser a atitude de todos,  cristãos ou não.

Quando olhamos para a ética da virtude percebemos que está incluído nela um relato do objetivo da vida humana ou o sentido da vida. Para Platão e Aristóteles, o objetivo era viver em harmonia com os outros e para isso as quatro virtudes cardeais foram definidas como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. A noção grega das virtudes foi posteriormente incorporada na teologia moral cristã. Os proponentes da teoria da virtude defendem que uma característica central de uma virtude é ser universalmente aplicável. É por isso que a minha verdade pessoal não pode me impedir de alcançar ou realizar um objetivo maior e mais importante. Ser ainda é maior do que existir. Alguém já não disse que o essencial ainda é invisível aos olhos? Se você começar a agir de acordo com o seu coração baseando-se em sua intuição e seguindo somente aquilo que você sente ser a direção correta, a sua vida fluirá naturalmente para algo que, sem julgamento de bom ou mau, será com certeza uma jornada ou missão mais confortável por ser mais individualista. Porque todos nós temos um propósito existencial sim, mas buscamos todo tempo realizar aquele que é mais agradável ou confortável.

A filosofia moral moderna gira cada vez mais em torno de uma ética baseada em reivindicações ou direitos, que são teorias éticas que se baseiam no Princípio Fundamental dos Direitos Humanos e outros direitos ou reivindicações do indivíduo. As teorias baseadas em direitos defendem que as pessoas têm direito a determinadas liberdades e são teorias liberais que se centram nos direitos das pessoas a certas liberdades, como a liberdade de expressão, de associação religiosa, etc.1

Estes direitos buscam, como têm sido definidos por vários pensadores, a felicidade ou o prazer (por oposição a tristeza ou dor) como finalidade última que também tem sido definida como a satisfação de preferências, podendo ser descrita como uma forma de encarar a vida onde a felicidade e o prazer assumem uma importância fundamental. Na prática utilizamos aqui o termo utilitário para referir­‑se frequentemente a um ponto de vista econômico ou pragmático, algo limitado. No entanto, o utilitarismo filosófico é muito mais amplo do que isto, por exemplo, algumas abordagens ao utilitarismo também tomam em consideração os direitos dos animais e das plantas para além das pessoas.

Entretanto, o Kantianismo afirma que os atos verdadeiramente morais ou éticos não se baseiam no interesse próprio ou na maior utilidade, mas num sentido do “dever” e num sentido daquilo que é certo e justo a um nível mais amplo (não obstante as consequências possíveis para o indivíduo e a sua utilidade para outrem). As Teorias Kantianas baseiam­‑se no trabalho do filósofo alemão Immanuel Kant (1724­‑1804), para quem o “imperativo categórico” é um elemento nuclear. Kant era da opinião que o ser humano ocupa um lugar especial no mundo e que a moralidade pode ser resumida a um mandamento fundamental da razão, ou imperativo, do qual todos os deveres e obrigações derivam. Um imperativo categórico denota uma exigência absoluta e incondicional que exerce a sua autoridade em todas as circunstâncias, tanto necessário como justificado enquanto fim por si só. Kant argumentou contra o utilitarismo e contra outras filosofias morais do seu tempo, porque, por exemplo, um utilitarista diria que o assassinato é aceitável se maximizar o bem para o maior número de pessoas; e aquele que se preocupa com a maximização do resultado positivo para si próprio, encararia o assassinato como aceitável ou como irrelevante. Portanto, Kant defendeu que estes sistemas morais não podem induzir uma ação moral ou ser vistos como a base para os juízos morais, pois baseiam­‑se em considerações subjectivas. Um sistema moral baseado no dever foi a sua alternativa. Mas seria isso o suficiente para uma vida sem crises morais e felicidade plena?

Vamos olhar para uma passagem bem conhecida de todos os leitores da Bíblia: um jovem rico aborda Jesus e pergunta­ qual a coisa boa que tem de fazer para adquirir a vida eterna. Jesus respondeu, “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos”. Quando o jovem responde que observa todos os mandamentos, incluindo “ama o teu próximo como a ti mesmo”, Jesus responde que “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me”. Nesta altura o jovem retira­‑se, o que leva Jesus a observar que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. Ouvindo isso, os discípulos ficam confundidos e pressionam Jesus, “Quem poderá pois salvar-se?”. Pedro até se lamenta, “Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?”.2

Como muitos de nós, o homem rico quer uma garantia de que terá vida eterna desde que faça a coisa certa, conformando-se com as tradições sociais e evitando o roubo, o adultério e o assassinato. Dado que o homem não pretende uma vida permanentemente miserável, a “vida eterna” significa aqui qualquer coisa como “uma vida duradouramente satisfatória”. Ele apega­‑se aos seus bens materiais como um indicador de que tem feito todas as coisas certas, ele pensa que teve sucesso junto da sociedade porque é virtuoso. E entretanto o homem não é feliz. Esta é a razão por que ele segue Jesus esperando compreender a sua desdita. Jesus indica que o seu questionador está morto e devia preocupar­‑se menos com a vida eterna e mais com a qualidade da sua vida neste momento. Jesus diz que o homem rico pode “começar a viver” (Mateus 19:17) se e apenas se cumprir os mandamentos, incluindo o mandamento crucial de amar o seu vizinho como a si próprio. Dado que o homem rico é obcecado com uma garantia da primazia – ele acredita que merece a vida eterna mais do que qualquer outro porque tem sido especialmente virtuoso – é difícil ver como pode ele amar o seu vizinho como a si próprio. A sua vida tem sido devotada a ultrapassar os outros, batendo­‑os na corrida para a aquisição de marcas sociais de virtude e para ser feliz. Não admira, pois, que os discípulos estejam agitados: desistiram de tudo para serem preferidos, aos olhos do céu, por causa da sua especial virtude! Eles compartilharam a sua sorte com Jesus precisamente porque esperam que ele lhes garanta toda a espécie de coisas boas. Não é por acidente que, imediatamente após este encontro, vemos a mãe dos discípulos Tiago e João pedir a Jesus que sente os seus filhos à sua direita e à sua esquerda no Reino dos Céus. Ainda aqui, nós vemos Jesus dizer ao homem rico para não o apelidar de “bom” e para não olhar para ele como quem concede vida eterna. Nem mesmo Jesus pode tornar fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha ou que um rico entre no Reino dos Céus. Apenas depois de sermos aperfeiçoados, desistindo de acreditar na primazia social, podemos experimentar uma satisfação duradoura. Os discípulos mentiram a si próprios. Eles não desistiram de tudo, estão tão agarrados como o homem rico ao sistema social de primazia e à crença de que a conformidade com a Lei Moral garante felicidade. Apenas querem inverter esse sistema, de forma que humildes pescadores como eles próprios apareçam no topo. Neste aspecto, estão ainda mais decepcionados que o homem rico. O homem rico pelo menos reconhece a força da sua prisão, partindo “triste” porque, embora não esteja disposto a desistir da sua grande riqueza, sente que há mais na vida que a sua existência passada e presente. Os discípulos, em contraste, partilham do vínculo do homem rico mas não o admitem. Estão convencidos de que seguem um caminho diferente e mais virtuoso rumo à felicidade.

A suma de tudo é: todo homem é confrontado na sua vida em sociedade com dilemas de ordem ética, umas de maior e outras de menor complexidade. A escolha entre o “certo” e o “errado” é uma constante na vida das pessoas. Mesmo para aquelas que se decidem entre o “permitido” e o “interdito”. Os comportamentos são pois determinados por uma ideia ética subjacente. A ética é de grande importância para a vida das pessoas e das sociedades, sendo um traço característico daquelas sociedades que são mais fortes, coesas e solidárias. O declínio da religião, concebida como um sistema de crenças dogmáticas, e a necessidade desta sociedade por uma nova espiritualidade são cada dia mais evidentes. A ciência pode ajudar a prever as consequências das nossas ações, mas nenhuma ciência é capaz de nos dizer como nós devemos agir numa questão de natureza moral. Por isso uma nova espiritualidade implica numa nova conduta (virtuosa), que pode encontrar na atitude de amar ao próximo o seu modelo.3

Para tanto, dever­‑se-ia: dizer a verdade; corrigir os males que se causaram a outrem; agir com justiça; ajudar os outros, respeitando a virtude, a inteligência e a felicidade; dar graças a Deus; e evitar prejudicar outrem. E são estas coisas que um caráter que não foi tratado não pode fazer sem uma metamorfose profunda das suas escolhas, simplesmente porque mudar caráter é mudar algo essencial. E onde o confronto entre a minha verdade e a universal poderia revelar as minhas fraquezas,  inadequações ou falta de virtudes (aquelas que sempre achamos ter) eu o evito, o máximo possível, impedindo um crescimento moral e espiritual necessário e valioso.

Aumentar nossa compreensão pessoal de que a maior de todas as virtudes é corresponder ao imperativo de Jesus, amar a Deus e ao teu próximo, isso não diminui de nenhuma forma a possível paz de alma de outra. É por isso que os discípulos não deviam estar preocupados em saber se o homem rico entra no Reino dos Céus: o seu destino não afeta nem um pouco a sua perspectiva de felicidade. Mas o contrário é verdadeiro. Preocupar-se sobre se temos mais ou menos virtude que a pessoa ao lado e se a sociedade nos deu o que merecemos, impede a nossa capacidade de prosperar em tudo. Em vez de gastar o seu dia preocupando­‑se sobre se é moralmente superior e merecedor da sua riqueza, melhor teria sido que o jovem rico tivesse pensado porque é que os seus esforços de obediência moral o foram deixando estranhamente vazio. Bem, penso que percebemos melhor algumas coisas quando a nossa perspectiva muda. É sempre no deserto onde a sede ganha um significado mais forte e acredito que autenticidade não pode significar apenas subjetividade egoísta ou mero hedonismo disfarçado de empatia. Nas palavras de Kant: “Agir de modo a tratar os outros como fins e não apenas como meios”.4

1-http://www.ceic-ucan.org/wp-content/uploads/2017/02/COMPENDIO_ETICA.pdf

2-https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/19/16-27

3-https://oficinadopinduca.wordpress.com/2011/07/07/a-crise-das-instituicoes/

4-https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-moral-dever-kant.htm

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Devocionais para não devotos (V)

“Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.”

“Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil. E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia. Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” (1 Coríntios: 10. 1-14).

Como é que a sua trajetória pessoal se cruza com a trajetória de Israel? O versículo 6 diz: “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, para que nós não almejemos coisas más, como eles cobiçaram.” Paulo escreveu sobre sua jornada para nos ajudar a evitar os mesmos erros na nossa. Nos versículos 7-10, Paulo aponta para quatro coisas más que eles fizeram:

“Não vos torneis, pois, idólatras” (v.7) – “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” A raiz do pecado é a idolatria. Por isso não vamos agir imoralmente (v.8) – Quando as pessoas agem de forma imoral, eles colocaram o seu desejo pecaminoso e prazer imediato a frente de Deus.

“Nem tentemos o Senhor” (v.9) – Quando as pessoas tentam a Deus, é porque eles colocaram os seus planos, suas ações e sua agenda a frente de Deus.

“E não murmureis” (v.10) – Quando as pessoas reclamam, eles colocaram o seu conforto, sua sabedoria e sua perspectiva a frente de Deus.

Agora reflitam sobre o versículo 12. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”. À primeira vista, podemos pensar que a jornada de Israel e nossa jornada são completamente diferentes. Acho que essa é a advertência do versículo 12. Se você pensa que está de pé, se você acha que isso não se aplica a você, tome muito cuidado para que você não caia nas mesmas armadilhas.

A ênfase aqui é “Tenha cuidado com o que declara a sua inocência.” Ninguém está livre de errar, ou sem culpa, ou sem pecado. Quem nunca colocou algo ou alguém a frente de Deus e praticou idolatria? Há alguém que não tenha se envolvido em alguma forma de imoralidade? Quem já não ouviu claramente a voz de Deus, conheceu a sua vontade e o desobedeceu tentando aumentar os limites da sua graça para ampliar a possibilidade de fazer valer a sua vontade? Quem nunca resmungou e reclamou com Deus sobre o que está passando, incomodando, e o acusou de não agir em seu favor, em como Deus não buscou o seu melhor interesse?

Somos todos culpados desses tipos de pecados. Se nós não vemos o nosso envolvimento neste tipo de comportamento, corremos o risco de descansar em nossa suposta inocência. E quando descansamos em nós mesmos em vez de permanecer dependente de Deus, é só uma questão de tempo antes de cair. No versículo 13, Paulo nos diz que nenhuma tentação ultrapassou nossas forças. Logo, Deus vai fazer um caminho para você escapar porque Ele sempre está atento. No versículo 14, ele nos mostra o caminho para escapar. Ele começa novamente com uma palavra de conexão, “portanto”. No fim, o pecado sempre cresce a partir da raiz de idolatria ao ego. A resposta de Paulo para evitar os mesmos erros que Israel… Fugi da idolatria.

O pecado, qualquer que seja, existente e alimentado dentro do coração, pode criar problemas sérios à alma humana, levando-a ao desregramento (desordem), confusão, culpa, desespero, desesperança e mesmo à depressão e ao suicídio.

Agora mesmo, você está colocando algo ou alguém a frente de Deus? Você está resmungando sobre como Deus o está tratando? Você está agindo baseado em sua própria sabedoria, sabendo que ela entra em conflito com os ensinamentos de Deus? Você está deliberadamente pecando e testando os limites da graça? Ou você acha que nada disso se aplica a você?

Então é preciso esclarecer. Se os efeitos ou os sintomas do seu comportamento são maus a luz da Bíblia, devemos colocar a etiqueta certa neste comportamento: “comportamento mau”; no caso pastoral e bíblico, a etiqueta seria “pecado”, ou seja, “comportamento pecaminoso”.

Depois de descobrir que seu comportamento é um “comportamento mau ou pecaminoso”, busque mudá-lo. Reparem bem que estou dizendo que se o comportamento da pessoa é mau, é pecaminoso, este comportamento deve ser condenado. Não a pessoa! A pessoa precisa de ajuda e restauração.

Devemos procurar as causas que estão me levando a esse “comportamento mau”. Lidar com estas causas, sem flexionar a verdade para acomodar as minhas vontades, tentando identificá-las e procurando resolvê-las através dos meios terapêuticos e pastorais à nossa disposição.

De igual modo, não posso dizer a um prostituto, prostituta, alcoólico, drogado, vigarista, violento e homicida ou alguém que tem um “mau comportamento”, que isso não faz mal, que ele pode continuar, que ninguém tem nada a haver com o seu comportamento e que, por final, ele nem é culpado das causas que o levaram a isso. Isto é relativização da moral cristã. Não vamos atacar a pessoa, mas vamos identificar o comportamento como “mau ou pecaminoso” e atacar as causas procurando providenciar a cura física, emocional e espiritual para a si ou para o outro que nunca tiveram o cuidado ou a coragem para lidar de frente com esses problemas e procurar a libertação e cura, que forçosamente deverá passar pela confissão, o arrependimento e a Fé em Cristo.

Porquê há pessoas que sofrem toda a vida de um problema, mas vão “ventilando” o problema, ou “negando” o problema, ou “racionalizando o problema”, ou buscando “bodes expiatórios” culpando outras pessoas e situações como sendo os principais responsáveis por esses maus comportamentos, em vez de os confrontar de frente e procurar o perdão, a libertação e a cura!

Ouça com atenção o aviso novamente: quem pensa estar de pé tome cuidado para que não venha cair. Para empreender uma jornada pessoal de sucesso é necessário estar pronto a sacrificar um pouco do conforto emocional e físico que o nosso ego busca desesperadamente nos proporcionar.

Deus abençoe a sua caminhada!

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Devocionais para não devotos (IV)

Como o mundo vê o cristão hoje?

O ponto central da pergunta que dá título ao texto é mostrar que nós cristãos estamos falhando em apresentar Jesus ao mundo. Estamos julgando as pessoas pela aparência, estilo de vida, vocabulário entre outras tantas coisas. Estamos isolados em guetos, onde fazemos pouca influência para o mundo a nossa volta. Penso que devemos pregar menos doutrina denominacional e espalhar mais o Amor de Deus, como Cristo nos ensinou. Sabe o que mais incomoda?  As pessoas atualmente têm duas visões básicas: a ideologia e o testemunho. A ideologia é o que idealizam de Jesus e do cristianismo (um bom homem, que amava, que ajudava, que acolhia) e o testemunho, aquilo que vêem através dos cristãos (dízimo haha, preconceito, manipulação, etc.). Meu Deus!! É nossa missão mostrar o verdadeiro cristianismo. Se as pessoas não veem Jesus em nós  (alguém que não só ama ajuda e acolhe, mas salva e liberta o ser humano do seu pecado ancestral) então estamos falhando miseravelmente em nosso dever.

E como temos falhado em  acolher a todos! Por causa de uns, todos os cristãos são rotulados. Quando houve a reforma protestante, 500 anos atrás, o intuito  era acabar com a falsidade da igreja católica, a hipocrisia dos líderes, acabar com a venda de indulgências (salvação), retornar a prática do  que nos ensina os evangelhos, e hoje em dia o que vemos é justamente as igrejas protestantes só usando o dinheiro , e só pensando no dinheiro.

Na verdade Cristão é aquele que serve ou segue a Cristo, os seguidores de Cristo da igreja primitiva não eram chamados de cristãos e sim de discípulos, os mesmos só passaram a ser chamados de cristãos na Antioquia da Síria conforme o livro de Atos dos Apóstolos capítulo 11 e versículo 26. A palavra cristão significa pequeno Cristo ou pertencente a Cristo, logo não é todo religioso que pode ser chamado de cristão, mesmo porque, existem muitos religiosos que odeiam os cristãos.

Mas você não acha curioso o fato de a parte final de Atos 11:26 dizer: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”? O que considero mais interessante é a simples idéia de que não foram os cristãos que inventaram este nome para si. Em vez disso, eles foram chamados (ou designados) “cristãos” por aquelas pessoas que observavam a vida que eles levavam. Fico pensando se a mesma coisa aconteceria hoje em dia. Será que alguém seria capaz de olhar para sua vida ou para a minha e nos chamar de “cristãos”? Com certeza, esta é uma pergunta diante da qual não dá para permanecer com uma postura arrogante. *

Ah sim, é preciso que a sociedade entenda que ter uma opinião e um conceito pessoal sobre algumas questões baseados na Bíblia, não faz de nós cristãos preconceituosos porque simplesmente o mundo atual nega verdades absolutas ou a existência de um Deus criador; somos apenas influenciados para agir baseados em um amor ao próximo  que não segue o padrão comum e é simplesmente aquilo que recebemos e acreditamos do nosso Deus. E que não são todos os cristãos que fazem isso.

Os “CRISTÃOS” são todos aqueles que entenderam a mensagem da Cruz, são todos aqueles que entenderam Efésios 2, que a vida é limitada e Deus mudou isso nos prometendo a vida eterna; é exatamente isso que temos que entender, quer seja no céu ou no inferno, iremos pra um desses lugares, portanto devemos entender a mensagem da Cruz e se agarrar ao padrão de vida que Jesus ensinou quando estava na terra. Onde é possível fazer a diferença sim. Porque quando renovamos nossa mente através da palavra de DEUS, ela nos ajuda no dia a dia a refletir o seu caráter. Perfeitos não somos. Você cai, você se levanta, você comete erros, você vive, você aprende. Você é humano, você não é perfeito. Você muitas vezes é ferido, mas você ainda está vivo. Por isso agradeça a Deus pelo privilégio de ter o seu coração batendo e conseguir respirar, pensar, amar, perdoar, recomeçar, e ir atrás dos seus sonhos, pois a palavra diz que Deus não tem prazer naquele que retrocede (Hb 10:38).Todo dia precisamos avançar um degrauzinho, subir um por um… Eu preciso me avaliar, reconhecer as mudanças que Jesus tem feito em mim e agradecer, dizer Senhor agora me ajuda a melhorar nisso, ainda falta isso; não se deixar corromper no dia a dia por medo do que vão pensar de nós… corrupção não  envolve só dinheiro, é tudo que nos afasta de Jesus, da sua maneira de viver, da sua verdade. E ao contrário de alguns que dizem e vivem o contrário, ser Cristão trata apenas de obedecer a Deus e sua vontade, não de glamour.

Eu observo esse fato, que contrasta a austeridade dos cristãos “raiz” com o Hillsong de marca de Justin Bieber, ou o evangelho da prosperidade onde “Jesus dará a você um milhão de dólares” de Joel Osteen.**

“Eu gosto de dizer que não estamos construindo uma marca, estamos proclamando um nome. Não é sobre nós. Queremos que o único holofote que tenhamos brilhe sobre Jesus ainda que seja metaforicamente”, diz Treat***. “Somos tradicionais em nossa teologia sobre o que significa ser um cristão. Quando as pessoas veem jovens cristãos reunidos no meio da igreja moderna, muitas vezes há uma suposição: “Ah, eles devem ter de alguma forma adaptado a fé para aquilo que esta nova geração gosta”. Mas o que devemos fazer é contextualizar o evangelho e não adaptá-lo”.

*Extraído de LOUCO AMOR, MARAVILHADO COM UM DEUS QUE NUNCA MUDA, FRANCIS CHAN com Danae Yankoski.
**https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682
***https://medium.com/s/story/jesus-mary-and-joe-jonas-605c763ce682

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Devocionais para não devotos (III)

Como escapar do desesperançado vazio de toda esta vida?

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/anthony-bourdain-escritor-e-apresentador-americano-morre-aos-61-anos.ghtml

Esse apresentador famoso se suicidou e um dia antes dele um ex colega de trabalho de um colega de equipe também se suicidou, a coisa tá feia. A morte do cozinheiro é o segundo suicídio de uma celebridade americana seguido. Três dias antes, a estilista Kate Spade foi encontrada morta em seu apartamento. A polícia de Nova York confirmou que ela cometeu suicídio por enforcamento.
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA citados pela agência Reuters, as taxas de suicídio aumentaram em quase todos os estados do país de 1999 a 2016.
Quase 45 mil pessoas cometeram suicídio em 2016, tornando o problema uma das três principais causas de morte nos EUA, juntamente com a doença de Alzheimer e overdoses de drogas.
Existe hoje uma busca por uma verdade que pudesse pacificar a existência humana,  que integrasse o espiritual e a nossa realidade, mas que infelizmente o mundo tem procurado fora da verdade bíblica chamada por nós cristãos de palavra de Deus. O que encontram é uma verdade humanista que é sempre uma tentativa de reconciliação entre o que eu quero neste mundo e no vindouro, mas não consegue produzir uma trégua longa ou uma paz suportável porque não resolve o conflito existencial humano. Quem sou eu? O que devo fazer com aquilo que sou? Para quem? Porquê?1

Schopenhauer trouxe à luz da discussão filosófica o termo Absurdo. Para ele, a simples noção de existência é um absurdo, justamente porque a vida não apresenta nenhuma outra razão, a não ser “a vontade de querer viver”, sem nenhum sentido aparente, o que resulta no pessimismo, na irracionalidade, e de certa forma, no conformismo da humanidade. Considerando também a noção de existência um absurdo, porém diferente do pessimismo radical de Schopenhauer, Sartre e Camus, por sua vez acreditam que essa absurdidade leva a humanidade à ação, revolução, e principalmente à recusa da conformidade. Afinal, se a vida não nos dá sentido, é necessário que este seja construído, logo angústia e pessimismo, manifestados diante do absurdo em nada se encontram relacionados à ausência de sentido da existência e do mundo.2

_ Sim verdade, a maioria das pessoas não querem a Deus, eles querem a paz, mas a paz do jeito deles. Não foi a toa que Jesus disse:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” – (João 14:27 acf)

Este é o ponto. A paz que Cristo oferece não se baseia no suprimento de mera necessidades físicas, emocionais ou intelectuais, ela se baseia na redenção total de um ser humano depravado pelo pecado. Mas o mundo não quer isso, eles não querem submeter a Deus seus desejos, entretanto, eles querem independência dele precisando ser pacificados por Ele; e por causa dessa atitude de rebeldia, sofrem de angústia e de um sentimento de impermanência, sentem-se inadequados a esta existência e buscam novamente e erroneamente solucionar o problema de uma maneira rápida.
_ é muita ignorância que essa independência traz e o sr acha que o suicídio não tem perdão?
_ Acredito que o suicídio quando realizado por alguém sem o controle do seu poder de julgamento, fora do seu juízo perfeito como dizem, ou debaixo de uma pressão sobre humana, pode ser perdoado; fora disso ele é um pecado porque é produto do pecado como falei acima, da rebelião humana afinal de contas. Porque o suicídio quando é produzido diretamente pelo pecado torna-se responsabilidade do pecador vide o exemplo de Judas.
_ é um assunto complexo. Como o filho daquele Pastor americano Rick Warren que tinha problemas mentais e se suicidou, esse eu acredito que houve perdão.
_ Sim, mas não cabe a nós julgar o suicida. Apenas buscar ajudá-los antes deles cometerem o ato. Nós só precisamos cumprir o ministério que Paulo diz que todo cristão verdadeiro possui: reconciliar os homens com Cristo para serem redimidos, para tanto devemos pregar o evangelho e viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Charles Chu diz:

“… A liberdade é certamente louvável, mas parece ser uma faca de dois gumes, já que a escolha excessiva pode levar à indecisão paralítica, a expectativas maiores, estresse e eventual insatisfação, culpa e arrependimento”.

Por isso há quem diga com seriedade, olhando para a nossa sociedade atual, “Isto está tudo errado. É preciso deitar fora e começar de novo”, mas apesar do objetivo generoso e voluntarista, não se dá conta da arrogância sutil de que é vítima. O mundo é como é, e se por acaso a existência não lhe agrada, ninguém lhe dará outra. Nem a natureza nem a humanidade lhe têm de prestar contas. Ninguém o nomeou sequer juiz, quanto mais proprietário da realidade. Tudo o que temos é dom, pois nascemos nus das nossas mães. Isso significa que uma gratidão fundamental é condição prévia para abrir os olhos todas as manhãs. Uma vontade empenhada de melhorar o que há por mais louvável que seja, pode fazer-nos esquecer esta verdade. Seria suficiente dizer que as qualidades morais básicas dos seres humanos também não mudaram com o tempo, e que não há razão para pensar que quaisquer melhorias no comportamento humano que tenham ocorrido façam parte de um padrão de progresso inevitável, e deve ser enfatizado que não houve nenhuma melhoria real.
Outro problema do relacionamento do homem com a sociedade está em um mundo onde ninguém ou quase ninguém acredita que mudar a vida dos outros seja importante para a própria vida […] os vínculos humanos se afrouxaram, razão pela qual se tornaram pouco confiáveis, o que torna difícil o praticar a solidariedade e a empatia, do mesmo modo que é difícil compreender suas vantagens e, mais ainda, suas virtudes morais.
Unida a esse problema está a sensação de incapacidade do homem atual em alcançar a solução almejada, conforme demonstra Bauman:

“A insegurança e a incerteza nascem, por sua vez, da sensação de impotência: parece que temos deixado de ter o controle como indivíduos, grupos e coletividade”.3

O que precisamos para fazer bom uso da liberdade que tem sido disponibilizada a nós é ter discernimento, sabedoria espiritual (em grego, diakrisis). Mas discernimento não pode ser dado a uma criatura velha, pq ela fará as mesmas escolhas erradas de sempre. É preciso que o indivíduo tenha “nascido de novo”, se tornado escravo do amor de Cristo e possua um caráter transformado por uma visão de mundo diferente, onde consiga perceber a existência de algo maior e melhor do que esta realidade desfigurada pelo pecado humano e ação dos demônios.


1- https://medium.com/@lucaspinduca/the-despicable-immaturity-9c7ba7be8e45
2- https://medium.com/@lucaspinduca/anguished-postmodern-man-needs-salvation-dc0999895d14
3- http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo – Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 75-90.
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