Como o Evangelho ofende a nossa cultura antropocêntrica?

“Quando Cristo disse, na sala de julgamento de Herodes, as notáveis palavras “Eu sou um rei”, Ele pronunciou um sentimento carregado de poder e dignidade indescritíveis. (…) Aquela coroa de espinhos era, de fato, o diadema de um império; aquele manto de púrpura era a insígnia de realeza; aquele caniço frágil era o símbolo de poder irrestrito; e aquela cruz, o trono de domínio que nunca acabará”1

Por isso, a maior ofensa do Evangelho não é nenhuma de suas implicações sócio culturais: o que ele implica para o debate sobre o aborto ou o casamento homoafetivo. A maior ofensa do Evangelho é o próprio Evangelho. Ele nos confronta com três verdades que ninguém gosta de ouvir:

– Existe um Deus e não é você! Ele é o Criador de todas as coisas e todo sentido e significado procede dEle, não da sua cabeça. Você pode não gostar, mas vive no mundo dEle e não pode fazer só o que dá na sua cabecinha.

– Todos pecaram e carecem da glória de Deus. Sim, todos, inclusive você. Você pode achar que não, mas não é diferente daqueles que costuma colocar do outro lado – seja que outro lado for esse. Na verdade, em relação a nós, a cruz mostra que somos pecadores, miseráveis, insuficientes, falhos, os piores, imerecedores (Ef 2:1). Pois, a realidade é que nós deveríamos estar ali e não Jesus (Is 53:4-5). Não há valor em nós e o valor que temos é de Cristo, não nosso (Is 64:6/Hb4:15). No fundo, somos todos farinha do mesmo saco.

– Existe apenas um caminho para a salvação, apenas um nome pelo qual importa que sejamos salvos: o de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ou Ele resgata você, ou você permanecerá perdido apesar de todas as suas tentativas. A cruz não mostra o nosso valor, pois a cruz não serve para nos exaltar. A cruz mostra o grande amor de Cristo por nós, no caso sem valor. A cruz exalta e glorifica Cristo (Fp 2:6-11).

Sim, o Evangelho é exclusivista. Um reino será estabelecido ao final e todo mundo terá que se submeter a Cristo. Não é de se espantar que, vez após outra, tentemos redefinir alguns aspectos dessa mensagem, dando origem a outros evangelhos. Isso, porém, é uma grande tolice. A principal manifestação satânica e do mal desta era é religiosa; é a cegueira em relação ao evangelho de Jesus Cristo. Por que o Evangelho que ofende é também o único que redime.
Dessa maneira, a cruz nos mostra que não a merecemos, mas que ao mesmo tempo a necessitamos todos os dias. A cruz é o começo de todos que Nele creem e o fim de todos os que a Ele seguem. A Cruz é o grito de Deus para o mundo: “Você não pode salvar a si mesmo!” – Charles Spurgeon.

1. J. L. Reynolds, “Church Polity, of the Kingdom of Christ”, em Polity: Biblical Arguments on How to Conduct Church Life, ed. Mark Dever (Washington, DC: Center for Church reform, 2001), 298.

Sobre lucaspinduca

I'm part cultural voyeur mixed with a splash of aspiring behavioral scientist and wannabe motivational Christian speaker.
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