Devocionais para não devotos 56

Cada respiração que tomamos é uma tentativa de permanecer eternamente jovens. De pelo menos atrasar o tempo para fazermos tudo o que desejamos, uma vez na vida e para sempre. Dizemos: ouve o teu coração, pois nunca deixes de acreditar. Não te deixes levar pela vida. Precisamos continuar conversando para que não te esqueças de mim.

Como em uma oração, assim nos deixamos levar a uma conversa moderna sobre pequenos crimes e desejos — nossos pequenos pecados. Onde cada amor que amamos e deixamos de amar altera a maneira como caminhamos pela vida, altera a trajetória de nossa travessia ao longo da costa do eu. Onde temos construído os castelos de areia de nossas vidas e os imaginamos como fortalezas de granito, para então assistirmos, perplexos, às ondas de nossa inconstância levarem-nos embora, juntamente com as pegadas do construtor ao longo da costa do eu. E aqueles que não conseguem reconstruir sua própria vida em tempo hábil acabam se saindo mal. Recomendo a Parábola do Sábio e do Insensato (em Mateus 7:24-27) sobre construir na rocha ou na areia.

É exatamente por isso que precisamos saber que nosso tempo é finito e fazer com que valha a pena. A vida é finita, mas muitas pessoas acumulam tarefas e adiam o descanso, a convivência ou a reflexão como se pudessem sempre “compensar mais tarde”.

Por isso, os milagres, religiosos ou não, permanecem como um lembrete de que, por vezes, as coisas mais poderosas não são planejadas, elas simplesmente acontecem. Não se trata de intensidade emocional; trata-se de uma entrega real. De acreditar profundamente.

É por isso que empatia não tem religião.
Quando alguém que não compartilha da nossa fé nos incentiva a não desistir dela, isso prova que essa pessoa enxerga o valor do nosso bem-estar emocional acima de qualquer debate ideológico. É o amor humano sendo maior que as diferenças intelectuais. Uma bela lição de respeito!

A única constante é que continuamos caminhando, que permanecemos peregrinos da possibilidade — porém juntos — vivendo em oração, em um círculo de pessoas, sentindo uma vez na vida e para sempre que todo ato criativo é um ato de travessia e que não basta começar a caminhar com fé por impulso; é preciso saber que haverá desafios e estar pronto para ir até o fim (Lucas 14:28-30).

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Devocionais para não devotos 55

Santo Agostinho disse que a fé “não é algo que temos, mas algo que construímos”.

Além do significado mais conhecido, que é nos fazer confiar em Deus e em nós mesmos, a palavra fé traz junto um outro sentido, um jeito de enxergar a vida que diz muito sobre quem somos e a nossa jornada que precisa ser construída em um período de tempo que não controlamos e não sabemos quando acabará.

Já tentou entender a própria vida enquanto fala para si “vai descobrir se a escolha foi realmente sua, ou se foi levado, se se enganou, ou se a travessia era tudo o que havia”? Porque muita vida também se perde assim, sem explosão, dentro de dias corretos, inteligentes e quase parados.

Porque ser humano é conviver diariamente com falhas, limites, inseguranças e partes nossas que nem sempre conseguimos mudar.
Quando somos mais jovens, quase sempre queremos ser outra pessoa. Mais fortes. Mais bonitos. Mais aceitos. Mais suficientes.

Como se o existir fosse uma disputa constante para tentar escapar da própria essência. Mas chega um momento em que a vida obriga a gente a olhar para si de verdade. Com suas qualidades, mas também com os seus defeitos.
Porque algumas imperfeições não serão apagadas. Elas fazem parte da nossa construção humana.
E amadurecer talvez não seja se tornar perfeito, mas aprender a se aceitar sem viver em guerra contra si mesmo o tempo inteiro.

Geralmente nos vemos envolvidos em uma crise de fé porque deixamos de possuir o que tivemos ou porque deixamos de estar onde estivemos um dia. A lembrança do que fomos ou do que tivemos gera em nós inquietação e frustrações.

Às vezes por ter sentado num corredor de hospital, ter visto uma ambição murchar, ter transformado um amor em assunto difícil, ter carregado uma vergonha sem encontrar frase boa para ela.

Outras vezes por ter passado por uma situação parecida, ter reconhecido uma fraqueza própria, ter perdido a confiança numa pessoa, numa ideia ou numa versão de si mesmo. Ter se afundado no álcool, na culpa e na recusa de ser salvo.

É necessário entender que ninguém acorda totalmente pronto. Todos estão tentando lidar com dores, erros, culpas e partes internas que ainda não sabem como curar.

A vida comum é assim. Sabemos que seguir em frente quase sempre exige a convicção de que vai dar certo. O clássico “Se eu não acreditar em mim, quem vai?” é uma crise quando somos levados a viver uma situação que não gostaríamos de experimentar. A crise confunde a gente, provoca ansiedade, transmite insegurança para a tomada de decisões. Até perceber Deus se movendo em nosso favor enquanto somos pressionados pelos sofrimentos não nos é comum, pois enquanto sofremos, somos oprimidos por dúvidas sinceras como também por temores diários.

Há ajuda por perto, há amor por perto, há caminhos de volta, e mesmo assim pensamos muito, organizamos comissões, discutimos projetos, trocamos ideias, preparamos grandes movimentos e acabamos percebendo que não saímos do lugar, continuamos ali.

É quando tudo começa a importar menos do que a percepção de estar passando tempo; quando olhar pela janela não abre exatamente o mundo, apenas confirma a distância diante de um corpo que, dia a dia, deixa de aceitar ordens, quando percebe que a proximidade da morte pode alterar até o modo de olharmos uma mesa, uma janela, uma foto.

Consegue ver essa diferença tornar-se mais cruel quando todo o interesse se desloca do grande destino para o acúmulo dos dias? Para uma vida que se altera por decisões tomadas sem plena consciência, por mal-entendidos, por cansaço, por uma conversa aparentemente secundária?

Quando essa mudança está acontecendo, você aparentemente sabe muito e vive pouco só para evitar tornar-se incapaz de lidar com o corpo, o dinheiro, o desejo, a rua, as outras pessoas. Se o leitor já chegou neste momento de perceber o fim, então perdeu o futuro e conserva apenas a lucidez de quem assiste ao próprio desaparecimento com bons modos, obedecendo a costumes, cargos, ideias e sistemas morais já gastos, mas ainda em funcionamento. E continua trabalhando, desejando, negociando suas escolhas, repetindo formulas antigas.

Querido leitor, entende que muitas derrotas importantes acontecem sem barulho, sem porta batida, sem data clara para marcar o começo do erro? Um casamento mal lido, uma expectativa depositada na pessoa errada, dinheiro gasto futilmente, vaidades de vaidades, generosidade sem cálculo, pequenas concessões, seus desvios… evidências de que certas quedas deixam de parecer acidente quando já são rotina.

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Devocionais para não devotos 54

Desde o momento em que nascemos, primeiro nossos pais, depois todos ao nosso redor — educação, cultura, religião, tradição etc. — direcionam nossa atenção para um ponto específico do espectro geral da consciência humana que as pessoas em nosso tempo e lugar definem como “o mundo real”. Somos ensinados a “construir o mundo” em que as pessoas ao nosso redor já vivem, direcionando nossa atenção para ele.

“Isto é real. Aquilo não é. Isto é importante. Ignore aquilo. É assim que somos. Não somos assim. Sempre fazemos isto. Nunca fazemos aquilo…”

Aprendemos os nomes e os usos dos objetos. Aprendemos nossos papéis dentro da família, da sociedade e da “realidade humana” em geral de forma muito restrita. Em algum momento nos primeiros anos de vida, dominamos nossas lições iniciais e nossa atenção se concentra, pois ver vem antes das palavras, para então formarmos uma relação entre o que vemos e sabemos, cuja expressão pode até explicar o mundo com palavras, mas nunca poderá desfazer o fato de estarmos imersos nele.

Ao restringir o foco da nossa atenção para apreender apenas uma pequena fração da realidade que de fato existe ao nosso redor (e dentro de nós), construímos o mundo que as pessoas do nosso tempo e lugar concordam ser real. A maioria de nós jamais experimentará outra realidade pelo resto da vida. Mas existe outra realidade. Uma que é espiritual.

Não se trata de descobrirmos quem estava certo e quem estava errado, mas sim de que nossas distinções se tornarão irrelevantes um dia. O argumento principal usado aqui é a história do Novo Testamento em que um grupo de saduceus testou Jesus com uma pergunta sobre uma mulher que se casou e ficou viúva sete vezes na Terra:  de quem ela seria esposa no céu? A resposta de Jesus foi que eles haviam feito uma pergunta sem sentido. Não é assim que o céu funciona. Por isso, meu antigo professor e eu acreditamos que toda grande verdade é assim. Uma metáfora da Montanha Sagrada.

No universo espiritual, a montanha simboliza a transcendência, a elevação da consciência e a busca pelo divino. Por estarem próximas ao céu, representam o ponto de encontro entre o humano e o sagrado, sendo um convite milenar ao autoconhecimento, à superação de desafios e à purificação interior

No topo da montanha existe uma Grande Verdade que chama a todos em sua direção. Enquanto estivermos de um lado ou de outro da montanha, ficaremos presos a uma visão limitada e a discutir detalhes. No topo, onde todos estaremos um dia, isso simplesmente não acontecerá, por razões que farão todo o sentido quando chegarmos lá, mas não um instante antes, e não sem um mapa ou guia.

Todo religioso sabe que os cartógrafos e guias espirituais humanos são falíveis, às vezes deixam passar pistas importantes deixadas em seu caminho pela Grande Verdade que os chama do topo da montanha, ou projetam sua compreensível ânsia por tais pistas onde elas não existem. Isto acontece à medida que subimos a montanha; a verdade de cada um, embora necessariamente incompleta, é verdadeira a partir do caminho que está seguindo. Mas acredito que, quando finalmente chegarmos ao topo da montanha, não haverá dúvida de que encontraremos lá:  uns aos outros diante da Grande verdade, convergindo de todas as direções. Uns serão direcionados para a vida e outros para a condenação eternas.

Eu endosso John Piper: A vida não é uma linha reta que leva de uma bênção a outra e finalmente, ao céu. A vida é uma estrada sinuosa e conturbada. E o objetivo das histórias bíblicas é nos ajudar a perceber, em nosso interior, que Deus está por nós em todas essas subidas estranhas. Portanto, precisamos tratar o todo e não apenas as superficialidades, focando apenas no emocional, porque a razão humana não pode dar e preencher a totalidade do desejo de ninguém. Isto é um engano muito comum, quase sempre causado pela recusa em acreditar que Deus pode e quer nos ajudar em todas as ocasiões.

Na opinião das pessoas, ninguém ainda chegou ao topo da montanha e, por essa razão, todos os mapas, todas as religiões são valiosos, mas incompletos. Todas as religiões haviam captado e registrado vislumbres genuínos da Grande Verdade no cume distante. Mas nenhuma conseguiu montar um quadro completo a ponto de alcançar o pico. Eu discordo dessa maioria religiosa. Elias subiu à montanha e percorreu um novo caminho; Moisés subiu à montanha e recebeu a palavra; Cristo subiu à montanha e transfigurou-se, ao fazê-lo, passado, presente e futuro se fundiram em uma nova perspectiva ético-moral e existencial. O verbo que se fez carne realizou a boa, perfeita e agradável vontade do Criador de tudo, tornando-se O caminho, A verdade e A vida. Se tudo não foi consumado, a parte mais importante foi.

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Devocionais para não devotos 53

“Somos seres inconclusos e estamos a atravessar a existência na relação com tudo que aqui faz morada.”

Estes dias esbarrei no Instagram com a frase acima, atribuída a Luiz Rufino em sua obra “Vence Demanda”. Ela reflete a ideia de que o ser humano está em constante construção, inacabado por natureza, e define sua existência através da interação contínua e da conexão com o meio e todos os outros seres.

Esta ideia não reflete a retórica cristã, cujo conceito de humano como criatura está acabado, pronto. Contrariando perspectivas panteístas ou deístas, aqui se enfatiza a distinção clara entre o Criador e a criatura, sublinhando a dependência total da criatura em relação a Deus. Dentro da cristandade, o ser humano é visto como uma “criatura razoável” ou “racional”, com o propósito de participar da vida bem-aventurada de Deus, cuja conclusão foi que o ser humano era bom. Porém, desvirtuados pela desobediência ao Criador, colocamos tudo a perder.

No entendimento de Rufino, este ser “inconcluso” que não é totalmente bom, e até um pouco falho, é possuidor de uma característica fundamental que é aprender, mudar e evoluir, onde a “travessia” é um processo que não termina, pois não existe ponto de chegada para encerrar este aprendizado, e só acontece “na relação com tudo que aqui faz morada”, ou seja, com as pessoas que estão em nosso círculo social e seus lugares de interação, com a tentativa de compreender o que se passa no espírito de cada indivíduo, valorizando justamente o caráter de especificidade, em que cada um é responsável por suas próprias escolhas e pelo caminho que decide trilhar — que por mais tortuoso que seja, pode conduzir a algum lugar de proveito.

Da nossa incompletude e da nossa desorientação, do nosso anseio e do nosso desejo de viajar, surge a força motriz de todo amor e de cada revolução, da nossa ciência e da nossa arte, da nossa criação e da nossa autocriação. Todo ato criativo é um ato de travessia.
Possivelmente, este é o lugar das perguntas que o pensamento filosófico organiza, a fim de dar à vida a ideia de que tudo converge para um mesmo fim: O que é que eu sou? Sou um pensamento? Cogito ergo sum? Tenho em mim o sopro? Mas quem é esse que tem? Quem é que fala por mim se tenho um corpo e um espírito? Eu sou um eu?

“É exatamente isto que você é, um eu”, responde-me o mundo (e coloco ênfase no “eu” minúsculo), lembrando que, se a vida é encarada como um processo, uma passagem (travessia), cuja importância é o modo como nos relacionamos com o mundo (o que “faz morada”), o cérebro humano, biologicamente, precisa se remodelar conforme a intensidade, a frequência e a consistência do nosso esforço mental. A disciplina e a repetição, por isso, não são moralismos antiquados, mas são os alicerces neurobiológicos do aprendizado profundo e da capacidade de antecipar eventos no que é inerente ao mundo concreto e material, sem generalizações fáceis.

E nesta existência relacional, pergunto-me: por que Deus pede tanto que seja amado por nós? Resposta possível: porque assim nós amamos a nós mesmos e, ao nos amarmos, nós nos perdoamos. E como precisamos de perdão! Não somos seres isolados. A nossa identidade se constrói na “relação com tudo”, porque a própria vida já vem mesclada ao erro, com ênfase na interdependência entre os seres humanos, a natureza e o ambiente.

A ideia de inconclusão acontece porque vivemos em um tempo em que as pessoas observam muito, mas compreendem pouco. Um detalhe diferente já desperta julgamentos; um costume que não conhecemos vira motivo de estranhamento. Mas quando alguém decide realmente observar, algo interessante acontece: a diferença deixa de parecer distância e passa a revelar apenas uma história que ainda não conhecemos. Pois toda pessoa é um reflexo do mistério de Deus. Todo amor, respeito e veneração prestados a Deus também devem ser devotados à sua imagem, à pessoa humana (explicado mais precisamente no Evangelho de Mateus, 22:37-39).

É diferente do que pensa o homem atual: opinar é chegar a alguma conclusão; para Ortega, não é reagir nem expressar apetites com palavras, é aceitar a disciplina do pensamento, o confronto com razões, limites e verdades que não escolhemos.

O crème de la crème é concluir que precisamos abandonar a pretensão absurda de “neutralidade”. Isso não existe. Toda lei, toda norma social e toda instituição cultural são reflexos do deus e da moralidade de alguém. Passamos tempo demais tentando encaixar nossa visão de mundo em uma estrutura secular que nega fundamentalmente a realeza de Cristo e a realidade do nosso povo, sugerindo apenas uma perspectiva de que a educação e a vida devem ser pautadas pela liberdade e pela construção coletiva. Mero humanismo, cujo triunfo sobre o Cristianismo começou no dia em que o deixamos governar nossa vida comunitária ‘por valores humanos, fortalecidos desde o Iluminismo, em vez dos valores cristãos que prevaleceram por muitos séculos’.

Quanto a vencer demandas, os cristãos entendem e acreditam que só a fé em Jesus Cristo pode vencer o mundo.

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Devocionais para não devotos 52

E preciso saber que o nosso tempo é finito e fazer valer a pena. A vida é finita, mas muitas pessoas acumulam tarefas e adiam descanso, convivência ou reflexão como se sempre pudessem “compensar depois”.

Quando ninguém está olhando, alguém em uma janela descobre novas formas de amar ouvindo o segredo em algum disco recém-descoberto; enquanto outra pessoa assiste a 24 episódios (ou 3 temporadas inteiras) da sua série favorita de uma só vez, apesar do mistério estar naquele indivíduo que lê 5 calhamaços — ao mesmo tempo — do melhor da literatura mundial, citado por algum gigante da informação.

Apesar de ainda seguir buscando o porquê de alguém fazer 5 horas de crossfit diárias, apenas para adquirir até uma semana inteira de dor e um discutível ganho físico, sinto um duvidoso pequeno alívio enquanto penso que existe quem desdenhe isso tudo, cozinhando marmita para um mês inteiro — e congelando tudo madrugada adentro.

Mas vocês já pensaram sobre a angústia de quem produz conteúdo para rede social — religiosamente — no afã de ‘viralizar’ algum dia? Fazendo de tudo enquanto, simultaneamente, responde 386 mensagens no whatsapp, 251 no Instagram e 117 no Messenger — segurando um copo de mais de meio litro contendo alguma bebida com cafeína que, no fim das contas, também não o fará mais produtivo?

Acredite. Nada disso parece satisfatório ou prazeroso. Não é para você se divertir. Por lógica, alguém em repouso, imóvel, inerte leva uma vida menos interessante? Não necessariamente. Estar em movimento, em um moto contínuo, não implica crer que não estamos desperdiçando a vida. Ainda que a ideia de liberdade em nossos dias pareça ser o direito de definir o próprio conceito de existência, de significado, nós precisamos atentar para o fato de a natureza humana ser permanente [1].

Sei que há um crescente apelo para colocarmos em xeque tudo o que sabemos sobre o funcionamento do mundo. Mas essencialmente, você precisa respeitar a si mesmo. Ócio é fundamental nestes tempos velozes e furiosos. Todo mundo tem uma merreca de tempo entre nascer e morrer que não deve ser loucamente desperdiçada!

Além de ser preciso saber viver — saber distinguir urgência de importância. Saber o que você precisa é assumir responsabilidade sobre o seu tempo — buscar equilibrar liberdade e desejo. Porque viver de dentro para fora é a única opção real. O atual ‘se for por você’ só reforça a ideia de que nossas ações extraordinárias são motivadas exclusivamente por um amor-próprio exagerado, beirando quase o egoísmo, destacando a importância daquilo que mais desejo como a principal fonte de inspiração e energia.

Afinal, para que tanta intensidade… de que adianta amadurecimento intelectual se nos empolgamos com qualquer coisinha na internet? É preciso descobrir o grande porquê de fazermos tudo o que fazemos — por que é sempre bom recomeçar de onde paramos e viver até que só reste o mais importante.

Apesar de um monge inglês chamado Pelágio ter dito “já que a perfeição é possível para o homem, ela é obrigatória”, reitero que um ser humano não consegue ficar muito tempo ocupando um lugar idealizado, porque somos seres humanos simplesmente, não há perfeição em nós, erramos, aprendemos, mudamos, enfim, somos banalmente humanos e periódicos.

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Devocionais para não devotos 51

“A Igreja falha porque as pessoas têm medo de fazer o que é certo.”

“Na Epístola de Tiago, meu livro favorito da Bíblia, há um trecho que diz que qualquer pessoa que saiba o que é certo e deixa de fazê-lo comete pecado. Este é o problema central da Igreja.”

Cada geração precisa encontrar seu próprio caminho e, geralmente, tende a desconfiar da ênfase que recebe das gerações anteriores. É comum que os que a antecedem se desesperem em vez de ouvir, mesmo que discordem profundamente. Os grandes problemas, distopias, desafios e desilusões que atualmente afligem a humanidade, cujo pensamento é incapaz de acompanhar a velocidade dos avanços tecnológicos, como a IA, estão gerando perplexidade total sobre o sentido da vida e a natureza efêmera da existência. As carências espirituais criadas por essa perplexidade estão sendo preenchidas de diversas maneiras, como o vício em drogas, o apego à música “rebelde”, modas extravagantes e muitas outras tendências que, assim como o suposto “renascimento religioso”, tornam-se tábuas de salvação temporárias, servindo apenas como uma fuga de uma realidade cada vez mais insuportável.

É preciso lembrar: o que está por trás de toda fachada bonita de uma igreja é uma sociedade em guerra – uma guerra de classes, credos, gerações e interesses. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com seus maridos, professores em guerra com seus pupilos…

Esta geração — filhos de pós-modernistas, progressistas, relativistas e neoliberais — herdou um mundo sem certezas; sem comunidade nem raízes. Ao tentarem emancipá-los, lançamo-los ao vazio. Prometeram que poderiam viver uma vida de absurdo, e, no entanto, por meio de tanta desconstrução, suas existências acabaram em completa ruína. Ensinaram que não existem verdades, nem bem, nem mal, nem sentido, apenas escolhas.

Por isso acredito que o que estas pessoas buscam, inconscientemente, é um retorno a algo mais próximo daquilo que estão perdendo: a família, em um lugar que ainda resiste à manipulação de máquinas ou da política, ou seja, a igreja verdadeira. Além disso, os valores fundamentais da sociedade compartilham pontos em comum com valores cristãos centrados na mensagem de Jesus e são muito semelhantes aos que vemos nos Direitos Humanos. Talvez seja porque as pessoas estão fartas deste mundo superficial e falso e desejam valores que parecem ter se perdido. Talvez seja isso, sim.

Mas esse retorno não é neutro: sem uma análise crítica, corremos o risco de a religião não libertar, mas sim legitimar um reacionismo novo ou antigo, e a nostalgia pela comunidade se tornar um recurso identitário a serviço da ordem ou da exclusão. Em sociedades fragmentadas, submetidas ao ritmo frenético do mercado, o sagrado reaparece como um bálsamo, mas também como uma ferramenta. Por isso, é importante responder esta questão: quem dirige esse ressurgimento, com que propósitos e sob quais dinâmicas de poder?…

Há outros desafios: um deles é a falta de coragem, outro, a falta de comprometimento; a outra é a falta de conhecimento. Existe um mandamento para que saibamos a razão da nossa fé na primeira carta de Pedro capítulo três, versículo quinze, e nos diz como os crentes se negam, crucificam o mundo e enfrentam a perseguição, e como eles devem ser encorajados por uma forte “esperança”; os homens do mundo, que não têm essa esperança, são movidos pela curiosidade a perguntar o segredo dessa esperança; o crente deve estar pronto para dar um relato como esta esperança surgiu nele, o que ela contém e sobre o que ela repousa e muitas igrejas negligenciam esse mandamento.

Com os maravilhosos recursos informativos, investigativos e estruturais que o cristianismo em geral possui, podemos construir uma fé sólida que atraia e seja capaz de transformar uma sociedade cansada do consumismo e da banalidade generalizada, uma sociedade que se contenta com uma foto, um ritmo frenético e novo ou uma notícia escandalosa. Esta geração precisa ser capaz de distinguir a solidez da fé cristã do péssimo exemplo que [a Igreja de modo geral] deu e, em muitos casos, continua a dar. Precisamos de uma igreja mais ética e menos centrada na estética, mais cumpridora dos mandamentos e menos secularizada.

Existe uma grande verdade que nunca muda. Ouvi-a pela primeira vez do meu professor de seminário em uma aula sobre Eclesiastes. “Tudo é um vai e vem”, o que não é exatamente, embora seja, uma gangorra. O movimento do progresso (entendido em seu sentido mais profundo, o do Tempo) é pendular. O humanismo triunfou sobre o cristianismo no dia em que começamos a governar nossa vida comunitária mais ‘por valores humanos, fortalecidos desde o Iluminismo, do que pelos valores cristãos que prevaleceram por muitos séculos’. No entanto, sempre me pareceu que essa revolução laica carecia de um discurso mais robusto do que simplesmente expor as falsidades do outro lado. E é isso que está acontecendo agora: o pêndulo temporal está oscilando de volta para onde veio. E então oscilará de novo.

A religião, mesmo com suas contradições, possui certas qualidades que faltam à sociedade secular. A articulação de narrativas épicas e a liturgia são elementos poderosos na consciência humana que o secularismo, ainda que partindo de uma base mais sólida do que a religião, ainda não conseguiu desenvolver com sucesso.

Apesar de muitos não buscarem doutrinas, mas sim pontos de referência que os acompanhem em suas buscas, descobertas e experiências pessoais, ajudando-os a viver de forma significativa, pacífica e com uma responsabilidade humanizadora em meio ao caos cultural que vivenciam, acredito que chegou a hora de remover os escombros, buscando fortalecer os significados e a importância da Igreja nesta cultura ruidosa, violenta e cínica em que vivemos.

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Devocionais para não devotos 50

Sabemos através do arcabouço judaico-cristão na cultura ocidental que o castigo final dos crimes (por mais horríveis que sejam) é um poder que não compete aos homens, sendo por isso os cavaleiros do apocalipse encarregados do castigo dos criminosos e pecadores, perseguindo-os incansavelmente, pois seu campo de ação não tem limites. São implacáveis e não se deixam abrandar por sacrifícios nem suplícios de nenhum tipo. Não levam em conta atenuantes e castigam toda ofensa contra a sociedade e a natureza, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais.

Na Antiguidade helênica relatada por Ésquilo na sua tragédia, existiam as Eumênides (também conhecidas como Erínias) que eram representadas normalmente como mulheres aladas de aspecto terrível, com olhos que escorrem sangue ao invés de lágrimas e madeixas trançadas de serpentes, que cumpriam a mesma função dos cavaleiros apocalípticos.

Conforme esta tradição grega, havia na Arcádia um lugar onde se encontravam dois santuários consagrados às Erínias. Nestes lugares, segundo a lenda, são elas que perseguem a Orestes pela primeira vez, vestidas de negro. Perto dali, e segundo conta Pausânias, existia outro santuário onde o seu culto associava-se ao das Graças, deusas do perdão. Neste santuário purificaram a Orestes, vestidas completamente de branco. Orestes, uma vez curado e perdoado, fez um sacrifício expiatório no santuário das Erínias.

Ora, um sacrifício vicário ou sacrifício expiatório é algo muito conhecido pelos estudiosos da teologia cristã como sendo o sacrifício de Jesus Cristo na cruz pelo pecado do homem. Segundo o Dicionário Bíblico Universal, era a expiação do pecado por meio de uma vida dada em substituição a outra. E ainda, segundo o dicionário Michaelis, também conhecido pelo termo “propiciação” (latim propitiatione), que pode ser compreendida como a “intercessão para obter o perdão de culpa”, bem como o “sacrifício para aplacar a ira ou a justiça divina”. O Novo Testamento refere-se à morte de Cristo Jesus como ele tendo sido a vítima da expiação universal dos erros de todo o mundo:

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus. (Rm 3:24,25)

O Apóstolo Paulo explica acima o sacrifício de Cristo para redimir a humanidade: haveria“propiciação pela fé no seu sangue” [de Jesus] e, justamente por isso, Deus faria também “remissão de pecados”. Porém, temos observado que a humanidade se isentou de suas responsabilidades “Orestianas”: buscar a purificação e o perdão do criador, oferecendo o seu melhor sacrifício (seja para aplacar as Erínias ou os cavaleiros do apocalipse), minimizando a fome, a guerra e as doenças pelo mundo todo. O que está bem esclarecido, no entanto, é a responsabilidade que somente o ser humano tem pelas suas guerras e suas mazelas, todas produzidas pelo egoísmo e pela ganância de uma natureza humana autocentrada e afastada dos antigos ideais gregos e judaico-cristãos de paz e prosperidade.

Não quero ser repetitivo, mas o Cristo disse há muito tempo que o homem não pode melhorar sem segui-lo, sem praticar seus ensinamentos; e enquanto não houver boa vontade de substituir a vida do outro pela minha, ainda que figurativamente, atitudes belicosas sempre serão uma possibilidade viável, logo, é importante aprender a amar os outros. Atitude que deve começar por aprender a amar a nós mesmos, um sentimento que o cínico moderno reativo pode descartar como um enchimento vago dos livros de autoajuda, mas que a reflexão mais ponderada revela ser profundamente verdadeiro e profundamente desconfortável. O que me faz citar o Camus novamente, encerrando este texto:

O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade. — A. Camus

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Devocionais para não devotos 49

Sobretudo, guardemos nossos corações. Com o ano chegando ao fim, chego à mesma conclusão de sempre, em dezembro, ao refletir sobre os últimos doze meses: Lemos cem vezes mais notícias ruins do que boas e, a longo prazo, isso se torna avassalador e dá a impressão de estarmos presenciando o fim do mundo .

Então surge a dúvida: “Qual é o papel de um cidadão cristão em tempos como esses?”

É uma provocação familiar, desgastada pela repetição, mas não menos urgente. Afinal, estamos assistindo em tempo real como a essência da personalidade tem sido subestimada por meras outras vontades humanas, tornando-se um conjunto de dados composto por resultados de pesquisa, algoritmos corporativos e estatísticas de consumo de commodities – ainda pior por um aparato de mídia que trata a vida humana como uma métrica móvel, cujo valor é revisado em cada manchete e calibrado para quaisquer corpos que as sociais mídias e grandes grupos de informação tenham decidido contar naquele dia. Em um mundo onde nada parece ter valor em significado ou consequência, e tudo é um mero capricho, por que continuar escrevendo, criando, se importando em viver contra o padrão atual seguindo o Senhor Jesus Cristo, se caminhamos para a desconstrução de tudo que é moral, cultural e humanamente bom?

A pergunta não é apenas o que faremos, mas quem sustentará nossos dias. Sem direção diária na Palavra, a fé se torna reativa, fragmentada e facilmente moldada por outras vozes. Ler a Bíblia todos os dias não é um gesto religioso automático. É o meio ordinário pelo qual Deus nos forma no tempo. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” Diz Mateus 4.4. A Palavra sustenta o cristão não por leituras isoladas e esporádicas, mas pela constância da rotina que forma o cristão.

Admito que 2025 não foi um ano particularmente animador. Por isso, para começar 2026 com o pé direito não quero cair em cenários apocalípticos e prefiro me posicionar firmemente no campo dos otimistas. Porque, em algum momento, você precisa se agarrar a alguma coisa que seja realmente boa. Digo, boa, perfeita e agradável como é a palavra de Deus!

O mundo pode estar acabando, mas ainda há um ônibus para pegar, uma refeição para fazer, uma criança para colocar para dormir, uma bíblia para ler e praticar, um texto ou 14 para escrever. Se a nossa percepção é cética em relação a grandes narrativas – de arte como transformação, de literatura como resistência – está profundamente investida no ato de continuar de qualquer maneira. No mundo teremos muitas aflições.
A misericórdia trata a testemunha não como testemunho entregue à história, poder ou posteridade simplesmente, mas como algo lateral e íntimo: atenção dada em tempo real, com a promessa de que se acumulará em justiça ou mesmo em significado. A resistência, aqui, não é passiva, nem a atenção. Ambas são formas de trabalho e preparação de discípulos: silenciosas, pouco espetaculares e exaustivas em sua recusa em desaparecer, em permanecer contra a atual cultura.

Lemos em Efésios 5:11 – E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. A mensagem do evangelho sempre requer que os cristãos confrontem os pecados de uma sociedade. Não podemos ser luz no mundo de outra forma, embora esse papel invariavelmente traga a rejeição dos que estão cegos ao mal de suas próprias ideias. Uma das mais claras denúncias do pecado humano é o fato que pessoas criticam os cristãos justamente por se oporem à maldade e lutar pelo certo.

Logo, se eu puder viver assim, então eu posso dizer como Paulo: “Estou crucificado [morri] com Cristo; já não sou eu [ou você] quem vive, mas Cristo [quem] vive em mim”? Porque é isso que significa morrer para si mesmo e nascer de novo, neste mundo que grita incessantemente: Viva intensamente! Olhe para você primeiro. Satisfaça suas vontades fazendo o que te deixa feliz. Realiza os teus sonhos já! A ordem de Cristo “Siga-me” é uma determinação para participar de sua morte a fim de experimentar uma nova vida. Você se torna morto para si mesmo totalmente consagrado a ele. Um grande paradoxo da vida cristã está em que existe imensa liberdade nessa morte. O morto já não se preocupa com seus direitos, com sua independência ou com as opiniões dos outros a seu respeito. Ao unir-se espiritualmente ao Cristo crucificado, riquezas, segurança e status — as coisas que o mundo tanto almeja — perdem o valor. “Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (Gl 5.24). A pessoa que toma a cruz, que está crucificada com Cristo, não fica ansiosa pelo amanhã porque o seu futuro está nas mãos de outro.

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Devocionais para não devotos 48

Chegamos a estação do ano quando podemos perguntar: Qual é o verdadeiro sentido do Natal? Alguma vez vocês já pensaram ou se perguntaram, e se o verdadeiro sentido da data natalina não estivesse na promessa ou busca de felicidade, mas na coragem de encarar nossas vulnerabilidades (para resolver isso foi que nasceu O Salvador?) e confraternizar com todos a nossa volta — como isso transformaria a maneira como vivemos o Natal?

Primeiro, acredito que voltaríamos a confraternizar de verdade, que é fazer irmãos espalhando fraternidade pelo mundo. Quase um aforismo para a ordem máxima do cristianismo: ide por todo mundo e façam discípulos.

Segundo, viveríamos a mensagem anunciada pelos anjos no nascimento de Jesus, como está em Lucas 2:14, algo que simboliza a alegria celestial, a reconciliação e a mensagem de Deus de trazer paz, favor e boa vontade para a humanidade, um verdadeiro convite divino à paz interior e ao bem-querer, isso deveria ser resgatado o quanto antes.

É preciso lembrar que trabalhar no seu emprego comum, voltar pra casa, cuidar de quem você ama, ler um livro, cozinhar com calma, dormir bem é uma dádiva. A vida simples não é fracasso. É sabedoria se há paz e boa vontade entre as pessoas.

A sociedade vendeu a ideia de que você precisa ser extraordinário. Mas às vezes, ser ordinário e feliz já é revolucionário. Na verdade precisamos voltar as nossas raízes porque a maldade e o pessimismo tomaram conta do mundo…

Terceiro – Se não há sentido real nos presépios decorativos, porque não evocam mais a redenção ou transcendência explícita nas nossas comemorações Natalinas, e onde tudo parece um marcador de estações, quase um lembrete incômodo de que os anos passam, as ausências se acumulam e a promessa de alegria nem sempre se cumpre, tudo isso está nos dizendo que as nossas confraternizações deveriam evocar e anunciar que a paz é um presente de Deus para aqueles que Ele recebe em sua família, dependendo de uma disposição de boa vontade por parte das pessoas, ou seja, fé no Cristo vivo, para promover o amor, a compreensão e a fraternidade.

Ao ler a primeira carta de João capítulo 3, versículo 16, conhecemos o amor olhando para Cristo na cruz. Ele entregou a vida por nós quando nada merecíamos. Esse amor recebido nos move a servir, ceder, repartir e cuidar. Não é teoria: é amor que custou sangue e agora molda nossos relacionamentos.

O cristão que quiser seguir a Cristo, “caminhar” por esta estrada, deverá não somente confessar sua fé em Cristo, mas também praticar uma ação dinâmica, visto que o arrependimento encontrado no NT é traduzido da palavra grega metanóia, e significa: “mutação de inteligência, retorno do pensamento e, literalmente, “revolução cultural” pela qual os homens salvos pela palavra de Cristo entram numa inteligência nova do mundo, da história e da tarefa humana” (I Co. 1.21).1

Porém, este breve momento comemorativo que deveria refletir um comportamento fraterno de todos os dias e para o próximo ano — afinal O Salvador nasceu! Vivamos de acordo! Ao contrário, tem nos levado a percepção que há algo de profundamente artificial na alegria obrigatória do Natal moderno. Com suas luzes, seus votos de felicidade, e uma promessa anual de recomeço esvaziada de amor, tudo parecendo servir apenas para produzir um simulacro da realidade idealizada hoje pelas mídias sociais e digitais.

A verdade é que nossos votos tem sido esquecidos junto aos pedidos de crescimento pessoal, todos arranjam desculpas e se sentem fracos por precisarem de ajuda para viverem uma vida cristã. Presumem que serão rejeitados, que se tornarão um fardo ou até mesmo que parecerão incompetentes. Então, em vez de pedir ajuda, permanecem em silêncio, se afastando da comunhão. Mas ninguém alcança o sucesso sozinho. A colaboração funciona quando as pessoas pedem (e oferecem) ajuda. Em uma família ou comunidade quando você não pede (e pouco oferece), você não está sendo independente. Você está se preparando para o fracasso. Buscamos causas secundárias e esquecemos a fonte verdadeira. Trabalhamos, corremos, juntamos recursos, mas o sustento real não vem de nosso esforço ou recursos, e sim de Deus, o Criador, Sustentador e Senhor de todas as coisas. Soli Deo glori!

1- https://t.co/HpNFWA2lAr

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