Se o mundo perdeu o sentido, perdeu a lógica e, ao perdê-la, perdeu a ética. Ou podemos ler a frase ao contrário: ao perder a ética, que já era pouca, perdeu a lógica também.
Todos somos imperfeitos. Todos enfrentamos dificuldades. Somos obcecados por tecnología. Não é preciso ser um gênio para perceber a que os dois primeiros itens apontam, ou para onde eles apontam, se você estiver preso a crenças antiquadas sobre a localização das preposições. Passamos a vida tentando ser compreendidos, mas no fim cada alma continua sendo um quarto fechado por dentro. E quando você olha por tempo demais para dentro deste quarto, percebe que o mais assustador não é a escuridão dele, mas a familiaridade que ela começa a despertar em você. Existe uma tristeza silenciosa em perceber que ninguém jamais enxergará você por completo. E se você gastar a vida inteira tentando, não diga que perdeu tempo, porque talvez essa seja a única razão da nossa existência, pois na muita sabedoria há muito aborrecimento. Esta triste frase fala sobre o estudo da natureza do homem em sua grandeza e sua pequenez, em sua sanidade e em sua insanidade. Porque o simples alargamento do horizonte, seja de conhecimento ético ou físico, não traz nenhuma satisfação; os homens apenas ficam mais conscientes de sua distância em relação ao verdadeiro ideal.
Chega um momento em que o mundo perde o sentido que tinha antes. Há pessoas que carregam oceanos inteiros dentro de si e mesmo assim passam a vida fingindo calma para que ninguém perceba o caos escondido em sua alma. Estas pessoas continuam sorrindo, as ruas continuam cheias, mas alguma coisa dentro delas, de você, já não pertence mais a tudo isso. Porque o mundo quebra todos os homens. Estar no mundo é ter muitas aflições. Alguns permanecem destruídos. Outros passam tanto tempo tentando ser alguém aceitável para o mundo que, quando finalmente desistem, percebem que já não sabem mais quem são antes de começar a fingir. Outros aprendem a esconder tão bem as rachaduras que ninguém imagina quantas vezes eles precisaram se reconstruir sozinhos. Em comum, todos pediram tão pouco da vida: um pouco de paz, algum silêncio e alguém que entendesse seu cansaço sem que precisassem explicar. Ainda assim, até isso pareceu demais para o mundo.
E a pior sensação não é descobrir que o mundo recusou seus pedidos, mas perceber que você mudou tanto a ponto de já não reconhecer a própria maneira de sentir algumas dores, principalmente aquelas que não transformam ninguém em algo melhor. Há noites em que a solidão pesa tanto que até o silêncio parece fazer barulho dentro da cabeça. Elas apenas ensinam a continuar vivendo com um vazio tão antigo que já parece fazer parte do corpo. E nessas horas, a alma se torna um lugar difícil de habitar. O que sobra é a única resposta aceitável: viver mais, e não menos. Ter consciência no lugar da anestesia, teimosia no lugar do conforto, e a recusa de fingir que as coisas voltaram a fazer sentido. O sentido não é encontrado pronto. É construído por quem já sabe que não havia nenhum esperando. Quase todo ser humano carrega esta mesma tristeza, a de passar a vida inteira tentando ser amado sem jamais conseguir mostrar aos outros quem realmente é. No fim, o absurdo, escreve Camus, não está no homem nem no mundo, mas na presença comum dos dois. Não é o universo que é sem sentido, nem você que está quebrado. É o encontro entre alguém que pede sentido e um mundo que não pode responder de maneira plenamente satisfatória.
Oscar Wilde disse que, se você sabe o que você quer ser, você inevitavelmente tornar-se-á – o que é seu castigo, mas se você nunca sabe, então você pode ser qualquer coisa. Há uma verdade nisso. Nós não somos substantivos, somos verbos. Eu não sou uma coisa – um ator, escritor – eu sou uma pessoa que faz as coisas – eu escrevo, eu ajo – e eu nunca sei o que vou fazer a seguir. Acho que você pode ficar aprisionado se pensar em si como um substantivo. – Stephen Fry
Estas coisas aprendi com eles: Franz Kafka – Fiódor Dostoiévski – Albert Camus – Friedrich Nietzsche – Clarice Lispector – Osamu Dazai – Fernando Pessoa – Ernest Hemingway – Edgar Allan Poe – George Orwell – Liev Tolstói – Machado de Assis – Oscar Wilde.

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